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Top Traders e Gestores de Hedge Funds

Iniciado por Seykota, Janeiro 11, 2008, 15:55

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Seykota

Toda a gente sonha com um ordenado milionário. Ou quase toda a gente, porque alguns já o têm. A revista norte-americana «Alpha Magazine» descobriu a profissão que é, provavelmente, a mais bem paga do Mundo. E se está a pensar nos jogadores de futebol, esqueça. Esses estão a «anos-luz».
Numa lista dos mais bem pagos, a revista inclui 25 gestores de fundos, aliás de «hedge funds», com rendimentos que são, no mínimo, muito invejáveis.

O mais bem pago será, pelo segundo ano consecutivo, o norte-americano James Simons, ex-professor de matemática que desenvolveu um modelo de investimento em acções, obrigações e matérias-primas com um retorno superior à média.

No ano passado, este «génio», que é hoje presidente da Renaissance Technologies, obteve rendimentos de 1,7 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros). Qualquer coisa como 143 mil euros à hora. São valores para fazer corar de inveja até os jogadores de futebol mais bem pagos do Mundo. Segundo dizia o jornal francês «France Football», há um mês atrás, o jogador de futebol mais bem pago do Mundo é Ronaldinho Gaúcho. O craque brasileiro ganha 8,5 milhões de salário, mais 15 milhões de publicidade, num total de 24 milhões de euros por ano.

Mas James Simons não foi o único. Também Kenneth Griffin, do Citadel, e Edward Lampert, do ESL, cionseguiram rendimentos invejáveis, acima dos mil milhões de dólares. Ambos no ramo dos hedge funds. Da extensa list constam ainda nomes sonantes do mercado, como George Soros, um dos homens mais ricos do mundo e considerado um guru dos mercados.

Em média, os gestores que têm o seu nome inscrito nesta lista, obtiveram rendimentos de 570 milhões de dólares (420,6 milhões de euros), quase 60% a mais do que em 2005.

Mas antes de invejar a conta bancária destes gestores, saiba que só ganham tanto, porque também dão muito, mas mesmo muito dinheiro a ganhar a quem lhes confia os seus investimentos. Os retornos de alguns fundos geridos por estes nomes chegam a ultrapassar os 40%.

Claro que para poder confiar as suas poupanças a um destes «multiplicadores de dinheiro» tem de ter mesmo muita desta «matéria-prima»: é que a comissão de gestão cobrada, por exemplo, pela empresa de George Simons, a Renaissance Technologies, é de 5% ao ano, sensivelmente o dobro do que se cobra, em média, em Portugal. Mas, para além disso, terá ainda de pagar ao gestor uma comissão que depende da performance e que é de 44%. Ou seja, vai ter de entregar ao gestor quase metade do dinheiro que ele o ajudar a ganhar.






Simons, o novo Soros

James Simons: mestre em matemática, trabalhou para o Dpto. de Defesa americano, quebrando códigos de comunicação durante a guerra do Vietnam.


Perto das remunerações anuais dos principais nomes do mercado financeiro internacional,    qualquer salário ganha uma dimensão microscópica. Mesmo levando-se em conta esse    padrão milionário, porém, os rendimentos do matemático americano James Simons, de 69    anos, têm   deixado muita gente em Wall Street roxa de inveja. No ano passado, Simons,    dono da gestora de recursos Renaissance Technologies, de Nova York, levou para casa a    fábula de 1,7bilhão de dólares, quase o dobro da remuneração de George Soros, o lendário
investidor que fez fama e fortuna ao derrubar a moeda britânica no começo dos anos 90.



Em média, Simons, um senhor descrito por quem o conhece como um tipo "com os pés no
chão" a despeito da fortuna que possui, ganhou mais de 190.000 dólares por dia -  incluindo
sábados, domingos e feriados --, ou 3.190 dólares a cada minuto do dia e da noite. Essa quantia leva em conta os lucros obtidos por ele com taxas de administração e de performance cobradas de seus clientes, além dos ganhos que teve aplicando o próprio dinheiro nos seus fundos. A título de comparação, a remuneração de Lloyd Blankfein, principal executivo do banco de investimentos Goldman Sachs, um dos maiores ícones do capitalismo mundial, foi de 54 milhões de dólares no ano passado. Nem dá para dizer que 2006 foi um ano de sorte para Simons. Em 2005, ele já tinha embolsado 1,5 bilhão de dólares.



Simons atua num segmento específico do mercado, os fundos de hedge, considerados há muito a elite do sistema financeiro pelo arrojo e pela capacidade de fazer, simultaneamente, operações em moedas, ações, commodities e títulos. Ao longo da última década, esses gestores se firmaram, de forma indiscutível, como elite também em termos de remuneração. Além de Simons, outros dois controladores de fundos de hedge ganharam mais de 1 bilhão de dólares no ano passado, segundo aponta um levantamento publicado recentemente pela revista americana Alpha. Juntos, os 25 profissionais que mais faturaram no segmento de fundos de hedge acumularam 14 bilhões de dólares em 2006, número três vezes maior que o registrado em 2003 e de magnitude comparável ao PIB do Uruguai.



Nesse mundo de titãs, Simons roubou de Soros o primeiro posto e hoje é visto como uma espécie de semideus por seus pares. Dono da corretora Renaissance em Nova York, ele obtém uma rentabilidade anual do seu fundo mais conhecido, o Medallion, agora aberto apenas para o próprio Simons e seus funcionários, de 39% há 16 anos, um recorde absoluto em Wall Street. O Renaissance Institutional Equities Fund, fundo criado em 2005 e ainda aberto a investidores, rendeu 20% no ano passado. Uma das explicações para tal sucesso é o fato de Simons ser um matemático fora do comum. Sua especialidade são softwares baseados em algoritmos que fazem análises da trajetória de ativos, como ações e moedas, em busca de oportunidades -- os chamados fundos quantitativos, nos quais pelo menos parte da operação financeira é comandada não por gestores, mas pelos computadores. Os bem-sucedidos programas de Simons são um segredo comparável ao da fórmula da Coca-Cola. Quem trabalha na Renaissance fica conhecendo apenas parte deles. "Simons é um gênio da matemática", diz Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central que teve uma passagem de sucesso pela empresa de George Soros em Nova York. No material usado para apresentar os fundos de Simons a novos clientes, afirma-se que todas as informações que possam afetar, ainda que minimamente, os preços dos ativos são consideradas pelo software. Há, é possível, uma boa dose de exagero nessa afirmação, mas o poder de fogo dos computadores à disposição de Simons serve de indicador da complexidade dos programas que geram os fundos. A capacidade de processamento de dados da Renaissance equivale à da Sun Microsystems, uma das maiores companhias de computação do mundo e criadora de tecnologias como o Java.



Simons é um ponto fora da curva também pelo time que formou. Entre seus 270 funcionários, há um exército de 80 doutores de áreas tão distintas como astronomia e lingüística. Em Nova York, sua fama é de ser um chefe preocupado com o bem-estar de seus funcionários e em manter um bom ambiente de trabalho. Isso e os bônus milionários explicam a baixíssima rotatividade da Renaissance. "Simons sempre mostrou interesse em ajudar quem está perto dele", diz David Ebin, diretor do departamento de matemática da Universidade Stony Brook e amigo de Simons há mais de 35 anos. "Além de tudo, tem um ótimo senso de humor." Apesar do clima aparentemente agradável e da remuneração, que fazem da Renaissance uma espécie de oásis no estressado mundo das finanças, a maioria dos analistas nem perde tempo em tentar cavar uma vaga na empresa. "O negócio dele é contratar Ph.Ds. de fora do mercado financeiro", diz o carioca Raul Guimarães, sócio do fundo de hedge Seagul Capital e há 15 anos em Wall Street. "Não dá nem para almejar trabalhar com Simons."

O sucesso da Renaissance, a sexta maior empresa do segmento no mundo, e os ganhos de Simons têm relação direta com o incrível crescimento dos fundos de hedge nos últimos anos. Em 2000, o patrimônio total dos fundos era de 490 bilhões de dólares, segundo estimativa da Hedge Fund Research, uma empresa de pesquisa de Chicago. Hoje, o número é de 1,6 trilhão, inflado pela procura de grandes fundos de pensão interessados em atraentes promessas de retorno. Essa crescente importância do segmento tem causado a ira de gente influente -- caso, por exemplo, do ministro da Fazenda alemão, Peer Steinbruck. Segundo críticos como ele, o sistema financeiro mundial corre o perigo de entrar em colapso se o pânico se instalar por algum motivo no mercado financeiro e os especuladores embarricados nos fundos de hedge saírem vendendo seus ativos desenfreadamente. Steinbruck tentou, sem sucesso, convencer outros ministros econômicos na mais recente reunião do G8, o bloco dos países mais poderosos do mundo, a encampar a tese de algum tipo de controle externo. Outro flanco dos fundos de hedge explorado pelos críticos são os lucros bilionários sem que haja necessariamente a contrapartida em termos de retorno para o investidor. Para muita gente, os gestores ganham dinheiro fácil. Normalmente, um fundo cobra 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance, o que garante um bom retorno mesmo em caso de insucesso das aplicações. O fundo Bridgewater Associates, dos Estados Unidos, por exemplo, entregou a seus clientes um rendimento anual de sofríveis 4% no ano passado, mas ainda assim Raymond Dalio, seu fundador, levou 350 milhões de dólares para casa.

Com um histórico vencedor, Simons não pode ser acusado de frustrar a expectativa dos aplicadores. Seu sucesso como gestor é mais um capítulo de uma trajetória marcada pela busca da perfeição. Depois de acabar seu doutorado em matemática na Universidade da Califórnia, nos anos 60, Simons, filho de um empresário do setor calçadista, trabalhou para o Departamento de Defesa na época da Guerra do Vietnã no setor que tentava desvendar os códigos secretos usados pelo inimigo. Nos anos seguintes, seguiu carreira acadêmica e deu aulas nos prestigiosos MIT, Universidade Harvard e Universidade Stony Brook. O sucesso com seus investimentos pessoais fez com que abandonasse a academia no final dos anos 70 e apostasse no mercado financeiro. Como outros expoentes do segmento de fundos de hedge, Simons tem se destacado como doador de causas nobres. Há um ano, anunciou que daria 25 milhões de dólares para a criação de um centro de matemática e física na Universidade Stony Brook. "A vantagem dele é que conhece como a academia funciona. Por isso, além de doar dinheiro, ele opina sobre a forma como será investido", diz Ebin, diretor do departamento de matemática da Stony Brook. Mesmo após todos esses anos longe das salas de aula, Simons ainda não perdeu o ar de professor universitário. Adora conversar sobre ciência e em nada lembra o figurino engomado dos grandes executivos. Para os investidores, esses detalhes são irrelevantes. O que importa são os resultados -- e, nesse quesito, Simons, por quase duas décadas, tem sido rigorosamente impecável.


Um matemático no topo


Na lista dos barões dos fundos de hedge, James Simons é o número 1. Em 2006, ele foi o que teve a melhor remuneração anual, quase o dobro da de Soros (em dólares):


1º James Simons 1,7 bilhão
2º Kenneth Griffin 1,4 bilhão
3º Edward Lampert 1,3 bilhão
4º George Soros 950 milhões
5º Steven Cohen 900 milhões
6º Bruce Kovner 715 milhões
7º Paul Tudor Jones II 690 milhões

click aqui e veja quem são os "top" em Wall Street!
http://www.forbes.com/2007/05/03/wall-top-earners-lead-07ceo-cx_mo_0503wallstearners_slide_15.html?thisSpeed=15000
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

alpino

Esse sr Simons, ao contratar gente doutorada em áreas não financeiras, vê-se que é um bom entertainer de casino, um bom criador de ambientes de casino.
É uma inovação essa de ter gente ao seu lado que percebe pouco de números mas que sabe de ambientes.

Mapfler

alpino, de números percebe ele, é matemático.
Mas o que é que tem haver ser doutorado em finanças ou não?

Um abraço.

Mapfler

Perdão, "mas o que é que isso tem a ver ser doutorado em finanças ou não".

Seykota

Eddie x Wal-Mart
Novo fenômeno dos investimentos
nos EUA, Edward Lampert une Kmart e
Sears.

Por flávia tavares

O mito do menino Davi enfrentando o gigante Golias acaba de ganhar mais um exemplo na guerra do varejo americano. Na quarta-feira 17, a rede de hipermercados Kmart anunciou a compra da cadeia de lojas de departamento Sears. O acordo é estimado em US$ 11 bilhões e formará uma nova empresa, a Sears Holdings Corp, terceira maior varejista dos EUA, com vendas anuais de cerca de US$ 58 bilhões. O Wal-Mart, primeiro da lista, ainda será quase cinco vezes maior que a nova companhia, mas vê o menino Kmart, que saiu de uma concordata há apenas 18 meses, se armando para enfrentar o gigante. E se Davi tivesse um "personal trainner", o nome dele seria Edward Lampert, fundador da ESL Investments, empresa que tem participação de 53% na Kmart e 14,6% na Sears. Presidente do conselho de administração da Kmart e futuro manda-chuva da Sears Holdings, Lampert já é comparado ao megainvestidor Warren Buffett, dono de uma fortuna pessoal de US$ 15 bilhões e de invejável talento para investimentos.


LOJAS DAS REDES KMART E SEARS: Fusão deve gerar economia de US$ 500 milhões nos primeiros três anos
Economista formado pela Universidade de Yale, Lampert, de 42 anos, criou a ESL em 1988 e passou a investir em empresas à beira do precipício. Com uma virada aqui e outra ali em pequenos negócios, logo ganhou fama de bom apostador – a ESL vale hoje US$ 9 bilhões. Nem o seqüestro que sofreu em janeiro de 2003 o amedrontou. Dois dias após sua libertação, quando todos achavam que passaria a ser mais contido nos negócios, ele já estava trabalhando e apostando alto. A maior de suas tacadas talvez tenha sido na Kmart. Acossada pelo poderio do Wal-Mart, a rede entrou em concordata em fevereiro de 2002, com dívidas de US$ 2 bilhões. Lampert comprou a companhia por US$ 1 bilhão e injetou outros US$ 350 milhões. Na época o valor de mercado das 1.513 lojas e 16 centros de distribuição era de US$ 879 milhões. Hoje: US$ 23 bilhões.

