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Iniciado por Paff, Janeiro 04, 2010, 22:00

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aleixon

Citação de: Paff em Janeiro 09, 2010, 21:37
De acordo com este estudo a moeda chinesa, o Yuan, encontra-se desvalorizada em cerca de 50% face ao dólar, ao passo que a Coroa Norueguesa e o Franco Suíço continuam como as divisas fortes. O Euro está neste momento a cotar, segundo este índice, cerca de 35% acima do dolar.

Bom dia,

Normalmente a comparação dos preços do big mac servem para comparar, em primeira linha, o custo do nível de vida entre os diversos países e não do valor da moeda em si. A primeira leitura que faría da citação a cima era que o custo do nível de vida na china é metade que nos USA.

Aproveitava para acrescentar mais uma observação relativamente ao preço da zona euro, que julgo existirem grandes discrepâncias entre os vários países, por exemplo em Veneza é uma autêntica barbaridade o preço praticado (o mais caros dos locais que já visitei).

bfs
NA

Paff

Citação de: aleixon em Janeiro 10, 2010, 13:35

Normalmente a comparação dos preços do big mac servem para comparar, em primeira linha, o custo do nível de vida entre os diversos países e não do valor da moeda em si. A primeira leitura que faría da citação a cima era que o custo do nível de vida na china é metade que nos USA.

bfs
NA

Viva Aleixon,

De facto uma das componentes está relacionada com o custo de vida, mas não é o principal neste caso. A Mc'Donalds faz este estudo do ponto de vista do valor da moeda, caso contrário não poderia haver um valor único para o Euro quando sabemos que na zona euro o preço do Big Mac diverge de país para país (quando não mesmo dentro do próprio país).

O que me parece mais interessante aqui é o que estas diferenças podem perspectivar, em especial no que concerne às margens de subida ou descida das diversas divisas.

Paff

Paff

Tempo para acções "retalhistas"?


O Cleveland Federal Reserve Bank compilou recentemente informação sobre o sector retalhista ao longo das últimas grandes recessões e, através da análise do gráfico de cima, poder-se-ão retirar algumas (interessantes) conclusões.
O gráfico retrata a evolução das vendas a retalho desde o início de cada uma das recessões (em meses).


  • nunca como nesta recessão (2007) se assistiu a uma queda percentual  tão grande e tão rápida das vendas a retalho

  • a recuperação das vendas (ainda dentro da recessão) ocorreu em momentos variados, desde os 6 meses na chamada "Dot-Com Bubble" até aos 29 na recessão do início dos anos 80. A média aproximada do tempo de inicio de recuperação, levando em linha de conta as 4 últimas recessões, cifra-se aproximadamente nos 11 meses. A actual leva já 22 meses, não se vislumbrando ainda uma recuperação evidente.


  • Face ao exposto, julgo que poderemos estar (ao nível do sector retalhista pelo menos) numa recessão de padrões semelhantes aos ocorridos em 1980. Tal como nessa altura, os níveis de desemprego estão bastante altos, daí que o impacto em sectores pró-cíclicos seja bastante evidente.


Assim, face ao que se prevê para 2010, com um possível retomar da actividade económica, será de supor que as retail stocks sejam um dos locais ideais para se estar?

Bom, amanhã irei tentar dar uma ideia de várias possibilidades, nomeadamente através da análise de um importante indicador específico para este sector.

Paff


Paff

O indicador vital



Same store sales. Esta interessante expressão constitui um dos mais importantes indicadores para qualquer empresa retalhista. Ele mede a evolução das vendas anuais das lojas de determinada empresa. Contudo, só fazem parte da estatística as lojas aberta há mais de 1 ano, e porquê?

O objectivo é tentar comparar receitas excluindo deste valor global, o contributo de novas lojas abertas durante o ano. Desta forma, evita-se enviar a análise se, por exemplo, determinada empresa estiver num forte processo de expansão. A expansão em si não acarreta nenhum mal em particular, sendo na maior parte das vezes bem vinda, excepto quando nos confrontamos com um mercado saturado. Aqueles que já foram aos EUA, certamente que puderam reparar no exemplo da Starbucks, que vai ao extremo de ter lojas frente a frente na mesma rua. Difícil não considerar isso como exaustão do mercado, não acham?

