Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

As mensagens escritas no Phorum (1997-2002) estão guardadas aqui: /phorum3/

Menu principal

EUR/USD

Iniciado por Piloto, Outubro 13, 2005, 23:41

Tópico anterior - Tópico seguinte

berrio

CitaçãoA influência da dupla "BCE & Trichet" no Forex é seguramente negligenciável. Eu diria mesmo que "BCE & Trichet" é o tal ruído de que o berrio fala.

Como é que a influência da autoridade monetária máxima da moeda que já ocupa 25% das reservas mundiais de moeda pode ser negligenciável?!

Vamos cá ver uma coisa. Não é a primeira vez que outra moeda aspira a substituir o dólar como moeda de reserva. O Yene já aspirou a esse pódio. O franco suiço também. Mas nunca existiu uma moeda que tivesse activos suficientes com a sua denominação de modo a constituir uma base grande o suficiente para servir de reserva. O Euro tem essa base. Actualmente 25% das reservas são em euros, 40% em dólares. E estes valores estão a aumentar para o Euro e a diminuir para o dólar.

CitaçãoMas há mais:

O Forex não é só taxas de juros. É muito mais do que isso e, por isso, é que não é muito óbvio de perceber e negociar. 

Sem dúvida. É antes demais o mercado onde os agentes tentam "advinhar" o que a maioria dos economistas falha: a saúde da economia duma moeda. Seja crescimento, dívida, politica comercial, taxas de juro, inflação, tudo isso tem influência. No entanto, neste momento, as taxas de juro são um dos factores mais decisivos para esta crise.

CitaçãoOs fundamentais da economia europeia estão sólidos?? Humm, sinceramente acho que o Trichet tem muito a aprender com o Nixon porque não é isso que está a acontecer à maior economia Europeia, a Alemã, que relembre-se é fundamentalmente exportadora...

Aprender com o homem que por questões politicas deu origem ao único periodo inflaccionario americano em tempo de paz? Não, acho que Trichet tem muito a aprender com Paul Volker, o homem que partiu a espinha à inflação norte-americana nos anos 70. E acho que aprendeu...

A Alemanha é fundamentalmente exportadora? Sim, de produtos de alto valor acrescentado. Não há-de ser a questão cambial que irá colocar aquela máquina de exportação a falhar, ao contrário de por exemplo, Portugal. No entanto, também são uma sociedade de consumo. Essa fatia também conta. Têm um grande mercado interno. E não nos vamos esquecer que a Zona euro é o maior mercado interno do mundo a seguir à China. Aqui não à problemas de cambio entre os parceiros.

E mesmo assumindo a desacelaração, que é muito possivel, e que podemos patinar. Eu pergunto: É função do Banco Central tratar de fazer o "fine tunning" do crescimento? Eu acho que esta brincadeira da "bolha 2000 rebenta-imprime dinheiro-bolha imobiliaria nasce-toca a fazer subprime-bolha rebenta" começa com o "fine tunning".
Desculpa mas politica monetária é o equivalente financeiro a uma arma de destruição massiva. Não à explosões controladas. Mas o que todos propõem é "não senhor...brinque-se com a impressora para manipular a taxa de juro... o BCE é o cirurgião, quando tens um problema cardiaco". Pois bem, é o cirurgião, mas não tem um bisturi mas sim um martelo pneumático.

Nas aulas de socorrismo da cruz-vermelha um dia o meu instructor ensino-me uma coisa que ao principio me chocou: "Na presença de alguem com um choque eplilético a entaramelar a lingua, não metas os dedos na boca para tentar parar. Agarra-o, espera que ele perca a consciencia e depois reanima-o"... Frio? Sim bastante. Mas a explicação é simples: "enquanto ele tiver a asfixiar tu não o consegues ajudar, e provavelmente ficas sem dedos no processo...uma vez inconsciente tu sabes o que fazer".
Não querendo parecer muito frio aqui, o mesmo se pode dizer da economia, excepto que o ataque epilético chama-se "liquidez a mais e pressão inflaccionárias em cima duma bolha". Deixem a economia ficar incosciente e depois reanima-se, senão ficas sem dedos, que é como quem diz "estagflação". Já todos nos esquecemos dos anos 70? Politicas monetárias de "fine tunning". Resultado? final da década só tiveste uma opção: subir as taxas de juro. Ou tinhas recessão e a possibilidade de voltar à saude ou tinhas incerteza de preços e estagnação.
Não é, nem deve ser função do BCE preocupar-se com o crescimento alemão. Por isso é que o Estados devem correr excedentes em tempos de crescimento. De modo a permitir agir em contra ciclo e deixar que os "estabilizadores automáticos orçamentais" façam o seu trabalho contra ciclico. O própio Keynes não era a fazer deste uso "keynesiano" da politica monetária...
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

NIVADIL

Olá Berrio. Gostei da sua explicação aos dois gráficos que coloquei. Estou de acordo em relação à tendência do EURUSD no longo prazo.
O que quero dizer é que no curto prazo o par vai corrigir +/- 300 pips.
De resto inteiramente de acordo consigo sobre as explicações. Obrigado

Antunes

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
Como é que a influência da autoridade monetária máxima da moeda que já ocupa 25% das reservas mundiais de moeda pode ser negligenciável?!

É negligenciável, para mim pelo menos, pelas seguintes razões:

- Representa economias relativamente fracas e laggers relativamente ao bloco Anglo-Saxónico (EUA, UK, Canadá e Australia);

- Desempenha pela razão acima mencionada uma política monetária também ela lagger (Quem é que começa as tendências nas taxas de juros? Penso que a resposta é fácil: o bloco Anglo-Saxónico.)

- É um banco central ainda muito inexperiente.

