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Nokia - Análise

Iniciado por Paff, Fevereiro 05, 2012, 15:55

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Paff

NOKIA - ANÁLISE

A razão pela qual decidi elaborar uma análise à Nokia, prende-se com o facto de considerar que neste momento (início de 2012) parecerem estar reunidos os factores que levarão a cotação deste título para patamares mais condizentes com a sua dimensão.

É bem verdade que nos últimos anos se assistiu a uma desvalorização considerável, bastando-nos uma análise rápida à capitalização bolsista, que chegou a ser superior a 120 mil milhões de dólares em finais de 2007, sendo agora inferior a 20 mil milhões. Mas, ainda assim, por muito estranho que possa parecer, a Nokia é ainda um destacado líder mundial no que a aparelhos móveis diz respeito.


Ainda que tenha registado uma quebra de vendas em relação a 2010, é notável que tenha vendas semelhantes aos seus dois maiores concorrentes juntos (Samsung e Apple). Bem menos notável é perceber que, quando dissecamos estas vendas, percebamos que tal se focaliza em produtos onde as margens estão bem mais espremidas. Tal se deve ao facto de a Nokia ter "resolvido" dar um avanço de 2 anos aos seus principais rivais, não apresentando uma oferta de smartphones particularmente interessante (onde as margens são claramente superiores), tendo-se cingido ao muito grande, mas bem menos interessante mercado dos feature phones (leia-se, telemóveis de geração antiga). Neste último mercado, a Nokia é um claríssimo líder, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento.

Assim sendo, não é de estranhar que quando se compare as margens brutas dentro desta indústria, se vislumbre a Apple com margens próximas dos 50% (assentes em produtos high-end como o iPhone e iPad), contrastando com a continuada queda de margens dos seus mais directos concorrentes, dos quais a Nokia e a Research in Motion são dois exemplos (as margens brutas da Samsung cifraram-se em torno dos 32% no 3º trimestre de 2011)

Nokia Corporation Gross Profit Margin Chart

Igualmente grave é perceber que a erosão das margens não foi acompanhada por um crescimento das receitas, antes pelo contrário. Neste gráfico torna-se ainda mais visível a posição dominante que a Apple tem conseguido nos últimos anos.

Nokia Corporation Revenue Growth Chart

Posto isto, o gráfico que se segue apenas mostra na prática o que os números anteriores elucidavam.




É caso para pensar, mas, se tudo está tão mau, porque motivo este título poderá ser uma boa oportunidade?

Do ponto de vista técnico, deparamo-nos com um título a cotar a cerca de um terço do valor de há 2 anos. Enquanto as média móveis ainda não dão mostra de uma inversão de tendência, devo salientar o que me parece ser um bullish divergence (ponto A). Regra geral, tal costuma indicar uma exaustão do movimento descendente, em que os novos mínimos surgem com menor força e pressão de queda. Coloquei também o ponto B, também ele um bullish divergence, apenas para indicar que nem sempre este padrão se verifica. São, no entanto, são as perspectivas de médio-prazo que me levam a crer que possamos estar perante uma inversão de tendência.