Quanto aos números em si, o mês de Dezembro de 2009 face ao mesmo mês de 2007 registou já algumas melhorias. O ano de 2008 foi aqui esquecido, porque de tão mau que foi, fácilmente veriamos subidas assombrosas. Contudo, um pequeno aparte. Ainda que se tenham registado subidas em alguns casos, convém esperar pelos resultados trimestrais e constatar se as margens se mantêm ou, se por outro lado, estas subidas aconteceram à custa das mesmas. Uma análise ao balanço e aos inventários em particular ajudará a retirar as restantes dúvidas.

Antes de terminar queria apenas referir um caso de sucesso no âmbito dos retail stocks em 2009. Como de certo sabem, estas acções são particularmente condicionadas pelo clima económico. Regra geral, gastamos em função do que ganhamos e, se ganhamos menos ou se nos vimos em situação de desemprego, é  apenas natural que o nosso nível de despesa tende a baixar. Os retail stocks são assim, na sua globalidade, bastante pró-cíclicos. Contudo, dentro deste sector existe uma indústria, ou sub-indústria, que consegue prosperar num ambiente recessivo como o que se viveu (e vive) em 2009... os Discount Retailers.

Estas empresas vendem produtos a mais baixos preços, mais vocacionados para as necessidades básicas dos consumidores. Wal-Mart (NYSE: WMT), Kmart (Nasdaq:SHLD) ou a Target (NYSE:TGT) conseguiram resistir particularmente bem dentro do contexto geral. Particular menção para os big discounters, isto é, os LIDL's e Minipreços daquelas paragens que tiveram um ano bastante positivo. Dollar Tree Store (Nasdaq:DLTR) e 99 Cents Only (NYSE:NDN). Nada como ter estas cartas na manga caso os tempos não melhorem ;)

Paff



Antunes

#19
Boas Paff,

O indicador "Same store sales", como qualquer indicador, deve ser sempre esmiuçado ao pormenor pois, caso contrário, pode levar a conclusões erradas.

O "Same store sales" reporta a variação nas vendas nas lojas abertas há mais de 1 ano. Mas o que acontece no caso Starbucks que mencionaste? Alguns clientes iam à loja do lado A da rua e outros iam à do lado B. Infelizmente, por ordem da Starbucks, a loja do lado A teve de fechar. Desde logo a loja B passou a receber uma boa parte dos clientes que iam à loja B... O indicador "Same store sales" mostra uma boa evolução das vendas para a loja B (e similar em todas as lojas que recebem agora cliente de lojas enceradas) mas, na prática, a Starbucks está a vender menos ou, na melhor das hipóteses, a mesma coisa e não mais...

Por isso, tem cuidado ao tirares conclusões a partir deste indicador. Se tiveres tempo, procura saber quantas lojas fecharam a Aeropostale, a TJMax ou a BJ's...

Abraço,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

Paff


Viva Antunes,

Tens toda a razão, este indicador é mesmo só isso, um indicador. Daí eu ter referido que a análise das margens e os inventários é fulcral para perceber de que forma se construiu a receita

Citação de: Antunes em Janeiro 13, 2010, 10:06

Por isso, tem cuidado ao tirares conclusões a partir deste indicador. Se tiveres tempo, procura saber quantas lojas fecharam a Aeropostale, a TJMax ou a BJ's...


Não é o fecho de lojas que tem o impacto negativo nas same stores sales, mas precisamente o contrário. O fecho de lojas impacta directamente as receitas, daí que nem seria necessário olhar para este indicador.

Paff

Paff

Aposta contrária


O gráfico é auto-explanatório. Mostra os 5 maiores aumentos de posições curtas no NYSE.

O que me parece mais interessante são duas das empresas escolhidas: A Exxon e a Ford.

Com o crude a atingir valores máximos anuais e com as vendas de automóveis a recuperar, não seria de esperar um aumento das posições curtas, ou será que seria?

NO caso da Exxon existe sempre a possibilidade de um conjunto de investidores estarem a fazer hedging face a uma descida dos preços do crude, ao passo que na Ford, a meu ver, se trate mais de especulação do que de outra coisa. Contudo, e no caso da Ford,  no periodo em análise se tenha verificado uma valorização de quase 10% das acções.

Este gráfico não nos dá o total de posições curtas acumuladas, apenas variações percentuais. Contudo julgo interessante ter alguns destes casos debaixo de olho (outro exemplo é a Apple que teve um incremento das posições curtas de 37% no mesmo período) não vá surgir a possibilidade de um short-squeeze.

