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O futuro da energia, as utopias e os paradoxos

Iniciado por pr0fit, Abril 30, 2006, 21:45

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pr0fit

Este texto pretende transpor a verdade dos factos. A verdade, sabem, aquela noção que hoje em dia está em desuso devido ao "penso que", "acho que" e acima de tudo ao "sinto que".
Nos dias que correm existe um grupo privado com uma grande vontade de apostar na energia. Este grupo é liderado pelo Sr. Monteiro de Barros, que com a sua excelente visão estratégica aposta num sector essencial ao futuro. Ele está a criar desde já uma posição no mercado energético nacional e teve como primeira proposta a construção de uma central nuclear. Ora os ambientalistas não pouparam críticas ao projecto e criaram desde cedo a ideia que este não deveria andar para a frente. Existem aliás interesses em que este processo seja descartado dado que desde que surgiu no horizonte não tem passado uma semana sem uma notícia pró energias renováveis e contra o nuclear.
É neste ponto que se tem que estabelecer a primeira premissa:

#1: Toda a capacidade em termos de energias renováveis tais como o vento, o sol, as marés e a biomassa combinados, com geradores em todo e qualquer lugar, não têm a menor hipótese de alimentar uma fracção do consumo energético deste pequeno país.

Esta é a dura verdade. Estas alternativas não são reais. São criações de utópicos sem a mínima noção de engenharia e cujo pensamento assenta em "wishful thinking". Talvez num próximo momento estas contas venham a público. Nesta altura tudo é escondido e, ouvindo alguns debates poder-se-ia pensar que é possível alimentar o país com estas energias.
Ora dado que não há certezas de construção do nuclear, o sr. Monteiro de Barros propõe algo muito mais consensual...uma refinaria! Os mesmos ambientalistas gesticulam um pouco mas muito menos do que com o nuclear. O governo recebe a proposta de braços abertos. Os cidadãos comuns pensam que é "mais seguro". Nada mais falso! Os custos ambientais de uma refinaria são astronómicos para o país, para a atmosfera, em suma para todo o ambiente. O meu segundo ponto é:

#2: A sua acção produz resíduos para a atmosfera e como se isto não bastasse o produto das refinarias (gasolinas, etc.) será ele próprio objecto de combustão. A poluição é astronómica.

Mas a energia é necessária para tudo no país e, portanto lá se vai construir a refinaria, uma quantidade de centrais térmicas e, aqui está o paradoxo: faz-se isto para "poupar" o ambiente.
Esta falsa poupança vai também mexer no bolso dos consumidores. A via do petróleo pode tornar-se muitíssimo cara e para além disso, em Portugal não há petróleo! O terceiro ponto é:

#3: será insustentável a curto ou médio prazo alimentar as necessidades energéticas do País e, por muito boa vontade que se tenha ou por mais investimentos que se façam nas "energias renováveis" elas não conseguem suprir sequer um fracção do consumo. Resultado: o país vai parar!

Esta é a dura realidade. Não vai para de repente mas vai abrandando até que não se suporte mais. As economias em ascensão como a China e a Índia vão encarregar-se de manter a procura e os preços em subida.
Eu, como gosto de viver em Portugal e gostaria que a política energética fosse sustentável vou sugerir uma outra via: o nuclear e provar que é uma solução muito melhor. Alias outros países em desenvolvimento estão a apostar nisto (ex. Finlândia) e outros como a Espanha podem falar com a barriga cheia das 8 centrais que têm e que lhas baixam 30-40% da factura energética em relação aos Portugueses. O ponto principal é:

#4: Se se começassem a construir 2 a 3 centrais neste momento, a 8 anos Portugal poderia ser auto-suficiente em termos energéticos! O petróleo poderia deixar de fazer parte das nossas vidas!

É realmente assim. A simplicidade e limpeza desta solução contrasta fortemente com a complexidade, incerteza e desperdício da alternativa. Não seriam necessárias centrais térmicas dado que as renováveis adicionadas ao nuclear ultrapassam largamente a necessidade deste país. Mas para que necessitamos nós de mais energia eléctrica? Para mover os automóveis!
O futuro verde para os automóveis passa por células de hidrogénio. Já existem em circulação veículos cujo resíduo produzido se reduz a vapor de água. Então porque é que não se produz hidrogénio em massa para que os automóveis possam ser movidos a esse combustível? A resposta é que se se usar o petróleo como forma de produção de hidrogénio, o processo torna-se mais caro e poluente. No entanto se se usar a capacidade nuclear, permanentemente presente após o arranque das centrais, a produção seria fácil e muito barata. O custo dos combustíveis desceria em flecha e massificar-se-ia.
As cidades cheias de automóveis e livres de poluição (excepto talvez a sonora...).
Ora já vimos que Portugal não tem petróleo mas, e este é o último ponto:

#5: Portugal tem minas de urânio. É fácil e barato produzir combustível nuclear em Portugal e pelo anteriormente visto poderia significar a independência energética sem poluição.