Ao contrário do que mencionei no princípio desta análise, o ano de 2012 será marcado por uma entrada (a sério) da Nokia no apetecível mercado dos smartphones (e provavelmente não só!). A gama Lumia, que muito recentemente temos tido a oportunidade de ver em campanhas publicitárias é a grande aposta da companhia neste mercado específico. Tratam-se de smartphones com um design bastante interessante (esta parte é uma opinião muito pessoal) que procuram colocar no mercado um 3º ecossistema (Metro) para além dos dois já existentes (iOS e Android). Como parceiro de negócio surge a Microsoft, que segundo este acordo, está a pagar cerca de 250 milhões de dólares por trimestre em royalties à Nokia, pelo exclusivo do uso do Windows Mobile Phone nos seus aparelhos. A parte realmente interessante deste acordo acontecerá lá mais para o meio do ano, quando a Microsoft lançar o Windows 8. Caso a integração entre o Windows 8 e o Windows 8 Mobile aconteça como alguns especialistas antevêm, poderemos estar perante um novo paradigma tecnológico e um novo mercado e gigantesco mercado potencial, do qual a Nokia será um dos beneficiados. E mesmo olhando para tudo isto de uma forma conservadora, e se considere que a Apple e a Samsung não ficarão paradas a assistir, mesmo assim, a Nokia estará em muito melhor posição do que esteve nos últimos anos, em que pura e simplesmente não ofereceu qualquer réplica a estes dois importantes rivais. Os primeiros números relacionados com as vendas da gama Lumia parecem prometedores, com mais de 1 milhão de unidades vendidas, ainda antes da expansão da gama a todos os mercados, e mesmo sem uma campanha publicitária em andamento.

Um outro indicador que me parece interessante trata-se do rácio entre o Preço e as Vendas (P/S ratio). Embora não se possa esperar que a Nokia consiga atingir um rácio semelhante ao da Apple, custa.me imaginar que este possa ser inferior ao da RIM por muito mais tempo. Na verdade, se este rácio estivesse ao nível desta, e mesmo sem um aumento de vendas, tal significaria que a Nokia deveria estar a cotar pelo menos acima dos $6.

Nokia Corporation Price / Sales Ratio Chart

A posição financeira da empresa exibe ainda que neste momento existem cerca de 9.2 mil milhões de dólares em caixa e equivalentes que, quando comparados com o número de acções disponíveis, permitiriam que só devido a isso (sem contar com todos os outros activos como a marca, o património, a posição de mercado, etc, etc) a Nokia teria um valor de mercado em torno dos $2,5. Convém também recordar que a Nokia tem uma divida de longo-prazo bastante controlada, que só não é nula devido à parceria com a Siemens e ao conjunto de aquisições que esta nova empresa tem feito, nomeadamente a unidade de equipamentos de redes wireless à Motorola.
Tal indicia que a margem de descida de cotação seja bem mais limitada face ao potencial de subida, que coloco a médio-prazo numa cotação nos dois dígitos.

Concluindo, embora o passado recente tenha deixado um legado complicado ao presente, julgo que estão reunidas as condições necessárias para que a Nokia volte a ser de novo um dos principais players do mercado. Não escondo que será difícil, se não mesmo impossível, reconquistar a liderança absoluta de mercado face à Apple, mas permitir-lhe-á crescer e ver a sua cotação crescer para patamares mais consentâneos com a real qualidade desta empresa.

Nota: Esta análise é o justificativo da entrada neste título na minha carteira Ubik Invesments da plataforma de Gestores de Portfólio.

hollies

Viva Paff,

a curto médio prazo não vejo a Nokia, mesmo com a microsoft, virar a tendencia para o seu lado, os iPhone são um caso de popularidade, e penso, irão continuar a ser nos próximos anos, só se a Nokia apresentar um super smartphone, ou lançar uma campanha fantástica para virar o jogo para o seu lado. A Samsung está também forte na área dos smartphones e a tendencia é para aumentar, não vejo muito espaço de manobra à Nokia, neste momento, continua líder, mas é como dizes na gama antiga, que irá sendo substituida, e irá decrescer bastante, o Lumia da Nokia, até parece interessante, a campanha publicitária está engraçada, mas na hora de escolher, queres um Lumia ou um iPhone?...a resposta é óbvia. Também estou curioso para ver o que vai sair da associação entre a Nokia e a Microsoft, poderá haver aí um ponto de viragem.

saúdo as tuas análises que leio sempre com atenção, é pena é que não aconteçam com mais frequencia, assim como acompanho a tua carteira Ubik Invesments, a par da do Norte, as mais interessantes de seguir no Portfolio Managers.

