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Corrupção a ancora da sociedade...

Iniciado por xubi2, Dezembro 17, 2009, 00:29

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camafeu

Para quem tem a memória curta.  ;D

CitaçãoEstado perde 21 milhões para "pagar" dívidas do futebol

O Governo aceitou prescindir, desde 2006, de receitas dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) para reduzir as dívidas fiscais de clubes de futebol.

Essa decisão mata, sem se dar conhecimento público, o acordo fechado em 1999 entre o Estado e os clubes de futebol para usar as receitas do Totobola para pagar as suas dívidas fiscais, conhecido por "totonegócio". Só de 2006 a 2010, os clubes terão recebido 27 milhões de euros, contra 6 milhões caso se aplicasse o acordo.

Uma fonte oficial da secretaria de Estado do Desporto e fontes da Liga confirmam que, desde a entrada em vigor do decreto-lei 56/2006 que consagrou a forma de distribuição das receita dos jogos da SCML, as dívidas fiscais do futebol estão a ser pagas através de uma parcela de 0,48 por cento da totalidade dos jogos, transferida para o Instituto do Desporto de Portugal, destinadas - segundo o diploma - para a promoção e desenvolvimento do futebol.

O PÚBLICO tentou obter uma confirmação do Ministério das Finanças, sobre quais os despachos que revogaram o acordo e a escritura pública do auto da dação em pagamento assinado a 25 de Fevereiro de 1999 entre Liga dos Clubes, Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e representantes do Estado. Mas não obteve resposta.

Quando o "totonegócio" considerou apenas as receitas do Totobola, fê-lo porque se tratava de apostas sobre os resultados desportivos, que eram já receitas do futebol. Mas desde 2006, a opção política foi tomada para compensar a queda das receitas do Totobola, que não permitiria a cobertura das dívida fiscal dos clubes.

De 1999 a 2009, o Totobola gerou apenas cerca de 40 milhões de euros e os clubes teriam recebido menos de metade dessa verba, quando a dívida consagrada no acordo era de 56,8 milhões de euros, mais 15 milhões de dívidas não abrangidas pelo acordo. Ou seja, quando se tentasse cobrar a dívida - como aconteceu em 2004 - o futebol seria incapaz de a pagar e, em última instância, o Fisco não passaria as certidões de situação fiscal regularizada, impedindo-os de competir.

Esta alteração permite concluir que receitas públicas financiaram o pagamento das dívidas fiscais do futebol, não se sabendo se os clubes ainda beneficiam do expediente. O Ministério das Finanças recusou-se a responder a três pedidos de informação do PÚBLICO sobre como acompanha o cumprimento do acordo.

Uma embrulhada desde 99

A 25 de Fevereiro de 1999, o Governo rubricou um auto de dação em pagamento em que a Liga e a FPF ofereceram as receitas das apostas de 1 de Julho de 1998 a 31 de Dezembro de 2010 para cobrir as dívidas fiscais geradas até 1996, de 56,7 milhões de euros. Na altura, uma comissão técnica estimou as receitas futuras do Totobola em 54,4 milhões de euros, um valor que se revelou estar sobreavaliado. Mas o problema agravou-se quando poucos meses após a assinatura se descobriu mais dívidas geradas antes de 1996 e não incluídas no acordo. E os clubes foram criando mais dívidas entre 1996 e 1998, sem que o Fisco tenha expulso esses clubes do acordo. Ao todo, foram mais 15 milhões de dívidas, contando com os 2,3 milhões de euros correspondentes à parcela das receitas do Totobola que não cobriam as dívidas.

O "totonegócio" previu que se fizesse no segundo semestre de 2004 e de 2010 os acertos de contas. "No caso de metade do valor arrecado ser insuficiente para o pagamento de metade da dívida global ao fisco apurada no segundo semestre de 2004 e de 2010, a Liga e a Federação deverão proceder ao pagamento da diferença até ao valor dessas metades", refere-se.

Ora, em 2004, os dados oficiais registam que os clubes apenas abateram 8 dos 28 milhões de euros na primeira metade do acordo. Mas, segundo a SCML, o Totobola terá gerado 30 milhões de euros de 1998 a 2004 e os clubes receberam 17 milhões. Os 9 milhões foram para pagar viagens das equipas às regiões autónomas e o policiamento dos jogos. Algo que foi reivindicado pelo então presidente da Liga, Valentim Loureiro, e que o Governo Guterres aceitou.

Chamados a pagar os 20 milhões, a Liga e a Federação recusaram-se. E quando o Governo se preparava para não passar aos clubes as certidões de situação fiscal regularizada, o Governo Durão Barroso, a quatro dias da posse do novo Governo, fez deslizar qualquer exigência aos clubes para 2010.

Em 2006, o Governo alterou a forma de distribuição das receitas das apostas. E que está a permitir aos clubes pagarem a dívida mais rapidamente. Por pagar continuam, 35 milhões, isto pressupondo que o Ministério das Finanças tenha já amortizado os 29 milhões de euros previstos no "totonegócio" com as verbas de todos os jogos da SCML, ainda que à custa de outras despesas do Estado.

http://economia.publico.pt/Noticia/estado-perde-21-milhoes-para-pagar-dividas-do-futebol_1475005

xubi2


camafeu

Citação de: xubi2 em Janeiro 23, 2011, 17:51
slnvscavaco






Parece que o povo português votante não teve complexos em legitimar com o seu voto essa corja de ladrões.