Paff

Paff

A cotação do adágio


Para quem anda há alguns tempos nestas andanças de mercados financeiras, por certo já terá lido ou ouvido falar dos populares adágios financeiros. Muito provavelmente o generalizado "sell in May and go away" será o mais difundido. Mas, até que ponto estas frases, que procuram de alguma forma prever o futuro, têm consistência real e, sobretudo, prática?

Há alguns dias deparei-me com uma interessante análise aos últimos 84 anos do  S&P500. Neste, os autores procuraram provar a validade de dois adágios: "assim como vai a semana, vai o ano" e "assim como vai o mês, vai o ano".

A primeira imagem mostra o número de vezes que, em qualquer uma das semanas do ano, o indíce subiu, e o mesmo número de vezes em que desceu. A partir daí, indica qual a percentagem de vezes que nas restantes 51 semanas do ano o S%P subiu ou desceu. Por outro lado, na parte debaixo da mesma imagem, a mesma análise é feita, mas apenas tomando como ponto de partida a 1ª semana do ano.

Conclusão nº1: O impacto que a subida do S&P na 1ª semana do ano (69.81%) face a qualquer subida de uma das outras 51 semanas (67.37%), no cômputo geral de subida global durante o ano é...práticamente irrelevante.

Conclusão nº2: O impacto que a descida o S&P na 1ª semana do ano (44.44%) face a qualquer descida de uma das outras 51 semanas (63.66%), no cômputo geral de subida global durante o ano é... algo a pelo menos olhar com algum interesse.

A primeira semana de 2010 registou uma subida, logo, pelo menos do ponto de vista estatístico, nada relevante daí se poderá inferir em relação ao ano de 2010.




E quanto ao mês, consegue-se retirar alguma conclusão?

Sim, fácilmente conseguimos concluir que nada de especial se conclui.
Enquanto que no que concerne com subidas, o mês de Janeiro não é particularmente mais fiável do que qualquer outro; já no que às descidas se refere, chamou-me mais atenção o facto de que se o mercado descer em Março em apenas 20% das vezes o mercado desce no final do ano.

Hmm, caso para dizer que Maio têm algo de especial, não necessáriamente decifrável, mas misterioso ainda assim...

Paff


Paff

35% a fundo perdido...





.angel.

Ali diz...........
.......................STRIPPERS?!?  :o ;D

Paff

P de ...PIGS


Uma das formas de se a possibilidade de incumprimento no pagamento da dívida, é através da análise da percentagem da dívida pública que esta nas "mãos" da banca internacional.

O caso da Grécia, tão amplamente divulgado, parece, através da análise do gráfico, apenas ser o primeiro de várias possibilidades. Práticamente de 30% da dívida pública está dependente de bancos estrangeiros ao passo que a dívida pública já ultrapassa os 110% do PIB anual. O caso português e apenas ligeiramente melhor. Itália poderia ser o próximo, mas julgo que será uma economia com melhores defesas do que a nossa, daí que as más noticias estarão por semanas. Downgrade de ratings parece algo quase inevitável e, num ambiente de médio-prazo de subida de taxas de juro... que categoria de cenário que se está a desenhar.

Resta-nos a consolação de sermos o "P" de tão nobre "suína" companhia.

PIGS - Portugal, Italia, Grécia e eSpanha, países tidos como os que enfrentam situações mais problemáticas e próximas de default.

Paff

Paff

Taxas de juro e os mercados


Um interessante estudo da UBS salienta a reacção dos mercados de capital às subidas das taxas de juro. A diferença entre a performance dos mercados nos 12 anteriores à primeira subida das taxas e os 12 meses subsequentes é em média de 14.4%.

Ainda que de uma forma geral os mercados tenham conseguido subir após a subida das taxas, é bem notória a influência que estas têm sobre as cotações.


Parece-me particularmente interessante o que aconteceu na última vez, em que a performance após subida foi de 12%, isto é, claramente acima do vinha acontecendo nas situações anteriores. Serão sinais dos novos tempos?

Ainda segundo a UBS, caso estejamos de facto a viver tempos "anormais" é bem provável que tal cenário se repita. Pessoalmente, julgo que a próxima subida ainda esteja longe, talvez só em 2011. Significa isto que teremos um ano (nos EUA pelo menos) de aceleração económica com taxas de juro históricamente baixas. Sector financeiro, sectores pró-cíclicos de início de ciclo e, como poderei (tentar) demonstrar em breve, healthcare (cuidados de sáude) serão os locais a estar em 2010.

