Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

Novos ficheiros de actualização para Metastock e Bases de Dados disponíveis para milhares de acções e índices.

Menu principal

KIT do Investidor

Iniciado por tiagodandre, Dezembro 31, 2007, 19:04

Tópico anterior - Tópico seguinte

DUARTINI

"Muito se tem debatido no palco mundial sobre a subida inevitável dos preços dos alimentos. Quer pelo aumento da população mundial ou pela produção crescente de biocombustíveis, hoje é quase um dado adquirido que a conta do supermercado vai ficar mais alta. Um rombo para os orçamentos familiares, sem dúvida. Mas do prejuízo é possível fazer uma oportunidade. É necessário aceitar uma boa dose de risco e reservar uma pequena fatia da carteira de investimentos, para poder aproveitar o potencial e a diversificação dos bens alimentares como classe de activos emergente no panorama financeiro internacional.

Dos cereais à pecuária e ao sumo de laranja, os produtos agrícolas são matérias-primas quase tão importantes numa carteira diversificada como o petróleo e os metais. O potencial de valorização que oferecem é semelhante, enquanto a menor correlação com os ciclos dos mercados de acções e obrigações é uma mais-valia. Isto porque também nas "commodities" agrícolas a relação entre a procura e a oferta é uma condição para a subida dos preços.

Este mercado sofreu nos últimos anos profundas mudanças estruturais. O uso de bens agrícolas na produção de combustíveis "verdes" explodiu, ao mesmo tempo que a população mundial duplicou em apenas 30 anos, atingindo os 6,5 mil milhões em 2006. É previsível que este número não abrande, dado o forte crescimento demográfico dos países emergentes. Espera-se que, até 2050, a população mundial chegue os nove mil milhões. Também a melhoria da qualidade de vida faz antever alterações nos hábitos de consumo, com a maior procura de alimentos ricos em proteínas e mais consumo de carne.

Mas o que torna os bens agrícolas num activo em ascensão são os constrangimentos na produção. Os "stocks" de muitos produtos alimentares estão em valores mínimos, reflectindo a diminuição da terra de cultivo e a maior urbanização. Existem, ainda, factores climatéricos pontuais, como se viu este Verão com a seca no Sul da Europa e na Austrália, que impulsionaram a subida dos preços.

Não faltam factores para justificar o potencial de rentabilização deste mercado. Contudo, trata-se de um sector com volatilidade alta, que tem a desvantagem adicional de não ser muito estudado pelos bancos de investimento. Há muito pouco "research" sobre as "commodities" agrícolas. Daí que as gestoras aconselhem uma exposição máxima entre 2,5% a 5% numa carteira diversificada e um prazo mínimo de investimento de cinco anos.

Em Portugal, a opção de escolha é reduzida. Existem apenas dois fundos de investimento especializados neste sector. O DWS Invest Global Alternatives e o Parworld Agriculture, lançado na semana passada. O primeiro tem uma estratégia centrada, sobretudo, em acções de empresas cujo foco do negócio é a indústria agrária ou a produção e comercialização de equipamento agrícola. No último ano, o fundo da DWS valorizou 33,98%, segundo dados da Bloomberg, registando, no mesmo período, uma volatilidade de 15,10%.

A estratégia seguida pelo Parworld Agriculture, gerido pelo BNP Paribas, é sobretudo focada na replicação de dois índices bolsistas: o S&P Goldman Sachs Agribulture and Livestock e o Dow Jones AIG Agriculture. Constituído em Março passado, este fundo tem uma rentabilidade próxima de 15% desde essa data."






A menina que escreveu este artigo    http://jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_InvestidorPrivado&CpContentId=307729
http://strapon.pt    http://sersexy.net

DUARTINI

Olhar de um Físico

por Rui Namorado Rosa

40
Da agricultura ao agronegócio

O inicio da produção agrícola e pecuária correspondeu a uma fase da evolução da organização social e económica da humanidade - a revolução neolítica, em que as populações se estabelecem em territórios, apropriam os solos e transformam a sua relação com a natureza em geral e com o solo produtivo em particular. Com a revolução industrial, nos países industrializados as populações rurais são forçadas a abandonar o mundo rural e a sua relação tradicional com a terra, para migrarem para os subúrbios das grandes cidades em crescimento e se transformarem em proletários para as indústrias manufactureiras. Deu-se pois uma rotura da relação da maioria dessa população com a terra e deste modo com a natureza também. Enquanto isto, no mundo subdesenvolvido e colonizado, as populações rurais foram forçadas a transformar também a sua relação com a terra, neste caso no sentido de a explorarem intensivamente para produções mono-culturais com fins industriais. Daí decorre uma outra rotura da relação da população com a terra, que compreende, também, a expulsão e migração de parte dessa população, tornada excedentária, para os subúrbios de grandes cidades do terceiro mundo, mas sem indústria que lhes dê trabalho.

A revolução industrial, cavalgada pela ascensão do capitalismo, determina assim a apropriação de grande parte da terra para fins de produção de matérias-primas e a expulsão e privação de modo de subsistência certo, dependente ou autónomo, de grande parte da população rural. Por uma via e por outra, estavam criadas as condições para a negação do acesso de grande parte da população aos produtos agro-pecuários necessários à sua alimentação. A fome tornou-se numa consequência natural, necessária e permanente do capitalismo, para além dos riscos de factores naturais a que a agricultura estava e estaria sujeita.