Ab

Hollies

Paff

Boa noite Hollies,

De facto a Nokia chegou atrasada a este mercado e deixou-o à mercê da competição.
Contudo, do ponto de vista de investimento, julgo ser uma exelente oportunidade de entrada. Não concordo contigo no que corcerne à escolha "óbvia". Já tive a possibilidade de trabalhar com os três sistemas operativos, o que vou dizer pode até ser considerado uma heresia mas, o sistema Windows Phone é, para mim, enquanto sistema operativo, superior *a concorrência.

Tal não impede que a Apple e a Google fiquem paradas no processo evolutivo e, ainda que o iPhone 5 ou o iPad3 possam vir a ser peças de hardware notáveis, o dia em que a Apple cavou o maior gap de inovação face às suas rivais foi no dia em que lançou o... iPhone (1ª versão). Se nos conseguirmos abstrair da galopada da cotação do seu título e dos resultados financeiros notáveis dos últimos anos, a realidade é que de dia para dia a concorrência se vai aproximando. O gap não é o mesmo certamente.

A questão não passa tanto por saber se a Nokia vai ser líder do mercado de smartphones (algo que também não acredito), mas em compreender que se nos últimos 2 anos a cotação acompanhou a sua estratégia e presença inexistentes neste mercado, também ela acompanhará uma presença que agora existe e que, a meu ver, com uma pequena ajuda da Microsoft, será suficiente para reconquistar uma importante quota de mercado.

No mundo dos mercados as paixões por empresas ou títulos de pouco valem, sendo que não estou aqui a defender uma dama chamada Nokia, nem a culpar um vilão chamado Apple. Os mercados vivem de momentos e 2012 parece-me ser o momento de viragem para a empresa escandinava. Compete-nos, enquanto investidores, procurar antecipar estas tendências.

Agradeço-te as amáveis palavras.

Cumprimentos,
Paff

hollies

Boas Paff,

Duas notas:

Em relação à escolha entre um Lumia e o iPhone, não coloquei em causa a qualidade do Lumia, pode ser melhor que o iPhone, numa série de coisas... escrevi por o iPhone ser um caso de popularidade, de todos quererem ter um, a tal propagação viral de que hoje se fala, foi nesse sentido que escrevi em relação à escolha ser óbvia.

Concordo contigo em relação às paixões por empresas e títulos, não devemos tê-las, é verdade, mas há quem tenha acções para a vida como é o caso do Warren Buffet, não sei se nesse caso se pode falar em paixão, é certo que ele segue-as ao pormenor, se algo muda poderá logo estar vendedor, não as tem  por gostar própriamente delas. Mas acredito que as grandes empresas, se não são eternas, pelo menos o seu tempo é longo, poderá ser o caso da apple, ibm, intel, coca-cola...e outras grandes empresas.

Cumprimentos,

Hollies 

Paff

Boa noite,

Apenas para deixar uma nota complementar à análise.
A Morgan Stanley efetuou uma previsão de vendas para os smartphones nos próximos 2 anos, evidenciada no gráfico seguinte. Embora à partida possa parecer que o crescimento global de vendas seja exíguo, entre subida de vendas de aparelhos com Windows Phone e quedas de venda de aparelhos com o sistema operativo Symbian, deixo apenas a nota que, caso tal se verifique, por certo asistiremos a uma subida interessante nas margens operacionais da Nokia.

AInda ontem, num artigo do Barron's, ficou bem patenteada a importância que as margens têm neste contexto, com o exemplo da Apple, que com apenas 50% das receitas da indústria, consegue arrecadar cerce de 80% dos lucros.

Cumprimentos,
Paff

luisalmeidapt

#5

Paff

Bom dia,
E cerca de ano e meio depois... a Microsoft compra uma parte substancial da Nokia.
http://finance.yahoo.com/news/microsoft-acquire-nokias-handset-business-031642393.html
Paff