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Fed alimenta ''bolha de ativos'', afirma Roubini

Iniciado por zimermann, Novembro 06, 2009, 23:30

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zimermann

12/12/2009 - 15h27
Obama se mostra irritado com "poderosos" de Wall Street


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, demonstrou estar irritado com os "poderosos" banqueiros das grandes entidades financeiras de Wall Street porque, apesar de terem sido resgatadas ou recebido ajuda do Governo, continuam pagando bonificações.

"Não quis ser presidente para ajudar um grupo de poderosos de Wall Street", afirma Obama em entrevista concedida ao programa "60 Minutes", da rede de televisão "CBS", que será exibido hoje à noite, mas que teve alguns trechos já divulgados.

Na segunda-feira, o presidente americano se reunirá com os executivos dos 12 principais bancos americanos.

A insatisfação expressada por Obama na entrevista é idêntica à manifestada em seu tradicional discurso pelo rádio transmitido aos sábados, onde voltou a atribuir a maior responsabilidade da crise econômica às instituições financeiras de Wall Street.

"Foi um desastre que poderia ter sido evitado se tivéssemos normas claras para Wall Street e as tivéssemos aplicado", afirmou.

Em sua entrevista ao "60 Minutes", Obama explicou que as únicas entidades financeiras que pagam essas gratificações e evitam assim os limites que sua Administração impôs às firmas que utilizaram fundos do Programa de Assistência de Ativos de Risco (TARP, na sigla em inglês) são aquelas que devolveram o dinheiro ao Governo.

Porém, o presidente americano não descartou que esses bancos possam ter devolvido o dinheiro somente para poder pagar bonificações a seus executivos.

"Isso mostra que as pessoas de Wall Street ainda não entendem. Ainda se perguntam por que o povo está furioso com os bancos", acrescentou.

Obama criticou o setor financeiro por gastar US$ 10,2 milhões em bonificações "depois que os EUA atravessaram o pior ano econômico em décadas" e quando "foram eles que causaram o problema".

"O que realmente me é frustrante atualmente é que os mesmos bancos que se beneficiaram dos impostos dos cidadãos estão lutando com unhas e dentes com seus grupos de pressão no Capitólio contra um controle financeiro" mediante uma lei reguladora, disse na entrevista.

A Câmara de Representantes dos EUA aprovou na sexta-feira, em votação apertada, a maior reforma financeira do país desde a Grande Depressão, com o objetivo de consolidar a confiança dos consumidores e combater os abusos de Wall Street.

Com 223 votos a favor e 202 contra, incluindo o "não" de 27 democratas que não acompanharam o voto de seu partido, os legisladores aprovaram uma iniciativa para modernizar o sistema financeiro dos EUA e reforçar a supervisão das atividades bancárias.


da Efe, em Washington


Nyk


13 de dezembro de 2009 |

MISSÃO INACABADA DE BERNANKEBen Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), disse recentemente algo pessimista sobre as perspectivas econômicas. A economia, ele alertou, "enfrenta alguns reveses terríveis". "Tudo o que podemos esperar é um crescimento modesto no próximo ano – suficiente para diminuir o desemprego, mas a passos mais lentos do que nós gostaríamos", disse.

Na verdade, ele pode ter sido otimista demais: há uma grande possibilidade de que o desemprego cresça, ao invés de cair, ao longo do próximo ano. Mas, mesmo que diminua um centímetro, alguém pode questionar: por que o Fed não está tentando fazer com que diminua mais rápido?

Recuperando: não creio que muitas pessoas tenham noção de quantos empregos precisamos criar para sair do buraco em que estamos. Você não pode só olhar os 8 milhões de empregos que os Estados Unidos perderam desde o início da crise, pois o país precisa continuar criando vagas– mais de 100 mil por mês – para suportar uma população em crescimento. E isso significa que precisamos de um grande ganho real de empregos, mês após mês, se quisermos ver os EUA voltarem a ter algo parecido com desemprego zero.

Quão grande? Meu cálculo aproximado mostra que precisamos de algo em torno de 18 milhões de novos empregos nos próximos cinco anos, ou 300 mil empregos por mês. Isso coloca o informe sobre empregos da semana passada, que mostrou que "somente" 11 mil empregos foram perdidos em novembro, em xeque. Foi um relatório terrível, apresentado como boa notícia só porque estivemos tão em baixa por tanto tempo, que soou como crescimento para a imprensa econômica.