Depois não se queixem porque não têm moral para falar ...


CitaçãoAbstenção, brancos e nulos batem todos os recordes

A maior taxa de abstenção foi registada nos Açores: 68,9 por cento. Ou seja, votaram apenas três em cada dez dos cerca de 222 mil eleitores inscritos. Nos distritos de Bragança e Vila Real, onde o dia começou com os termómetros abaixo de zero, a abstenção chegou a 60,9 por cento e 59,9 por cento, respectivamente.

Braga foi o distrito com maior afluência às urnas: a abstenção ficou-se pelos 47,5 por cento. Além de Braga, apenas o distrito do Porto - com 48,5 por cento de abstenção - teve a maioria dos eleitores a votar

Além do frio, houve, em todo o país, muitos problemas nas mesas de voto ao longo do dia, com dificuldades relacionadas com o cartão do cidadão e o número do recenseamento. O sistema electrónico montado pelo Governo para auxiliar os eleitores falhou.

As eleições também foram marcadas por um elevado número de votos brancos (cerca de 191 mil votos, 4,3 por cento do total) e nulos (mais de 86 mil votos, 1,9 por cento do total). Foi o maior registo de sempre. Em 2006, ambos tinham somado 1,84 por cento e em 2001, dois por cento. O valor máximo anteriormente registado fora em 1991 - dois por cento de votos brancos e um por cento de nulos.

Indiferença, laxismo e falta de confiança

Especialistas apontam como outros factores que propiciam a abstenção o descontentamento face à situação social do país, a falta de credibilidade relativamente aos políticos e a indiferença e laxismo por parte dos cidadãos.

A manutenção de pessoas que já morreram nos cadernos eleitorais (os eleitores-fantasma), como nota Freitas do Amaral, e o distanciamento dos cidadãos face à política são outras explicações para a abstenção.

Como nota Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro, em declarações ao PÚBLICO, "quando há recandidatos é sempre certo que a abstenção aumenta". O facto de ser uma eleição para Presidente da República também contribui para uma menor participação dos cidadãos. Para este investigador, o Presidente, "ainda que não seja mera figura decorativa, não é quem governa", o que leva a que estas eleições se tornem "menos atractivas" para o eleitor.

As eleições legislativas acabam por ser mais participativas, por estar em causa a governação, com impacto mais directo na vida dos cidadãos, considera Jalali.

A avaliação dos motivos que levam à abstenção não permite, contudo, traçar um perfil do abstencionista com facilidade. Em Portugal não há um instituto de estatística de opinião que realize inquéritos aprofundados e as empresas de sondagens são privadas e funcionam à velocidade que precisam os partidos e os meios de comunicação social.

Manuel Meirinho, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, considera que "a abstenção deve servir como aviso aos partidos e ao Estado de que o sistema está doente".

Para mudar, Carlos Jalali defende a necessidade de se apostar na educação e na sensibilização, referindo um estudo que compara duas turmas de 12.º de uma escola de Aveiro, que conclui que os alunos que estudaram ciências políticas se abstiveram menos nas eleições de 2009 do que os que não frequentaram essa disciplina.

As opiniões dividem-se sobre se a solução para contrariar a abstenção passa por tornar o voto obrigatório, como já acontece nalguns países europeus, como a Bélgica, a Grécia, a Itália e o Luxemburgo. Uma solução que, na perspectiva da constitucionalista Isabel Mayer Moreira, é "contraditória com os direitos de liberdade". E que outro constitucionalista, Tiago Duarte, considera desnecessária. "Não votar é também um exercício de liberdade. Tudo o que é obrigatório cria sentimentos de rejeição e causa reacções epidérmicas", nota.


http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/abstencao-brancos-e-nulos-batem-todos-os-recordes_1476741

Comentários:

"O único voto possível
Dadas as circunstâncias, a abstenção, o voto em branco/nulo foi a forma encontrada para cumprir com o meu "dever cívico" As leituras que uns e outros gostam de fazer dos resultados eleitorais perpetuam a mentira muito para além do dia das eleições e não há ciência política que nos ajude. Importaria educar os cidadãos na cidadania, no civismo mas sobretudo nas mais-valias do associativismo e solidariedade: são essas as armas para a construção de uma sociedade melhor.A prova de que tudo está mal foi dada pelo candidato vencedor: ainda fala em calúnias no obrigatório discurso do vencedor, mas recusa sempre (como sempre recusou) explicar - se. Aparentemente isso não importa aos portugueses. A democracia está doente mas ninguém quer chamar o médico."

"Eles mereciam mesmo era 100% de abstenção."

hollies

#63
100% de acordo Camafeu!
                                                                       
Fui um dos que se Absteve, e com convicção.