A estratégia de Lampert foi a seguinte: manter os gastos sob controle, os estoques em baixa e acabar com as tradicionais superliquidações da rede. Além disso, vendeu 68 lojas para a Sears pelo valor de US$ 846,9 milhões e glamourizou a marca, colo-
cando anúncios em revistas direcionadas a leitores classe A+. Com essas medidas, reverteu um prejuízo de US$ 3,22 bilhões em 2002 para um lucro de US$ 553 milhões no terceiro trimestre de 2004. Para dar continuidade ao fortalecimento da Kmart, Lampert comandou a fusão com a Sears e provou a quem ainda não estava conven-
cido de seu poder de ressuscitar companhias falidas que é possível assustar gigantes consolidados, como o Wal-Mart. "A fusão nos permitirá administrar os negócios da Kmart e da Sears de modo a trazer mais lucros", disse. A união Kmart/Sears inclui as 3,5 mil lojas das duas empresas, que manterão as bandeiras Kmart e Sears. Até o fim do terceiro ano após sua conclusão, o negócio deverá gerar US$ 500 milhões em economia, US$ 300 milhões apenas em sinergias em logística, marketing e tecnolo-
gia. O negócio agradou Wall Street. Após o anúncio da compra, as ações da Kmart subiram 7,7% e as da Sears, 17,2%. Com US$ 2 bilhões, a conta corrente particular de Lampert ainda é bem inferior à de Warren Buffett. Mas ele diz que chega lá.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Seykota

STEVIE, O PODEROSO E RECLUSO CORRETOR DE WALL STREET

Admirado até pelos seus inimigos, o fundador da SAC responde por 3% dos negócios em Nova York
POR: Marcia Vickers, BusinessWeek

Steven A. Cohen, 47, é o mais poderoso corretor de Wall Street do qual você jamais ouviu falar. O fundador da SAC Capital Advisors, um reservado e extraordinariamente bem-sucedido grupo de fundos de hedge de US$ 4 bilhões que traz as suas iniciais, é considerado como um gênio do mercado mesmo por seus críticos mais severos.

Sua firma freqüentemente é responsável por até 3% dos negócios diários médios da Bolsa de Valores de Nova York, além de até 1% dos da Nasdaq, totalizando pelo menos 20 milhões de ações negociadas por dia. Além disso, enquanto seus rivais lutam para manter seus custos de negociação em nível baixo, "Stevie", como é conhecido em Wall Street, é um dos poucos que pagam os custos plenos. Ele distribui mais de US$ 150 milhões ao ano em comissões para Wall Street, o que o transforma em um de seus 10 maiores clientes.

Os pagamentos lubrificam a superpoderosa máquina de informação que Cohen construiu na SAC. O lema da firma, diz um antigo corretor da SAC, é "tentar obter a informação antes de qualquer um". A enxurrada de comissões confere a Cohen a vantagem que muitas vezes lhe permite se inteirar sobre as negociações e informações dos analistas antes dos rivais.


Amigos dizem que Cohen, apesar de já estar imensamente rico, jamais foi movido apenas pelo dinheiro


Diz um analista: "Eu ligo para o Stevie pessoalmente quando tenho alguma informação privilegiada ou boatos sobre uma empresa. Eu sei que ele vai usar a informação e que até a negociará". Cohen espera receber a primeira ligação quando um analista eleva ou rebaixa a classificação de um papel e, se não receber, sabe-se que os infratores levarão uma bronca dos corretores da SAC.

Corretores esbanjam muitos privilégios adicionais com ele. Por exemplo, a SAC foi uma grande beneficiária de pedidos de reserva das quentíssimas ofertas públicas iniciais de ações durante o surto da internet, segundo vários ex-corretores da SAC.

Cohen gerencia menos dinheiro do que titãs de fundos de hedge como George Soros ou Julian Robertson administraram no auge de seus poderes, mas sua mera habilidade de negociação os deixa para trás. No núcleo de seu império há 40 "carteiras". Cada uma delas dispõe de 1 a 15 corretores e analistas que executam várias estratégias.

O enfoque primário é uma estratégia de ações de curto e longo prazo, mas mais recentemente a firma expandiu sua atuação, para arbitragem estatística e de conversíveis, estratégias quantitativas e grandes apostas em taxas de juros.

O dinheiro dos investidores é canalizado através de sete distintas "empresas de carteiras", ou fundos - incluindo um fundo central, um fundo diversificado global e um fundo de serviços de saúde, cada qual com seu oposto em um paraíso fiscal. Um fundo, o Sigma, é composto essencialmente de seu dinheiro particular, dizem pessoas próximas.

Mas o raio de ação de Cohen, bem como seu poder, se estendem para muito além dos sete fundos. O bilionário, que ganhou cerca de US$ 128 milhões no ano passado e US$ 428 milhões em 2001, de acordo com a Institutional Investor, tem um dedo em fundos que não são os seus.


A SAC está tendo mais um bom ano, mas Cohen não está satisfeito. Quer voltar aos seus lucros de mais de 40%


Corretores executivos da SAC mantêm contratos que incluem cláusulas que outorgam a Cohen o direito de financiar até metade de seu capital se saírem para começar seus próprios fundos, como muitos fizeram.

Algumas vezes ele consegue condições mais favoráveis do que outros investidores, como a possibilidade de sacar seu dinheiro antes. Um ex-corretor da SAC diz: "A presença de Cohen e sua capacidade de se movimentar pelo mercado, são provavelmente uma das mais sentidas no distrito financeiro".

Assim como o medo que Cohen inspira em Wall Street. Um corretor executivo em uma corretora explica: "Tudo está ótimo enquanto você está do lado de Stevie naquele dia ou mês. Mas ele pode se voltar contra você em um piscar de olhos e redirecionar o seu capital para algum outro lugar se ele se aborrecer".

Dentre as dezenas de pessoas, poucas - incluindo os empregados atuais e anteriores, outros corretores de fundos de hedge, analistas de Wall Street e corretores de empresas - que a BusinessWeek entrevistou durante um período de três meses, estão dispostas a tecer comentários oficiais sobre Cohen ou a SAC.

Cohen, que é "quase tão reservado quanto Howard Hughes", de acordo com uma fonte, se recusou a ser entrevistado ou fotografado. Uma pessoa próxima o descreve como "incrivelmente avesso às câmaras e à publicidade". Ele exige que os empregados assinem densos contratos de sigilo. Os funcionários da SAC não quiseram comentar a história oficialmente.

Os colegas elogiam Steven Cohen por seu vigor e seu enfoque singular em ler situações - identificando tendências por meio do estudo dos fluxos do dinheiro que entra e sai do mercado de ações. Ele ensina aos seus corretores uma disciplina rigorosa de eliminação de perdas por meio do abandono imediato das posições perdedoras.

Sua própria capacidade de absorver e depurar fragmentos de informações aparentemente inócuas para depois aplicá-las em sua negociação não tem paralelo. "Ele tem um instinto incrível e uma habilidade excepcional, ao se deparar com 100 fatos, de saber em qual prestar mais atenção", diz Jack D. Schwager, autor de "Stock Market Wizards" (do inglês, Magos do Mercado de Ações), um livro sobre corretores de categoria mundial.

Acrescenta Laszlo Birinyi, presidente da Birinyi Associates, uma firma de análise de investimentos em Weastport, Connecticut: "Cohen pode assimilar essa enorme quantidade de dados e no fim despontar com música, enquanto a maioria de nós só conseguiria produzir barulho".

Cohen começou a desenvolver essas habilidades em uma idade tenra. Ele cresceu em Great Neck, N.Y. , em uma família estritamente de classe média, com um pai que trabalhava no setor de confecção de roupas e uma mãe dona-de-casa. Quando criança acompanhava os resultados dos esportes assiduamente no "New York Post" que seu pai trazia para casa às noites.

Ele começou a perceber que as páginas financeiras também estavam repletas de números. "Eu fiquei fascinado quando descobri que esses números eram preços e que eles mudavam diariamente", contou ao autor Schwager. No começo de sua adolescência, Cohen costumava aparecer em uma corretora local e ficava observando a cotação das ações. "Era possível ver os volumes que entravam em um papel e ter a sensação de que estavam se tornando maiores", disse a Schwager.

Nos dias de hoje a atividade no mercado de ações é tão rápida que se torna difícil acompanhar a situação tão de perto, "mas tudo o que faço hoje tem suas raízes naquelas experiências de leitura da situação", disse Cohen a Schwager.

Na época em que freqüentava a Escola Wharton da Universidade da Pennsylvania, onde se graduou em economia, Cohen estava tão obcecado com as ações, que as negociava entre as aulas, segundo um amigo da escola. Ele também era um jogador de pôquer cruel na faculdade. "Eu me considerava um bom jogador de pôquer, mas Stevie me limpou", disse um amigo e investidor de longa data na SAC.

Depois de Wharton, Cohen foi para Wall Street, onde obteve um emprego como corretor júnior no departamento de arbitragem de opções da Grundal em 1978. Em seu primeiro dia de trabalho, realizou um lucro de US$ 8 mil que, com o passar do tempo, se transformou em uma renda de US$ 100 mil diários à firma, comenta seu antigo chefe na empresa, Ronald Aizer. "Ele aprendeu logo no início como usar a capacidade de negociação em bloco das grandes firmas" observando suas transações, diz Aizer. Em 1984, Cohen dirigia seu próprio grupo de corretagem na Grundal, onde ficou até formar a SAC.

Amigos dizem que Cohen, apesar de já estar imensamente rico, jamais foi movido completamente pelo dinheiro. "Ele ama o que faz. O dinheiro é meramente o seu placar", alega um amigo de longa data. Suas estatísticas são impressionantes. Munido de informação quente e de uma férrea disciplina de negociação, Cohen registrou lucros estonteantes durante os 12 anos de vida de sua firma.

Ela tem se valorizado a uma média anual de pelo menos 40%, antes das suas comissões por desempenho, de fazer saltar os olhos, de 50% (a maioria dos fundos de hedge cobra 20%). No ano passado, em seu pior ano, Cohen lucrou 13%, segundo investidores. "Foi um ano bem decepcionante para ele", estimou George Fox, um investidor da SAC e presidente da Titan Advisors, um fundo que investe em outros fundos de hedge. Mesmo assim, com a queda de 23% verificada no índice Standard & Poor 500, o feito foi quase o equivalente a transformar água em um requintado Bordeaux.

No primeiro semestre deste ano, a SAC teve alta de 14% antes das comissões, ante 11% para o S&P 500: "Steve negocia de forma muito ativa. É uma das formas que ele encontrou para controlar o risco. Ele não permite que uma posição deficitária perdure".

Cohen e seus parceiros de negócios são os maiores investidores no fundo, abarcando cerca de 60% de seus ativos. Os demais investidores tipicamente pertencem ao círculo de investidores abastados e geralmente anônimos de Wall Street. Nos três anos passados, Cohen realizou lucros sobre a maioria do dinheiro das aposentadorias geridas por seus fundos, revelou um ex-corretor.

O enfoque determinado de Cohen coloca uma enorme pressão sobre os cerca de 200 corretores e analistas da SAC. "Se você não for capaz de obter lucro depois de alguns meses, Stevie demolirá você sem piedade", declara um ex-corretor, que alega ter sido demitido por perder uma quantia considerável em uma transação. Outro diz ter saído para escapar das "úlceras e do expediente noturno estafante" que amargou enquanto trabalhava lá.

Os corretores da SAC, que freqüentemente ganham mais de US$ 2 milhões, são remunerados de acordo com o que conseguem com suas próprias operações, não sobre o desempenho geral do fundo, como na maioria dos fundos de hedge. "Você come o que abate", emenda um ex-corretor. Outro completa: "Na SAC, ou você mostra serviço ou morre".

Recentemente, os sussurros sobre como Cohen e a SAC operam se transformaram em boatos. Em janeiro, um dos astros da corretagem na SAC, Michael Zimmerman, se tornou alvo de minucioso exame por parte da SEC (órgão regulador do mercado financeiro dos EUA) por ter supostamente realizado negócios com base em informações contidas em relatórios redigidos por sua esposa, Holly B. Becker, uma destacada analista de internet da Lehman Brothers, antes de sua divulgação.

Fontes familiarizadas com a empresa afirmam que a SAC não está sob investigação da SEC. Elas acrescentam que, se aconteceu algo inconveniente, o fato teria ocorrido antes de Zimmerman ter entrado na SAC. Considerando que Zimmerman continua trabalhando na firma, o caso trouxe muita propaganda indesejável ao fundo e ao próprio Steven Cohen.

A vida doméstica de Cohen parece contrastar muito com o ritmo frenético na SAC. Ele conheceu sua esposa, Alexandra, que foi educada no Bronx e que um amigo descreve como dona de "cabelos negros e bonita de forma refinada" através de um serviço de encontros depois de ter se divorciado de sua primeira esposa. "Desde a infância, Alex sempre dizia que queria se casar com um milionário. Ela errou a mira", brinca um amigo da família. "Fisgou um bilionário". Cohen tem sete filhos e enteados.

Em 1998, a família Cohen comprou uma mansão de 30 quartos no bairro de Greenwich, construída em 1930, por cerca de US$ 15 milhões. A decisão foi uma melhora considerável em relação à sua casa anterior de US$ 2 milhões. Eles acrescentaram mais alguns milhões para uma reforma e ampliação sofisticadas, relatam os amigos.

Um deles confidenciou: "Steve me disse: 'Arrumamos uma linda casa antiga e basicamente a arruinamos'". Ela está completamente isolada da rua por um muro de 4 metros de altura. Cohen é tão reservado que instalou um amplo sistema de alarme que é acionado sempre que alguém entra ou sai de um quarto, dizem os conhecidos.

