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EUR/USD

Iniciado por Piloto, Outubro 13, 2005, 23:41

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Semitela

CitaçãoPS: como é que eu insiro uma imagem do meu computador aqui? Queria colocar aqui o gráfico da Euribor que acabei de fazer mas não consigo   


Vais á opções adicionais .

Procurar : no teu computador e enviar.

Abraços

berrio

Ah! Obrigado :D

Bem aqui vai o grafico da curva de yield europeia, com o salto de euribor a 1 mês, para euribor a 2 meses.

Fonte: www.euribor.org. Dados de dia 5 de Novembro.
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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MD

Olá,

Boas análises Berrio!
Eu não sou economista, por isso não conheço bem essas "interligações" (nem nunca estudei isso por mim).
Mas o que é facto é que as coisas na américa estão mesmo a arriscar "rebentar".

Continua a postar essas análises e as possíveis consequências para o forex!

Entretanto, pensando no que escreveste (e noutros textos análogos que vejo "por aí"), o eur arrisca-se mesmo a ir aos 1,5!!

É possível que tenhamos uma correcção pelo caminho (quem sabe a seguir aos 1,47 de hoje...), mas que a coisa está a ameaçar...lá isso está.

MD

berrio

E agora que já sei colocar gráficos deixo aqui mais um...  ::) ;D

Isto é, numa imagem, a real consequência para os activos financeiros de inflação "monetária", aka a resposta à pergunta "Porque raio se devem os Bancos Centrais preocupar, e muito, com o botão de impressão de notas":

Gráfico semanal do SPX - 99/07. Descontem o efeito "dólar" e estamos no mesmo ponto onde estavamos à quase uma década. Uso o Euro para ilustrar isto, porque o euro tem subido de forma muito simétrica à descida do dólar, sendo uma boa aproximação ao efeito "impressora".

Não é bonito... :-[
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
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Antunes

Boas,

Para hoje queria deixar apenas 1 gráfico.

Amanhã tentarei fundamentar do ponto de vista fundamental...  ;)

Cumprimentos,

Antunes

Antunes

Boas,

Hoje vou fundamentar a minha postura bullish no USD.

Começo por comentar o seguinte parágrafo do Berrio que me chamou especial atenção:

Citação de: berrio em Novembro 07, 2007, 12:23
...
Agora vem o paradoxo: O dólar não tem vindo a fazer outra coisa senão cair. Isto quer dizer que activos denominados em dólares valém menos por via cambial, ou até mesmo, dão prejuizo. Quando o Bernanke desceu a Fed funds rate, dizendo ao mercado que, entre outras coisas, "que se estava nas tintas para o dólar", o mercado vendeu. Isto depreciou ainda mais os Activos em dólares. Ora a China tem uma montanha disso e a "boa vontade" tem os seus limites! Quando a China diz "vamos diversificar as reservas" está a dizer "olá malta... estão a ver as nossas gigantescas reservas de obrigações do tesouro? vamos vender". Ora, no limite, isto irá puxar os preços das obrigações para baixo, puxando as "yields" todas da curva para cima numa nação com graves problemas de endividamento que pode conduzir a uma depressão dos preços e parar o que resta duma economia onde todos têm medo.
...

Caro Berrio, na praça financeira global há 2 diferentes actores: os principais e os secundários. Não duvide que os actors principais são e serão durante muito tempo os Americanos! Quem é que está a arder com a descida do $USD? Os bancos centrais Asiáticos e os exportadores Europeus. Ora, a FED está pouco preocupada com eles e pode ter a certeza que irá descer ainda mais a taxas se tal for necessário, ou seja, se não houver nenhum outro milagre em Fátima... Quanto às obrigações Americanas a FED também está pouco preocupada com elas porque, afinal de contas, quem é que tem a maior fatia? Os Chineses claro... :) Os Chineses ameaçam vender em massa. Muito bem que o façam e que aguentem com as respectivas menos valias!