Cavaco no discurso de Vitória, deveria não só agradecer aos portugueses que votaram nele, mas também a todos os portugueses contribuintes por estarem actualmente a pagar a mais valia que obteve, ele, e a filha, à conta do negocio das acções do BPN. Sobre as quais explicou, nada. E não deixa de ser irónico ver Cavaco utilizar a mesma estratégia de Sócrates, das calúnias, campanha negra, quando confrontado(ele Sócrates) com algumas questões do caso Freeport, e outros casos, é uma escola a seguir, fácil, simples e eficaz. É-se confrontado com algo, diz-se simplesmente, é uma calúnia, é uma infamia, e remete-se ao silencio,depois basta deixar passar o tempo e pronto, fica tudo resolvido. Não foi assim que Sócrates passou incólume a todos os casos que o rodearam?... e continua como Primeiro Ministro, porque não haveria Cavaco de refugiar-se no mesmo estratagema...

camafeu

#64
Aumentos de 75,6% na TAP são parte da "mentira enorme" da "repartição de sacrifícios", diz Louçã


Citação
O líder do BE, Francisco Louçã, condenou, segunda-feira, a "distorção" das remunerações nos cargos de chefia da TAP e de outras empresas públicas", em linha com a "mentira enorme" da "repartição dos sacrifícios". Em alguns casos, os aumentos chegaram aos 75,6%.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1800796&page=-1

camafeu

A aposta nas energias renováveis acaba onde os interesses da Oligarquia REN/EDP/GALP começam.


As regras para ser mini-produtor de eletricidade vão mudar em Abril, segundo o decreto-lei hoje publicado em Diário da República, que obriga a consumir pelo menos metade do produzido, caso contrário pagará coimas até os 44 mil euros.

O decreto-lei n.º 34/2011 vem definir as condições para a produção de eletricidade em instalações de pequena potência a partir da energia do sol, do vento, da água. Quem não cumprir pode pagar coimas que vão dos 100 aos 3740 euros (caso seja em nome individual) e dos 250 aos 44.800 euros (empresas).



http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=472037



hollies

Artigo publicado no jornal Pravda da Rússia. Pena é que os nossos media se esqueçam de ter a mesma abordagem..


Source: Pravda.ru

Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses. Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão....e à Austrália.

Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má  gestão política que têm assolado o país desde anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente,  controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da  União Europeia através da atribuição das notações de crédito.

Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de que país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram biliões de euros através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai  do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua "política de betão" foi bem idealizada mas, como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini,  Maserati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.

E ele é um dos melhores?

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanista, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha. Resultando em dois mandatos de José Sócrates, um ex-Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses instalados.

Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%).

Concordo com o sacrifício (1%)

Um por cento! Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!

É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o  Governo  de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal ao PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.

Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.

Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certo, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável.


Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru

xubi2

DSK



O que os americanos não seriam capazes de fazer para esconder a fraude que é a sua economia!!!
 
Na manhã de 14 Maio, o dia em que foi preso, Dominique Strauss-Kahn (DSK) tinha sido aconselhado pelos serviços secretos franceses (DGSE) a abandonar os EUA e regressar rapidamente à Europa, descartando-se do telemóvel para evitar que pudesse ser localizado. A delicadeza da informação secreta que lhe tinha sido entregue por agentes "d...elatores" da CIA justificava tal precaução.

Strauss-Kahn tinha viajado para os Estados Unidos para clarificar as razões que levavam os norte-americanos a protelar continuamente o pagamento devido ao FMI de quase 200 toneladas de ouro. A dívida, com pagamento acordado há vários anos, advém de ajustes no sistema monetário - "Special Drawing Rights" (SDR's).
As preocupações do FMI sobre o pagamento norte-americano ter-se-iam avolumado recentemente. Nesta viagem Strauss-Kahn estaria na posse de informação relevante que indiciava que o ouro em questão já não existe nos cofres fortes de Fort Knox nem no NY Federal Reserve Bank.

Mas Strauss-Kahn terá cometido um erro fatal: ligou para o hotel, já da plataforma de embarque, pedindo que o telefone lhe fosse enviado para Paris, o que permitiu aos serviços secretos americanos agir nos últimos minutos. O resto dos factos são do conhecimento público.

Já em prisão domiciliária, em Nova Iorque, DSK terá pedido ajuda ao seu amigo Mahmoud Abdel Salam Omar, um influente banqueiro egípcio. Era muito importante, para fundamento da defesa, que o egípcio lhe conseguisse obter a informação privilegiada sobre a "mentira" do ouro, que DSK tinha deixado "voar" em NY, para justificar a teoria da perseguição. No entanto a intervenção voluntariosa do banqueiro egípcio saiu gorada. Dias depois Salam Omar foi igualmente preso nos Estados Unidos, também ele acusado de assédio sexual a uma empregada de hotel. Relatórios de diferentes serviços secretos internacionais convergem na conclusão: os factos que motivaram a prisão do egípcio são altamente improváveis, Salam Omar é um muçulmano convicto e um homem com 74 anos de idade.

A inversão de sentido na história da suite do Sofitel de NY começava aqui a ganhar consistência e outros factos viriam ajudar.