Cohen pode não estar impressionado com seus bilhões, mas Alex o convenceu a "esbanjar em entretenimento, em viagens ao redor do mundo em busca de obras de arte, mordomos com luvas brancas, esse tipo de coisa", disse uma velha amiga. Para a festa de inauguração da casa, ela enviou um convite que idealizou sobre si mesma: um baralho com uma fotografia em que Steve figura como o rei envolto em um roupão de veludo e com a coroa, ela mesma como a rainha, as crianças e diversos outros utensílios domésticos como as demais cartas.

Ainda assim, os amigos dizem que Alex é a força motriz por trás das generosas doações filantrópicas de Cohen. Em 2002, eles deram US$ 15 milhões à Robin Hood Foundation, uma instituição de caridade fundada pelos magnatas dos fundos de hedge Paul Tudor Jones II e Stanley Druckenmiller. Além disso, também dedicaram milhões para ajudar as famílias das vítimas das torres gêmeas e fundaram uma clínica pública no Greenwich Hospital, entre outras atividades. Cohen também integra o conselho diretor da Michael J. Fox Foundation, uma organização sem fins lucrativos que combate o Mal de Parkinson.

O fluxo de doações não deverá ser interrompido tão cedo. A SAC está tendo mais um bom ano, por qualquer critério. Mas aqueles ganhos de 14% não devem estar satisfazendo a Cohen. Ele sem dúvida quer voltar aos seus lucros colossais de mais de 40%. Isso pode explicar em parte porque ele se desdobrou o seu negócio em múltiplas estratégias recentemente.

Com efeito, na esteira dos escândalos de Wall Street e dos exames cada vez mais minuciosos dos analistas, a SAC está tentando se desfazer de sua imagem de barracuda. Há pouco tempo contratou uma assessoria de relações públicas para assessorá-la. "Eles sabem que as atenções estão voltadas para eles e eles realmente estão tentando colocar a casa em ordem", nas palavras de um ex-corretor da Sigma. Como observa um administrador de fundos rival de Cohen: "Ele parece estar fazendo de tudo para recuperar aquela antiga mágica". Não que Steve jamais a tenha realmente perdido. (Tradução de Robert Bánvölgyi)
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Seykota

Talvez eu devia ter começado o post por aqui, mas muitas pessoas no mercado, devido a ganhos inersperados e avultados, acreditam não merecer o dinheiro todo tão rapidamente, acreditam que esse dinheiro não é compatível com o esforço que fizeram para o ganhar e muitas vezes o seu subconsciente arranja forma de devolver o dinheiro ao mercado.

Com este exemplos descobrimos bastantes coisas, uma que o muito dinheiro que podiamos pensar ganhar é muito pouco. :-)





Paul Tudor Jones II (nascido a 28 de Setembro de 1954 em Memphis, Tennessee) é um trader e gestor de hedge funds bastante conhecido. Ganhou $750 milhões em 2006 e tem uma fortuna estimada em $2.5 mil milhões, tendo sido categorizado pela Forbes em Março de 2007 como a 369ª pessoa mais rica do mundo.
Um dos seus primeiros sucessos foi prever a Segunda-Feira negra em 1987, evento no qual triplicou o seu dinheiro devido a posições curtas de grande dimensão. Tudor Jones usa em alguns dos seus fundos uma estratégia macro global.
Jones estudou na Universidade de Memphis, e depois na Universidade de Virgínia, obtendo um bacharelato em economia em 1976. Após se ter graduado consultou o seu primo, William Dunavant Jr., para obter conselhos sobre investimentos. Dunavant, cuja Dunavant Enterprises é o maior trader do mundo no mercado de algodão, enviou Jones para New Orleans para falar com um broker de commodities, Eli Tullis. Em 1980 Tudor fundou a Tudor Investment Corporation que hoje é um dos líderes em Gestão de Activos alternativa (hedge funds). A firma gere hoje $17.7 biliões (a 1 de Junho de 2007).


Estratégia

É um contrário e tenta comprar e vender em pontos de inversão. Continua a insistir numa ideia até que mude de opinião fundamental. Se não mudar de opinião e o mercado não lhe der razão, vai reduzindo o tamanho das suas posições, de forma a que esteja a arriscar os menores montantes quando o seu trading estiver pior.
Considera-se um oportunista de mercado. É um Swing trader, achando que o melhor dinheiro se faz nas viragens do mercado. Falhou muitos dos trends intermédios mas apanhou muitos topos e fundos.
Passa o seu dia a fazer-se sentir contente e relaxado. Sai de uma posição perdedora se o estiver a fazer desconfortável. Nada é melhor que um começo de fresco.
O factor chave é jogar uma boa defesa, não um grande ataque. Nunca se deve fazer preço médio em posições perdedoras. Diminui o seu size quando está a perder, aumenta-o quando está a ganhar.
Tem stops mentais, que se atingidos o levam a sair de uma posição dê por onde der. Usa não só stops por preço mas também por tempo. Controla o risco da totalidade do portfolio em tempo real.
Acredita que as cotações se movem primeiro e os fundamentais depois.
Não seja um herói. Não tenha um ego. Questione-se sempre e questione a sua capacidade. Não se sinta nunca como sendo muito bom, no segundo que o fizer está morto.




John Neff


John Neff era administrador do Fundo Vanguard Windsor, até sua recente aposentadoria, quando passou a ser administrado pelo Vanguard Mutual de Chicago, Illinois, USA.


Estilo de investimento

Investidor em valor radical, procurando adquirir companhias com crescimento moderado e pagamento de grandes dividendos, enquanto "fora-de-moda", vendendo-as quando chegam ao seu valor intrínseco.

Perfil

Neff é conhecido como o "profissional dos profissionais", porquê diversos administradores de fundos confiaram seus recursos a ele na crença de que estariam em mãos seguras. Essa confiança foi justificada pela seu resultado excepcional, ano após ano. Por mais de 30 anos o fundo Windsor manteve-se, constantemente, no topo da lista de fundos americanos com 5% melhor performance.
Neff estudou marketing industrial, mas freqüentava aulas noturnas para conseguir uma graduação em finanças. Em 1954 tornou-se analista de investimentos do National City Bank of Cleveland. Tanto no Banco como na sua próxima firma, a Wellington Management, desenvolveu um estilo de investimento baseado em valor, modelado nas lições aprendida de Ben Graham. Neff aplicou seus conhecimentos em três fundos de patrimônio e dividendos - Windsor, Gemini e Qualified Dividend – com resultados espetaculares até a sua aposentadoria em 1995.
Um homem destemido encorajava sempre seus colegas a colaborar nas suas decisões. Neff nunca procurou por publicidade em sua carreira da mesma forma que muitos outros administradores de fundos cinco estrelas. A partir da publicação de suas memórias - John Neff on Investing - ele conseguiu o amplo reconhecimento que merece.

Retornos de longo prazo

O retorno médio obtido pelo Windsor Fund durante os 32 anos de administração de Neff foi de 13,7%, contra um retorno médio de 10,6% do índice S&P500.
Maior sucesso
Neff investiu uma grande parcela do seu fundo na Ford em 1984, quando todos pensaram que ela poderia falir e o P/L despencou para 2,5. Ele pagou um preço médio de USD 14. Em 3 anos, o preço subiu para 50, fazendo o Fundo Windsor lucrar 500Milhões de dólares.

Métodos e estratégias

Neff descreve a si mesmo como um investidor em "Preço-Lucro baixo". Ele procura por ações que estejam baratas em relação à soma do crescimento em lucros + Dividend Yeld. Ele chama a isso de "relação terminal" ou, no popular, "quanto se leva pelo que se paga". Você também pode chamar isto de índice GYP (Crescimento + Yeld de Dividendos ÷ P/L):Crescimento de Lucro + Dividend Yield ÷ índice P/L
Neff recomenda que se compare o índice GYP de seu papel ou de sua carteira com o do Mercado.

» Exemplo
Previsão da taxa de crescimento de lucro medida em lucro por ação (%)
mais o dividend Yeld previsto dividido pelo índice P/L previsto

= (7 + 5) ÷ 10= um GYP de 1,2
Previsão da taxa de crescimento de lucro médio do Mercado em lucro por ação (%) mais o dividend yeld médio previsto do Mercado dividido pela índice P/L médio previsto para o Mercado

= (15 + 2) ÷ 28= um GYP de 0,6

Baseado nos números acima chegamos a conclusão que sua carteira deve estar duas vezes mais atrativa que o Mercado (isto é apenas um exemplo, a relação entre os índices reais deve ficar muito mais próxima).
Evite introduzir na sua carteira papéis que reduzam significativamente sua atratividade, quando comparada com os índices do Mercado. Ao invés disto, estabeleça um preço objetivo que represente o seu GYP antes da compra da ação e espere o papel cair até aquele preço.
Se duas companhias apresentam um retorno de 14%, mas a companhia "A" apresenta 14% de crescimento e nenhum dividendo, e a companhia "B" apresenta um crescimento de lucro de 7% mais um Dividend Yeld de 7% é melhor escolher a Companhia "B", porquê o dividendo faz com que o resultado seja mais previsível.

Seguindo estes princípios, Neff manteve-se fiel a seu estilo de investimento, baseado em 7 critérios de seleção:
Baixo índice P/L;
Crescimento de lucro superior a 7%;
Dividendos confiáveis e, preferencialmente, ascendentes;
Um retorno bem maior que a média (Crescimento + Dividend Yeld) em relação ao índice P/L.
Nenhuma exposição a resultados cíclicos sem um índice P/L baixo que o compense;
Companhias sólidas em atividades de crescimento.

Fundamentos sólidos para investimento;

Fonte: John Neff on Investing, J Neff, 1999.

Um bom lugar para se procurar por idéias são as cotações de ações em jornais de finanças que atingiram novos patamares baixos. Muitas, para não dizer quase todas, são investimentos medíocres. Mas, algumas vezes, papéis de companhias excelentes caem para preços muito baixos, devido a más notícias. Aplique o teste dos 7 critérios da seleção para ver se elas passam no critério. (Neff chama isto de teste do "Hummmmmm" algumas companhias que eu não esperava ver nesta lista produzem um "Hummmmmmmmm" bem alto)
Não procure por ações de crescimento plenamente reconhecidas pelo Mercado. Seus P/L são puxados para cima a níveis ridiculamente altos. Isto aumenta o risco de um colapso repentino no preço da ação.
Mantenha-se firme a sua estratégia de venda, ou você corre o risco de perder todo seu lucro.

Existem duas razões básicas para venda:
Quando os fundamentos se deterioram; ou
Quando o preço chegar ao valor que você estipulou.

O fundamental é ficar de olho nas perspectivas de lucro e na taxa de crescimento dos últimos 5 anos. Se elas começarem a derrapar, venda de uma vez.
Preste mais atenção ao índice GYP da sua carteira do que do Mercado. Mas, se o Mercado ficar tão caro que você não consiga encontrar novas compras que valham a pena é admissível converter 20% da sua carteira em dinheiro até que novas oportunidades apareçam.
Os melhores lucros são efetuados após períodos de pânico.

Citações:
"Ações com taxas de crescimento excepcionais e com baixo índice P/L podem produzir uma expansão de P/L enorme carregando muito menos risco do que as ações de crescimento".
"Como um investidor em baixo P/L você tem que entender as idiossincrasias do Mercado e descobrir as diferenças entre ações que estão sendo vendidas baratas das ações com perspectivas muito ruins".
"Um aumento de dividendos deve ser encarado como um 'algo mais'". Um 'algo mais' é o rendimento extra que os investidores recebem acima das suas expectativas iniciais. Uma das observações mais inteligentes de Ben Franklin oferece um paralelo: "aquele que espera por uma fortuna, nunca terá certeza de um jantar". Essa é a forma como eu vejo: "um Dividend Yeld superior, deixa você saboreando uma entrada enquanto espera pelo prato principal".
"Muitas pessoas mantém ações por um longo tempo pela grande excitação que elas produzem, particularmente quando alguém levanta uma posição contrária a sua. Se elas vendem perdem o direito de reclamar".


(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Seykota

William O'Neil



Chefe executivo da William O'Neil and Company, uma firma de consultoria sediada em Los Angeles, Califórnia, EUA.

Estilo de investimento:

"Trader" em ações de crescimento com horizonte de médio prazo (2-5 anos).

Perfil:

O'Neil iniciou sua carreira em 1958 como corretor de ações. Durante 3 anos de trabalho, fez um estudo criterioso dos fundos com melhor performance no Estados Unidos. O'Neil descobriu que os que obtiveram sucesso eram devido a aquisição de papéis que estavam entrando em novos patamares de preço. Na linguagem dos grafistas eles estavam rompendo padrões anteriores e períodos de consolidação. Alguns deles continuariam a subir, variando em dezenas e, até mesmo, centenas percentuais. Ele resolveu copiar esses métodos. Em cerca de 1 ano, transformou US$5.000 em US$200.000. Em 1963, comprou um título proprietário no New York Stock Exchange e fundou a firma que dirige até hoje. O'Neil foi administrador de um dos famosos fundos de performance dos anos 60, e um dos pioneiros na seleção de ações baseado em banco de dados. Sua companhia ainda hoje fornece dados estatísticos para investidores profissionais.

Em 1983, fundou um jornal financeiro para fazer frente ao Wall Street Journal, chamado Investor's Daily. Contra todas as expectativas, este jornal tornou-se bastante lido e uma excelente alternativa ao seu rival. Parte do diferencial vem das suas tabelas exclusivas, que facilitam a compreensão de sua abordagem de investimento e, também, de seus conselhos aos leitores.

Resultados de Longo Prazo:

O histórico de resultados de O'Neil passou por altos e baixos, em especial nos anos sessenta. É atribuído a ele um retorno médio anual de mais de 40% em sua carteira pessoal, durante 10 anos até 1989.