Mas há mais, um dos factores mais importantes na cotação de uma moeda é a balança comercial e esta deverá melhorar bastante caso se confirme o cenário de abrandamento do por parte dos consumidores Americanos. E a inflação também irá acalmar nesse provável cenário.
Cumprimentos,

Antunes

jmdpcc

Mas as descidas na taxa de juro, implicam automaticamente aumento da circulação da massa monetária, que por sua vez origina inflação. Ou seja, se não se controla a taxa de juro das duas uma, ou há mais dinheiro a circular, ou o dinheiro que circula vale menos. Logo aumenta a inflação. Se os EUA continuarem constantemente a diminuir a taxa de juro, um dia colapsa.
Eu nasci para ser rico

Antunes

#172
Caro jmdpcc,

É de facto uma faca de 2 gumes que Bernanke tem nas mãos: há quem a chame de Death Spiral! Se por um lado não baixar as taxas de juro implicará certamente uma economia recessionária e deflacionária, baixá-las implicará uma economia melhor mas inflacionária. Bernanke tem a árdua tarefa de escolher a solução menos má!
Cumprimentos,

Antunes

berrio

Caro Antunes,
Em parte discordo. Acho que neste momento Bernanke arrisca-se a ter uma economia estagnada e inflaccionária se continuar a baixar as taxas de juro. Pois se é verdade que uma diminuição do valor dólar implica um aumento das exportações, isso implica o fim do sistema de "reciclagem" que o DB, carinhosamente, aplidou de Bretton Woods II.

Vamos lá ser honestos aqui com uma coisa: o actual sistema funciona à base de reciclagem de balanças. Os USA correm deficits, a Asia corre super-avits. A Asia remete o seu excendente de novo para os mercados dos USA, financiando os deficits. Mas isto não é feito por pura "boa vontade". É a única maneira de manter as moedas asiáticas - em especial o Yen e o Yuan - baixos, em comparação com o dólar. Aqueles "meninos" recebem na sua moeda, vendem-na, e compram activos em dólares, e mantêm-se o "Status Quo" monetário: moedas asiaticas fracas como convêm a nações exportadoras - relembre-se que o Consumo Interno japonês é muito fraco, e a China ainda não é uma nação de consumidores, mas sim uma nação de aforradores.

Como tal, mesmo assumindo que Bernanke optou por descer as taxas de juro para enfraquecer o dólar e compensar a descida no consumo médio norte-americano, tens dois problemas: os Inputs Primários, commoditities, ficam mais caros pela via cambial. Em segundo lugar, os Inputs industriais, que vêm da Asia, também ficam mais caros, porque em termos relativos, o Yen fica mais caro face ao dólar - e não esquecer que a maior parte da capacidade produtiva americana está deslocalizada... os iPod e companhia são feitos na China, não na Califórnia. E isto é arriscar pressões inflaccionárias sem ter grandes garantias de crescimento. A não ser que o BoJ intervenha para manter a sua moeda fraca, e nesse caso o dólar não desce tanto como o Bernanke quer.

Outro ponto, mais grave, é que por muito que cambialmente as tuas exportações sejam mais competitivas, estamos a falar de uma economia com um sector empresarial alavancadissimo em dívida. A solução não há-de ser mais dívida! No primeiro trimestre de 2008, os bancos vão ter de trazer para o seu balanço os "Level 3 Assets", e tomar perdas. Estamos a falar de Balanços já de si esticados, pouco capitalizados, em que uma hipoteca AAA tinha um ponderador minimo de risco, segundo Basileia II. De relembrar que as tranches de Asset Backed Comercial Paper com base em hipotecas AAA mandaram um "mortal encarpado" directos ao chão. Não é capaz de sobrar muito para financiar um suposto "sector exportador", que tome partido do efeito cambial...

Vamos lá ver uma coisa: quando dizes que Bernanke tem nas mãos um faca de 2 gumes, estou totalmente de acordo. Mas discordo nos gumes. Ele tem hoje o mesmo problema que o BoJ teve no inicio da década de 90. Ou assume uma politica restritiva, deflacciona a bolha de activos financiada por divida, e arrisca uma recessão, ou escolhe ter uma politica mais acomoditicia e arrisca-se a estagflação - inflação sem crescimento económico. É bem mais dificil trazer de novo uma economia de volta duma estagflação que duma recessão.