Em Outubro de 2009, Pequim terá recebido dos EUA cerca de 60 toneladas de ouro, num pagamento devido pelos americanos aos chineses, como acerto de contas no balanço de comércio externo.
Com a entrega, Pequim testou a genuinidade do ouro recebido tendo concluido que se tratava de "ouro falso". Eram barras de tungsténio revestido a cobertura de ouro. As 5.700 barras falsas estavam devidamente identificadas com chancela e número de série indicando a origem - Fort Knox, USA.
O congressista Ron Paul, candidato às eleições presidenciais de 2012, solicitou no final do ano passado uma auditoria à veracidade das reservas do ouro federal que foi rejeitada pela administração Obama.
Numa entrevista recente, questionado sobre a possiblidade de ter desaparecido o ouro federal de fort Knox, o congressista Ron Paul gelou os interlocutores respondendo liminarmente: "É bem provável!"

À "boca fechada" têm vindo, aqui e ali, a escapar informações, a avolumar-se incertezas sobre as reservas de ouro norte-americanas. Mas as notícias referentes aos fortes indícios que de o ouro seja apenas virtual têm colhido uma tímida atenção na comunicação social americana.

A "verdadeira história" por detrás da prisão de DSK, agora pública, consta de um relatório secreto preparado pelos serviços de segurança russos (FSB) para o primeiro-ministro Vladimir Putin. Talvez por isso Putin tenha sido o primeiro lider mundial a assumir publicamente a ideia de que DSK terá sido "vítima de uma enorme conspiração americana".

Estes factos, a confirmarem-se, em nada ilibam DSK na suspeição que sobre si recai do eventual crime de assédio sexual a uma empregada do hotel mas, quem sabe, essa possa revelar-se como a pequena e ingénua ponta de um grande iceberg.
A ser verdade, os serviços secretos norte-americanos, seguramente bem informados, terão sabido tirar partido das fraquezas do inimigo-alvo, aniquilando-o com eficácia cirurgica - um pequeno crime de costumes, tão ao gosto do imaginário popular, pode bem ter contribuido para abafar crimes de contornos bem mais sérios, por eliminação de testemunha ou de prova.

Entretanto DSK prepara activamente a defesa em tribunal arregimentando já um verdadeiro "crack team" de ex-espiões da CIA, investigadores, detectives e media advisors.

Com os melhores cumprimentos

xubi2


VALE A PENA VER ESTEOLHAR DE FORA.

E ESTA HEIM?

Esteconhecido sociólogo e filosofo francês, Jaques Amaury, professor naUniversidade de Estrasburgo, publicou recentemente um estudo sobre "A crisePortuguesa", onde elenca alguns caminhos, tendentes a solucioná-la.



"Portugal atravessa umdos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência,sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.

Importa em primeirolugar averiguar as causas. Devem – se sobretudo à má aplicação dos dinheirosemprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências daunião.

Foi o país onde mais aCE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, nãomelhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ouprivatizou a esmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser umsustentáculo.

Os dinheiros foramencaminhados para auto estradas, estádios de futebol, constituição de centenasde instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosautilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivobenefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadorespara venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementosou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classessuperiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente àcorrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeitaà cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios,desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dospequenos comerciantes e população mais pobre.

A política lusa é umcampo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidoscada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de empregoque admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alteraçõesgovernativas permaneçam, transformando – se num enorme peso bruto eparasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dosprofessores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadasdispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nosproblemas do país.

Não existe partido decentro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (PartidoSocialista) que está no Governo e o PSD (Partido Social Democrata), de direita,agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem umsuporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. Mais à direita, oCDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados devidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípiosrecomendam e praticarão na primeira oportunidade. À esquerda, o BE (Bloco deEsquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagemdifícil






de se encaixar nasrecomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal comoa população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais àesquerda, o PC (Partido comunista) vilipendiado pela comunicação social, que ocoloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na UniãoSoviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.

Assim, não seencontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democraciapré-fabricada não encontra novos instrumentos.

Contudo, na génesedeste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância deuma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Malpreparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não temcapacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos deComunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs asRádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à altafinança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas devários países.

Ora, é bem de ver quecom este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas ospratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para acrescente distância entre ricos e pobres.

A RTP, a estação queagora engloba a Rádio e Tv oficiais, está dominada por elementos dos doispartidos principais, com notório assento dos sociais-democratas, especialistasem silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema oudúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas éfeita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, sãocondicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazodeterminantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores,a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar aofim. A deserção destes, foi notória.

Não há um único meioao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" peloestablishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país,envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores deideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação deliberdade e da prática da apregoada democracia.

Só uma comunicação nãovendida e não alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancroendémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finançasatentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seusdesígnios.


lindaapastora

A presidente da Assembleia da República acaba de atribuir a Mota Amaral, na qualidade de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária, um BMW 320 e um motorista.


Enquanto obrigam o "povo" a apertar ...a apertar e tornar a apertar o cinto com os aumentos anunciados e outros a anunciar e com cortes no pouco que ainda chega ao "zé" verificam-se cenas destas como a referida pela RTP Açores.