Então, se vamos ter alguma boa notícia, alguém tem de assumir a responsabilidade pela criação de muitos empregos a mais. E, nesse ponto, esse alguém quase obrigatoriamente tem de ser o Federal Reserve.

Não quero absolver totalmente o governo Obama da responsabilidade. Claramente, o governo propôs um pacote de estímulo muito pequeno como ação inicial, que acabou também minado por "centristas" no Senado. E as medidas propostas por Obama no início dessa semana, mesmo que possam criar um número significativo de novos empregos, passam longe do que a economia precisa.

Enquanto as análises econômicas mostram que deveríamos ter um segundo estímulo amplo, a realidade política é que o presidente – frente a uma obstrução total feita pelos republicanos e recebendo apenas um apoio discreto de alguns em seu próprio partido – provavelmente não consiga os votos suficientes no Congresso para fazer mais do que o superficial pelo desemprego.

O Fed, entretanto, pode fazer mais.

Bernanke recebeu crédito abundante, e com justiça, para ser usado em estratégias não ortodoxas para conter os estragos após a falência do Lehman Brothers. Mas tanto as ações do Fed, considerando a expansão do crédito, quanto as palavras de Bernanke sugerem que a urgência do final de 2008 e do início de 2009 deram lugar a uma mistura curiosa de complacência e fatalismo – uma impressão de que o Fed fez o suficiente agora que o sistema financeiro se afastou um pouco do precipício, mesmo que suas próprias previsões antevejam que o desemprego se manterá em alta pelos próximos três anos.

A posição mais persuasiva e específica que vi por uma ação mais forte do Federal Reserve veio de Joseph Gagnon, funcionário do Fed que agora está no Peterson Institute for International Economics. Baseando a análise em um antigo trabalho de Bernanke – na sua encarnação passada, como pesquisador – Gagnon apela ao Fed para que expanda o crédito a partir da compra de US$ 2 trilhões em ativos.

Então, por que o Fed não faz isso? Parte da resposta pode estar na política: opositores ideológicos às ações do governo tendem a ser tão críticos sobre a expansão de crédito como do estímulo fiscal do governo Obama. E isso provavelmente fez com que o Fed relutasse em usar todo o poder que tem. Enquanto isso, um número significativo de dirigentes da instituição, especialmente em divisões regionais, estão obcecados com o medo de uma inflação como a dos anos 1970, que eles acreditam estar à espreita, mesmo que não haja o mínimo indício dela nos dados atuais.

Mas há também uma questão de prioridades. O Fed resolveu agir quando deparou com a perspectiva de bancos arruinados; não pareceu tão inquieto com a perspectiva de vidas arruinadas. É disso que estamos falando aqui. O desemprego alto a longo prazo que aparece nas projeções do Fed é uma fórmula para imenso sofrimento humano – milhões de famílias perderam as economias e as casas, milhões de jovens americanos não conseguem entrar no mercado porque não há empregos disponíveis quando se formam. Se não fizermos a taxa de desemprego cair agora, vamos pagar o preço por toda uma geração. Está na hora de o Federal Reserve perder essa complacência, jogar fora esse fatalismo e começar a dar uma mão na criação de empregos.

Tradução: Pedro Moreira





http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2746823.xml&template=3898.dwt&edition=13708&section=1033

camafeu

Citação de: Nyk em Dezembro 13, 2009, 11:19

13 de dezembro de 2009 |

MISSÃO INACABADA DE BERNANKEBen Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), disse recentemente algo pessimista sobre as perspectivas econômicas. A economia, ele alertou, “enfrenta alguns reveses terríveis”. “Tudo o que podemos esperar é um crescimento modesto no próximo ano – suficiente para diminuir o desemprego, mas a passos mais lentos do que nós gostaríamos”, disse.

Na verdade, ele pode ter sido otimista demais: há uma grande possibilidade de que o desemprego cresça, ao invés de cair, ao longo do próximo ano. Mas, mesmo que diminua um centímetro, alguém pode questionar: por que o Fed não está tentando fazer com que diminua mais rápido?