Faz lembrar a teoria da ressaca: a cura para uma ressaca depois duma grande noite é continuar a beber?
Alias estes problemas todos começam porque os Bancos Centrais não deixam as economias irem para pequenas recessões. Sem querer ser muito frio, recessões são saúdaveis para o sistema, o equivalente económico a uma febre. É o "corpo" a combater a doença...

Nota de rodapé: Basileia II é um acordo internacional entre os maiores bancos do mundo e bancos centrais - assinado em Basileia, Suiça - que prevê, entre outras coisas, que os activos num balanço dum banco sejam ponderados de acordo com uma tabela de risco, com base em ratings do colateral.
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
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Antunes

#174
Citação de: berrio em Novembro 08, 2007, 13:31
Caro Antunes,
Em parte discordo. Acho que neste momento Bernanke arrisca-se a ter uma economia estagnada e inflaccionária se continuar a baixar as taxas de juro. Pois se é verdade que uma diminuição do valor dólar implica um aumento das exportações, isso implica o fim do sistema de "reciclagem" que o DB, carinhosamente, aplidou de Bretton Woods II.

Inflacionária já o é desde há algum tempo para cá. E estagnada é o que está na manga neste momento. O que Bernanke quer é que não piore e para isso tem de optar pelo menor dos males pois os desequilibrios existentes a isso obrigam.

Citação de: berrio em Novembro 08, 2007, 13:31
Vamos lá ser honestos aqui com uma coisa: o actual sistema funciona à base de reciclagem de balanças. Os USA correm deficits, a Asia corre super-avits. A Asia remete o seu excendente de novo para os mercados dos USA, financiando os deficits. Mas isto não é feito por pura "boa vontade". É a única maneira de manter as moedas asiáticas - em especial o Yen e o Yuan - baixos, em comparação com o dólar. Aqueles "meninos" recebem na sua moeda, vendem-na, e compram activos em dólares, e mantêm-se o "Status Quo" monetário: moedas asiaticas fracas como convêm a nações exportadoras - relembre-se que o Consumo Interno japonês é muito fraco, e a China ainda não é uma nação de consumidores, mas sim uma nação de aforradores.

Como tal, mesmo assumindo que Bernanke optou por descer as taxas de juro para enfraquecer o dólar e compensar a descida no consumo médio norte-americano, tens dois problemas: os Inputs Primários, commoditities, ficam mais caros pela via cambial. Em segundo lugar, os Inputs industriais, que vêm da Asia, também ficam mais caros, porque em termos relativos, o Yen fica mais caro face ao dólar - e não esquecer que a maior parte da capacidade produtiva americana está deslocalizada... os iPod e companhia são feitos na China, não na Califórnia. E isto é arriscar pressões inflaccionárias sem ter grandes garantias de crescimento. A não ser que o BoJ intervenha para manter a sua moeda fraca, e nesse caso o dólar não desce tanto como o Bernanke quer.

Outro ponto, mais grave, é que por muito que cambialmente as tuas exportações sejam mais competitivas, estamos a falar de uma economia com um sector empresarial alavancadissimo em dívida. A solução não há-de ser mais dívida! No primeiro trimestre de 2008, os bancos vão ter de trazer para o seu balanço os "Level 3 Assets", e tomar perdas. Estamos a falar de Balanços já de si esticados, pouco capitalizados, em que uma hipoteca AAA tinha um ponderador minimo de risco, segundo Basileia II. De relembrar que as tranches de Asset Backed Comercial Paper com base em hipotecas AAA mandaram um "mortal encarpado" directos ao chão. Não é capaz de sobrar muito para financiar um suposto "sector exportador", que tome partido do efeito cambial...

Vamos lá ver uma coisa: quando dizes que Bernanke tem nas mãos um faca de 2 gumes, estou totalmente de acordo. Mas discordo nos gumes. Ele tem hoje o mesmo problema que o BoJ teve no inicio da década de 90. Ou assume uma politica restritiva, deflacciona a bolha de activos financiada por divida, e arrisca uma recessão, ou escolhe ter uma politica mais acomoditicia e arrisca-se a estagflação - inflação sem crescimento económico. É bem mais dificil trazer de novo uma economia de volta duma estagflação que duma recessão.

Então neste aspecto estamos completamente de acordo: quando eu digo que baixar as taxas implicará uma economia melhor mas inflacionária, quero dizer uma economia melhor do que recessionária mas apenas isso: aquilo a que os economistas chamam de estagflação.