Por cá, no continente, não passou nada sobre este assunto   :o

hoje o parlamento aprovou o imposto extraordinário, talvez para ajudar a pagar este novo encargo do estado,

e só vai  no 30º dia do governo

http://ww1.rtp.pt/acores/index.php?article=22030&visual=3&layout=10&tm=10

bons negócios a todos

lindaapastora

www.malukosnabolsa.blogspot.com


-Os pontos aqui referidos representam apenas e neste momento a forma como vejo o mercado, poderei estar equivocado.  Em situação alguma deverão ser tidos como orientação de investimento

npl

Mais um caso de favorecimento económico aos homens do Bloco Central(PSD)
à custa do erário público(impostos do povo(contribuintes)).

Esse mesmo povo, os portugueses, gosta...
Napoleon: «L'art d'être tantôt très audacieux et tantôt très prudent est l'art de réussir.»

npl

Mais um caso de alguém que está na política para (se) servir...

Ministro alega que a pessoa em causa está a perder 50 mil €/mês de ordenado.

O que não refere é que esse ordenado anterior, certamente resultou da promiscuidade do poder político com o poder económico...(leia-se Goldenshares, respectivos quadros dos partidos do Bloco Central que pululam pela administração pública).

Certamente mais um caso dum(a) jurista(que regra geral seguem essa via por não perceberem nada de números/matemática) a tratar das contas públicas portuguesas.

Os portugueses gostam.
Napoleon: «L'art d'être tantôt très audacieux et tantôt très prudent est l'art de réussir.»

xubi2


Afinal, o Goldman Sachs manda no mundo?

Rui Barroso   


original em:  http://economico.sapo.pt/noticias/afinal-o-goldman-sachs-manda-no-mundo_129681.html

Coloca ex-funcionários nos lugares de topo que decidem o rumo da economia global, o que leva muitos a dizerem que domina o mundo.







"Sou um banqueiro a fazer o trabalho de Deus". É a forma como o presidente do maior banco de investimento do mundo vê a sua missão no comando do Goldman Sachs. Mas na opinião de um número cada vez maior de pessoas, o "trabalho de Deus" do Goldman Sachs é a encarnação do lado negro da força em Wall Street. E há até quem defenda que é este banco que manda no mundo e não os governos.

"Eu concordo com a tese de que os bancos, e especialmente o Goldman Sachs, se tornaram demasiado poderosos na medida em que influenciam a nossa política, a nossa economia e a nossa cultura", referiu o autor de "Money & Power: How Goldman Sachs Came to Rule the World", William D. Cohan, ao Outlook. E o poder do Goldman Sachs nos centros de decisão política até lhe valeu a alcunha, dada por banqueiros concorrentes , de Government Sachs. O banco liderado por Lloyd Blankfein conta com um exército de antigos funcionários em alguns dos cargos políticos e económicos mais sensíveis no mundo. E o inverso também acontece, o recrutamento de colaboradores que já desempenharam cargos de decisão.

"Não há dúvida que Wall Street tem uma força cada vez mais poderosa no governo americano. Não são apenas os milhões que vão para os bolsos de políticos atrás de políticos para ajudá-los a ganhar as eleições, mas os banqueiros de Wall Street são frequentemente escolhidos para posições de poder na Casa Branca, no Tesouro, na SEC [regulador dos mercados financeiros] e noutros reguladores", observa William D. Cohan, que passou 16 anos a trabalhar na banca de investimento antes de se dedicar ao jornalismo de investigação.

O banco reconhece no seu site que os antigos colaboradores contribuíram para a rica história e tradição da empresa e "orgulhamo-nos de muitos continuarem activamente ligados. Isto não ajuda apenas a validar a nossa cultura mas também a fornecer um valor real e tangível que transcende uma geração". E não é só nos EUA que ex-Goldmans dão o salto para altos cargos políticos e económicos. Um dos exemplos é o futuro presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que desempenhou o cargo de director-geral do Goldman International entre 2002 e 2005, levando-o mesmo a ser questionado no Parlamento Europeu sobre as ligações do banco de investimento à Grécia.

Duas crises de proporções épicas, duas epopeias de escândalos







O mundo enfrentou duas das maiores crises das últimas décadas em quatro anos. E, tanto na crise financeira de 2008 como na tragédia grega, o Goldman Sachs foi alvo de acusações de actuações menos correctas.

Começando por Atenas, o Goldman Sachs ajudou, a partir de 2002, a Grécia a encobrir os reais números do défice, através de 'swaps' cambiais com taxas de câmbio fictícias, o que na prática permitiu a Atenas aumentar a sua dívida sem reportar esses valores a Bruxelas. Segundo o "Der Spiegel", o banco cobrou uma elevada comissão para fazer esta engenharia financeira e, em 2005, vendeu os 'swaps' a um banco grego, protegendo-se assim de um eventual incumprimento por parte de Atenas. No início de 2010, os analistas do Goldman recomendaram aos seus clientes a apostar em 'credit-default swaps' sobre dívida de bancos gregos, portugueses e espanhóis. Os CDS são instrumentos que permitem ganhar dinheiro com o agravamento das condições financeiras de determinado país. "É um escândalo se os mesmos bancos que nos trouxeram para a beira do abismo ajudaram a falsear as estatísticas", referiu a chanceler alemã Angela Merkel.