A fome em grande escala e globalizada é uma das manifestações, a mais dramática, do beco sem saída a que o capitalismo que governa o mundo conduziu o desenvolvimento económico "insustentável".

A agricultura nos alicerces do capitalismo

Assim se alienou a relação do homem com a terra e em geral do homem com os seus instrumentos, meios e recursos de trabalho; bem como se criaram as condições e as necessidades para a industrialização da agricultura e para a comercialização dos produtos da terra em larga escala e sobre longas distâncias. No plano das relações coloniais, as transacções dos frutos de monoculturas agrícolas e de extracção de produtos florestais e minerais (iniciadas já no século XVI) expandiram-se enormemente nos séculos XVIII e XIX, sob o estímulo da procura de matérias-primas que alimentassem a revolução industrial, e viabilizada pelas inovações técnicas de meios de transporte e pela extensão imperial das respectivas infra-estruturas. O processo de intensificação agrícola verificou-se no "coração" da própria potência hegemónica, a Grã-Bretanha, levando à exaustão de solos, privados de seus nutrientes naturais; na ausência de uma solução "doméstica" tais nutrientes foram substituídos por agentes fertilizantes importados.

O primeiro substituto encontrado foi o "guano" proveniente do Peru e, poucos anos mais tarde, o nitrato dos planaltos Andinos do Peru e da Bolívia. Em 1875, quase 100 mil trabalhadores chineses imigrados trabalhavam em condições inumanas na extracção de fertilizantes e no carregamento de centenas de navios para aprovisionamento dos países industrializados; o que por um lado proporcionou à burguesia peruana enriquecimento rápido e enorme mas, por outro, conduziu a elevada dívida pública; enunciava-se um padrão de "crescimento" que se repetiria inúmeras vezes até à actualidade, o qual é característico de sociedades colonizadas e em que a organização da produção económica se suporta numa estrutura de classes antagónicas. Para resolver essa crise, o governo Peruano instaurou um monopólio público sobre a produção de nitratos. Quatro anos passados o Chile, que era parte interessada na exportação e no comércio dos nitratos, apoiado por negociantes britânicos, declarou guerra à Bolívia e ao Peru; em quatro anos fez conquistas territoriais que abarcaram a quase totalidade dos recursos de nitrato e de guano ("Guerra do Pacífico"). Enquanto antes da guerra o capital britânico controlava 13% da indústria de nitratos do Peru, após a guerra viria a controlar 70% da indústria de nitratos do Chile.

Os nitratos do Chile iriam alimentar durante meio século a agricultura intensiva Europeia bem como a indústria química, também em rápida expansão, incluindo o fabrico de explosivos para a indústria da guerra. Foi então a vez de o governo Chileno vir a anunciar a nacionalização dos recursos de nitrato, tendo em vista financiar políticas de interesse público; seguindo um outro figurino que se repetiria também até à actualidade, o governo britânico apoiaria a oposição e uma guerra civil que conduziria à queda do governo. Por essa data (1891) 75% das exportações Chilenas destinavam-se à Grã-Bretanha e 50% das importações Chilenas vinham da Grã-Bretanha.

Com o inicio da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha impôs um bloqueio à Alemanha que esta iria, contudo, ultrapassar, mediante uma inovação técnica que ofereceu uma solução alternativa ao aprovisionamento em nitrato do Chile, designadamente a síntese do amoníaco e do ácido nítrico a partir do azoto atmosférico. O autor desta descoberta, o químico alemão Fritz Haber, seria também conhecido como inventor e proponente dos gases asfixiantes - o progenitor das armas químicas. Encontrada uma fonte alternativa para o nitrato do Chile, a procura e o preço deste decaíram progressivamente, vindo a mergulhar esse país, altamente dependente da exportação dessa matéria-prima, em grave crise económica.

A síntese dos nitratos e demais fertilizantes sintéticos, desde então cada vez mais utilizados, requer o consumo de combustíveis fósseis (sobretudo derivados do petróleo e gás natural). O problema de conseguir manter o solo produtivo não fica pois resolvido, foi sim transferido para outras matérias-primas, e a um nível quantitativo ainda muito mais elevado. Contando apenas os principais adubos - que fornecem ao solo azoto, fósforo e potássio - nos últimos quarenta anos, de 1961/62 para 2001/02 o consumo mundial mais que quadruplicou e a produção mundial excede já 400 milhões de toneladas anuais. Desse consumo colossal, cerca de dois terços cabe à Ásia, América Latina e África; os maiores consumidores mundiais são, por ordem decrescente, a China, os EUA, a UE e a Índia. Da produção mundial, cerca de um terço é comercializado no mercado internacional, os EUA sendo destacadamente o primeiro exportador mundial e a Rússia/FSU tendo também uma posição importante. Os fertilizantes sintéticos, a par de outros factores de produção agrícola, continuam a ser um poderoso instrumento de exploração capitalista no plano global
[European Fertilizer Manufacturers Association www.efma.org/index.asp; International Fertilizer Industry Association http://www.fertilizer.org/ifa/default.asp].

A alienação da relação homem-terra e a intensificação da produção de matérias-primas e o seu comércio assimétrico entre os centros e as periferias imperiais gerou uma dívida ecológica dos exploradores para com os explorados. Cerca de um quarto da população mundial consome grosso modo três quartos dos recursos mundiais; mas esta proporção injusta é ainda assim idílica face às muito maiores desproporções mais pronunciadas entre diferentes países e no interior de cada país entre estratos sociais. E, para confirmar a relação injusta e o poder imperial instalado, a dívida, em termos monetária, é dos países explorados para com os exploradores, e vai-se agravando sob a manipulação da fixação de preços das "commodities", as taxas de câmbio, as taxas de juros, a liberalização dos mercados, a privatização de património e de serviços, o investimento directo estrangeiro, as reestruturações ou reajustamentos económicos politicamente impostos, etc.