Citação de: berrio em Novembro 08, 2007, 13:31
Faz lembrar a teoria da ressaca: a cura para uma ressaca depois duma grande noite é continuar a beber?
Alias estes problemas todos começam porque os Bancos Centrais não deixam as economias irem para pequenas recessões. Sem querer ser muito frio, recessões são saúdaveis para o sistema, o equivalente económico a uma febre. É o "corpo" a combater a doença...

Nota de rodapé: Basileia II é um acordo internacional entre os maiores bancos do mundo e bancos centrais - assinado em Basileia, Suiça - que prevê, entre outras coisas, que os activos num balanço dum banco sejam ponderados de acordo com uma tabela de risco, com base em ratings do colateral.

Exactamente, se o amigo Alan tivesse deixado a economia funcionar em 2002/3 não teríamos todos problemas que temos agora. Teríamos eventualmente alguns deles mas não todos.
Cumprimentos,

Antunes

NIVADIL

Meus amigos, hoje temos entrada curta no par EUR/USD. Vejam o gráfico.

Pedro Miranda

Citação de: berrio em Novembro 08, 2007, 13:31
Faz lembrar a teoria da ressaca: a cura para uma ressaca depois duma grande noite é continuar a beber?
Alias estes problemas todos começam porque os Bancos Centrais não deixam as economias irem para pequenas recessões. Sem querer ser muito frio, recessões são saúdaveis para o sistema, o equivalente económico a uma febre. É o "corpo" a combater a doença...

Excelente post Bérrio !

Um ponto ;)
Pedro Miranda
www.clubeinvest.com

berrio

Obrigado pelo ponto Pedro  :)

Agora quanto à questão do "euro a descer":
Meu caro Nivadil,
Eu teria muito cuidado nessa Moving Average cross over (presumo que fosse a isso que se estava a referir como sinal de entrada curta).

Antes de mais, duas notas estatisticas sobre o EurUsd em particular e os cambios em geral:
1. São processos de Hurst Persistentes. Ou seja, tem o "hábito" a sustentar a tendencia, e a probabilidade de ganharem suporte numa tendencia é superior às acções, processos de Hurst menos persistentes.
2. A volatilidade média do EurUsd diário é 100 pips. O ATR médio, aqui entendido por mim como medida de ruido normal, é aproximadamente igual a 90-100 pips. Isto quer dizer que movimentos que não se afastem das médias a mais destes valores podem ser considerados "normais", ruido e muito dados a whipsaws. Pessoalmente, tenho tendencia a olhar com desconfiança movimentos que não afastem muito destes valores, o que é o caso do moving average cross over no exemplo.

Agora a questão fundamental: os fundamentais suportam o euro contra o dólar.
Depois da última reunião do BCE, onde se decidiu a manutenção das taxas de juro a 4 por cento, houve uma conferencia de imprensa onde se assistiu a um Trichet num tom muito "hawkish".
Pode-se resumir as suas declarações em 3 pontos chave:
1. Os fundamentais da economia europeia estão sólidos - bom crescimento do consumo e serviços a compensar a perda de competitividade do sector exportador, via euro;
2. Inflação muito fora do nivel de confiança do BCE, actualmente nos 3% YoY - relembrar que o tecto do BCE é 2% YoY - e com muitas pressões ascendentes
3. Não existe Credit Crunch na Europa, ao contrário dos EUA.

Relembrar que o terceiro ponto, a possibilidade de um credit crunch europeu, foi a única razão para o "wait and see" do BCE. Obviamente que o mercado entendeu a mensagem. Nas outras conferencias Trichet era ambiguo: "Ah e tal talvez existam riscos para o crescimento, problemas nos mercados financeiros...vamos ver". Desta vez foi peremptório, e o mercado percebeu a mensagem: Os contractos de futuros  Euribor têm vindo a reflectir essas mesmas expectativas de pelo menos 0,25 pontos base de subida na Euribor.
Do outro lado do Atlantico temos o cenário oposto. Fed Funds rates futures já descontam a totalidade os 0,25 pontos base de descida, e começam a preçar 0,50 pontos base. O que é mais perigoso é que nos últimos dias, em especial hoje, o mercado também começou a preçar perto de 0,50 pontos base de descida "inesperada", o que coloca um problema à FED: os 0,25 pontos base que queriam podem não chegar para manter o mercado que já tem preçado mais do que esse corte. Alias, fed funds de Fevereiro de 2008 tem implicito que tens 0,25 descida agora e 0,25% de descida até Fevereiro.