As autoridades europeias e a SEC abriram investigações ao logro das contas gregas, mas isso não impediu que Petros Christodoulou, um antigo empregado na divisão de derivados do Goldman, assumisse em Fevereiro de 2010 o cargo de director da entidade que gere a dívida pública grega. Além disso, o Goldman tem ajudado o Fundo Europeu de Estabilização Financeira a colocar dívida para financiar Portugal, Irlanda ao abrigo do programa de assistência financeira. O FEEF justifica a escolha com o alcance global do banco. Além do Goldman, também o BNP Paribas e o Royal Bank of Scotland costumam ser escolhidos para liderar estas operações.

O escândalo grego levou alguns deputados europeus a questionarem o futuro presidente do BCE sobre a sua independência para assumir o cargo. Queriam saber se teve conhecimento das operações feitas com a Grécia e se o cargo no Goldman não poderia afectar a percepção sobre a sua integridade para substituir Trichet. Draghi negou as ligações aos negócios com Atenas e defendeu o seu registo em alertar para os riscos que o sector financeiro estava a tomar.

Manifestações à porta do Goldman apesar de ameaça de prejuízos

Mas é nos EUA que há mais sinais de raiva contra o Goldman Sachs. Esta semana, o movimento dos "Ocupas" de Wall Street manifestou-se à frente do banco. A fúria contra o banco deve-se à actuação do Goldman durante a crise financeira. O banco chegou mesmo a ser condenado por fraude pela SEC por estar a apostar contra instrumentos ligados ao mercado imobiliário, ao mesmo tempo que vendia esses mesmos instrumentos aos seus clientes. Além disso, recorreu a fundos públicos e foi acusado de ser beneficiado com o resgate da AIG, coordenado pelo Tesouro dos EUA, liderado na altura por um antigo presidente do Goldman. "Os banqueiros e 'traders' de Wall Street foram recompensados por tomarem riscos elevados com o dinheiro de outras pessoas. Como consequência, os bancos foram salvos e os banqueiros receberam os seus bónus de milhões de dólares. É difícil de acreditar que foram recompensados pelo seu falhanço, mas foi o que aconteceu", defende William D. Cohan.

Uma das respostas aos que acusam o Goldman de dominar o mundo financeiro é que, afinal, o banco também sofre com a crise. Os analistas de mercado esperam que o banco tenha registado o segundo prejuízo trimestral da sua história entre Julho e Setembro. Isto depois de ter lucrado mais de mil milhões de dólares no segundo trimestre. Em 2010 e 2009, conseguiu receitas de 39,2 mil milhões de dólares e de 45,2 mil milhões de dólares, respectivamente. Mais de 35% destes valores foram utilizados para pagar bónus aos seus empregados. O salário e bónus do presidente do banco, Lloyd Blankfein, situou-se em 13,2 milhões de dólares no ano passado.

O homem que denunciou o Goldman em directo

Alessio Rastani, um 'trader' em 'part-time', defendeu em directo na BBC que não eram os governos que mandavam no mundo, mas sim o Goldman Sachs.



Alessio Rastani transformou-se num fenómeno. O 'trader' em 'part-time' surpreendeu tudo e todos numa entrevista à BBC. Além de vários cenários catastrofistas sobre a crise, Rastani defendeu que "este não é o momento para pensar que os governos irão resolver as coisas. Os governos não mandam no mundo, o Goldman Sachs manda no mundo". Bastaram pouco mais de três minutos para tornar Rastani num fenómeno na Internet. O vídeo tornou-se viral e levantou a controvérsia sobre o poder que o banco liderado por Lloyd Blankfein tem na economia e na política. Isto apesar de haver quem defendesse que Rastani estaria apenas a pregar uma partida à BBC e que pertencesse a um grupo satírico chamado Yes Men. O próprio 'trader' refutou esta tese, apesar de reconhecer que gosta mais de falar do que de fazer negociação em bolsa, algo que vê apenas como um 'hobbie'.

Esta semana, numa entrevista ao "Huffington Post", Rastani teceu uma série de ideias sobre o papel do Goldman no mundo. E diz que as teorias da conspiração que aparecem sobre o banco não são uma coincidência.

"Os governos dependem dos bancos, os bancos dependem dos governos. A relação é tão cinzenta e quem controla quem? Quem é o marionetista e quem é a marioneta? As pessoas podem ter as suas ideias sobre isto. Eu apenas expressei a minha perspectiva", disse.

Rastani não é o primeiro a atacar o papel do Goldman no mundo. Em Abril de 2010, um jornalista da "Rolling Stone" escreveu um artigo que se tornou famoso, tanto para os contestatários ao banco como para os que defendem o Goldman e utilizam a caracterização feita pelo repórter para ironizar com os detractores do banco. Matt Taibbi descreveu o Goldman como um "grande vampiro" que se alimenta da humanidade, com um apetite sanguinário implacável por tudo o que envolva dinheiro.

Do Goldman para o poder

O Goldman Sachs é uma escola que permite a muitos economistas e gestores atingir cargos de poder um pouco por todo o mundo.







Hank Paulson, antigo secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Saiu da liderança do Goldman Sachs para ser secretário de Estado do Tesouro durante a administração Bush. Paulson delineou o programa de ajuda à banca durante a crise financeira de 2008, que também resgatou o Goldman.