Prova-se facilmente que o nuclear é mais limpo, mais barato mais sustentável e passível de criar riqueza de exportação em energia eléctrica ou como pilhas de hidrogénio. A melhoria de condições, da balança comercial e dos títulos em bolsa está ao alcance de uma decisão política. Se o país fosse uma empresa, o CEO não teria dúvida alguma sobre a decisão.

Um abraço

Francisco Monjardino

Bom dia prOfit,

Tomei a liberdade de destacar o teu texto na homepage do Clubeinvest.com.

Muito obrigado pela partilha de opinião que subscrevo. Se aqui ao lado temos 8 centrais a funcionar, por razão não havemos de ter a nossa a alimentar o país? Será que achamos que no caso de um acidente a fronteira vai-nos proteger??

É uma questão complicada a do nuclear, levanta muitos medos na opinião pública, medos esses que são fáceis de explorar.

Um abraço,
Francisco Monjardino

notiCIas

Portugal tem de criar uma política energética real e passar aos actos


Portugal terá de passar à prática no que respeita às energias renováveis, criando uma política energética real, consideraram os intervenientes na Conferência sobre Energias Renováveis, organizada pelo «Diário Económico».

Carlos Pimenta, presidenta da SIIF Énergies, considerou que Portugal «tem de usar melhor os recursos que tem», alertando para o facto de ser «pena que se fale disto [energias renováveis] agora» apenas porque o petróleo está a negociar nos 75 dólares por barril.

O responsável disse mesmo que «foi pena» que a energia tivesse «sido tão barata», pois não «souberam aproveitar» e causou um inconveniente, «atrasou a introdução massiva de técnicas de substituição».

Carlos Pimenta disse mesmo que o problema da energia do mundo «não é o Irão», nem os problemas da Nigéria, «não é uma bomba». Não são estes factores que fazem disparar os preços do petróleo defendeu, considerando que «o problema de fundo da energia é fundamentalmente um problema de risco ambiental».

Portugal «tem de passar às acções», sendo necessário «que as palavras passem aos actos», disse o mesmo responsável que criticou o tempo que é necessário, ou que tem sido prática comum, para se fazer as atribuições.

«É preciso acordar», numa altura em que a dependência de Portugal externa ronda os 85% e todos os «anos custa uma ponte Vasco da Gama» a mesma energia. Só em 2005 Portugal pagou 1.200 milhões de euros.

«Apoio as resoluções, as demonstrações de vontade», mas «o que falta é vontade política séria, que passe aos actos» o que não tem acontecido governo após governo.

Outra ideia que os intervenientes na conferência consideraram fulcral, foi o ensino. Com os responsáveis a defenderem que «o conceito de energia tem de ser apreendido logo na escola», como disse Joaquim Borges Gouveia, presidente da Energaia.

«Portugal tem de fazer uma política energética de criação de emprego», tal como aconteceu na Dinamarca ou na Holanda, afirmou Joaquim Gouveia, que acrescentou dizendo que Portugal deve «desperdiçar 40% do petróleo por dia» e que neste momento é muito importante «poupar».

Já o presidente da Hidrocentrais Reunidas, Jorge Viegas, afirmou que são colocadas «muitas barreiras» para este tipo de energia, como sendo a demora das atribuições e mais recente a nova lei da água que está a ser elaborada pelo executivo, que supostamente vai obrigar ao pagamento da água.

«Há capacidade», para os «próximos 10 anos duplicarmos a capacidade», desde que «não surjam mais obstáculos», reiterou Jorge Viegas.

Maria João Rodrigues, do conselho de direcção da Sociedade Portuguesa de Energia Solar, afirmou que «o tempo para os licenciamentos é muito», reiterando as indicações já dadas pelos outros intervenientes, alegando que se pode ligar uma central de fotovoltaica de «5 quilowatts numa manhã».

canal de negócios
NotíCIas

pr0fit

Com este artigo pretendi mesmo "agitar as águas" para tentar por as pessoas a pensar.
E já agora, mais uma acha: o preço da energia é uma variável importante na instalação indústrial. O crescente preço de energia para as empresas é mais um dos factores de fecho de empresas em Portugal para serem abertas noutros locais com melhores condições.
Gostaria que a energia fosse o projecto nacional. Mais do que OTAs e TGVs, penso que uniria as pessoas no caminho certo, aumentando os sentimentos positivos, a criação de empresas (e emprego) e, se não fosse pedir muito, o valor dos activos mobiliários :)

Um grande abraço