A constituição do complexo agro-industrial

O complexo agro-industrial foi e continua a ser um componente essencial do sistema imperialista agora sob hegemonia norte-americana.

Recorde-se que em 1955 o comércio agrícola fora excluído das negociações do GATT, porque nessa época a agricultura norte-americana era altamente subsidiada e deveria permanecer protegida da competição de produtos importados. Trinta anos volvidos, os EUA haviam invertido a sua posição e argumentavam contra o proteccionismo. O "Export Enhancement Program" que os EUA instituíram entretanto visou dois fins: por um lado, subsidiar exportações agrícolas para a competição com a UE, particularmente direccionadas para a URSS, China e Médio Oriente, por outro lado, como argumento de negociação nos "Uruguay Rounds" que conduziriam à institucionalização da OMC/WTO. As negociações que ao longo da década de 1980 conduziram do GATT à OMC/WTO em 1995, incidiram já também na liberalização da actividade agrícola e no comércio de produtos agrícolas; mas, não obstante a retórica sobre a eficiência económica e a liberdade de mercado, quer os EUA quer a UE mantiveram os seus próprios subsídios indirectos à produção agro-pecuária doméstica enquanto, por outro lado, impuseram aos agricultores dos países menos desenvolvidos a pressão necessária para que alienassem as suas culturas, a favor da produção extensiva e intensiva procurada pelo negócio agro-industrial. Seguindo uma orientação política que remonta à fundação da Comunidade Económica Europeia, a União Europeia adoptou um modelo de desenvolvimento agrícola subsidiado paralelo ao dos EUA - "Common Agricultural Policy" (PAC); por um lado, visou idênticos fins externos, incluindo a competição com os EUA na partilha do comércio mundial de produtos agrícolas e agro-industriais; por outro lado, visou a acumulação e concentração interna de capital, bem ilustradas pelo facto de o orçamento da UE para o exercício de 2004 destinar à agricultura € 44 mil milhões, ou seja 47% do orçamento geral da União, com o distintivo sinal de classe de os subsídios serem essencialmente destinados à posse dos meios de produção e não à produção efectiva.

Essa transição essencialmente iniciada após o termo da Segunda Guerra Mundial (1955-1995), apagou os vestígios da era "agro-colonial", para culminar a passagem para a era "agro-industial", caracterizada pela integração de actividades agrícolas e industriais nas anteriores metrópoles, apoiada em inovações técnicas intensivas em capital e em energia. O novo modelo não reduziria porém a dependência alimentar, nem nos centros industrializados nem no mundo pós-colonial, antes a agravaria, pois que exige contínuos e intensos fluxos comerciais de toda a natureza - maquinaria, "inputs" como combustíveis, adubos, pesticidas, sementes, etc. e "outputs" como milho, oleaginosas, etc. Esta inter-dependência não é fortuita, é intencionalmente económica e visa o poder político imperial. Mas o que não seria evidente há meio século atrás e entretanto se tornou em realidade omnipresente e todo-poderosa, foi a constituição de grandes corporações transnacionais agro-industriais, um complexo agro-industrial que integra vertical e horizontalmente a produção e o comércio a nível nacional e internacional.

Para esta transformação contribuiu a constituição, após o termo da Segunda Guerra Mundial, de grandes corporações monopolistas nos EUA, que captariam a sobre-produção doméstica protegida e a comercializariam na exportação subsidiada ao abrigo dos "programas de ajuda alimentar". A partir de 1973, com a nova "ordem económica internacional" formalmente associada ao abandono do acordo de Bretton Wood - a flutuação das taxas de câmbio, a liberalização de mercados financeiros "offshore" e da especulação bolsista, e a renovada acção institucional do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional - o controlo nacional sobre os movimentos de capitais foi severamente reduzido, abrindo a porta à expansão das corporações transnacionais.

A partir de então, a agricultura familiar entrou em grande crise mais ou menos por todo o mundo, para ficar dependente da produção intensiva destinada à exportação, enquanto nos EUA e na UE a sobre-produção subsidiada se consolidava. Assim, em 1980 mais de 50% das exportações de trigo destinavam-se aos países subdesenvolvidos, tornados agravadamente dependentes em virtude da especialização, da política de preços e também da "importação" de hábitos dietéticos. Induzida e atravessada a crise agrícola da década de 1980, em 1994, 50% da produção agrícola norte-americana provinha de 2% das propriedades agrícolas; 80% da carne de vaca era abatida e embalada por apenas três corporações; os EUA asseguravam 36% do comércio mundial de trigo, 64% de milho, cevada, aveia e sorgo, 40% de soja; 50% das exportações norte-americanas de cereais estavam nas mãos de apenas duas corporações (Cargill e Continental). A indústria alimentar tornou-se de facto no primeiro sector industrial norte-americano; 95% dos alimentos consumidos nos EUA são manufacturados, distribuídos e vendidos por algumas poucas grandes corporações (ConAgra, Philip Morris, etc.). Estes números ilustram tanto o poder político de uma só nação hegemónica como o controlo económico atingido por algumas poucas corporações transnacionais.

