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Apple- Análise

Iniciado por Paff, Fevereiro 19, 2012, 17:03

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Paff

APPLE - ANÁLISE

Era uma vez uma macieira cujas maçãs eram tantas e tão belas, que gente de todo o planeta acorria a ver e  a comprar tão fabulosos frutos.

Esta poderia muito bem ser o início da história do actual momento da Apple. De facto, as "maçãs" que tem produzido tem de tal modo mudado o clima e o status quo do sector, que parece não haver limites ao crescimento da empresa, e ainda menos, à cotação do seu título. Os números são por demais conhecidos e ilustram a força e robustez das suas raízes, o alcance dos seus ramos, que tudo parecem abranger e a jovialidade das suas maçãs, que de ano para ano conseguem trazer um (ou mesmo vários) novos sabores, que todos parecem adorar e achar que sempre assim deveriam ter sabido, de tão óbvios que são (embora as macieiras concorrentes aparentemente nunca se terem disso apercebido).

Prosseguindo com a metáfora (que embora óbvia, me parece a mais adequada), quando os analistas examinam tão frondosa árvore, começam por descobrir a evidência de um sistema de raízes e tronco constituídos por uma força e vitalidade notáveis. As variáveis fundamentais da empresa são incríveis, com uma dívida de longo-prazo nula e disponibilidades líquidas imediatas próximas dos 30 mil milhões de dólares. Na verdade, e por paradoxal que isso pareça, tal começa a tornar-se um "problema", pois à medida que estas crescem (e a tendência ir-se-á manter) o seu volume implica que sejam tomadas decisões sobre ao que fazer com esta montanha de dinheiro. Nestes casos, o saudável seria sempre descobrir investimentos que produzissem ainda mais crescimento orgânico. Não duvido que tal aconteça, já lá iremos, mas estamos a falar de volumes tão elevados que nem mesmo isso esgotaria este valor.

A segunda hipótese passará por aquisições, que em boa verdade têm acontecido ao longo dos anos. Contudo, a dimensão agora atingida pela empresa, começa a colocar-lhe um obstáculo que por exemplo a Microsoft tem enfrentado com o passar dos anos... as autoridades da concorrência. Deste modo, torna-se complicado para a Apple efectuar grandes aquisições sem que tal possa levantar problemas de concorrência nos diversos mercados onde a sua actividade de tem estendido.

Terceira opção (muito do agrado dos accionistas, diga-se de passagem) passa pela recompra de acções, acto que costuma redundar numa subida de cotação pela evidentes regras da matemática mais simples – a mesma quantidade de resultados (pelo menos) estarão a ser divididos por uma menor quantidade de acções disponíveis. Por fim, existe sempre a possibilidade da distribuição de dividendos.

Bom, as duas últimas opções, embora com um impacto mais imediato na carteira dos accionistas, são não raras vezes vistas pelo mercado como algo mais aconselhado a empresas no sector das utilities por exemplo, em que o epíteto de value stock há muito substituí-o a mais exitante classificação (em abono da verdade condizente com o sector tecnológico) de growth stock. E quanto a isto não restem dúvidas, a Apple, ainda que com uma dimensão brutal, continua a ser uma growth stock, resta apenas saber até quando. Esta é mesmo a grande questão. De qualquer forma e para os atuais efeitos, a segunda das denominações permanece absolutamente válida. Nas semanas mais recentes, e à medida que se aproxima a reunião anual de accionistas, a questão dos dividendos tem sido cada vez mais aflorada. De recordar que há uns anos atrás, a própria Microsoft pagou um dividendo especial, quando se viu confrontada com uma situação semelhante.

Apple Revenues TTM Chart

Mais importante do que o visível crescimento das receitas, o que este gráfico mostra é a eficiência da empresa. Reparem que os resultados por acção cresceram ao dobro do ritmo das receitas – a isto chama-se de margens saudáveis.

Quando a análise passa das raízes e tronco, para os galhos e, em última análise, os frutos, leia-se, para as perspectivas de crescimento e novos mercados, e para os produtos em si, é quando cada um de nós, enquanto investidor, terá de tentar perceber para onde a cotação deverá evoluir.
Recentemente uma análise da Morgan Keegan, após compilar os dados relativos as receitas de todas as empresas da indústria, chegou a uma conclusão extraordinária: embora não sendo a empresa com a maior quota de mercado no que aos smartphones concerne, ainda assim, a Apple consegue metade das receitas desta indústria e uns espantosos 80% dos lucros! A importância das margens de lucros surge aqui como um factor uma vez mais determinante, embora estes números escondam também uma outra realidade. Então, se a empresa já arrecada uma fatia tão elevada dos lucros gerados neste mercado específico, como conseguirá manter este nível de crescimento no futuro? É precisamente esta questão que tem levantado dúvidas a boa parte dos analistas e parece ser mesmo a condicionante principal a uma continuada subida da cotação deste título.

Vamos então analisar os números.

