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Ouro - começar a ter muito cuidado em posições longas

Iniciado por bluexip, Agosto 23, 2011, 01:30

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Garfield

Boas bluepix

A função do capital especulativo é mesmo essa. Crescer com base na especulação. Tudo muito correcto se analisado apenas do ponto de vista dos mercados. Mas temos por aí uns twists que alteram os cenários. Mas tenho dúvidas quanto à dimensão real dessa liquidez excessiva...
Neste momento, há liquidez, que se está a limitar a percorrer, de forma estonteante, quase todos os sectores e mercados. Mas a sua dimensão depende directa e proporcionalmente à sua capacidade de manter os níveis dos activos subjacentes. E tem condições para tal ?

Para começar, nos últimos 30 anos verificou-se uma inversão da distribuição da riqueza. Antes, cerca de 54% era alocada à distribuição da mesma e 46% era retorno para o capital de investimento/especulativo. Neste momento a repartição é de 45%/55% respectivamente. O que significa que houve uma perda para o cidadão perto dos 20%. Este aumento do retorno do capital especulativo foi um dos grandes motores do ritmo de expansão dos mercados a que assistimos desde então.

Retomando. O PIB dos States depende em cerca de 70% do consumo privado. Este motor estará gripado durante os próximos anos. Mais. Um dos efeitos que esta crise financeira irá gerar nos States será um pouco semelhante ao que sucedeu no Japão. Quando a retoma se começar a dar, o cidadão comum irá passar a ter mais cuidado nos gastos e na alocação das suas poupanças, diminuindo a velocidade e impacto do consumo privado.

Para além disso, há um outro problema. O de financiamento dos Estados. Nos anos 70, os States resolveram o seu problema de endividamento recorrendo à permissão de subida da inflação. A captação de dívida não representava problemas porque eram, à altura, a única economia com dimensão e solidez para a procura.
O controle quase obsessivo que o BCE exerceu, em certos momentos, muito criticado, sobre a inflação, era exactamente por causa disso. Garantir aos potenciais credores de dívida pública de que não iriam perder valôr real por via da inflação, que foi o que aconteceu aos credores da dívida pública americana dos anos 70.

Hoje, os States não podem recorrer ao mesmo artifício porque têm um concorrente de peso para o mercado de dívida e isto é um dos motivos fundamentais que está por trás de todo este ataque à zona euro.

Ora, os States chegaram a um ponto tramado. Possuidores de uma máquina militar extremamente onerosa e, hoje em dia, desajustada face às reais necessidades, com problemas de captação de dívida que se têm vindo a agravar com a afirmação da zona euro, com problemas internos muito graves ao nível do emprego, rendimento, poder de compra, com um sistema fiscal que alimentou o capital e do qual o capital depende, eles têm em mãos uma bomba-relógio e pouco tempo para a desarmadilhar.

Ao contrário do que esperavam, a Europa continua a cerrar fileiras e não dá sinais de ceder. E agora, o que fazer ? Não podem desvalorizar a dívida por via da inflação, reformar o aparelho militar é moroso e difícil, consumo privado estagnado para os próximos anos, e se resolverem inverter a actual política fiscal, vão retirar a capacidade do capital em manter todas estas bolhas ao nível em que estão. E mesmo que não o façam, elas vão acabar por estourar porque o capital está a perder capacidade em manter a artificialidade da actual situação.

Ora, no meu entender, isto não é uma questão de "se vai rebentar". É uma questão de "quando". E " quando" rebentar, não há sustentabilidade possível. Ao nível das empresas e banca, o estouro das actuais bolhas vai resultar, rapidamente, numa aumento exponencial das imparidades, associada a um, cada vez maior, refinanciamento da dívida. E, inevitavelmente, a factura irá recair nos mesmos: trabalhadores. Vai-se atacar o motor que, entretanto, já estará gripado há uns tempos.

Provavelmente estarei profundamente errado e a confundir tudo. Caso contrário, não haverá vencedores ou ganhadores. Todos irão perder...