O poder geo-político do agro-negócio

Sob o imperialismo, a Agricultura é cada vez menos uma instituição fundamental das sociedades organizadas para ser cada vez mais parte da estratégia de aprovisionamento de recursos para as corporações, incorporando globalmente regiões em relações quer de produção quer de consumo, mediante fluxos sobre distâncias médias da ordem de milhares de quilómetros desde a produção primária até ao consumo final, com custos energéticos insensatos. Esta organização económica é suporte para a especulação sobre "commodities" que engrossa o capital financeiro. Fragiliza extremamente a estrutura rural e a produção agrícola das várias nações. Nos países em desenvolvimento, a controlo sobre a produção local mantêm-se essencialmente segundo o mesmo projecto neocolonialista, ainda que sempre reinventado, oferecendo alimentos importados para exigir a exportação de novas "commodities", uns e outras a preços depreciados, suportados em inovações técnicas que o centro controla (sementes seleccionadas incluindo organismos geneticamente modificados (OGM), "inputs" químicos, entregas calendarizadas). No Brasil, Chile e México, que se estão tornando em principais fornecedores de produtos agrícolas frescos ou transformados para os EUA e a Europa, a dependência alimentar e técnica aprofunda-se. No Brasil, que é o terceiro exportador mundial de alimentos e parece estar destinado a ser uma das principais fonte de aprovisionamento de produtos agrícola na divisão internacional do comércio, menos de 1% da população detém a propriedade de mais de 50% do solo agrícola fértil, enquanto 30 milhões de agricultores desapossados sobrevivem em condições de destituição.

O Chile é o maior abastecedor da Europa e dos EUA em hortaliças e frutas frescas fora de estação; a sua agricultura foi extensamente reconfigurada para servir esse propósito especializado; em particular os trabalhadores agrícolas são forçados a trabalho sazonal incerto e a salário baixo; esta organização económica foi montada pela acção de cinco corporações que controlam mais de metade das exportações. As grandes corporações da indústria alimentar dos EUA (Kellogg's, Bird's Eye, Pepsico, etc.), Europa (Unilever, Nestlé, etc.) e Japão (Mitsui, Mitsubishi, etc.) incrementam a taxa de investimento directo em produção e processamento alimentar sobretudo no México, tirando partido da maior liberalização do respectivo mercado. No âmbito da NAFTA, a progressiva redução de barreiras aduaneiras ao comércio do milho entre o México e os EUA, estima-se que eliminará dois terços dessa produção Mexicana nos próximos anos; por essa via "libertando" terra e trabalhadores para outras produções no quadro da especialização e concentração agro-industrial; não contabilizando as "externalidades" sociais e ambientais aí implícitas.

Cargill, Continental, e algumas outras, não só adquiriram o monopólio do comércio de cereais mediante a estruturação do seu mercado mundial e a fixação dos seus preços, como tiveram papel destacada nas negociações do GATT que conduziram à liberalização dos mercados e à fixação das regras e dos poderes da OMC.

Mas a OMC não é só mero agente da liberalização do comércio, é também uma instância judicial com autoridade reconhecida pelos estados signatários para forçar a aplicação dos "direitos" das corporações sobre estados, produtores e consumidores, por uma e outra via procurando acelerar a integração económica mundial agenciada pelas grandes transnacionais. À sua imagem, A NAFTA, a ALCA, a União Europeia convergem nos mesmos objectivos neoliberais e imperialistas. O domínio emergente de algumas corporações do complexo agro-industrial sobre a produção mundial de alimentos geneticamente modificados, (Monsanto, DuPont, Dow, Novartis, etc.), não obstante as sérias reservas colocadas por meios científicos, organizações de agricultores e associações de consumidores, parece corresponder a uma etapa superior da apropriação de recursos naturais e na concentração do poder monopolista do complexo agro-industrial. Essas corporações promovem a disseminação dos seus novos factores de produção, que excluem pequenos agricultores, reduzem a escolha de produtos, trazem ameaças incertas à biodiversidade e à saúde humana; e, prometendo o incremento da produtividade e de novo a erradicação da fome, de facto procuram incrementar ainda mais a concentração do poder económico e debilitar ainda mais a organização social, por conseguinte agravando a miséria que daqui advém. O contestado recurso a OGM tem uma outra face sinistra, que é a dos "direitos de propriedade intelectual" que investidores estrangeiros pretendem adquirir, com o apoio da OMC através do TRIPS, sobre produtos e processos, naturais ou culturais, expropriando agricultores das sua sementes, mesmo aquelas seleccionadas ao longo de gerações e que constituem de facto património cultural da sociedade, bem como patentear material genético natural que constitui de facto património natural da humanidade.
Philip McMichael, Global food politics, Monthly review, July-August 1998 www.findarticles.com/p/articles/mi_m1132/is_n3_v50/ai_21031836/print].

