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Portugueses deviam estar «envergonhados» pela forma como são vistos no estrangei

Iniciado por notiCIas, Maio 26, 2006, 18:50

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Portugueses deviam estar «envergonhados» pela forma como são vistos no estrangeiro

«É humilhante para os portugueses a percepção que o exterior tem de Portugal, que é a de uma contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos», disse Jack Welch hoje de manhã numa mesa redonda com empresários portugueses, citado pelo presidente do Fórum para a Competitividade, Luís Mira Amaral, na conferência de imprensa que se seguiu para revelar as conclusões do encontro.

«Welch disse que somos demasiado estáticos em Portugal», afirmou Mira Amaral, confirmando assim o «ralhete» que o ex-CEO da General Electric deu aos empresários portugueses na mesa redonda destinada à análise e discussão sobre «Os Desafios das Empresas e da Economia Portuguesa no Contexto Competitivo Actual», uma iniciativa apoiada pelo Jornal de Negócios.

Jack Welch defendeu o empreendedorismo e um aumento sustentado da produtividade e deu alguns exemplos de sistemas financeiros que actuaram como estímulo para o empreendedorismo: a elevação do nível tecnológico, maior contribuição do Estado (na garantia de qualidade a todos os níveis de ensino, por exemplo) e na inovação e valorização dos recursos humanos, que devem ser as preocupações básicas das empresas.

Outra convicção defendida por aquele que foi considerado o gestor do século XX – pela revista «Fortune», em 1999 – é a de que Portugal tem que criar oportunidades para os novos talentos e fazer com que eles fiquem no país em vez de irem para o estrangeiro – o que faz com que o país perca capacidade de inovação.

Aquele responsável citou exemplos em termos de educação e formação profissional, inovação e desenvolvimento tecnológico, bem como níveis de exportação ao referir-se a alguns dos maus exemplos do desempenho de Portugal. E salientou que o nosso país é mal visto essencialmente pelos seus parceiros europeus e não em países tão distantes quanto os EUA.

Welch deu ainda o exemplo de Espanha, Irlanda e Eslováquia, que têm um ambiente competitivo, por comparação com Portugal, onde o ambiente é deprimido. «É preciso liderança e um choque muito forte sobre a sociedade, que permita criar um ambiente positivo», referiu Welch na mesa-redonda, citado por Mira Amaral. Além disso, também a componente fiscal foi vista como essencial no processo.

«Jack Welch disse que lhe faz impressão que não estejamos envergonhados», referiu um outro responsável do Fórum para a Competitividade.

Outra ideia defendida por Welch para uma mudança positiva reside no «venture capital», que é necessário para estimular o empreendedorismo. No entanto, o ex-presidente executivo da GE salientou que o problema da falta de empreendedorismo não está apenas do lado do financiamento. Há também falta de ideias e projectos. Nos EUA, cerca de 25% dos diplomados tem como ambição começar um negócio próprio, ao passo que na Europa o desejo é o de ter um lugar numa empresa já estabelecida, frisou Welch para salientar a falta de iniciativa.


«Existem mais associações do que empresas»
Mais tarde, na conferência que precedeu o almoço, Jack Welch falou para uma audiência de centenas de pessoas e começou por dizer que a ideia que teve de Portugal é a de que «existem mais associações do que empresas».

Quando questionado sobre sinergias, o ex-CEO da General Electric disse que aquela era uma palavra já muito gasta e que não devia ser utilizada. Welch mexeu de forma entusiasta com a audiência e recordou que em todas as empresas há flores e ervas daninhas.

«Cortem as ervas daninhas e terão um bonito jardim», aconselhou. Afirmou também que« os gestores que apenas gostam de números e que não querem saber de pessoas – mas elas existem na empresa! – são uns idiotas».

Antes de passar à sessão de Perguntas e Respostas, Jack Welch falou ainda sobre o facto de os negócios serem como jogos e que as empresas (equipas) com os melhores jogadores são as que vencem.

Nesta altura recordou uma vez mais o importante papel dos recursos humanos, dizendo que numa equipa de futebol é o treinador e não o chefe da contabilidade quem sabe gerir o plantel.

Questionado sobre os fundos de «private equity», Welch defendeu-os como benéficos para as empresas, salientando que foram responsáveis por tornarem a América mais competitiva. Além disso, afirmou que as pessoas têm que se sentir confortáveis no mundo global, senão não poderão vencer.



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