Recuperando: não creio que muitas pessoas tenham noção de quantos empregos precisamos criar para sair do buraco em que estamos. Você não pode só olhar os 8 milhões de empregos que os Estados Unidos perderam desde o início da crise, pois o país precisa continuar criando vagas– mais de 100 mil por mês – para suportar uma população em crescimento. E isso significa que precisamos de um grande ganho real de empregos, mês após mês, se quisermos ver os EUA voltarem a ter algo parecido com desemprego zero.

Quão grande? Meu cálculo aproximado mostra que precisamos de algo em torno de 18 milhões de novos empregos nos próximos cinco anos, ou 300 mil empregos por mês. Isso coloca o informe sobre empregos da semana passada, que mostrou que “somente” 11 mil empregos foram perdidos em novembro, em xeque. Foi um relatório terrível, apresentado como boa notícia só porque estivemos tão em baixa por tanto tempo, que soou como crescimento para a imprensa econômica.

Então, se vamos ter alguma boa notícia, alguém tem de assumir a responsabilidade pela criação de muitos empregos a mais. E, nesse ponto, esse alguém quase obrigatoriamente tem de ser o Federal Reserve.

Não quero absolver totalmente o governo Obama da responsabilidade. Claramente, o governo propôs um pacote de estímulo muito pequeno como ação inicial, que acabou também minado por “centristas” no Senado. E as medidas propostas por Obama no início dessa semana, mesmo que possam criar um número significativo de novos empregos, passam longe do que a economia precisa.

Enquanto as análises econômicas mostram que deveríamos ter um segundo estímulo amplo, a realidade política é que o presidente – frente a uma obstrução total feita pelos republicanos e recebendo apenas um apoio discreto de alguns em seu próprio partido – provavelmente não consiga os votos suficientes no Congresso para fazer mais do que o superficial pelo desemprego.

O Fed, entretanto, pode fazer mais.

Bernanke recebeu crédito abundante, e com justiça, para ser usado em estratégias não ortodoxas para conter os estragos após a falência do Lehman Brothers. Mas tanto as ações do Fed, considerando a expansão do crédito, quanto as palavras de Bernanke sugerem que a urgência do final de 2008 e do início de 2009 deram lugar a uma mistura curiosa de complacência e fatalismo – uma impressão de que o Fed fez o suficiente agora que o sistema financeiro se afastou um pouco do precipício, mesmo que suas próprias previsões antevejam que o desemprego se manterá em alta pelos próximos três anos.

A posição mais persuasiva e específica que vi por uma ação mais forte do Federal Reserve veio de Joseph Gagnon, funcionário do Fed que agora está no Peterson Institute for International Economics. Baseando a análise em um antigo trabalho de Bernanke – na sua encarnação passada, como pesquisador – Gagnon apela ao Fed para que expanda o crédito a partir da compra de US$ 2 trilhões em ativos.

Então, por que o Fed não faz isso? Parte da resposta pode estar na política: opositores ideológicos às ações do governo tendem a ser tão críticos sobre a expansão de crédito como do estímulo fiscal do governo Obama. E isso provavelmente fez com que o Fed relutasse em usar todo o poder que tem. Enquanto isso, um número significativo de dirigentes da instituição, especialmente em divisões regionais, estão obcecados com o medo de uma inflação como a dos anos 1970, que eles acreditam estar à espreita, mesmo que não haja o mínimo indício dela nos dados atuais.

Mas há também uma questão de prioridades. O Fed resolveu agir quando deparou com a perspectiva de bancos arruinados; não pareceu tão inquieto com a perspectiva de vidas arruinadas. É disso que estamos falando aqui. O desemprego alto a longo prazo que aparece nas projeções do Fed é uma fórmula para imenso sofrimento humano – milhões de famílias perderam as economias e as casas, milhões de jovens americanos não conseguem entrar no mercado porque não há empregos disponíveis quando se formam. Se não fizermos a taxa de desemprego cair agora, vamos pagar o preço por toda uma geração. Está na hora de o Federal Reserve perder essa complacência, jogar fora esse fatalismo e começar a dar uma mão na criação de empregos.

Tradução: Pedro Moreira


http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2746823.xml&template=3898.dwt&edition=13708&section=1033

As % de desemprego são maiores ou menores conforme o método de cálculo.



zimermann

Insensibilidades econômicas levam os povos à revoltas populares...