O comércio alimentar internacional

Segundo a OMC, em 2000 o volume mundial do comércio de alimentos atingiu US$ 442 mil milhões; mais de 60% desse montante foi transaccionado entre a União Europeia, a América do Norte e o Japão, grosso modo no seio dos países da OCDE. É flagrante o contraste entre esse fluxo medido em termos monetários com o mesmo fluxo medido em termos físicos; por outro lado, resulta patente que a liberalização aduaneira imposta aos países menos desenvolvidos face ao proteccionismo praticado nos países mais desenvolvidos é objectivamente desnecessária à mera reprodução do presente sistema uma vez já instaurado, independentemente da sua profunda desigualdade e injustiça, mas que assim foi construído e mantém para que proporcione mais elevados lucros ainda e mais o poder político que assim controla. A Cargill/Monsanto, Novartis/ADM, Philip Morris, ConAgra, a selecta família de transnacionais que controlam 80% do comercio mundial de sementes, 75% dos agro-químicos e os primeiros lugares nas vendas de alimentos transformados, têm assim espaço para prosseguir a respectiva acumulação, integração vertical e horizontal, a caminho de "ilimitada" concentração. Assim o mundo fosse infinito e o povo o permitisse
[Agribusiness Accountability Initiative www.agribusinessaccountability.org/page/data/].

Os preços dos produtos agrícolas e minerais básicos ("commodities") tem sido depreciados ao longo dos últimos vinte anos, atingindo em 2001 preços inferiores a 60% dos níveis em que se encontravam em 1980. No que toca à agro-indústria, esta depreciação foi resultado da liberalização do sector agrícola dos países subdesenvolvidos, a aceleração da monocultura, a intensificação agrícola e a liberalização do comércio, alterações estas introduzidas pela acção combinada de programas de "ajuste estrutural" impostos pelo BM-FMI aos países em dívida, das regulamentações e da jurisdição da OMC/WTO e das organizações económicas regionais (AFTA, ALCA, APEC, etc.) e, necessariamente das corporações transnacionais operando no terreno, em conluio com as oligarquias nacionais.

Um dos casos exemplares é o do café. Neste caso, 25 milhões de agricultores vendem o grão mesmo abaixo do custo de produção, depauperando-se e contribuindo forçadamente para a perpetuação da dívida, enquanto as corporações que transaccionam e comercializam o produto de "marca" (Nestlé, Procter & Gamble, Sara Lee, Kraft Foods, etc.) realizam anualmente vendas da ordem das dezenas de milhar de milhões de euros. Em Janeiro de 2003, em Genebra, foi constituída por organizações cafeteiras e sociais de vários países da América Latina e Caribe e da África uma Aliança Global para a defesa do café; na Declaração então emitida, essa Aliança reclamava dos poderes económicos e políticos um plano de resgate que tornasse o mercado cafeeiro justo e estável e exortava os governos dos países produtores a garantirem a soberania alimentar nacional. A situação é agravada pela especulação bolsista sobre as "commodities" que, ao manipular os preços, gera receitas milionárias a favor dos especuladores para agravar a depauperação dos agricultores e explorar os consumidores. Por seu lado, os factores de produção (solo, maquinaria, sementes e fertilizantes) são também controlados pela "agro-indústria". Os consumos de fertilizantes por "commodity" são indicadores valiosos para documentar a intensidade e a extensão de cada cultura em cada país e por aí documentar a sua posição dentro do sistema mundial "agro-industrial"; nos EUA, no Japão e em Israel, a área cultivada é quase totalmente fertilizada e com uma intensidade elevada, frequentemente com mais de 500 kg/ha (azoto, fósforo e potássio); na União Europeia, no Canadá e na China, as intensidades de fertilização são marcadamente mais moderadas; na Índia, Indonésia, na Europa Central e de Leste e na larga maioria dos países subdesenvolvidos são francamente menores. Países como a Argentina, o Brasil e o México têm áreas de grande extensão cativas de algumas culturas com intensidades de fertilização baixa; são produtores altamente especializados e com elevada rendibilidade (mas até quando?)
[FAO, Fertilizer use by crop, Rome, 2002 www.fertilizer.org/ifa/statistics/crops/fubc5ed.pdf].

O imperialismo impôs um regime de produção que aprofundou e aprofunda a divisão antagónica entre cidade e campo, e entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. "O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão económica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema económico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os factores de produção no interesse da colectividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra" [Josué de Castro, Explosão demográfica e a fome no mundo, Trabalho publicado na revista Civillitá delle Machine, Julho/Agosto 1968, Roma. Incluído no livro Fome, Um Tema Proibido, 2003 www.josuedecastro.com.br/port/index.html]. Os sistemas agro-pecuários e ecossistemas naturais são sistemática e progressivamente transformados e apropriados com vista à intensificação da produção agro-pecuária e florestal (sem esquecer a papoila, a cannabis, etc. para o narcotráfico). Para sustentar e expandir este sistema de exploração e acumulação, para além da alienação da relação do homem com a natureza, o imperialismo lançou mão de invenções tecnológicas; primeiro os adubos naturais (nitratos, guano, etc.); depois os adubos sintéticos derivados do petróleo e pesticidas (nitratos, fosfatos, etc.); depois os organismos geneticamente modificados.

Neste processo acumulam-se tensões e contradições dentro da sociedade humana e entre esta e a natureza. Um confronto crescentemente insustentável. Por isso, para nos iludirem, nos embalam tanto com o "desenvolvimento sustentável".


São estas as minhas fontes. Estou dentro com muito gosto. Terrenos saturados é no capitalismo que vai dar. O Império Capitalista. Ganham sempre de qualquer forma.
http://strapon.pt    http://sersexy.net

alpino

o senhor Mamorado Rosa tem razão, no capitalismo de Estado da antiga União Soviética faltavam alimentos por todo o lado, as pessoas tinham de ir para uma bicha comprar algumas cenouras ou cebolas que acabavam de chegar do campo... e não chegavam para todos. Falem com os imigrantes de Leste que eles contam-vos como era.

nunoborgesoliveira



5º Agora (Janeiro de 2008) estamos no início da metade do ciclo, que corresponde à descida generalizada das cotações, o que acontecerá durante cerca de seis-sete anos, após o que haverá um período de cotações estáveis, que não tugem nem mugem nem ninguém fala no assunto.


