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A história repete-se…explicação da crise

Iniciado por JoseABMachado, Março 18, 2008, 12:33

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JoseABMachado

Nas décadas de 60 e 70, os EUA viveram uma onda de fusões e aquisições que levou ao fenómeno dos conglomerados, terminando numa das grandes crises de mercado de que há memória nos últimos anos. A história repetiu-se nos anos 80, com a bolha especulativa no mercado britânico da habitação, e voltou a registar-se, dez anos depois, com a ascensão e queda das tecnológicas.
A história recente está repleta de exemplos como estes. Em todos eles há uma sequência de acontecimentos que podemos tipificar - desde que surge uma ideia original até ao momento em que se produz um crash - e o contexto de crise que vivemos actualmente não constitui excepção.
A boa notícia é que, em todos estes fenómenos, a economia e os mercados sempre recuperaram e muitas vezes mais rapidamente do que se esperava.
O ciclo começa sempre com uma inovação que, para ser potenciada, origina um aumento da procura de crédito. Quando a inovação começa a ter sucesso, ninguém quer perdê-la e assiste-se a uma segunda fase de adesão em massa e de especulação.
Neste momento, os primeiros investidores começaram já a vender as suas posições, fazendo mais valias, e entram os investidores de segunda vaga - normalmente menos conhecedores. E a procura por crédito continua a aumentar, levando o endividamento a níveis excessivos e evidenciando uma enorme propensão ao risco.
É no auge da ascensão que muitos dos investidores percebem que já não há ninguém que queira comprar as suas posições. Nesta fase, os bancos que financiaram a alavancagem ascendente reduzem drasticamente a concessão de crédito. Os preços dos activos financeiros descem vertiginosamente - é o chamado credit crunch. A bolha rebenta e fecha-se o ciclo.
Securitização foi a última inovação
Voltemos por isso ao caso actual, para perceber como a realidade encaixa na teoria "como uma luva": tudo começou quando, nos EUA, as taxas de juro desceram até 1%. Com estas condições, muitos americanos com poucos meios financeiros descobriram que, afinal, podiam suportar as prestações do crédito à habitação...
Desta vez, a inovação foi a "securitização" ou empacotamento desses empréstimos para posterior revenda a investidores, por parte das instituições que originalmente os concediam, livrando-se assim do risco.
É evidente que ninguém acreditava que as taxas iriam ficar para sempre a 1%, mas julgava-se que a atomização do risco, canalizado através de títulos cujo pagamento dependia não de uma mas sim de milhares de hipotecas, permitia que, de alguma forma, o risco fosse menor. Além disso, as instituições que aceitaram os empréstimos originais - algumas delas criadas exclusivamente para este efeito - não faziam tenções de ficar com eles em carteira para sempre.
Apesar dos avisos da excessiva propensão à tomada de risco, a história voltou-se a repetir e o que começou como um problema localizado no mercado do crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos alastrou e criou uma crise global. O sector financeiro foi seriamente afectado e são muitas as instituições de referência - Citi, Merrill Lynch, Morgan Stanley, UBS - que reportaram perdas nos mercados de crédito que, algumas fontes, dizem ascender a 108 mil milhões de dólares.
Escassez de crédito anuncia fim do ciclo
De um fenómeno essencialmente financeiro a crise evoluiu e começou já a espelhar-se na economia real nos EUA, deixando-a à beira do colapso, mas também na Europa, com a obtenção de crédito a tornar-se mais difícil à medida que os bancos aumentam a sua aversão ao risco.

A recente decisão tomada pela companhia de cartões de crédito Egg de cancelar os cartões de 160.000 dos seus clientes - com a justificação de que eram demasiado arriscados - constitui uma clara evidência de que entrámos já na fase final do ciclo, em que a oferta de crédito se torna escassa.
Esta dificuldade no acesso ao crédito é sintomática de que vivemos um momento de crise, até porque ela funciona como um mecanismo de transmissão. Vista pelo lado dos bancos é consequência dos primeiros sinais de fraqueza económica e financeira, pela necessidade que sentem de reagir rapidamente no sentido de reduzir a sua exposição a clientes cuja posição financeira se vai provavelmente degradar. Vista pelo lado dos restantes agentes económicos vem agravar uma situação que já se adivinhava difícil, ao retirar o acesso a meios financeiros no momento em que eles mais são necessários. É esta dualidade que se auto-alimenta até ao crash.

É este o resumo da actual crise mas, mais uma vez, importa lembrar que estes fenómenos são recorrentes e que a economia e os mercados recuperaram sempre, e em regra mais depressa do que inicialmente se esperava. Mais uma vez, a história repete-se e resta apenas saber qual será e quando surgirá a próxima inovação - a tal ideia capaz de voltar a abrir o apetite pelo risco e de repor o ciclo na sua rota ascendente.

Cumprimentos
José AB Machado

Fonte : Millenniumbcp
********
Cumprimentos
José AB Machado

DUARTINI

José muito bom. Não imaginava que pudesse ser uma explicação assim tão simples. Obrigado pela sua atenção a todos os forenses que como eu se estão a iniciar nesta vida. Abraço José.
http://strapon.pt    http://sersexy.net

Semitela


Boas JoseABMachado,

Muito simples e didáctico .