Cumprimentos
Garfield
As opiniões e partilhas de informação expressas por mim são meramente pessoais e não constituem, em momento algum, recomendação de investimento.

Garfield

As opiniões e partilhas de informação expressas por mim são meramente pessoais e não constituem, em momento algum, recomendação de investimento.

bluexip

penso que não está enganado Garfield, infelizmente. mas as coisas levam anos/decadas.

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

Garfield

"Performances passadas não são garantia de performances futuras". Creio que é mais ou menos este tipo de disclaimer que os folhetos de propaganda para subscrição de fundos colocam em letras pequeninas nos mesmos.

Houve uma aceleração dos processos económicos nos últimos 30 anos. Somada à alteração de premissas, não tenho assim tanta certeza de que levará tanto tempo. Se demorar assim tanto, então o cenário será sempre mais negro do que a realidade que se irá constituir porque crreio que o tempo é, no actual contexto, um factor determinante e há alguns processos que se estão a desenvolver e a esgotar esse tempo. Como é que se vai comprar tempo ? Ou desacelerar esses processos e permitir a implementação de medidas ?

A malta fica a aguardar e a assistir ao espectáculo.

Cumprimentos
Garfield
As opiniões e partilhas de informação expressas por mim são meramente pessoais e não constituem, em momento algum, recomendação de investimento.

bluexip

sim, os ciclos encurtaram muito. mas, por exemplo, uma potência económica e militar como a americana não se "desmonta" em 10 ou 20 anos, nem mesmo em 30.

por outro lado, há mesmo na irracionalidade uma razão :)

se por um lado os fundamentais dos paises ocidentais têm-se degradado, por outro tem sido injectada uma liquidez extraordinária nos mercados e imprimido um ritmo de mudança e de adaptação das pessoas e empresas sem par na história.

também se pode olhar para os paises para onde vai virar durante este século o poder económico, financeiro e militar como fonte de manutenção e ampliação da "macro-bolha", da asset mania. pode-se dar muitas voltas, e complicar a vida com criação de dinheiro "out of the thin air", que continuamos a estar sujeitos a uma relação de credor/devedor e consumidor/vendedor. se os paises tem deficit há paises com superavit, e vice-versa, e os mercados tendem a se regular neste mecanismo de feed-back, com mais ou menos resistência. se a china produz tudo barato, os paises desenvolvidos viram-se para o valor acrescentado, para o acréscimo tecnológico. se a china e a india começam a incorporar também tecnologia, os paises ocidentais viram-se para o branding, para os valores sociais, para o turismo. se as populações dos paises ocidentais envelhecem e diminuem o nivel de consumo, as populações dos paises emergentes aumentam o seu consumo e a busca de niveis de vida semelhantes ou melhores que as do ocidente, transbordando essa procura para os paises ocidentais que agradecem estes novos mercados para escoar a sua produção.

no final, o problema é que este modelo tem um limite. não sei quando será atingido. possivelmente só daqui a vários anos, ou talvez aconteça mais cedo do que qualquer um de nós pense, por via do encurtamento de ciclos. chegará a altura em que se terá de repensar a sociedade, a economia, a própria existência do emprego. mas isto é tudo muito filosófico, complexo e acima de tudo pouco prático. o que acaba por interessar mesmo é que a competição, a integração e a especlução são cada vez maiores e é isso que dá cartas, tomando as espectativas lugar à razão. tendo isso em mente é seguir a maré e não lutar contra ela.

cumprimentos,
bluexip


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Garfield

Totalmente de acordo. O que pode baralhar tudo isto são os factores imprevisíveis. A injecção de liquidez nos mercados dos últimos 30 anos tem sido uma bolsa de ar para o modelo existente actualmente mas foi conseguida à custa, em grande parte, por via da inflação e pela alteração do perfil de distribuição dos rendimentos.

Até aqui tudo bem. Se ninguém se queixar...