Caro amigo,

Apesar de todo o respeito pela sua experiencia (que vale mais que dezenas de livros), nao lhe parece exagerado afirmar que estamos no inicio do bear (sem crash ) e que esse ciclo ainda durara 6 anos?!!   :'(

alpino

sr nunoborgesoliveira, o tempo dirá se acertei ou não. O ciclo já vai com dez anos, boa idade para virar a tendência altista. Mas tudo indica que sim porque as cotações, quando em alta ou a caminho dela, não têm baixas como tem havido. As cotações de alguns fundos já estão abaixo das cotações de Maio de 2007. Isto não é normal se a tendência fosse altista.

bluexip


um ciclo começado em 1997 apanhou com o bearmarket de 2000-2003... temos então um ciclo com dois bull markets?

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

PekenoBuda

Muito bom post alpino, de facto é esse o esquema dos mercados, somente os actores é que se vão alterando, mas os ciclos repetem-se.

Cumprimentos
"O verdadeiro carácter de um Homem vê-se pelo modo como trata alguém que vai dar-lhe absolutamente nada"

tiagodandre

#22
Relativamente à questão que muitos debatem nesta altura, sobre a tendência do mercado...muitos são os tópicos abertos para discussão ultimamente...

1) Bull ou bear market: Sondagem: O Bull terminou?
/forumbolsa/index.php?topic=19513.0

2) EUA indices
/forumbolsa/index.php?topic=22884.0

3) o afundanço ... estão prontos ?
/forumbolsa/index.php?topic=25628.0

4) Encruzilhada no mercado?
/forumbolsa/index.php?topic=25679.0

...dos quais destaco as perspectivas mais moderadas do Bluexip e Comentador, pois partilho de uma postura similar,...(mas isso é apenas também a minha perspectiva)...

...aliás, eu revejo-me neste texto publicado na newsletter facultada pelo AB7:

6º ano de valorização dos mercados accionistas

Depois de 5 anos consecutivos de valorização dos mercados accionistas, alguns investidores acreditam que o ciclo de subida iniciado em Março de 2003 estará perto do fim. A verdade é que, depois da euforia associada ao mercado accionista no final da década passada (que causou perdas dolorosas no início da actual década), a subida dos mercados accionistas nos últimos 5 anos tem sido pautada por uma enorme prudência por parte dos investidores.

Com efeito, a subida de cotações tem ficado atrás do ritmo de crescimento dos resultados das empresas, o que possibilita que o mercado esteja valorizado abaixo da média histórica, se considerarmos o rácio que compara as cotações com os resultados por acção: o Price Earnings Ratio (PER). As acções globais estão actualmente valorizadas a 14 vezes os resultados previstos para 2008, um dos valores mais baixos das últimas 2 décadas (ainda que existam diferenças a nível sectorial e geográfico). O indicador inverso (Earnings Yield), que mede o nível de rendibilidade do investimento por acção, está nos 7%, valor que compara com uma rendibilidade (yield) das Obrigações do Tesouro de 4,16% nos EUA e de 4,33% na Alemanha, um dos maiores diferenciais dos últimos anos, e que deverá incentivar os investidores a incrementar a alocação a acções.

Também a previsível injecção de liquidez por parte dos Bancos Centrais e dos Fundos Soberanos deverá ser positiva para os mercados accionistas, aumentando os rácios PER, mesmo que o crescimento dos resultados das empresas desacelere, como aconteceu em anteriores ciclos de política monetária expansionista. Parece realista esperar um crescimento dos resultados de 8% em 2008, abaixo do actual consenso dos analistas de 12,6%, mas acima do que é esperado pelos investidores.

Quando se antevê um abrandamento do ritmo de crescimento de resultados, os investidores tendem a preferir acções com capacidade de apresentar crescimento acima da média. Tal como em 2007, o estilo Growth deverá produzir melhores resultados que o estilo Value. Da mesma forma, as empresas de elevada capitalização bolsista (Large Caps) deverão superiorizar-se às suas congéneres de menor dimensão (Small Caps), por apresentarem negócios mais diversificados e menor nível de endividamento.

Naturalmente, numa fase mais adiantada do ciclo de crescimento económico, as dúvidas quanto à sua sustentabilidade tenderão a provocar mais volatilidade, um maior "sobe e desce" das cotações, à medida que vão surgindo novas informações, positivas ou negativas.



...Quanto à opinião do JoseABMachado, deduzo que tenha um perfil mais conservador na abordagem ao estado actual da economia...(não querendo com isto dizer, que não leve em conta a sua opinião, antes pelo contrário, prezo sempre as suas chamadas de atenção para o estado do mercado)...pois assim que obteve alguns indicadores a darem sinal de uma possível inversão, tem vindo a declarar o fim do bull market,...aliás, como provam a abertura de 2 posts sobre o assunto:

1) «É prudente sair do Mercado»
/forumbolsa/index.php?topic=17423.0

2) " The party is over "
/forumbolsa/index.php?topic=25669.0


...mas continuando,...o porquê de eu não estar tão péssimista?