Maior Sucesso:

Um dos primeiros sucessos de O'Neil foi a aquisição, logo cedo, da Syntex, do setor farmacêutico. A companhia foi a primeira fabricante em larga escala da pílula anticoncepcional, no início da "revolução sexual". Ela tinha acabado de publicar seus resultados trimestrais com um crescimento de lucros de 300%, quando ele comprou o papel em 1963. Quando o Mercado acordou para seu potencial, ela disparou de US$100 para US$550 em 6 meses, fazendo para O'Neil dinheiro suficiente para iniciar seu próprio negócio.

Métodos e Estratégias:

Da mesma forma que Jim Slater, O'Neil baseia-se em uma mistura de métodos quantitativos e qualitativos para escolher seus papéis. A idéia chave é procurar por ações de crescimento que possuam o maior potencial para aumentar seu preço, a partir do momento que você comprar. Em resumo, compre ações fortes e venda as fracas.

Ele sugere que você se lembre dos 7 critérios do seu método, descrito abaixo, pela sigla C-A-N-S-L-I-M. O'Neil acrescenta que investir é como fazer dieta: todo mundo pode fazer, desde que tenha um pouco de esforço e disciplina.

MÉTODO C-A-N-S-L-I-M:

C = lucros trimestrais CORRENTES.

Procure companhias que tenham anunciado recentemente um aumento de lucro de 40 a 500%

A = crescimento de lucros ANUAIS

Procure por companhias com, pelo menos, 5 anos de crescimento anual, a uma taxa composta de crescimento de pelo menos 25%. Prefira as companhias com crescimento consistente. O índice P/L é de pouca importância. Na média ele pode variar de 20 até 45.

N = NOVOS produtos, NOVA administração, NOVOS preços.

As melhores ações possuem uma história por trás como, por exemplo, um produto novo e espetacular ou uma nova diretoria. As ações também podem estar subindo para novos patamares de preço. No gráfico este fenômeno se parece com uma "xícara com asa".

S = SUPRIMENTO e demanda (oferta e procura).

Quando existirem poucas ações para serem compradas, qualquer compra levará automaticamente os preços para cima. Procure por companhias com cerca de 10-25 milhões de ações. Procure por um aumento de volume de pelo menos 50% acima da média.

L = LIDERES e perdedoras.

Mantenha sua pesquisa nas duas ou três ações que possuírem a maior força relativa dentro de seu setor. Elas devem ter superado de 80-90% de todas outras ações nos últimos 12 meses. Fique longe daquelas que ficarem abaixo do Mercado por mais de 7 meses.

I = patrocínio INSTITUCIONAL

Identifique os 3-10 melhores investidores institucionais. Verifique que papéis eles estão comprando, como possíveis candidatos a sua carteira de ações. Prefira companhias que são pouco concentradas na mão de profissionais (i.e. 10% ou menos de ações na mão de instituições).

M = direção do MERCADO

Verifique a direção do Mercado diariamente para descobrir sinais de grandes reversões. (O'Neil discute vários indicadores deste tipo em seu livro "How to Make Money in Stocks". Mas é importante se dizer que isto não pode ser feito na prática). Evite fazer qualquer compra se ocorrer um declínio de preço de mais de 10%.

Fonte : "How to Make Money in Stocks", W O'Neil, 1988.

Siga uma política rígida de ordens "STOP". O'Neil Sugere que seja vendida qualquer ação que tenha caído mais de 7-8% abaixo do preço que você pagou. Faça isto automaticamente, sem pensar ou ponderar.

Venda as ações que não tiverem subido pelo menos 20%, ou menos, depois de 13 semanas. Segure aquelas que subiram 20% em 4-5 semanas. Estas, normalmente, continuam subindo, tornando-se as campeãs.

Se você estiver comprado em um papel por algum tempo, venda após uma subida repentina de 25% ou mais em 1-2 semanas. Isto normalmente ocorre quando saem boas notícias ou publicidade plantada. Elas fazem com que os investidores fiquem muito entusiasmados com o papel. Tire proveito realizando seu lucro. (De uma forma geral, O'Neil lista as 35 regras para realizar lucro em eu livro. A Maioria delas é uma variante em torno do tema base: "venda enquanto o papel tem força")

Evite papéis de centavos, opções e lançamentos. Estes são papéis para jogadores, possuem pouco potencial para transformarem-se em verdadeiros lucros.

Citações:

"O maior segredo para se ganhar dinheiro com ações é sempre perder o mínimo possível quando você não estiver certo"

"Sempre venda suas piores ações primeiro"

"Aquilo que parece arriscado e caro para a maioria das pessoas normalmente sobe mais, e aquilo que parece baixo e barato normalmente cai mais".


"A história sempre se repete".
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Seykota

SIR JOHN TEMPLETON



Descrição do Trabalho:

Aposentado, mas formalmente o chefe da Templeton Investment Management. 



Estilo de Investimento:

Contrário, focado em valor, com perspectivas globais. 



Perfil:

John Templeton nasceu pobre numa família do Tennessee. Logo depois da Guerra empregou-se numa corretora de Nova York. Seu primeiro desafio como investidor foi transformar US$ 10.000, pegos emprestados com seu chefe em US$ 40.000, em 4 anos. Sua estratégia era comprar as 104 ações disponíveis para venda no mercado americano por um valor inferior a que estavam sendo vendidas no início da Guerra. 

Logo depois, fundou sua própria firma de consultoria. Aos 56 anos, vendeu essa firma e começou de novo com apenas um fundo – O Templeton Growth – localizado em Nassau nas Bahamas. Esse fundo se tornou o mais rentável dos Estados Unidos por mais de 20 anos. Ao tentarmos buscar as razões para o seu sucesso, encontramos no topo da lista a sua habilidade de descobrir oportunidades antes da multidão como, por exemplo, o Japão no início da década de 60 e os imóveis canadenses na década de 70.

Agora aposentado, Templeton continua morando em Nassau, mantendo ainda um forte interesse por investimentos. Como cristão praticante, acredita que seu sucesso financeiro e conquistas filantrópicas estão intimamente ligados ao seu desenvolvimento espiritual. 



Resultados de Longo Prazo:

No período de 1954-2000, O Templeton Growth Fund conseguiu um retorno médio de cerca de 15% ao ano. 



Maior Sucesso:

Como os métodos de Templeton são baseados em valor, resultaram na compra de um grande número de papéis. Assim, resultados individuais se tornaram menos importantes que as médias. Talvez, a sua grande sacada tenha sido investir pesadamente no Japão em 1962. Este se tornou o mercado mais dinâmico de todo o mundo até o ano de 1990.



Métodos e estratégias:

Templeton condensou seus princípios de investimento em 10 máximas que, até hoje,  funcionam como base cultural de sua firma e processo de seleção para escolha de ações: 

Invista pelo retorno real.
O verdadeiro objetivo de qualquer investidor de longo-prazo é a maximização do retorno real após os impostos.

Mantenha sua mente aberta.
Nunca adote um tipo de ativo ou um método fixo de seleção permanentemente. Tente se manter flexível, com a mente aberta e céptica.

Nunca siga a multidão.
Se você comprar as mesmas ações que a multidão, conseguirá o mesmo resultado que a multidão. Comprar quando todos estão vendendo e vender quando todos estão comprando requer uma grande autoconfiança, mas trás excelentes recompensas.

Tudo muda.
Mercados em queda têm sido sempre temporários. Da mesma forma que mercados em alta.

Evite o popular.
Muita gente junta acaba por destruir qualquer fórmula de seleção de ações ou qualquer tentativa de "market timing".

Aprenda com seus próprios erros.
"Desta vez vai ser diferente" está entre as cinco palavras mais caras da história do Mercado.

Compre em épocas de pessimismo do Mercado.
A época de maior pessimismo é a melhor hora de se comprar, e a época de otimismo é a melhor época para se vender.

Lute por valor e barganhas.
No Mercado de ações, a única forma de encontrar barganhas é quando todos estão vendendo.

Procure pelo mundo todo.
Se você procurar pelo mundo todo irá encontrar mais barganhas do que se fixar a apenas um país.

Ninguém sabe tudo.
Um investidor que tem todas as respostas nem entendeu as perguntas.

 

Fonte: As Máximas de Templeton, publicadas por Templeton Investment Management Limited. Você pode pegar as máximas de Templeton aqui.

 

Os Quatro Fatores Chaves a se considerar em uma análise fundamentalista de qualquer empresa são:



O índice P/L em relação as outras companhias;
Margens de lucro operacionais, principalmente se estiverem subindo;
Valor de liquidação, i.e. O preço que você receberia caso a firma fosse vendida;
A taxa de crescimento dos lucros e, especialmente, a consistência do crescimento. Em geral, evite comprar companhias em que os lucros apresentem maus resultados por dois anos consecutivos. Mantenha-se longe de firmas que estão crescendo a patamares insustentáveis.
 

Quando decidindo em que País investir:



·         Evite países com políticas socialistas e com alta inflação;

·         Prefira países com taxas de crescimento de longo prazo altas;

·         Prefira aqueles países que estão mostrando uma tendência à liberalização econômica, e.g. privatização, legislação antiintervencionista, maior abertura e transparência em assuntos ligado ao mercado de ações.

 

Citações:

"A história tem mostrado que a chave para o sucesso em investimentos é o tempo e não o timing. Logo, a melhor hora para se comprar uma ação será sempre que você tiver dinheiro".

"Eu nunca fiz dinheiro para os meus clientes comprando qualquer coisa cara". 
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Seykota

Peter Lynch


Descrição do Trabalho

Agora aposentado Lynch tem a reputação de ter sido um dos mais bem sucedidos administradores de fundos da história, quando chefiava o Fidelity Magellan Fund entre os anos de 1977 e 1990. 



Estilo de investimento:

Lynch é um investidor bastante ativo, em grande variedade de ações, com ênfase especial nas de crescimento e histórias de recuperação. Seu tempo de permanência com papéis variam de poucos meses a vários anos.



Perfil:

Lynch trabalhou somente para a Fidelity, uma firma de investimentos internacional baseada em Boston. Ele iniciou a sua carreira como analista em 1969, foi promovido a diretor de pesquisa em 1974, e recebeu o fundo Fidelity Magellan em 1977. Naquela época, ele tinha 22 milhões de dólares em ativos. Em 1990, quando decidiu aposentar-se para ter mais tempo junto a sua família, o patrimônio tinha subido para 14 Bilhões de dólares. Nenhum outro administrador na história conduziu um fundo tão grande, de forma tão eficaz, por tanto tempo. 

Seu segredo era uma rotina de trabalho exacerbante, que durava de seis a sete dias por semana, nos quais conversava diariamente com dezenas de diretores de firmas, corretores e analistas. Com apenas dois assistentes, ele tocava uma carteira com mais de 1.400 papéis, ao mesmo tempo. Alguns comprados em seus estágios iniciais de crescimento ou recuperação, sendo guardados por anos. A maioria dos papéis que não satisfaziam suas expectativas eram vendidos em meses. Lynch admite que metade de suas escolhas foram erradas. 

Embora seja impossível copiar seu estilo de administração de carteira, Lynch é claro ao afirmar que qualquer investidor pode pesquisar papéis melhor que a grande maioria dos profissionais, e fazer melhores decisões de quando comprar. Isto porquê ele (ou ela) está mais favorecido a encontrar mais cedo investimentos potencialmente lucrativos, e ainda está livre para agir independentemente, sem a necessidade de consultar comitês, organizações e superiores. 



Resultados de Longo Prazo:

Durante seu período no Magellan, Lynch Conseguiu um retorno médio de 29% composto em 13 anos, o que continua a ser um recorde para fundos deste tamanho. 



Maiores sucessos:

Lynch lista em seu livro "Beating the Street" seus maiores sucessos, bem como as pequenas companhias e a época de compra: Rogers Communications Inc, dobrou 16 vezes seu preço, Telephone Data Systems, dobrou 11, Plastic Cutlery Manufacturer Envirodyne e King World Productions, dobraram 10. A última delas foi a companhia de produção de Oprah Winfrey que tem os direitos sobre os programas de TV Roda da fortuna e Double Jeopardy. 



Métodos e Estratégias: 

PRIMEIRO - mantenha seus olhos abertos para novas idéias.

A idéia chave de Lynch é que você pode descobrir uma oportunidade de investimento ao seu redor, se você se concentrar apenas naquilo que você realmente conhece e está familiarizado. Talvez você repare uma loja ou restaurante que vive cheio ou, que todos os seus vizinhos começaram a comprar a mesma marca de carro, ou que uma fábrica próxima de você de repente começou a se expandir. – Todas estas PODEM SER indicações de companhias no mercado de ações que mereçam uma investigação mais profunda. 

Suas melhores fontes de informação estão no:

·         Seu trabalho, que familiariza você com sua companhia, seus consumidores e fornecedores;

·         Seus hobbies e momentos de lazer, desde o esporte ao shopping;

·         Seus familiares e amigos, graças a seus trabalhos e hobbies;

·         Sua experiência e observação de uma companhia na sua cidade.



SEGUNDO - Classifique suas idéias. 

As companhias podem ser divididas em 6 tipos principais: 

As de Crescimento Lento – cujos lucros estão crescendo na mesma proporção que a economia, cerca de 2-4% por ano;
As Robustas – boas companhias com lucros sólidos por ação crescendo de cerca de 10-12% ao ano;
As de Crescimento Rápido – companhias pequenas, agressivas e novas, crescendo de 20-25%, ou mais.
As Cíclicas – aquelas cujos lucros sobem e descem quando a economia se expande ou se retrai;
As Companhias em Mudanças ("turnarounds") – companhias com lucros temporariamente deprimidos, mas com boas perspectivas de recuperação;
As Companhias Ricas em Ativos - companhias cujas ações valem menos que seus ativos, desde que seus ativos possam ser vendidos pelo menos por seu valor patrimonial.
 

Fonte: "One Up on Wall Street", P Lynch, 1989

Concentre seus esforços para encontrar companhias de crescimento rápido.  Se elas forem compradas ao preço correto podem se tornar 'tenbaggers' – ações de companhias que tem seu preço inicial multiplicado em 10 vezes ou mais. No mais, dê uma olhada nas "turnarounds" e, ocasionalmente, nas Companhias Ricas em Ativos.