Há uns anos li um artigo muito interessante, do Prof. António Barreto, no Público. Ele abordava a temática dos modelos de avaliação social serem perfeitamente incapazes de prever movimentos sociais extremos, os tais que a História, supostamente, nos deveria ter ensinado que são determinantes ao provocar mudanças substanciais a todos os níveis.

Eis que aqui reside uma incógnita que, ao ser menosprezada, torna-se exponencialmente um factor de potencial que pode ir de insignificante a profundamente determinante. Quer por via de um aumento de tensões sociais, que poderão explodir nos países desenvolvidos e rapidamente propagarem-se/auto-alimentarem-se, ou quer por via da Democracia, já que se poderá, de repente, assistir a mudanças de actores políticos contra tudo o que é expectável. Como exemplo menor, faço recordar o caso da Aústria e de Jörg Haider que, contra as expectativas nacionais, ganhou as eleições por via de uma alteração de sentimento social abrangente.

Um pormenor curioso que ainda há uns dias comentava com um círculo de amigos é o facto de que esta crise se ocorresse à 20 anos atrás faria ressurgir e/ou aumentar os movimentos políticos extremistas, quer fossem de direita ou esquerda, bem como os movimentos nacionalistas. Tal não se está a verificar. Um dos efeitos mais profundos da globalização e da informação foi a criação de uma noção mais abrangente e mais profunda sobre a sociedade. A noção de que tudo está inter-ligado e inter-dependente e, sobretudo, uma noção mais concreta sobre o que influi e determina o quotidiano.

Ora, essa consciencialização tanto poderá ficar paulatinamente acomodada como poderá, de um momento para o outro, dar o ar de sua graça. E quando grandes franjas da sociedade, sobretudo da classe média, começam a ser atingidas prolongadamente, rapidamente se mobilizam e tentam impor mudanças.

Vlaro que tudo isto é, para já, muito empírico-filosófico mas quanto mais não seja, neste momento há um dilema prático fulcral no meio disto tudo: se o consumo privado é determinante para o funcionamento/retoma da economia, se o desemprego está a galopar, se os níveis médios de rendimento estão a diminuir por força da contração das retribuições, se isto é um ciclo vicioso que se auto-alimenta, como é que se inverte este processo ? Há algo incontornável. É preciso recapitalizar os consumidores para parar este processo, inverte-lo e torná-lo, novamente, em motor de crescimento económico. Mas, para isso, vai ser necessário financia-lo, invertendo a tal distribuição de riqueza.

Pois... Só que isto implica retirar liquidez ao capital e isso teria como consequência uma crise económico-financeira imediata mais profunda.


Verosímil ? Não ? Distante ? Não ?
Não sei. Veremos até onde é que tudo isto irá. Ou até onde as pessoas vão suportar os impactos sem reagir. E será sensato não nos fiarmos na calma aparente. Occupy Wall Street é insignificante ? Para já, sim. Mas se fosse tudo assim tão certo, previsível, ou pouco prático, não havia crashes quando menos se espera, nem Primaveras regionais ou coisas do género.

Na prática ? Seguir a maré, claro. Mas eu gosto muito de andar com um barómetro por perto. E ir observando as nuvens, a ondulação... Não vá o gajo tecê-las.
As opiniões e partilhas de informação expressas por mim são meramente pessoais e não constituem, em momento algum, recomendação de investimento.

bluexip

partilho das mesmas ideias Garfield :)

vivemos tempos deveras interessantes e desafiantes, e que prometem manterem-se.

cumprimentos,
bluexip
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bluexip

olha... derrepente ficou tudo mais simples sobre a causa de todas estas mudanças rápidas. vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?v=F-QA2rkpBSY&feature=related

cumprimentos,
bluexip
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bluexip

o ouro voltou a ganhar folego com a recente re-entrada acima dos 1700. estamos aparentemente dentro de outra correcção relevante ao nivel do grafico semanal. fica assim caminho aberto para os 2250-2500 no próximo ano.

a bolha vai engrossando cada vez mais...

cumprimentos,
bluexip
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bluexip

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