Paff

Paff

Quando a oferta aumenta...


... e a procura nem por isso, os precos...

Pois bem, é mesmo isto o que se tem vindo a intensificar nos últimos trimestres no mercado das shipping stocks. Talvez vítimas do seu próprio sucesso, e do aumento das tarifas de transporte ao longo de 2007 e 2008, as transportadoras marítimas iniciaram uma corrida a compra de novos navios. Se ao longo de 2009, nunca se excedeu o número de 60 novos navios entregues, já para este ano prevê-se uma média de 120 a redundar no número de 1400 novas entregas em 2010 (vide gráfico). Quanto mais navios existirem, maior será a capacidade de transporte, logo, maior será a pressão sobre as tarifas (uma vez que a procura não acompanha este aumento de oferta).

Ainda que no último trimestre tenham acontecido muitas desistências ao nível das encomendas, o ritmo encontra-se demasiado elevado face à procura que práticamente estagnou. Aliás, este sector está muito dependente não só do preço das matérias-primas, mas principalmente da procura da economia Chinesa.
A China está a tentar abrandar o seu crescimento económico e, como representante de 50% do mercado de aço, qualquer pequena mudança tem um impacto muito pesado sobre estas empresas e sobre o índice que as representa: o Baltic Dry Index.

Nºao significa isto que empresa como a Dryships (Nasdaq:DRYS)ou a Diana Shipping (NYSE:DSX) tenham o seu futuro automáticamente comprometido, mas a menos que as commodities resolvam disparar de novo, apoiadas numa maior procura, os tempos não se avizinham fáceis.

Paff

Paff

Resultados do 4º trimestre


Até agora cerca de 70% das empresas que apresentaram resultados relativos ao último trimestre, conseguiram suplantar as previsões dos analistas.

Na verdade isto não causa grande admiração.Por um lado, olhando de forma comaparativa, fácilmente seria de esperar que tal acontece, afinal de contas, o ano de 2008 foi para esquecer. Contudo, o mais interessante nestes casos, é observar o trabalho dos analistas e como estes parecem estar sempre behind the curve.

O analista é uma espécie estranha e de processos lentos. Quando a maré está de alta, prevêem que ela vá continuando a subir e muito raramente não são os últimos a repararem que ela já mudou. Quando a maré está bem vazia, esperam básicamente que o mar seque. Neste caso, talvez a medo, estimaram em média por resultados que foram suplantados em larga escala pelo mercado. Falhar todos falham, pode-se dizer, se bem que consecutivamente, e em todas as viragens de mercado, o mesmo acontece, uma e outra vez.

Mais um motivo para dizer: olha para o que eles escrevem, mas dúvida do que te dizem. Pelo menos é o que costumo fazer.

Paff

Paff

Perfomance nos últimos 30 anos


Imagem bastante interessante e elucidativa da evolução dos diversos sectores nas últimas 3 décadas. Os vários sectores estão ordenados de forma descendente de performance geral.

De notar que sectores como os bens de consumo e healthcare (cuidados de saúde) se comportaram de forma mais consistente do que todos os restantes. Na verdade, o sector de healthcare foi mesmo o único a ter uma performance positiva em cada uma das 3 décadas analisadas.

De uma modo geral, os anos 80 assemelharam-se à década que agora terminou, com uma excepção interessante. A excepção passa pelos sectores mais voltados para as commodities e para o factor que muito provávelmente foi dos mais determinantes para que tal sucedesse... o factor China. Utilities, Matérias Básicas e principalmente, Energia, suplantaram o S&P nos anos 0 (zero). Estes sectores haviam tido uma perfomance negativa nas décadas anteriores.

Outra das conclusões, passa pela constante sub-performance do sector das Telecomunicações, assim como do sector Financeiro. Qualquer um deles não foi grande escolha face à variação do indíce geral. Por outro lado, os anos 90 marcaram o disparo das Tecnológicas que terminou no burst do início do século e na consequente fraca perfomance ao longo da última década (-5,..% do que o S&P).

Como será a nova década? Semelhante à anterior devido ao crescimento de economias como a chinesa, indiana e brasileira? Ou um reatar pelo fascínio com a Tecnológicas, agora que os investidores já tiveram quase uma década para esquecer o ano 2000?

Pelo sim, pelo não, parece que optar por sectores que lidem com necessidades básicas e diárias, é sempre uma aposta segura.

Paff