Não fique com dinheiro parado. É muito melhor ficar completamente investido, colocando qualquer dinheiro EXTRA em Companhias Robustas. Desta forma, você não irá perder os mercados de alta.

Evite companhias de crescimento lento (são pouco rentáveis) e as cíclicas (são difíceis de acertar o momento de entrar e sair).

Finalmente, faça um resumo da estória atrás do seu papel. 



TERCEIRO - Responda um questionário de 2 minutos, sobre a ação que você pensa em investir descrevendo:

Os motivos pelos quais você se interessou pelo papel;
O que terá que acontecer para que sua companhia deslanche;
Os obstáculos que podem impedir seu sucesso.
Esta é a "história" da ação. Faça com que ela permaneça simples, precisa, convincente e apropriada para a categoria de ação que você está pesquisando. Se ela for de uma companhia de crescimento rápido, como e até quando ela vai continuar a crescer rapidamente?



QUARTO – Verifique os números-chave.

Se você está entusiasmado com um produto ou serviço em particular, procure em seus demonstrativos se um aumento considerável de vendas resulta em um aumento considerável de lucros;
Prefira companhias em que a projeção futura do seu índice P/L seja bem abaixo das projeções em termos de lucro por ação (ou seja, um PEG baixo);
Prefira companhias com que possuam uma grande quantidade de caixa;
Evite companhias com um alto débito em relação ao patrimônio líquido, principalmente se estas dívidas são do tipo bancário, que são descontadas por solicitação, ao invés de debêntures, que não são; e
No caso de Companhias Robustas e de Crescimento Rápido, verifique se elas possuem uma margem de lucros alta antes dos impostos. No caso das "turnarounds", procure por aquelas bem baratas com alto potencial de crescimento.


QUINTO – Ignore o Mercado – baseie suas decisões de compra e venda em específicos.

Seus lucros e prejuízos não dependem da economia como um todo. Eles dependem de fatores específicos, atinentes às ações que você escolheu. Ignore as altas e baixas do Mercado.

Compre sempre que você se deparar com uma idéia atraente, com um forte histórico, e a um preço atrativo. Mantenha-se investido completamente o tempo todo.

Venda as Companhias Robustas quando seus PEGs chegarem perto de 1,2-1,4; ou quando o crescimento de longo prazo começar a cair.

 

Venda as Companhias de Crescimento Rápido quando elas não apresentarem mais campo para crescimento, ou quando a expansão somente resultar em vendas e crescimento de lucros desapontadores, ou quando seus PEGs chegarem entre 1,5-2,0.

 

Venda as companhias Ricas em Ativos, quando forem compradas ou quando começarem a venderem seus ativos a preços mais baixos que seus valores patrimoniais.



Citações:

"Se você ficar de olho, poderá escolher papéis com performance espetaculares, vindos diretamente da sua companhia de trabalho, ou do shopping center mais próximo, e muito antes que Wall Street descubra". 

"A melhor maneira de se ganhar dinheiro no Mercado é com companhias pequenas de crescimento rápido que vem demonstrando lucro por alguns anos e vão continuar crescendo".

"A maneira de se perder dinheiro no mercado é ficar de fora devido a um determinado momento econômico". 

"Você não vai se dar mal se aquilo que você deveria ter, subir. É aquilo que você tem que te mata".
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

bluexip


belo tópico Seykota.

devia ficar sticky no forum pela inspiração e informação que traz.

Pedro o que achas?


junto estes pensamentos do George Soros em "The Alchemy of Finance"

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

Jesse

«Os Feiticeiros do Mercado» - Paul Tudor Jones


Em Outubro de 1987, um mês negro para a maioria dos investidores no mercado accionista, os fundos geridos por Paul Tudor Jones registaram uma valorização de 62%. São performances como esta que distinguem um grande trader de um bom trader, e foi este mês que serviu para "separar as águas". Mas não foi apenas em Outubro de 1987 que registou bons momentos na sua carreira. O seu percurso está recheado de sucessos e foi sempre bem sucedido em todos os projectos em que enveredou. Começou como corretor e no seu segundo ano de trabalho conseguiu ganhar um milhão de dólares em comissões. Depois foi para o floor da New York Cotton Exchange e em três anos e meio apenas registou um mês negativo. Em 1984, porque estava prestes a perder a voz (um dos males dos "pit traders"), lançou o Tudor Futures Fund, com 1.5 milhões de dólares sob gestão. Cada mil dólares investidos no fundo valiam no fim de Outubro de 1988 17,482 dólares, sendo que a capitalização do fundo ascendia a 330 milhões de dólares. A mudança de corretor para "trader" deveu-se sobretudo ao facto de Paul Tudor Jones se aperceber que existe um conflito de interesses entre o "broker" e o seu cliente. O rendimento do corretor é proveniente das comissões que angaria e independentemente de o seu cliente ganhar ou perder, o corretor ganha sempre. Jones não achava isto bem e não queria ser compensado quando o seu cliente perdesse, daí a mudança para gestor de fundos. Como grande parte do seu capital (85%) está também contido no fundo que gere, Paul Tudor Jones, a sua performance individual estaria certamente bastante correlacionada com a performance do fundo.

Curiosamente, Paul Tudor Jones interessou-se pela primeira vez pelo "trading" quando leu um artigo sobre Richard Dennis, o anterior entrevistado. Considerava que este último tinha o melhor emprego do mundo e decidiu que era aquilo que iria fazer. Em 1976, quando terminou a universidade pediu ajuda ao seu tio que negociava algodão, que por sua vez o apresentou a Eli Tullis, um dos principais negociadores de contratos de futuros desta matéria-prima. Jones recorda que foram os seus conselhos que o lançaram como trader. Com ele aprendeu "grandes máximas" como por exemplo «o mercado "vai para onde quer" e não há nada que possas fazer quanto a isso». Aprendeu também a transaccionar elevados volumes (ao contrário do que muitos pensam, é mais complicado obter retornos percentuais maiores quando se transacciona maior volume) e acima de tudo que, até certo ponto, os grandes traders são "contrarians" (assumem posições inversas à maioria das pessoas) e fecham posições ganhadoras quando o mercado parece melhor do que nunca. A este propósito, Jones aprendeu sobretudo a liquidar parte das suas posições sempre abaixo de novos máximos e acima de novos mínimos, ou seja, a não arriscar deixar grandes posições abertas para além destes pontos.

Quando questionada acerca da transacção de que melhor se recorda, Jones afirma que se tratou de um perda. Ao fim de três anos e meio fez uma transacção na qual perdeu cerca de 60% do seu património. Com esta perda aprendeu duas grandes lições: nunca "brincar" com o mercado e nunca arriscar tudo numa só transacção. Esta afirmação por parte de Jones mostra algo particularmente incrível: que apenas ao fim de 3 anos e meio é que Jones se mentalizou que teria de gerir o seu risco de forma mais adequada. A partida de então deixou de pensar em quanto poderia ganhar com a abertura de uma posição "se a coisa corresse bem" e passou a pensar em quanto é que poderia perder "se a coisa corresse mal". Mudou também o estilo de "trading" passando a ter posições abertas durante menos tempo e passou também a diversificar bastante, apostando cada vez menos capital numa ideia de trading. Passou a incrementar posições ganhadoras e a cortar posições compradoras. Considera aliás, que o maior erro que um trader pode cometer é fazer preços médios com posições perdedoras. Outra coisa que não faz é transaccionar em situações nas quais não tem ideia qual a direcção que o mercado vai seguir. Por exemplo, não abre posições antes da divulgação de importantes relatórios macroeconómicos. Para Jones, isso é jogar e não transaccionar. Outro aspecto importante é estar confortável com as posições que se tem abertas, independentemente de serem ganhadoras ou perdedoras. Se de facto, tal acontecer, "mais vale sair", afirma o entrevistado. Esta forma de estar no mercado mostra claramente um dos traços que melhor define Paul Tudor Jones: o de trader que não tem qualquer laço de lealdade às suas posições no mercado. O próprio considera que esse é um dos seus principais pontos fortes. Na sua auto-avaliação, o mesmo acrescenta ainda o seu desprendimento relativamente à performance passada como ponto forte. Não perde tempo a pensar na perda que "obteve há três segundos atrás, ou seja, tenta evitar qualquer envolvimentoa nível emocional com o mercado e tenta evitar que as suas ideias de trading em determinado mercado sejam influenciadas por juízos sobre a sua performance passada no mesmo mercado.

Ao contrário da opinião geral dos grandes traders, Jones considera que a melhor altura para ganhar dinheiro no mercado é nos momentos de inversão e não em períodos de tendência. Isto porque, de acordo com o entrevistado, os mercados estão em tendência apenas 15% do tempo. Esta é uma das razões porque não se considera um "trend follower". Outra é o facto de ter de utilizar stops muito afastadas do preço da abertura de posição, situação na qual se sente desconfortável. Por ter esta atitude claramente contrária ao consenso geral, Jones conseguiu prever com exactidão o crash de Outubro de 1987. Desde meados de 1986, a sua firma tinha planos de contigência para um crash. Os primeiros sinais de que as suas posições curtas no mercado accionista estavam correctas surgiram quando na sexta-feira 16 de Outubro o mercado encerrou em baixa com um volume muito elevado e foram posteriormente confirmadas quando o secretário de Estado James Baker afirmou que os EUA não defenderiam o dólar nos mercados cambiais no fim-de-semana. Na segunda-feira 19 de Outubro de 1987 chegou ao seu escritório e tinha a certeza que o mercado se iria afundar. Tinha razão. O retorno de 62% que obteve nesse mês é, a todos os títulos, extraordinário.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

«Os Feiticeiros do Mercado» - Richard Dennis


Richard Dennis é a personificação do "American Dream". Começou a interessar-se pela transacção de futuros, quando em meados da década de 1960 arranjou um emprego de Verão no "floor" duma bolsa norte-americana. Em 1970, decidiu começar a transaccionar por sua conta e com 1,600 dólares emprestados pela sua família, comprou um lugar na Mid America Exchange, uma bolsa especializada na negociação de contratos de futuros "mini" (margens mais diminutas), e que se direcciona claramente para o segmento de pequenos investidores, para os quais uma posição aberta num qualquer contrato de futuros normal já representa uma grande posição. Na aquisição do lugar, Dennis gastou 1,200 dólares ficando com somente 400 dólares para transaccionar no "pit". Passados vários anos, Dennis tinha transformado esses 400 dólares em cerca de 200 milhões de dólares. Apesar de ser considerada uma lenda entre os traders norte-americanos, ao longo da sua carreira de "trader", Dennis teve alguns "contratempos" graves e na altura em que a entrevista para o livro de Schwager foi realizada, Dennis atravasseava um desses momentos, derivado do crash de Outubro de 1987.

Richard Dennis considera que a melhor altura para se cometerem todos os erros possíveis é quando se começa a "carreira" de trader, pois muito provavelmente é nesse período que se transsacionam valores pouco arriscados. Pelo menos foi o que se passou consigo. Considera que o sucesso inicial pode criar vícios. Contudo, também considera que nem sequer é importante se as primeiras transacções foram lucrativas ou não; o que interessa é se a primeira transacção lucrativa foi obtida com uma posição longa ou curta. De acordo com o entrevistado essas pessoas tendem a ser eternos "bulls" ou "bears".

Com 400 magros dólares no bolso para iniciar a sua carreira, Dennis acabou por ser bafejado com o míldeo (praga que ataca os cereais) e rapidamente transformou esses 400 dólares em 2,000, já que detinha posições longas abertas em milho, trigo e soja. Ao fim dos primeiros três meses de trading tinha conseguido obter 3,000 dólares e estava impressionado consigo próprio. Mesmo assim, decidiu increver-se na Universidade, mas ao fim de uma semana já tinha desistido de estudar e estava em Chicago novamente, desta vez para sempre. Logo a seguir ao sucesso inicial, aconteceu aquela que Richard Dennis considera ser a sua maior perda de sempre. Passado pouco tempo de ter aberto uma posição, viu-se confrontado com uma perda de 300 dólares. De forma a tentar compensar essas perdas, inverteu a posição, acabando por incrementar a sua perda. Voltou a inverter a sua posição para a original e novamente voltou a perder. No fim do dia tinha perdido 1,000 dólares, 33% do seu capital inicial. Com este dia particularmente infeliz, Dennis aprendeu que uma perda relevante afecta o julgamento de uma transacção, portanto, o melhor é ir para casa e descansar...

Em 1973, coseguiu juntar capital suficiente para comprar um lugar na CBOT (Chicago Board Of Trade), a maior e mais antiga bolsa de derivados do mundo. Continuou a transaccionar no "pit" durante 5 anos e viu muita gente a cometer erros completamente infantis. Recorda acima de tudo que via muita gente a não conseguir manter abertas posições claramente ganhadoras, mesmo quando o mercado fechava vários dias consecutivos em "limit-up". A este propósito, Richard Dennis é particularmente crítico, já que é um "trend follower" (seguidor de tendência) assumido e que não gosta de mercados "a andar de lado" porque dão origem a muitos "breakouts" falsos. Por isso, segue sempre a tendência e apenas quando existem fortes indícios (confirmados sempre pelo mercado) de que a inversão de tendência já ocorreu, é que resolve inverter as suas posições, ou seja, nunca procura "encontrar" os topos ou fundos. Esta "filosofia" assenta na premissa de "esperar o inesperado", isto é, nunca partir do pressuposto que determinado activo transaccionado em bolsa está demasiado caro ou demasiado barato. Não existem barreiras para o mercado. As pessoas não se devem limitar a seguir o passado. Neste momento da entrevista, Schwager considerou ter encontrado uma incoerência no discurso de Richard Dennis, pois ao fim e ao cabo, como analista técnico e "trend follower", o estudo do passado seria sempre o mais importante para Dennis. Este contrapõe esta afirmação com um exemplo real. De acordo com um estudo que realizou, em 1972, os futuros da soja sempre que subiam ou desciam 0.50 dólares era altura de inverter posições, pois a variação não excedia esse valor. Historicamente, inverter a posição seria a decisão mais acertada. Na prática, a decisão seria a errada, já que após mais uma subida de 0.50 dólares, o preço da soja acabou por subir mais 8 dólares. Dennis considera que um bom sistema "seguidor de tendência" captaria sempre esta subida e possibilitaria um lucro avultado. Adepto confesso de sistemas de "trading" que geram sinais automáticos, Dennis afirma que na escolha de um sistema de trading deste género o factor principal é a coerência: para qualquer "commodity", o mesmo sistema de trading tem de despoletar os mesmos sinais, caso contrário, não é utilizado. O entrevistado considera que estes sistemas não resultam no mercado accionista, já que, ao contrário do que acontece em mercados de "commodities", os preços têm um comportamento muito mais aleatório e não dependem apenas da procura e da oferta. Ainda assim, independentemente "do mercado que se transacciona", considera que, no longo prazo, a sorte e o azar não desempenham qualquer papel na performance do trader.