Podemos argumentar contra ou favor das politicas monetárias dos dois blocos económicos de ambos os lados do atlantico, mas a verdade é que isso irá ter um efeito muito prático:
1. O dólar vai cair. E se o corte for superior a 0,25 pontos bases, esqueçam lá o euro a 1,47...façam mais as contas a 1,50.
2. As taxas na europa vão subir. O BCE nasceu do Bundensbank, e o Bundensbank era "inflaçãofóbico"... dizer a um banqueiro alemão que ele não combate a inflação é o equivalente a chamá-lo Nazi (Não esquecer: a Republica de Weimar, a seguir à primeira guerra mundial sofreu de Hiperinflação e colapso monetário devido à má politica do BC da altura, e dai uma das razões da Depressão e da ascensão de Hitler...mas isso fica para outro post)
3. As taxas nos EUA vão descer. A FED, por outro lado, tem fobia à deflação. Nunca irá permitir uma contracção da massa monetária a desalavancar dívida, por fobia ao que aconteceu na grande depressão.
4. Com o dólar a cair hard & soft commodities sobem, aumentando pressões inflaccionistas na zona Euro via inflação monetária e reforçando a posição do BCE (O secretário do estado do tesouro de Nixon brincava: "it's our currency but it's your problem"... Trichet está a dizer "It's your currency...It's your problem").

Todos os fundamentais suportam a subida do euro face ao dólar. Ok pode fazer correcção aqui e ali, mas 100 pips para cima e para baixo é o "normal" do animal em questão. Eu pessoalmente estaria a comprar nas correcções, não a vender.

Disclaimer: ATENÇÃO, que isto não constituiu uma recomendação de compra. Embora tenha EurUsd longo no meu portfolio cada um deve ter noção que Forex é o mercado mais perigoso deste lado da via lactea, em especial pela alavancagem excessiva.
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
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Cubriclas

Citação de: NIVADIL em Dezembro 10, 2007, 20:07
Meus amigos, hoje temos entrada curta no par EUR/USD.

Amigo Nivadil, também detecto sinais dados para uma entrada a médio prazo curta mas nos entretantos o eur/usd ainda tem espaço para fazer um curto um pouco mais acima destes valores.
Abraço! ;)

Antunes

Citação de: berrio em Dezembro 10, 2007, 20:53
...
Antes de mais, duas notas estatisticas sobre o EurUsd em particular e os cambios em geral:
1. São processos de Hurst Persistentes. Ou seja, tem o "hábito" a sustentar a tendencia, e a probabilidade de ganharem suporte numa tendencia é superior às acções, processos de Hurst menos persistentes.
2. A volatilidade média do EurUsd diário é 100 pips. O ATR médio, aqui entendido por mim como medida de ruido normal, é aproximadamente igual a 90-100 pips. Isto quer dizer que movimentos que não se afastem das médias a mais destes valores podem ser considerados "normais", ruido e muito dados a whipsaws. Pessoalmente, tenho tendencia a olhar com desconfiança movimentos que não afastem muito destes valores, o que é o caso do moving average cross over no exemplo.

Totalmente de acordo.

Citação de: berrio em Dezembro 10, 2007, 20:53
Agora a questão fundamental: os fundamentais suportam o euro contra o dólar.
Depois da última reunião do BCE, onde se decidiu a manutenção das taxas de juro a 4 por cento, houve uma conferencia de imprensa onde se assistiu a um Trichet num tom muito "hawkish".
Pode-se resumir as suas declarações em 3 pontos chave:
1. Os fundamentais da economia europeia estão sólidos - bom crescimento do consumo e serviços a compensar a perda de competitividade do sector exportador, via euro;
2. Inflação muito fora do nivel de confiança do BCE, actualmente nos 3% YoY - relembrar que o tecto do BCE é 2% YoY - e com muitas pressões ascendentes
3. Não existe Credit Crunch na Europa, ao contrário dos EUA.