Obrigado pela partilha . ;)

Quanto ao outro Tópico : aquele em que disse que ninguém se iria lembrar das suas palavras  :D   Mudou alguma coisa na sua visão desde essa altura ou caminhamos para o dito ?

Abraços e bons negócios .

Mr.Smith

Caro José Machado

Obrigado pela explicação.

Como é referido, o crédito vai ser mais difícil e isso irá subir as taxas de juro.

Estamos então numa conjuntura de desvalorização do dólar e de aumento da taxa de juro. O aumento da taxa de juro irá aumentar a inflação.

Sabemos por outro lado que será o abaixamento da taxa de juro que levará à procura de acções.

Como estamos num cenário em que se prevê subida de taxas de juro, isso leva-nos a pensar que o cenário que permita a subida do mercado accionaista ainda estará longe.

Portanto admito que proximamente iremos continuar numa conjuntura de subida de taxa de juro e de inflação.

Quando as taxas de juro inverterem e começarem a descer então certamente poderemos assistir a uma valorização das obrigações de taxa fixa e só depois estarão criadas as condições para alguns sectores do mercado accionista começarem  a subir, nomeadamente os títulos ligados à banca que serão os que mais rapidamente irão beneficiar com essa descida de taxas de juro.

Será assim?

cumprimentos

Smith


tiagodandre

Para ver o artigo completo na Newsletter do MBI:

"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

Paff

CitaçãoComo é referido, o crédito vai ser mais difícil e isso irá subir as taxas de juro.

Estamos então numa conjuntura de desvalorização do dólar e de aumento da taxa de juro. O aumento da taxa de juro irá aumentar a inflação.

Caro Mr. Smith

Penso que tens alguns conceitos um pouco trocados. Não é a dificuldade do crédito que aumentará as taxas de juro. É precisamente o contrário. O intuito ao aumentar as taxas de juro será de estabelecer um controlo ao nível do crédito concedido e, por outro lado, estabilizar a inflação. Assim, aumento das taxas de juro tenderão a diminuir a inflação a prazo e não a aumentá-la.

Por outro lado, mais para o final do ano poderemos estar a assistir a movimentos inversos dos dois lados do Atlântico, com a FED a subir taxas directoras e o BCE a descê-las. Os títulos da banca, nomeadamente a norte-americana, estão já a beneficiar dessa descida. A Bear Stearns foi a vítima (ou pelo menos a segunda atá agora) mas, como sempre, existem entidades, que por terem sido mais previdentes, estão agora numa situação de relativo desafogo. /forumbolsa/index.php?topic=34139.msg73349#msg73349

O que eu quero dizer com isto, é que a situação das taxas de juro não pode ser analisada de forma absolutamente homógenea, com subidas e descidas unânimes.

Obrigado pela vossa atenção,

Paff.

JoseABMachado

... respondendo à questão , quando do meu ponto de vista estiverem reunidas as condições para um retorno ao mercado , vou tentar colocar um poste oportuno , nesse sentido .

Muito provavelmente irá ser criticado como o Poste " É prudente sair do Mercado " e isso será mais um sinal ... na altura própria.

Cumprimentos e bons negócios
José AB Machado
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Cumprimentos
José AB Machado

tiagodandre

Só uma questão JM...

Quando dizes retorno ao mercado falas na óptica de estar longo nos mercados accionistas correcto?...ou abandonáste por completo o trade?

Pois existem sempre oportunidades, e não me parece que tenhas abandonado por completo o barco!...

Cump.
"Aprenda com os erros alheios. Não viverá o bastante para cometer todos os erros." (Martin Vanbee)

"Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros." (Benjamin Franklin)

JoseABMachado

... o meu "barco " navega neste momento em Metais preciosos e produtos agrícolas que do meu ponto de vista são águas mais interessantes.

A seu tempo farei o retorno ao mercado accionista ... , mas  não neste momento .

Cumprimentos e bons negócios
José AB Machado
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Cumprimentos
José AB Machado

egas

#9
bom artigo JM.......... so para acrescentar que vao ter que ser estas empresas que agora estao a apanhar paulada da grossa que ter que puxar pela economia ;D por isso afinal elas sempre valem alguma coisa e a seu tempo o mercado lhe dara o seu devidi valor............ isto e um ciclo interessante em que o crescer as custas do credito deu o berro e nao tem futuro.......... por isso toca a desvalorizar o DOLAR para estas mesmas empresas comecarem a exportar mais para comecarem a puxar pela economia ;D

Mr. Smith

Relativamente a este tópico, acho que tem grande utilidade o livro "Intermarket Technical Analysis" de John Murphy, que agora pode ser obtido gratuitamente no endereço:

http://www.esnips.com/doc/73b2b52b-c5bf-48d3-91a5-3e2c6523bfe7/Murphy-,-John-J---Intermarket-Technical-Analysis

cumprimentos

Smith