Richard Dennis identifica facilmente as suas más ideias de "trading": Quando tem uma posição aberta perdedora mais do que duas ou três semanas é porque essa posição está errada, independemente do montante. Normalmente, a frase do detentor de uma posição aberta perdedora é qualquer coisa como "Bolsa, nem quero ouvir falar disso...". A este propósito, Dennis considera que ao contrário do que o senso comum possa indiciar, um período menos bom (com prejuízos) é precisamente a altura na qual uma pessoa se deve concentrar mais nas posições que tem abertas e que vai abrir. O ano da sua carreira que destaca pela negativa é o ano de 1978, mas justifica a sua fraca performance com a mudança do "pit" para o escritório. O factor catalisador desta mudança foi a crescente necessidade de transaccionar mercados mais líquidos, como câmbios e petróleo e implicou modificações no estilo e na perspectiva temporal dos investimentos, que de "intraday" passou para uma perspectiva de mais longo prazo. Apesar disto, nunca incorpora cenários macroeconómicos (taxa de juro, balança comercial, etc...) nas decisões individuais de "trading", pois considera que a performance de cada transacção em nada depende de factores macroeconómicos.

Uma fase da sua carreira que Dennis fala com particular agrado é o início da formação de traders e assombro que lhe causou o facto de estes formandos terem sido tão bem sucedidos. A decisão de entrar no campo da formação deveu-se a uma discussão particularmente aguerrida com um dos seus sócios, que advogava que um trader de sucesso nunca poderia ser criado, pois estes necessitam de ter capacidades inatas especiais. Dennis defendia precisamente o contrário: pode-se criar um trader de sucesso. De forma a esclarecer quem tinha razão. Nos anos de 1984 e 1985 formou dois grupos de traders juntamente com os seus colaboradores. Em 1984 receberam 1,000 candidaturas, que foram reduzidas para 40. Posteriormente procederam a nova triagem e escolheram 10, que tiveram formação apenas 2 semanas. Em 1985, escolheram outro grupo de 13 pessoas, que posteriormente foi reduzido a 10. Este último grupo teve apenas 1 semana de formação. Todas estas pessoas iniciaram a sua actividade com 100,000 dólares cada uma, valor que em 1988 ascendia, em média, a 2 milhões de dólares. Richard Dennis havia provado o seu ponto de vista.

Após o "crash" de Outubro de 1987, a entrevista continuou, já que existiam motivos de interesse para que tal acontecesse. Derivado do "crash", os fundos geridos por Richard Dennis deixaram de ser transaccionados pois em Abril de 1988 foi accionada automaticamente o mecanismo de protecção do cliente, o que acontece quando um fundo perde metade do seu capital. Após estes acontecimentos Dennis decidiu retirar-se do "trading" e dedicou-se à política. Os fundos que geria, tiveram uma fraca performance no seu último ano de vida, mas quem tivesse investido 1,000 dólares na subscrição inicial do fundo, teria chegado a Abril de 1988 com 3,833 dólares, ao que corresponde uma valorização média anual de 25%. Da conta pessoal, Dennis perdeu 10% em termos líquidos, mas se se considerarem todas as doações que fez ao longo da sua carreira, essa percentagem sobe para valores consideravelmente mais elevados.

Como corolário, Dennis afirma que o maior erro de trading é perder uma oportunidade de obtenção de um gordo lucro por ter o dinheiro empatado em transacções inócuas. Segundo as suas estimativas, 95% dos seus lucros advieram de apenas 5% das suas transacções.




«Os Feiticeiros do Mercado» - Bruce Kovner




Bruce Kovner, o segundo entrevistado do livro é um trader que privilegia o mercado cambial (FOREX) para as suas transacções e é daí que advêm cerca de 60% dos seus lucros. Aliás, na altura da realização da entrevista do autor do livro, Kovner era talvez o maior "player" neste mercado (exceptuando os bancos, claro). No ano de 1997, conseguiu obter lucros de 300 milhões de dólares e entre 1978 e 1998 o retorno médio anual dos fundos por si geridos ascendeu a 87%. Quem em 1978 tivesse investido 2 mil dólares no seu fundo, teria, passados 10 anos, cerca de 1 milhão de dólares.

Mas como se interessou Kovner pelo "trading"? Após obter a licenciatura em Harvard, começou uma carreira de professor, mas depressa se apercebeu que não era aquilo que queria fazer para o resto da sua vida. Afirma com alguma ironia "Não gostava do processo de ter de confrontar uma página em branco todas as manhãs e pensar em alguma coisa brilhante para escrever". Após desistir da carreira académico interessou-se por política, mas também rapidamente abandonou essa ideia pois não estava "disposto a começar por baixo". Em meados dos anos 70 começou a interessar-se nos mercados financeiros e deu particular atenção ao estudo da curva de rendibilidade ("yield curve" *).

Assim, depois de um intensivo ano de estudo dos mercados financeiros da leitura de muitos livros, Kovner começou a transaccionar. Os seus três primeiros negócios consistiram na aplicação da teoria sobre mercados de futuros e do aproveitamento de diferenças de preços entre contratos sobre o mesmo activo com prazos de expiração diferentes. Assim, para aproveitar essas ligeiras anomalias comprou um "spread" ** de taxa de juro (comprar um contrato de futuros da taxa de juro e vender um contrato de taxa de juro com um prazo de expiração posterior). A sua segunda transacção também foi idêntica, comprou um contrato de futuros do cobre com expiração mais próxima e vendeu o contrato de futuros do cobre com data de expiração num mês posterior. No final destas duas transacções a sua conta tinha subido de 3,000 para 4,000 dólares. A sua transacção seguinte tratou-se de outra compra de um "spread" de soja em 1977. Nessa altura estava a desenvolver-se uma aparente escassez no mercado da soja pois a cada semana que passava o "crush" (processamento da soja de forma a fazer óleo e refeição) era maior e ficava sempre acima das estimativas, ou seja, os consumos de soja eram mais elevados. Na altura, Bruce Kovner observava o "spread" entre os contratos de Julho e os de Novembro e comprou um "spread" (comprou um contrato de Julho e vendeu um de Novembro). O raciocínio foi: "Como vai deixar de haver soja no mercado, o prémio do "spread" (diferença entre a subida do preço do contrato de Julho e a subida do preço do contrato de Novembro) vai aumentar". O seu raciocínio acabou por se revelar completamente correcto e o prémio do spread começou a aumentar. À medida que tal sucedia, Bruce Kovner continuou a aumentar a sua posição ("pyramiding"), comprando mais "spreads". A certa altura, a posição já ascendia a 15 contratos (30, pois quinze eram vendedores e quinze eram compradores). Desde o primeiro "spread" aberto a 25 de Fevereiro até ao último a 12 de Abril, a conta deste trader subiu de 4,000 dólares para 35,000 dólares, virtualmente sem risco absolutamente nenhum. Nesta altura o leitor deve estar a questionar-se: "Mas se o mercado estava em alta porque é que ele mantinha as posições curtas nos contratos de Novembro abertas? Se fechasse essas posições curtas poderia ganhar muito mais!" Foi precisamente isto que o corretor que processava as suas ordens na altura disse a Bruce Kovner ao ver que o preço da soja continuava a subir. No dia 13 de Abril convencido pelo seu corretor, Kovner cobre todas as suas posições curtas no contrato de Novembro. Muitos depois, o mercado estava a transaccionar "limit-down" e o trader, desperado por ver diminuir um saldo positivo de 45 mil dólares para 22 mil dólares em poucos minutos, decide fechar as posições longas nos contratos de Julho. Apesar de ter subido o seu saldo de 4 mil dólares para 22 mil dólares, Kovner não conseguiu dormir nem comer durante largos dias, não pelo dinheiro que deiou de ganhar, mas sim pelo facto de ter reagido de uma forma primária, exactamente oposta aquela a que se tinha proposto aquando da sua entrada no mercado. Um pouco surpreendentemente, o entrevistado afirma que pensava ter destruído a sua carreira de "trader" e que ao mesmo tempo esta transacção foi a pior transacção de toda a sua carreira (em termos psicológicos), apesar de ter multiplicado por 5.5 o seu capital inicial.

Desta transacção Kovner retirou um dos príncipios pelos quais sempre regeu a sua carreira: "Nunca te deixes apanhar numa situação em podes perder muito dinheiro por razões que não compreendes ou desconheces." "Quando me vejo numa dessas situações encerro as minhas posições", acrescenta e dá o exemplo do dia 19 de Outubro de 1987 (altura de um dos mais famosos "crashes" da história), quando decidiu encerrar todas as suas posições (quer perdedoras, quer vendedoras).

Depois da transacção em soja, o entrevistado esteve um mês sem transaccionar, afastado do mercado e poucos meses depois o saldo da sua conta já ascendia a 40 mil dólares. Por essa altura candidatou-se a um emprego na Commodities Corporation, tendo sido entrevistado por Michael Marcus (o primeiro entrevistado do livro), que lhe ensinou duas coisas
muito importantes: "É possível ganhar um milhão de dólares" e "É preciso estar disposto a cometer erros regularmente". Conseguiu o emprego e começou a transaccionar futuros com um saldo inicial de 35 mil dólares.

* relação entre a rendibilidade de uma obrigação (do tesouro, por exemplo) e o tempo que falta para a sua maturidade.

** Imaginemos a seguinte transacção:

Compra de um contrato de futuros de "light sweet crude" na NYMEX com expiração em Novembro a 20.15 dólares e vende um contrato de futuros do petróleo da NYMEX com expiração em Dezembro por 20.90 dólares. Imagine agora que a cotação dos futuros de Novembro sobe para 20.30 dólares e a cotação dos futuros de Dezembro sobe apenas para os 21.00 dólares. Na posição longa coseguir-se-á obter um lucro de 150 dólares (0.15x1000). No entanto, na posição curta (a do contrato com expiração em Dezembro, o prejuízo será de apenas 100 dólares (0.1x1000). Assim com uma posição com risco reduzido obtém-se um lucro de 50 dólares. Claro que se se tivesse apenas comprado o contrato de expiração em Novembro, ganhar-se-iam mais 100 dólares, mas a posição seria mais arriscada e mais cara, já que a compra de um "intramarket spread" paga uma margem consideravelmente menor do que uma posição líquida apenas longa ou apenas curta.


Quando questionado sobre quais as características de um bom "trader", Bruce Kovner afirma que este deve ser independente, capaz de assumir posições que outros não estão dispostos a assumir, disciplinados, e nunca, mas nunca gananciosos, ou seja, que nunca transaccionem posições muito grandes (mais arriscadas). Para além disto, considera que um trader nunca deve personalizar as suas perdas. O único ano em que registou uma desvalorização no fundo que gere foi o de 1981 (perdeu 16%), o primeiro ano em que «me vi confrontado com um "bear market" em commodities», afirma, acrescentando que as principais causas do seu falhanço nesse ano foram a imprecisão no "timing" de fecho e abertura de posições e a abertura de muitas posições correlacionadas ***. Isto porque um "bear market" se caracteriza pela quebra acentuada das cotações intermediada por rápidas e efémeras retracções "bullish". "Vendia sempre tarde de mais" (...) Num "bear market" temos de usar as retracções "bullish" para entrar curto no mercado."

Uma das partes mais interessantes da entrevista ocorre quando Schwagger questiona o entrevistador sobre o tipo de análise que utiliza. Kovner afirma que utiliza muito análise técnica, mas que não consegue manter uma posição aberta se não achar que existe uma razão fundamental para o mercado se mover em determinada direcção. Compara um fundamentalista que não presta atenção ao gráfico de determinado título para tomar as suas decisões de investimento a um médico que não faz um diagnóstico de um doente antes de lhe receitar um medicamento.

Um exemplo da utilização da análise técnica que o entrevistado dá é o facto de seguir sempre um "breakout" que acontece após um período de consolidação ou congestionamento, mesmo que não exista qualquer explicação para o mesmo. Age assim porque pensa que a direcção primária do mercado é sempre a correcta. Aliás, Kovner afirma que um "breakout" em consequência de uma notícia publicada num jornal é, quase sempre, menos fiável do que um que aconteça sem qualquer explicação.

Tal como Michael Marcus (ver primeira entrevista), Bruce Kovner afirma que sempre que abre determinada posição tem pré-estabelecida uma "stop loss". O tamanho da posição que abre é determinada pela "stop", que por sua vez, é determinada pela análise técnica. A colocação da "stop" de protecção é sempre efectuada para lá de alguma barreira técnica (suporte ou resistência). Ao mesmo tempo é necessário pensar num valor suficientemente afastado do preço de mercado de forma a que os "floor traders" não consigam lá chegar facilmente. A razão de ser deste "modus operandi" é "Coloca a tua stop de protecção num ponto que caso seja atingido te indique com poucas margens para dúvidas que a tua ideia está errada e não pela quantia máxima que estás disposto a perder". Devido aos elevados volumes que transacciona, as suas "stop loss" não estão no mercado mas antes é encarregue uma pessoa para accionar a ordem caso o preço chegue ao valor pré-definido.