Mario Draghi, futuro presidente do BCE
O futuro presidente do BCE, Mario Draghi, foi director-geral da Goldman Sachs International entre 2002 e 2005. A ligação levou-o a enfrentar perguntas dos eurodeputados sobre se esteve envolvido na ocultação do défice grego.





Mark Carney, governador do Banco Central do Canadá
O actual governador do banco central do Canadá passou 30 anos no Goldman.Foi responsável pelas áreas relacionadas com risco soberana e foi o homem com a tarefa de delinear a estratégia do banco durante a crise russa de 1998.





Romano Prodi, antigo presidente da comissão europeia
O antigo presidente da Comissão e ex-primeiro-ministro italiano esteve no Goldman nos anos 90. A ligação valeu-lhe críticas da Oposição quando rebentou um escândalo a envolver o Goldman e uma empresa italiana.





Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial
O actual presidente do Banco Mundial foi director-geral do Goldman.Antes de se juntar ao banco tinha trabalhado no Departamento do Tesouro norte-americano. Lidera o Banco Mundial desde Julho de 2007.





Robert Rubin, antigo Secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Robert Rubin teve cargos de topo na administração do Goldman. Após 26 anos no banco foi escolhido por Bill Clinton como secretário de Estado do Tesouro. Após passar pelo Governo, trabalhou no Citigroup.





Ducan Niederauer, presidente da NYSE Euronext
O presidente da NYSE Euronext, Duncan Niederauer, que detém as bolsas de Nova Iorque e de Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, foi responsável do Goldman pela área da execução de ordens dadas sobre títulos financeiros.





Mark Patterson, Chefe de Staff do Tesouro dos EUA
Mark Patterson é o chefe de gabinete do actual secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Antes de se juntar ao governo estava registado como lóbista, intercedendo para defender os interesses do Goldman.





António Borges, director do Departamento Europeu do FMI
O economista foi vice-presidente e director-geral do Goldman entre 2000 e 2008. Após sair do banco foi da associação que delineia a regulação dos 'hedge funds'. Em Outubro de 2010, foi nomeado director do FMI para a Europa.





Carlos Moedas, Secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro
Após acabar o MBA em Harvard, no ano 2000, o actual responsável pelo acompanhamento do programa da 'troika' foi trabalhar para a divisão europeia de fusões e aquisições do Goldman Sachs. Saiu do banco em 2004.





António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank
O primeiro emprego de Horta Osório após terminar o MBA no Insead foi no Goldman, centrando-se na área de 'corporate finance'. Actualmente é presidente do banco britânico Lloyds depois de ter estado no Santander.





William C. Dudley, presidente da Fed de Nova Iorque
O actual presidente da Fed de Nova Iorque é a segunda figura mais importante na condução da política monetária dos EUA. Foi durante mais de uma década economista-chefe do Goldman e director-geral.



A máquina de fazer dinheiro na bolsa

Goldman negoceia com um programa que tem potencial para influenciar os mercados. Regulador quer acabar com divisões de negociação com fundos dos próprios bancos.

É uma das jóias da coroa do Goldman Sachs mas os reguladores estão a ameaçá-la. A negociação de acções e obrigações com dinheiro do próprio banco terá, segundo a "Bloomberg", representado mais de 30% dos lucros que o Goldman conseguiu gerar em 2010. Nestas divisões, os especialistas do banco investem ainda em capital de risco e em 'hedge funds'. Apesar destas informações, os responsáveis do banco dizem que este tipo de negócios por conta do próprio banco não têm um peso significativo nos resultados. No entanto, a imprensa norte-americana dá conta que o Goldman já estará a estudar formas de fintar o regulador, que quer acabar com este tipo de divisões nos bancos.

A negociação por conta própria do Goldman Sachs é conhecida pela sua pontaria. No segundo trimestre de 2010, enquanto se incendiava o rastilho da crise de dívida soberana, as operações de 'trading' do Goldman não fecharam um único dia com perdas. Em 2009, a taxa de dias positivos foi de 87,5%. O banco é activo na negociação de alta frequência, uma estratégia que faz negócios ao milésimo de segundo tendo como base 'softwares' que detectam padrões de negociação e reagem rapidamente à informação que chega aos mercados. Para elaborar esses programas são necessários códigos. E em 2009, rebentou o escândalo.

Um antigo funcionário do Goldman, Sergey Aleynikov, foi detido por tentar vender parte do código secreto que o banco utiliza para fazer os seus negócios por conta própria e para assumir funções de 'market maker' (de assegurar liquidez ao mercado). Segundo o Ministério Público, na acusação ao antigo colaborador, "o banco levantou a possibilidade de que existe o perigo de que alguém que saiba como utilizar o programa possa fazê-lo para manipular o mercado de formas injustas". Além disso, argumentou o procurador, o Goldman "gastou milhões atrás de milhões de dólares a desenvolver o programa nos últimos anos e é algo que dá ao banco milhões de dólares em receitas".