"...a subida dos mercados accionistas nos últimos 5 anos tem sido pautada por uma enorme prudência por parte dos investidores." ...penso que a maioria das opiniões registadas sobre esta temática, comprova esta afirmação...desde o último bear market (que deixou muitas marcas), a maioria dos investidores tornou-se mais conservador nas projecções de crescimento da economia mundial...e aqui voltamos à base da questão...será que os remendos que vão sendo colocados na economia americana, permitirão às economias emergentes carregar novamente no acelerador??...isso é que me tem preocupado mais...ver que as réplicas do terremoto americano têm feito muita mossa principalmente nos mercados asiáticos...(o consumo interno ainda não parece ser suficiente, e a queda das exportações poderá comprometer o desempenho destas novas economias)...

...mas para mim, nada ainda está delineado...eu por enquanto vou aguardar, penso que este mês de Janeiro poderá ser mesmo decisivo...e aliás, não temos mesmo de fugir ao mercado, pois nestas alturas, também existem boas alternativas de investimento...ainda para mais este ano, que muitas empresas foram severamente desvalorizadas devido ao subprime...  ;)

BN.
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre

Ainda sobre a situação do mercado global...deixo uma citação daquilo que escrevi noutro post:


A chave da questão é: Será que a economia americana pode levar as outras ao fundo?... ou a quebra no consumo nos EUA, já não é assim tão significativa no mercado global, após a consolidação das novas economias emergentes?... o mercado mundial cresceu.....fazendo uma analogia com o Psi-20: será que os EUA deixaram de ser uma EDP e passaram a ser uma BES...? Toda a gente já previa a quebra na economia e consumo nos EUA, mas isso não impediu o crescimento exponencial dos mercados emergentes... nomeadamente das empresas chinesas....

Actualmente, existe muito mais players no mercado do que em 2000....qd tudo começou a tremer....as oportunidades de investimento não estão todas dependentes do mercado americano...óbviamente, que se o Dow sofrer um correcção severa, na China irá haver réplicas, devido aos receios dos investidores, mas se o impacto nas exportações for abaixo do esperado, rapidamente se percebe que o consumo dos americanos já não dita todas as regras...a crise do crédito (subprime), no meu entender está a tornar-se numa bolha expeculativa para fazer cair as bolsas, para permitir entradas mais longas no mercado...a correcção que havia para fazer já foi feita, com os principais bancos a reconhecerem já mais de 80-90% das perdas criadas....não existe mais nenhum monstro escondido.... os bancos que se encontravam demasiado expostos (quiserem criar receitas sem garantias, quase faz lembrar a enron! lol), foram bem eliminados...


Relativamente ao $ vs €....não tem sido o € a valorizar....tem sido o $ a perder para o €, Y, R$,....quase todas as moedas....se calhar também tem a ver com a perda de posição no mercado global...e só não caiu mais porque o $ ainda é a divisa de muitas commodities..
(tem dado jeito para o petróleo...).


Resumindo,...se as empresas chinesas continuarem com o crescimento que têm apresentado, não existe motivo para fugir dos mercados....até porque os grandes bancos de investimento, que agora ditam as regras....têm estado a expor-se cada vez mais a este mercado...pois a expectativa é para a economia mundial continuar a crescer à boleia das emergentes...agora, um crash na ásia.....isso é que era....

Acho que as regras agora são outras....mas nunca fiando...às vezes a irracionalidade vinga nos mercados, mais do que a lógica....


...agora, o que eu espero é uma resposta por parte da economia chinesa, pois estas correcções não se devem apenas ao comportamento da economia americana, mas também às políticas implementadas pelo governo chinês de forma a refrear a euforia vivida nos últimos tempos...o lema é, mais vale crescer de forma sustentada e durante muitos anos, do que crescer tudo de uma só vez, agravando os problemas estruturais sérios que o país ainda tem para resolver...


deixo alguns textos sobre a China e os seus problemas no post a seguir...

BN.
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre


"Num recente artigo publicado no Financial Times, o executivo da empresa Jim O'Neill, criador da expressão, afirmou que o campeonato entre os países acabou: a China venceu fácil. Parece que os integrantes desses grandes grupos empresariais não conseguem perceber outros aspectos do desenvolvimento dos países, a não ser números macroeconômicos de prazo mais curto.

É verdade que a China vem crescendo acentuadamente há mais de duas décadas. Ocorre, porém, que o "modelo chinês" não deve servir de referência para nenhum país. A China vive um regime ditatorial duríssimo, com graves restrições à liberdade de imprensa e às liberdades individuais. Esse assunto não importa para a Goldman Sachs, desde que seus investimentos estejam garantindo retorno financeiro.

O intenso crescimento econômico da China tem provocado gravíssimos danos ambientais. Em grandes regiões do país, os cidadãos têm que andar de máscara por conta das nuvens de poeira que têm se formado no país, o que reduz a incidência solar e atrapalha a visibilidade, provocando trânsito e fechamento de aeroportos. Lagos desapareceram, alguns córregos não têm mais água e mesmo rios outrora caudalosos ficam secos durante alguns períodos do ano. O nível dos lençóis freáticos chineses tem caído em velocidade alarmante (em Beijing, de 1959 pra cá, caiu quase 60m!).

Além disso, as emissões de carbono da China têm crescido de maneira assustadora. Mais de 70% da energia chinesa vem do super-poluente carvão! Em breve, o país ultrapassará os Estados Unidos como maior poluidor mundial. As graves conseqüências da emissão de carbono para o aquecimento global obtiveram destaque da imprensa nos últimos dias. Mas isso também não tem relevância para a Goldam Sachs...