No momento em que a entrevista a Bruce Kovner foi realizada (fim de 1989) a quantia que este geria ascendia a sensivelmente 650 milhões de dólares, mas como acreditava muito pouco nos sistemas de trading, apenas alocava 5% deste montante a este tipo de ferramenta. Kovner pensa que no que ao trading diz respeito, a melhor performance da máquina nunca vai ultrapassar a melhor performance do homem.

Apesar de existirem muitas vantagens de se gerir mais dinheiro, em muitos aspectos torna-se mais complicado. Um destes é o facto de existirem alguns mercados que se tornam virtualmente impossíveis de transaccionar devido à reduzida liquidez, como o cobre e o café, isto apesar de serem extremamente voláteis e atractivos. Por isso, este é da opinião que os melhores mercados são o cambial, o de taxas de juro e o de petróleo, pois a liquidez acaba por não ser problema. O mercado cambial é mesmo a sua maior fonte de lucros (entre 50% e 60% do lucro total). Kovner enumera as vantagens de transaccionar no MMI (Mercado Monetário Interbancário - tem a possibilidade de experimentar transaccionar neste mercado em "fxgame.oanda.com"): enorme liquidez, custos de transacção reduzidos e transacção 24 horas por dia.

No que diz respeito ao mercado accionista, este experimentado trader considera que há nuances importantes face ao mercado de futuros de mercadorias. Existem mais movimentos de curto prazo contra a tendência no mercado accionista enquanto que os mercados de commodities são guiados pela procura de bens físicos e quando existe escassez desses bens a tendência de alta não falha. Assim, torna-se muito mais complicado apanhar a tendência de longo prazo.

Para finalizar, o entrevistador perguntou a Bruce Kovner quais eram os conselhos que daria a alguém que quisesse começar a transaccionar. O entrevistado respondeu: "Qualquer que seja o tamanho da posição que acha que deve abrir, corte-a pelo menos para metade" e acrescentou "Não personalizem o mercado". Com o primeiro conselho Kovner quer alertar para o facto de uma dos factores mais importantes para se ter sucesso no mercado é estar muito tempo no mercado. Quanto mais pequena for cada aposta, maior é probabilidade de se sobreviver para ver o dia seguinte. O segundo conselho chama a atenção para os traders que se vêem muitas vezes a pensar para consigo "Só espero que...". Quando isto acontece é sinal de que o trader está a entrar num processo destrutivo pois está a descurar um dos aspectos mais importantes: o diagnóstico e a procura de novas oportunidades de negócios.



*** A correlação mede a ligação entre dois pares de dados. Se se abrem duas posições em mercados extremamente correlacionadas (o coeficiente de correlação é um valor muito perto de 1), como por exemplo comprar contratos de futuros de milho e de trigo, será natural que o resultado nas duas transacções seja idêntica (ou se perde nos dois ou se ganha nos dois), ou seja, na realidade só estamos a aplicar uma ideia de "trading" e o risco é maior.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

«Os Feiticeiros do Mercado» - Michael Marcus


Antes de entrarmos a fundo no livro de Schwager temos de alertar o leitor para dois factos bastante relevantes. Quase todos os "traders" que são entrevistados neste livro transaccionam hoje com valores muito elevados, maioritariamente em mercados de futuros. Portanto, para melhor perceber toda a forma de actuar destes traders, deverá, em primeiro lugar, consultar os nosso manuais de futuros e de warrants, de forma a perceber expressões como "tick", curto, longo, futuros, opções, etc...

A primeira entrevista do autor do livro é efectuada a Michael Marcus, um dos traders mais bem sucedidos de sempre. Mas engana-se se pensa que o sucesso deste "trader" foi imediato. Michael Marcus teve uma formação académica com distinção tendo sido sempre um dos melhores alunos pelos sítios em que passou. Formou-se em Psicologia e provavelmente teria seguido a carreira de professor universitário caso não tivesse conhecido um amigo de um amigo que lhe disse: "consigo duplicar o teu dinheiro de duas em duas semanas". Sem ponderar muito o que estava a fazer, Michael Marcus contratou o amigo do seu amigo por cerca de 30 dólares por semana para ser o seu "Commodity Trading Advisor" (conselheiro de investimento em futuros).

Fez a sua primeira transacção num mercado de futuros no ano de 1969 e não percebia minimamente o que estava a fazer. Comprou um contrato de futuros de soja, sem saber o valor global do contrato e sem saber nada sobre produtos derivados. Apenas sabia que por cada "tick" que a cotação caísse perdia um certo valor. Quando fechou a posição (vendeu um contrato) registou uma perda de 100 dólares, o que em 1969 era já uma quantia considerável. As duas transacções seguintes também resultaram em perdas (milho e trigo). A quarta transacção resultou em ganho, mas ao fim de três dias já tinham voltado ao início. Apesar de ser totalmente inexperiente, Michael Marcus, sempre que se via a perder 100 dólares fechava a posição, ou seja, já aí tentava ser disciplinado. Comicamente, Marcus afirma que "media o sucesso pelo número de dias que demorava a perder o dinheiro". Após a quinta aposta, Michael Marcus perdeu os 1,000 dólares com que tinha começado e via-se assim, na falência. Apesar de todo este insucesso inicial, nunca se deixou convencer de que o "trading" não era para ele. Assim, levantou o dinheiro do seguro de vida que o pai lhe havia deixado em herança, 3,000 dólares, e começou a estudar os mercados de soja, milho, trigo e outros cereais de forma a conseguir transaccionar futuros com algum conhecimento a nível teórico. Baseado numa recomendação de uma "newsletter" que havia subscrito, comprou, no Verão de 1970, três contratos de Dezembro de milho. Nesse Verão, o míldio (doença/praga) arrasou as colheitas e o preço dos futuros de Dezembro disparou. Marcus foi aumentando a sua exposição em cereais e no início do Outono a sua conta estava já com 30,000 dólares. Em Dezembro de 1970 abandonou a escola e lançou-se definitivamente na "carreira de especulador", mudando-se para NYC. Na Primavera de 1971, Marcus apostou todo o seu dinheiro (30,000 dólares), mais 20,000 que pediu emprestados à sua mãe, na compra de contratos de trigo e milho, baseando-se na premissa que o míldio havia sobrevivido ao inverno. Aplicou em margens 50,000 dólares e aprendeu, mais tarde, a maior lição da sua vida. Num certo dia o Wall Street Journal publica uma notícia com o seguinte título "Mais míldio no CBOT (Chicago Board of Trade) do que nos campos de milho do Midwest". Rapidamente os futuros de todos os cereais caem abruptamente e encerram "limit-down" (os contratos de futuros têm um limite diário de variação de preço). Existia um número enorme de vendedores e virtualmente não existiam compradores. O preço caía a pique e Marcus não conseguia reagir. Em vez de tentar encerrar logo as suas posições, deixou-as abertas e apenas as encerrou no dia seguinte. Quando o fez, tinha perdido todo o seu dinheiro (30,000 dólares) e mais 12 mil dos 20,000 que havia pedido emprestado à sua mãe. Com esta perda aprendeu uma das grandes lições - nunca apostar tudo numa só ideia de "trading". Depois de ficar sem ninguém que lhe emprestasse dinheiro, Marcus teve de arranjar um emprego como «Commodity Research Analyst".

Em 1972, Michael Marcus voltou ao mercado depois de conseguir juntar 700 dólares. Abriu uma conta com um amigo e começou novamente a transaccionar. O arranque foi custoso, mas depois de algumas transacções no mercado de futuros de contraplacado de madeira, conseguiu subir a sua conta para 12 mil dólares e depois de uma fase de altos e baixos, conseguiu acumular 24,000 dólares. Nessa altura, um dos grandes "bull markets" da história "podiam-se cometer muitos erros, e mesmo assim, ganhar muito dinheiro", reflectindo o facto de se estar num mercado com clara tendência de alta. Marcus recorda-se de que um dos momentos mais difíceis da sua carreira ocorreu quando saiu cedo demais de uma posição longa em futuros de soja e viu o mercado a fechar "limit-up" vários dias consecutivos sem conseguir entrar. Considerou essa como uma das piores experiências da sua vida. Apercebeu-se também que o ambiente competitivo em que vivia era muito forte e resolveu sair da empresa em que trabalhava para se afastar desse ambiente. Recorda-se perfeitamente da altura em que tomou essa decisão. A conselho de Ed Seykota (trader que também é entrevistado no livro e um dos seus grandes gurus), compra contratos de futuros de café, mas coloca uma "stop" um pouco abaixo. O mercado vira e Marcus sai rapidamente da sua posição enquanto que Seykota não consegue encerrar as suas posições, pois o mercado abre vários dias consecutivos em "limit down". Quando dá conta da felicidade que sentia por estar fora dessa transacção, resolve abandonar o seu local de trabalho e ir em 1973 para "floor trader" na New York Cotton Exchange. Como eram necessários 100 mil dólares para iniciar a actividade no "pit" desta bolsa e apenas possuia 64 mil, continua a transaccionar nos mercados habituais e acabou por angariar essa quantia. Apesar de reconhecer que a experiência de "floor trader" foi um pouco fracassada - não se conseguia fazer ouvir no "pit", dada o seu carácter reservado e tímido -, Marcus considera que foi muito frutífera em termos de análise de gráficos intraday, pois aprendeu a reconhecer "breakouts" significativos muito mais rapidamente.

Depois de abandonar a sua carreira como "floor trader", Michael Marcus foi contratado pela prestigiada Commodities Corporation. Esta empresa, que tinha nos seus quadros gente como Paul Samuelson, apenas contratava profissionais com o grau de "Doutor". Marcus foi o primeiro sem esse estatuto a entrar para o lugar de "trader" nesta empresa. Começou com uma conta de 30,000 dólares e ao fim de 10 anos, a sua conta ascendia a 80 milhões de dólares. Mais impressionante é ainda o facto de que durante todos estes anos, anualmente, 30% do valor da conta era levantado, o que quer dizer que durante vários anos obteve rentabilidades anuais superiores a 100%. De todos estes anos Marcus recorda dois episódios, um positivo e um negativo. Numa dada altura, estava a transaccionar na California, e por isso, estava acordado quando soube da notícia da invasão do Afeganistão por parte da URSS. Telefonou para Hong Kong, cujo mercado de futuros estava aberto e apercebendo-se que ninguém sabia do acontecimento comprou 2,000 contratos de futuros de ouro. Nessa altura, o ouro atravessava um grande "bull market" e esta notícia fez com que a onça de ouro subisse ainda mais. Ganhou vários milhões de dólares em muito pouco tempo, o que fez o ano de 1979 o grande ano de glória da sua carreira. Declarou mais tarde que foi a primeira e a única vez que ganhou dinheiro com base numa notícia. A pior experiência desses dez anos aconteceu quando se viu a perder 2.5 milhões de dólares quando especulava na subida do marco e o Bundesbank entrou no mercado a divisa de então República Federal da Alemanha. Viu a cotação cair, fechou as posições quando perdia 2.5 milhões de dólares e viu a cotação cair ainda mais, até um valor em que se tivesse a sua posição aberta, perderia 10 milhões de dólares. Depois, em pouco mais de meia hora viu a cotação do marco recuperar até ao nível inicial. Mesmo assim, este investimento não foi aquele em que Marcus perdeu mais dinheiro. Marcus revelou-se um aplicador de poupanças muito mal sucedido. Comprou mais de 10 casas e uma companhia de "charters", revelando-se estes investimentos, todos desastrosos. Até que um dia decidiu vender tudo. Durante os anos mais difíceis, Michael Marcus "refugiou-se" em futuros do cacau, um mercado no qual transaccionava e conhecia melhor que ninguém.

Quando perguntado se considerava necessário ter qualidades inatas para se ser um "trader" excepcional, Marcus respondeu afirmativamente, mas também considerou ser possível, com trabalho árduo, ser competente e ganhar dinheiro. Marcus chega a afirmar, bastante humildemente até, que em meados dos anos 70 considera que não fez nada de especial, porque se viveu um período de mercados extremamente "bullish" em que bastava ficar longo e esperar para se ganhar muito dinheiro.

Os maiores conselhos que Marcus dá a quem deseja optar por uma carreira de "trader" são:

- aplicar apenas 5% do seu capital disponível numa ideia de trading. Marcus considera que, por exemplo, ficar longo em dois mercados relacionados (milho e trigo) é apenas uma ideia e não duas;
- estabelecer sempre "stops loss" imediatamente na abertura da posição;
- à mínima dúvida acerca da posição que se acabou de abrir, encerrar;
- não entrar no mercado só porque não se quer estar fora;
- parar para pensar quando se está num mau momento;
- não copiar estratégias e estilos de trading de outros e ter ideias próprias;
- não ser ganancioso quando se está a ganhar e cortar as perdas;
- estar atento aos sinais dados pelo mercado. Isto é, quando é suposto o mercado reagir de uma determinada forma e acaba por reagir da forma contrária, pode ser mau sinal;
- não acreditar em mitos como "há uma conspiração no mercado" e acreditar que não há ninguém (pessoa ou instituição) capaz de manipular o mercado.

Michael Marcus conseguiu ganhar muito dinheiro ao longo da sua carreira através de métodos que na altura estavam ao dispor de muito poucos. Como o próprio afirma: "Estávamos na bolsa, viamos o preço ultrapassar um ponto-chave do gráfico e comprávamos. No dia seguinte a pessoas que trabalham nas bolsas compravam e o preço subia mais. Ao terceiro dia, as corretoras recomendavam a compra e os preços continuavam a subir, até que nos dias seguintes eram "os dentistas espalhados pelo mundo que compravam". Como o próprio reconhece: "era um dos primeiros a comprar e vários dias depois vendia aos dentistas". Hoje em dia, como muito gente já partilha dos mesmo pontos de vista, como existem muitos mais "trend followers" e como a informação circula muito mais rapidamente é muito mais complicado fazer dinheiro. Para além disso, os intervenientes no mercado são quase sempre profissionais e os "dentistas do mundo" preferem comprar unidades de participação em fundos de investimento mobiliários. Marcus acrescenta que devido à existência de cada vez mais falsos "breakouts", os sistemas computorizados de trading ("trend followers") estão votados à mediocridade, exceptuando os casos em que existem forças estranhas, como por exemplo, grandes ambientes inflacionários ou deflacionários. Marcus dá o exemplo actual do mercado de divisas. Agora, afirma ele, é quase impossível definir uma tendência em determinado câmbio, porque os bancos centrais assumem, normalmente, a posição contrária à do mercado. É preciso adivinhar o que é que os bancos centrais vão fazer. Michael Marcus considera que a transacção de divisas é uma actividade extremamente stressante, já que é um mercado que funciona 24 horas por dia. Ir para a cama com posições abertas é sinónimo de uma noite mal dormida.