Reguladores apertam o cerco à negociação por conta do banco

Na sequência da crise financeira, os reguladores estão a apertar o cerco às práticas de bancos como o Goldman Sachs. Consideram que as divisões de negociação por conta e risco do próprio banco são um dos factores que podem levar a crises como a do Lehman Brothers. Mas Wall Street não dorme. O Goldman Sachs e os seus funcionários foram os maiores financiadores de Obama na corrida à Casa Branca e o lóbi de Wall Street está presente na nova regulação para os mercados financeiros. "Estão a ter um papel importante. Eu não diria que o poder político está subjugado ao poder financeiro mas eles funcionam como uma mão e uma luva, tornando seguro que Wall Street pode viver com as novas leis e regulações, apesar de Wall Street preferir que elas não existissem", defende William D. Cohan, jornalista que tem investigado o modo de actuação do Goldman Sachs. E mesmo com novas regras, por mais ou menos apertadas que sejam, há forma de contorná-las. A nova regulação aplicar-se-á a bancos que tenham tido acesso a ajudas estatais ou que possam obter financiamento junto da Reserva Federal dos EUA. Na crise financeira, o Goldman mudou o seu estatuto de banco de investimento para banco comercial para conseguir aceder àquelas ajudas e começar a receber depósitos. Duas das soluções apontadas pelos analistas passam ou por reclassificar as unidades de negociação por conta própria do banco ou por abandonar o estatuto de banco comercial para escapar à regulação da Fed. Isto apesar de algumas das unidades de 'proprietary trading' já terem sido encerradas pelo Goldman. "Nos últimos anos, os bancos foram humilhados e tornaram-se mais modestos, mas suspeito que esse sentimento não irá durar e em breve as empresas de Wall Street que sobreviverem voltarão novamente aos seus velhos truques", conclui William D. Cohan.

Os negócios do Goldman Sachs com Portugal

Banco é uma das entidades que trabalha com o Tesouro nacional para colocar dívida portuguesa no mercado.

O Goldman Sachs é uma entidade global e das mais influentes junto dos mercados. Como consequência, as instituições portuguesas que necessitem de fazer operações financeiras optam frequentemente pela contratação do banco. A começar pelo próprio Estado. O banco liderado por Lloyd Blankfein é Operador Especializado em Valores do Tesouro. O mesmo é dizer que é uma das entidades contratadas pelo Estado para colocar dívida nacional no mercado e para aconselhar sobre as estratégias de financiamento que Portugal deve tomar para convencer os investidores a comprarem dívida da República. Apesar disso, e à semelhança de muitos bancos internacionais, desde Setembro de 2010 que o Goldman dizia aos seus clientes que Portugal não iria conseguir financiar-se nos mercados e que teria de recorrer a ajuda externa. A ligação ao Goldman e a outras grandes firmas de Wall Street levou alguns órgãos de comunicação anglo-saxónicos a sugerir que Portugal e estes bancos terão feito negócios similares aos embustes orçamentais na Grécia. Estas afirmações foram refutadas pelas autoridades europeias. Mas não é apenas com o Estado que o Goldman tem relações. Num dos períodos mais quentes da história da bolsa portuguesa, o banco de investimento teve um papel fulcral. Nas ofertas públicas de aquisição que a Sonaecom lançou à Portugal Telecom e que o BCP lançou ao BPI, ambas em 2006, o Goldman foi contratado pelos alvos das ofertas para ajudar a montar as estratégias de defesa às ofertas hostis. Recentemente, foi ainda noticiado que o Goldman Sachs mostrou interesse em analisar os dossiers das privatizações da EDP e da REN que o Governo está a preparar no âmbito do programa de assistência financeira a Portugal. Outro negócio a envolver o Goldman e uma empresa portuguesa foi a compra, por parte da EDPRenováveis, de uma eólica norte-americana. Acotada nacional comprou a Horizon Wind Energy por 1,6 mil milhões de euros ao Goldman Sachs.

Analistas do Goldman acompanham acções nacionais

Outra das actividades do Goldman Sachs no mercado nacional é o acompanhamento de acções portuguesas. Os analistas do banco de investimento seguem actualmente 13 cotadas portuguesas. E as recomendações nem são negativas. O Goldman recomenda "comprar" Galp, EDP e Jerónimo Martins. Apenas a Semapa é vista pelos analistas do Goldman como um título a "vender". Os restantes, incluindo os títulos do sector financeiro, têm uma apreciação de "neutral". Além de acompanhar o mercado português, o Goldman teve colaboradores portugueses que estão agora sob os holofotes. É o caso de António Horta Osório, que trabalhou no banco antes de assumir cargos de relevo no Santander e no Lloyds. O actual presidente do banco britânico trabalhou na área de 'corporate finance' do Goldman. Também o actual secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, teve uma passagem pelo gigante das finanças. O governante, que tem a cargo o acompanhamento da aplicação do memorando com a 'troika', trabalhou no departamento europeu de fusões e aquisições do Goldman. Outro português que se notabilizou no banco foi António Borges, director-geral e vice-presidente do banco entre 2000 e 2008. O economista foi depois presidente da entidade que delineia a regulação dos 'hedge funds' e actualmente dirige a divisão europeia do Fundo Monetário Internacional.



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O Silva das vacas


Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:

"A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."

Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção.
Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!
Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!!
Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.
A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.


Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 05 de Outubro de 2011.