No final de 2011 a Apple apresentava receitas globais em torno dos 128 mil milhões de dólares. Ao longo dos últimos anos as receitas têm registado um incremento anual médio em torno dos 50% e, assim sendo, caso pretenda manter este nível de crescimento, terá de terminar o ano de 2012 com receitas próximas dos 192 mil milhões. Trata-se, grosso modo, de um crescimento anual de receitas de mais ou menos 65 mil milhões de dólares. Conseguirá a empresa manter este crescimento? De lembrar que tal deverá suceder para que a actual cotação se continue a justificar (pelo menos do ponto de vista fundamental).


Naturalmente que quanto mais uma empresa cresce, mais difícil se torna manter os valores percentuais de crescimento, devido à necessidade de colher receitas em mercados com receitas globais finitas. Parecem restar assim duas vias complementares, por um lado, continuar a conquistar quota de mercado ao nível dos smartphones, tablets e computadores, e por outro, entrar em novos mercados que possam garantir novas fontes de rendimento (e crescimento).

No primeiro dos casos, aguardam-se brevemente notícias no que respeita a novas versões do iPad e iPhone, bem como a uma actualização de toda a linha Macbook. Devido ao peso que a empresa já conquistou nestes mercados e a uma legião de dedicados fãs, não será de excluir (pelo menos no médio-prazo) que estes produtos por si só consigam manter os níveis de crescimento a que a Apple nos tem habituado. Tal deverá acontecer mesmo num clima económico global semi-recessivo, ainda para mais quando no último trimestre de 2011 o mercado global de aparelhos móveis (sem contar-mos com a Apple) tenha sofrido uma quebra de 0.4%. Caso a Apple seja considerada neste número, o valor passa a um crescimento de 34%!

A segunda via, isto é, a entrada em novos mercados, parece estar já a ser posta em prática, sendo cada vez mais comentada a entrada no mercado dos televisores (leia-se SmartTV's). Este mercado tem uma grandeza anual de receitas em torno dos 100 mil milhões de dólares, e se acreditarmos que a Apple entra em força, apoiada numa plataforma que integre as funcionalidades Siri e Facetime por exemplo (algo que a título pessoal me parece fazer mais sentido), numa perspectiva conservadora poderá conquistar com relativa facilidade uma quota de mercado de 10%. Se tudo se mantiver, e continuando a sua aposta no mercado high-end (onde as margens operacionais são maiores), assente na sua superior eficiência operacional face às congéneres, poder-se-á esperar que estes 10% de quota possam representar entre 20% a 25% das receitas globais. Estamos a falar de receitas próximas de 20 mil milhões provavelmente a ser atingidas num período de 2 anos.

Acrescentando a isto todas as receitas relacionadas com a plataforma iTunes e as diversas aplicações (embora neste último caso o valor médio de venda esteja em queda global, mais ainda no mercado iOS do que no Android), não será difícil vislumbrar uma continuação do crescimento da empresa, e muito provavelmente, da sua cotação. Até que valor?


Tecnicamente podemos ver um título em território desconhecido, tendo atingido novos máximos ainda esta semana. Nestes caso torna-se complicado prever a evolução seguinte, mas existem algumas pistas no gráfico que convém prestar atenção. Por um lado, a Apple cota na parte superior de um canal ascendente de longo-prazo, embora ainda com margem de subida, talvez até valores próximos dos $550. Além disso, encontra-se em posição sobrecomprada, daí que se possa antever uma correcção em breve. Enquanto não houver um sinal contrário acredito na ida a novos máximos, próximo do valor que referi, seguida de uma correcção em torno do 10%/15%, segundo o que tem acontecido historicamente.

Como nota final vejo a Apple com um downside relativamente controlado no médio-prazo (do ponto de vista fundamental), ficando o upside dependente da gama de produtos, entre actualizações e aposta em novos mercados, que venham a ser apresentados ao longo de 2012. Tudo leva contudo a crer que, se mantiver o nível de inovação da última década, sustentada em consumidores dedicados, uma cotação a atingir os $1000 deverá ser o patamar seguinte.

Dúvidas existem algumas, claro que sim, e a grandeza que a empresa atingiu é em si mesmo um desafio que se agudiza de dia para dia. A concorrência também não está a dormir, e prevê-se um ano de 2012 com maior competição, nomeadamente da parte da Nokia e Samsung. Convém também relembrar que esta árvore tinha um proprietário com capacidades únicas de gerar sonhos e mesmo necessidades. Esse proprietário já partiu, restando-nos saber se o actual terá o mesmo à vontade a vender maçãs.

Cumprimentos,
Paff

Dinâmica do mercado

AAPL com o rompimento da LTA de médio prazo, deu um ponta pé de partido para novas configurações e para uma nova dinâmica de mercado que tem surpreendido os investidores.

Esperemos que o título consiga encontrar argumentos para segurar a área de 90$ contrariando a força vendedora, e poder evitar a ida aos 80$ por acção no curto prazo.
Dinâmica do mercado (Blog)

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