Nos últimos anos da sua carreira, Michael Marcus começou a transaccionar acções, mas não mudou o seu estilo, continua à procura de sinais técnicos, fundamentais e de mercado para entrar no título, mas afirma preferir sempre mercados em que não existem muitos tubarões. Prefere transaccionar acções do OTC (Over the Counter) do que do Dow Jones. Michael Marcus finaliza afirmando que quem consegue transaccionar num mercado, consegue transaccionar em todos, pois os princípios são os mesmo. «"Trading" é emoção. É psicologia de massas, ganância e medo.» E isto é tudo comum a qualquer mercado.





Os feiticeiros do mercado - Ed Seykota



Ed Seykota é, hoje em dia, um nome quase mítico no mundo financeiro norte-americano, mas nem sempre foi assim. Na altura em que Jack D. Schwagger resolveu fazer o livro, Seykota nem sequer constava da lista de pré-candidatos. No entanto, os elogios que Michael Marcus lhe fez, levaram Schwagger a entrar em contacto com este trader licenciado em engenharia eléctrica no prestigiado MIT.

O entrevistado é um analista técnico puro, que desenvolveu o primeiro sistema de trading completamente computorizado. Interessou-se pelo trading no fim da década de 60, quando soube que o tesouro norte-americano iria deixar de vender prata. Decidiu comprar prata pois considerava que o preço desta iria subir. Para isso, optou por abrir uma conta de futuros de forma a alavancar ao máximo a sua ideia. No entanto, logo após a compra dos contratos de futuros de prata, o preço deste metal começou a cair e chegou rapidamente à sua stop de protecção. Com este primeiro falhanço, Ed Seykota aprendeu rapidamente a forma como o mercado desconta as notícias. A partir dessa altura ficou cada vez mais fascinado pelos mercados e depois de testar, através de um programa de trading, a teoria de que os seguidores de tendência batem o mercado, decidiu dedicar-se ao estudo e transacção nos mercados financeiros e de commodities.

Nos primeiros tempos, devido ao seu grau no MIT, conseguiu imediatamente um lugar como analista numa corretora de Wall Street. No entanto, este emprego não durou muito. Para além de não lhe ser permitido o seu acesso aos computadores da empresa, desaprovava a postura da gestão da corretora, que pressionava os analistas a fazerem recomendações, mesmo quando não existiam oportunidades nos mercados. Quando saiu foi trabalhar para uma corretora em processo de reestruturação. Como o seu objectivo era, acima de tudo, estar envolvido no mundo financeiro, aceitou um mero trabalho de ajuda administrativa: era responsável pela troca do papel da máquina da Reuters e pela distribuição das notícias pelos traders e analistas. Durante seis meses, foi para a empresa nos fins-de-semana e utilizava os computadores da mesma para testar os seus sistemas de trading. O seu sistema acabou por ser adoptado pela corretora e tornou-se no primeiro sistema de trading a ser utilizado em larga escala (geria vários milhões de dólares). No entanto, a sua performance era prejudicada pelas segundas opiniões dos analistas e traders da corretora. Este facto desagradava a Seykota e começou a ponderar a sua saída. A "gota de água" foi o facto de a administração da corretora lhe ter pedido para redesenhar o seu sistema de forma a que este gerasse mais sinais (o que se traduziria em mais comissões). Depois de abandonar o departamento de investigação, durante dois anos dedicou-se à actividade de corretor. Em 1972 enveredou definitivamente pela gestão de dinheiro, com o objectivo de maximização de lucros em mente, por oposição à maximização das comissões. Não deixou de utilizar o seu sistema de trading, cuja performance é absolutamente espantosa. Quem, em 1972, tivesse investido 5 mil dólares, ver-se-ia na posse de 15 milhões de dólares em 1989, ou seja, teria ganho qualquer coisa como 3000%. Se a este montante fossem adicionados os montantes entretanto levantados, o retorno seria substancialmente maior. Seykota não geriu apenas dinheiro seu, mas também não o fez para muita gente. Seleccionou 6 pessoas no início dos anos 70, sendo que dessas seis restam 4. Dos dois que resolveram levantar o seu dinheiro, um foi para casa com 15 milhões de dólares e dedicou-se sozinho à sua gestão e o outro, com os 10 milhões de dólares que ganhou, comprou uma casa de praia e reformou-se.

É incrível a simplicidade do seu primeiro gerador de sinais, qualquer coisa como o cruzamento de duas médias móveis exponenciais de períodos diferentes. Quando a média móvel exponencial de período mais curto cruzava a média móvel exponencial de período mais longo, comprava. Caso contrário, vendia. Apesar de acreditar em sistemas de trading automáticos, Seykota considera que o trader tem sempre poder discricionário, mesmo no caso em que opta por utilizar o sistema. Isto porque há que tomar um série de decisões - quanto arriscar, que risco aceitar, que mercado transaccionar e quão agressivo vai ser o aumento ou diminuição das posições base - que são, muitas vezes, tão ou mais importantes que o timing da entrada ou saída. Ed Seykota continua a acreditar nos sistemas de trading que seguem a tendência, apesar de ser cada vez maior o número de pessoas que os utiliza. Vê, também, com algum cepticismo a análise fundamental - chama àquilo que usualmente consideramos os dados fundamentais de "funny-mentals" e "surprise-a-mentals".

Ed Seykota segue uma metodologia de trading bastante simples, constituída por três fases:
1 - Análise da tendência de longo prazo
2 - Análise da tendência de curto prazo
3 - Escolha de um ponto de entrada em sintonia com a análise de tendência de longo prazo

Precisamente por ser um "trend-follower", Seykota teve um mau ano em 1980, pois o "bull market" que durou na década precedente terminou precisamente nesse ano. Os mercados caracterizavam-se pela enorme volatilidade e a tentativa de os transaccionar revelou-se um erro. O trader associa as suas piores transacções a alturas em que estava emocionalmente envolvido nas posições que detinha. Sentimentos como orgulho, esperança, medo ou ganância estarão sempre ligados aos seus maus períodos. Para o entrevistado, quem conseguir evitá-los, será sempre um trader melhor.

Para o entrevistado, a regra essencial quando se opta por este estilo de vida é: cortar perdas, cortar perdas, cortar perdas. A seguir a estas vêm as habituais "deixar fluir os ganhos", "manter as apostas pequenas", "seguir as regras sem dúvidas" e "ter a certeza do que se está a fazer quando se desrespeitam as regras". Apesar destes conselhos, Ed Seykota acredita que, tal como algumas pessoas têm um dom para a música ou para a pintura, também para se ser um bom trader, é necessário um dom. É, portanto, difícil "adquirir" talento para esta actvidade, segundo o entrevistado. Por pensar assim, o seu principal conselho para o trader mediano ou mau é: "Encontre alguém muito melhor do que você para gerir o seu dinheiro e fazer aquilo que realmente gosta de fazer." Para Seykota "Um mau trader não pode fazer muito para se transformar num bom trader. Um mau trader resiste à mudança. A vontade/disponibilidade para mudar está, apenas, ao alcance do bom trader."
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

Jesse

Os feiticeiros do Mercado - Larry Hite

Larry Hite é o exemplo do indivíduo que levou algum tempo a descobrir qual era o seu verdadeiro interesse - mercados financeiros. Antes de fazer do trading o seu sustento, desempenhou inúmeras profissões, desde actor a argumentista. Certo dia, ouviu H. L Hunt a explicar, num programa de rádio, como havia feito a sua fortuna comprando opções de compra. A escolha de opções como instrumento financeiro possibiliva a obtenção de avultados lucros, com risco mínimo. Nessa mesma noite, Hite conheceu Brian Epstein, o "manager" dos Beatles. Ao lembrar-se das declarações de Hunt, Hite deu consigo a pensar: "Aqui está uma profissão (empresário de grupos de música), que tem potencila de gerar muito dinheiro com investimento mínimo." A partir daí dedicou-se a esta profissão, mas mais uma vez, o seu sucesso foi limitado.

A pergunta que ocorre imediatamente é: "Como é que um actor-argumentista-empresário de bandas acaba como trader?" O seu interesse pelos mercados financeiros nasceu na universidade. Um dos seus professores apresentava em certa aula, os diversos instrumentos financeiros. Depois de falar dos mercados accionista e obrigacionista, introduziu o mercado de futuros da seguinte forma: «Bem, agora chegamos ao mercado mais louco de todos - o mercado de "commodities" (na altura sinónimo de mercado de futuros) - é "constituído" por pessoas que pagam 5% (as margens) do valor do activo e a maior parte dessas pessoas pede dinheiro emprestado para o fazer.» Ao contrário da maioria dos seus colegas, Hite não se riu após esta frase e achou que a ideia fazia todo sentido. Em 1968, depois de anos a saltar de carreira em carreira, decidiu dedicar-se à transacção de futuros. No entanto, nada sabia sobre mercados financeiros e decidiu começar como corretor. Logo na primeira entrevista de emprego, deparou-se com um interlocutor que declarou que a firma só comprava "blue chips". Na altura não estava familiarizado com o conceito, mas quando soube que se tratava da mais cara ficha do casino de Monte Carlo e que se atribuía esse nome às acções das mais sólidas empresas, deitou fora o livro "Principles of Security Analysis" (considerado por muitos a bíblia do analista de acções) e comprou "Beat the Dealer". Ficou, desde então, com a ideia que o investimento com sucesso era apenas uma questão de probabilidades e que se fosse possível descobrir essa probabilidade, poder-se-iam encontrar métodos de bater o mercado. De acordo com o entrevistado, isto acontece porque os mercados são ineficientes. Ironicamente, Hite afirma que toda a gente que conhece que acredita no contrário, é pobre.

Este excepcional trader acredita piamente no trading computorizado e confia plenamente no sistema que desenvolveu. Confrontado com perguntas do género "Não é chato estar à espera dos sinais?", responde simplesmente "Não transacciono por excitação, transacciono para ganhar". Larry Hite é um trader que privilegia a gestão do risco e não a gestão de activos, isto é, não importa qual o mercado que está a transaccionar, mas sim o risco. É indiferente transaccionar café, petróleo, ouro, acções, milho, câmbios ou carne de porco; Hite apenas transacciona dinheiro, não mercados. As principais regras pelas quais se rege e cumpre sempre são:

1 - Respeitar sem qualquer dúvida os sinais do sistema de trading e apenas arriscar perder 1% do dinheiro investido (i.e. coloca a stop de protecção a 1% do preço de compra). Ao arriscar 1%, Hite fica indiferente a qualquer transacção individualmente.

2 - Nunca ir contra a tendência.

3 - Diversificar, quer em termos geográficos, quer em termos de activos transaccionados, quer em termos de período (usar diferentes sistemas conforme a perspectiva temporal do investimento).

4- Nunca transaccionar em mercados muito voláteis.

Hite resume a sua postura utilizando uma analogia com um semáforo:
Sinal verde: todos os sinais são transformados em transacções;
Sinal amarelo: liquidam-se algumas posições de acordo com os sinais, mas não se abrem novas posições;
Sinal vermelho: liquidam-se automaticamente todas as posições e não se abrem novas posições.

Hite ilustra com um exemplo: Em 1986, quando o café subiu de 1.30 para 2.80 dólares/bushell e recuou novamente para 1 dólar, Hite liquidou a sua posição longa durante a subida do preço quando o bushell de café cotava nos 1.70 dólares e ficou fora do mercado o resto da subida e toda a descida do preço. Apesar de ter perdido algum lucro adicional, estar fora do mercado em situações análogas, permitiu que a sua empresa, a Mint Investment Management Company, mantivesse um apertado controlo do seu risco. Esta postura avessa ao risco, permitiu que a Mint registasse entre Abril de 1981 e Junho de 1988 um retorno médio anual superior a 30% (+13% no mínimo e +60% no máximo). A maior perda num período de 6 meses (qualquer) foi de 15% e a sua maior perda num período de 12 meses (qualquer) foi de apenas 1%. Em termos absolutos, a Mint iniciou a gestão de um fundo de futuros com 2 milhões de dólares. Sabemos hoje que este fundo chegou a ultrapassar os mil milhões de dólares. Hite acredita que é essencial respeitar o risco e nunca ir contra o mercado. Conta duas histórias sobre pessoas que conheceu que não o fizeram e que se arrependeram. Tinha um amigo que conseguiu fazer uma fortuna como arbitragista e que comprou um palácio em Inglaterra. A partir de então instalou-se e dedicou-se ao trading, tendo desenvolvido um sistema. Certo dia, numa conversa com Hite afirmou: "O meu sistema de trading despoletou um sinal de venda em ouro, mas não me parece correcto e não vou respeitá-lo; de qualquer forma, metade dos sinais que o sistema dá estão errados, portanto...". Hite instou-o a encerrar a posição, o que não fez, tendo até incrementado a posição longa. Perdeu tudo o que tinha ganho e nunca mais transaccionou na vida. Outro exemplo do perigo que há em não respeitar os sinais é o de um primo. Esse primo transformou 5,000 dólares em 100,000 dólares a transaccionar opções. Hite perguntou-lhe, certo dia, como tinha conseguido. "É muito fácil", respondeu, "compro uma opção e quando sobe vou incrementado a posição. Se o preço baixar, só liquido a posição quando volta ao preço original". Hite respondeu-lhe que a sua estratégia não iria resultar no longo prazo. Tinha razão...
(*) Utilizador banido do Clubeinvest