É enorme a dificuldade para manter a coesão social num país que tem 1,3 bilhão de habitantes. Faltam áreas cultiváveis e alimentos para todos. O crescimento econômico chinês é concentrado no leste do país, gerando enorme pressão por movimentos populacionais, afora as conhecidas dificuldades decorrentes da crescente desigualdade social. A corrupção é um problema mais do que crônico na China. Se o leitor pensa que no Brasil há corrupção, não conhece a China, apontada por diversos indicadores como um dos países mais corruptos do mundo. E com o agravante de que o regime ditatorial impede qualquer iniciativa para tornar o país mais transparente.

Mas todos esses fatores não merecem a atenção de corporações como a Goldman Sachs. É provável que seu funcionário Jim O'Neill direcione muitos investimentos para a China por conta do retorno que pode obter no curto prazo. Mas aposto que, se esse executivo norte-americano tivesse que escolher um país para morar, não escolheria a China. Ela não ganhou o campeonato dos BRIC em qualidade de vida, nem deve fazê-lo nos próximos anos."



"O governo chinês enfrenta sérios desafios de poluição ambiental e degradação de recursos que foram em larga medida o resultado do rápido desenvolvimento
económico e mudança social
que se verificou recentemente na China. Ar e água estão severamente poluídos; solos preciosos estão a perder-se devido aos
fenómenos de desflorestação, desertificação e urbanização; está a perder-se biodiversidade com muitas espécies em perigo; recursos como água,
minerais, energia, e florestas estão a ser usados a um ritmo não reabastecível. Todos os dados sugerem que tanto o estado como o público já estão extremamente preocupados com a sua crise ambiental. No entanto, esta preocupação varia muito de região para região, da cidade para o campo, de regiões Han [a etnia chinesa dominante] para regiões de minorias étnicas, de
centros regionais para periferias. Além disso, as várias partes interessadas têm diferentes prioridades de preservação e reparação ambiental. Esta diversidade de
problemas e interesses é um enorme desafio à sustentabilidade do crescimento económico futuro da China e da sua estabilidade ambiental. Como é que a
China pode melhor enfrentar estes problemas para assegurar um ecossistema relativamente sustentável durante as próximas duas a três décadas?"


Bem....depois de voltar a ler isto...até parece que estou a dar um tiro no pé, ao afirmar que a China é capaz...  ;D

Mas, para eles, o crescimento económico é o principal objectivo...nem que seja mais devagarinho...  ;)

BN.
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre

#25
Actualização de dia 11 de Janeiro de 2008:

Os seguintes tópicos e sites foram adicionados à lista:


(1) Livros de AT
/forumbolsa/index.php?topic=6586.0


(3) Isto é tudo uma questão de gosto e de opção
/forumbolsa/index.php?topic=6449.0


(4) A todos os candidatos a day traders
/forumbolsa/index.php?topic=25647.0
ETF- Exchange Trade Funds
/forumbolsa/index.php?topic=18731.0
Filosofia operacional de Top Traders
/forumbolsa/index.php?topic=25702.0
Gestão de Risco / Posicionamento
/forumbolsa/index.php?topic=25685.0
Futuros versus CFD
/forumbolsa/index.php?topic=6440.0
" Pôr o dinheiro onde se põe a boca "
/forumbolsa/index.php?topic=6660.0


(9) Top traders e gestores de hedge funds
/forumbolsa/index.php?topic=26706.0
Lawrence D. Hite - hedge fund manager - commodities trader
/forumbolsa/index.php?topic=26701.0


(10) As quedas na bolsa e a recuperação de capital
/forumbolsa/index.php?topic=25700.0



O meu tesourinho deprimente da semana: ;D (eu não preciso!)  ::)
/forumbolsa/index.php?topic=5240.0
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre

#26
Como estive a escrever o seguinte post neste tópico:

Artigos clubeinvest antigos mas actuais
/forumbolsa/index.php?topic=28077.0

...não vou poder actualizar esta semana, pois achei mais interessante rever a evolução do nosso BULL desde 2003...


...fica apenas o tesourinho deprimente!! e bem deprimente!! :o  :o   :D


Estudo da Morgan Stanley elege 19 acções mais seguras (Maio 05, 2005, 12:56)
/forumbolsa/index.php?topic=2135.0

(Esta devia ficar para a história!!! Vejam a que está em 16º!!!!)

"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

tiagodandre

#27
Actualização de dia 19 de Janeiro de 2008:

Os seguintes tópicos e sites foram adicionados à lista:


(2)Simuladores - Cálculo dos custos de transacção em Bolsa:
CMVM: Intermediários Financeiros
http://web3.cmvm.pt/sdi2004/IFs/custos/simulador_a.cfm
Poupança Proteste
http://www.poupanca.proteste.pt/map/show/131871.htm

Investir na bolsa: comissões em alta, transparência em baixa
http://www.deco.proteste.pt/map/src/511621/rss/1.htm


só pude fazer isto....já disse porquê...  ;)

para a semana não irei ter tanto tempo como tive nestes últimos dias para colocar posts...mas assim que puder continuo a actualização...


cump...


"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

XX_FM

Bom dia a todos,

Parabens ao tiagodandre, pelo excelente trabalho. Como sou novo, aproveito para, tentar, dar a minha pequena contibuição.
Espero que isso ajude. ;)
Cpts,


http://www.forexinvestimentos.com/forum/smf/index.php/board,26.0.html

tiagodandre

"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)