Relembrar que o terceiro ponto, a possibilidade de um credit crunch europeu, foi a única razão para o "wait and see" do BCE. Obviamente que o mercado entendeu a mensagem. Nas outras conferencias Trichet era ambiguo: "Ah e tal talvez existam riscos para o crescimento, problemas nos mercados financeiros...vamos ver". Desta vez foi peremptório, e o mercado percebeu a mensagem: Os contractos de futuros  Euribor têm vindo a reflectir essas mesmas expectativas de pelo menos 0,25 pontos base de subida na Euribor.

Totalmente em desacordo:

A influência da dupla "BCE & Trichet" no Forex é seguramente negligenciável. Eu diria mesmo que "BCE & Trichet" é o tal ruído de que o berrio fala.

Mas há mais:

O Forex não é só taxas de juros. É muito mais do que isso e, por isso, é que não é muito óbvio de perceber e negociar. 

O Fx é acima de tudo um mercado monetário onde se troca uma moeda por outra e, por isso, entram muitas outras variáveis para além das taxas de juros de cada moeda. Variáveis tais como a balança comercial, os actuais fundamentais de cada economia e as respectivas perspectivas futuras destes fundamentais e também o binómio procura/oferta fazem do Forex um mundo bastante complexo de perceber. 

Citação de: berrio em Dezembro 10, 2007, 20:53
Do outro lado do Atlantico temos o cenário oposto. Fed Funds rates futures já descontam a totalidade os 0,25 pontos base de descida, e começam a preçar 0,50 pontos base. O que é mais perigoso é que nos últimos dias, em especial hoje, o mercado também começou a preçar perto de 0,50 pontos base de descida "inesperada", o que coloca um problema à FED: os 0,25 pontos base que queriam podem não chegar para manter o mercado que já tem preçado mais do que esse corte. Alias, fed funds de Fevereiro de 2008 tem implicito que tens 0,25 descida agora e 0,25% de descida até Fevereiro.

Podemos argumentar contra ou favor das politicas monetárias dos dois blocos económicos de ambos os lados do atlantico, mas a verdade é que isso irá ter um efeito muito prático:
1. O dólar vai cair. E se o corte for superior a 0,25 pontos bases, esqueçam lá o euro a 1,47...façam mais as contas a 1,50.
2. As taxas na europa vão subir. O BCE nasceu do Bundensbank, e o Bundensbank era "inflaçãofóbico"... dizer a um banqueiro alemão que ele não combate a inflação é o equivalente a chamá-lo Nazi (Não esquecer: a Republica de Weimar, a seguir à primeira guerra mundial sofreu de Hiperinflação e colapso monetário devido à má politica do BC da altura, e dai uma das razões da Depressão e da ascensão de Hitler...mas isso fica para outro post)
3. As taxas nos EUA vão descer. A FED, por outro lado, tem fobia à deflação. Nunca irá permitir uma contracção da massa monetária a desalavancar dívida, por fobia ao que aconteceu na grande depressão.
4. Com o dólar a cair hard & soft commodities sobem, aumentando pressões inflaccionistas na zona Euro via inflação monetária e reforçando a posição do BCE (O secretário do estado do tesouro de Nixon brincava: "it's our currency but it's your problem"... Trichet está a dizer "It's your currency...It's your problem").

Todos os fundamentais suportam a subida do euro face ao dólar. Ok pode fazer correcção aqui e ali, mas 100 pips para cima e para baixo é o "normal" do animal em questão. Eu pessoalmente estaria a comprar nas correcções, não a vender.

Disclaimer: ATENÇÃO, que isto não constituiu uma recomendação de compra. Embora tenha EurUsd longo no meu portfolio cada um deve ter noção que Forex é o mercado mais perigoso deste lado da via lactea, em especial pela alavancagem excessiva.



Os fundamentais da economia europeia estão sólidos?? Humm, sinceramente acho que o Trichet tem muito a aprender com o Nixon porque não é isso que está a acontecer à maior economia Europeia, a Alemã, que relembre-se é fundamentalmente exportadora...
Cumprimentos,

Antunes