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
Vamos cá ver uma coisa. Não é a primeira vez que outra moeda aspira a substituir o dólar como moeda de reserva. O Yene já aspirou a esse pódio. O franco suiço também. Mas nunca existiu uma moeda que tivesse activos suficientes com a sua denominação de modo a constituir uma base grande o suficiente para servir de reserva. O Euro tem essa base. Actualmente 25% das reservas são em euros, 40% em dólares. E estes valores estão a aumentar para o Euro e a diminuir para o dólar.

Exactamente e nenhuma delas conseguiu esse lugar. E o Euro também não deverá conseguir e sabe porquê? Porque, como já tive oportunidade de referir acima, representa economias relativamente fracas relativamente ao bloco Anglo-Saxónico (EUA, UK, Canadá e Australia)! Foi isso que aconteceu com o Yen que representa uma economia muito débil...

Alias já em 1990 o USD teve apenas 45% das revervas mundiais e não foi por isso que deixou de ser a moeda de reserva mundial até aos dias de hoje. Não quero dizer com isso que nunca o deixará de ser mas, para já, não vislumbro isso no horizonte...

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
Sem dúvida. É antes demais o mercado onde os agentes tentam "advinhar" o que a maioria dos economistas falha: a saúde da economia duma moeda. Seja crescimento, dívida, politica comercial, taxas de juro, inflação, tudo isso tem influência.

Exactamente. Quero apenas sublinhar que na rúbrica do crescimento, interessa aquele que é sustentado. E se há economia que lidera nessa rúbrica essa é a Americana! Finalmente, não podemos esquecer que existe no mínimo alguma manipulação... 

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
No entanto, neste momento, as taxas de juro são um dos factores mais decisivos para esta crise.

Aqui também discordo. As taxas de juro não irão resolver essa crise assim como não resolveram as outras: as taxas de juro apenas tentam atenuar os efeitos das crisesMas nalguns casos até as agravam como é o caso actualmente!

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
Aprender com o homem que por questões politicas deu origem ao único periodo inflaccionario americano em tempo de paz? Não, acho que Trichet tem muito a aprender com Paul Volker, o homem que partiu a espinha à inflação norte-americana nos anos 70. E acho que aprendeu...

Penso que Trichet tem muito que aprender com a frase mas não com o homem. A moeda é dos Americanos mas os problemas é para os exportadores Europeus e dos detentores das respectivas reservas. Enquanto isso os yankies vão tentando resolver o seu problema da balança comercial: só não o resolveram ainda porque os Asiáticos não se deixam ir na onda...

Citação de: berrio em Dezembro 11, 2007, 17:51
A Alemanha é fundamentalmente exportadora? Sim, de produtos de alto valor acrescentado. Não há-de ser a questão cambial que irá colocar aquela máquina de exportação a falhar, ao contrário de por exemplo, Portugal. No entanto, também são uma sociedade de consumo. Essa fatia também conta. Têm um grande mercado interno. E não nos vamos esquecer que a Zona euro é o maior mercado interno do mundo a seguir à China. Aqui não à problemas de cambio entre os parceiros.

E mesmo assumindo a desacelaração, que é muito possivel, e que podemos patinar. Eu pergunto: É função do Banco Central tratar de fazer o "fine tunning" do crescimento? Eu acho que esta brincadeira da "bolha 2000 rebenta-imprime dinheiro-bolha imobiliaria nasce-toca a fazer subprime-bolha rebenta" começa com o "fine tunning".
Desculpa mas politica monetária é o equivalente financeiro a uma arma de destruição massiva. Não à explosões controladas. Mas o que todos propõem é "não senhor...brinque-se com a impressora para manipular a taxa de juro... o BCE é o cirurgião, quando tens um problema cardiaco". Pois bem, é o cirurgião, mas não tem um bisturi mas sim um martelo pneumático.

Nas aulas de socorrismo da cruz-vermelha um dia o meu instructor ensino-me uma coisa que ao principio me chocou: "Na presença de alguem com um choque eplilético a entaramelar a lingua, não metas os dedos na boca para tentar parar. Agarra-o, espera que ele perca a consciencia e depois reanima-o"... Frio? Sim bastante. Mas a explicação é simples: "enquanto ele tiver a asfixiar tu não o consegues ajudar, e provavelmente ficas sem dedos no processo...uma vez inconsciente tu sabes o que fazer".
Não querendo parecer muito frio aqui, o mesmo se pode dizer da economia, excepto que o ataque epilético chama-se "liquidez a mais e pressão inflaccionárias em cima duma bolha". Deixem a economia ficar incosciente e depois reanima-se, senão ficas sem dedos, que é como quem diz "estagflação". Já todos nos esquecemos dos anos 70? Politicas monetárias de "fine tunning". Resultado? final da década só tiveste uma opção: subir as taxas de juro. Ou tinhas recessão e a possibilidade de voltar à saude ou tinhas incerteza de preços e estagnação.
Não é, nem deve ser função do BCE preocupar-se com o crescimento alemão. Por isso é que o Estados devem correr excedentes em tempos de crescimento. De modo a permitir agir em contra ciclo e deixar que os "estabilizadores automáticos orçamentais" façam o seu trabalho contra ciclico. O própio Keynes não era a fazer deste uso "keynesiano" da politica monetária...

Sim, não acredito que apenas a questão cambial seja grave para a Alemanha como economia porque esta é suficientemente forte para aguentar mas infelizmente a zona Euro só tem uma Alemanha.

Mas certamente que o está a ser para o seu sector exportador: se retirarmos uns 10-20% a um sector esse sector não gripa mas sofre, certo? Pois é isso que está a acontecer ao sector exportador Alemão e Europeu em geral porque não são apenas os EUA mas sim todo o continente Americano que está fechado para a exportação do €! E olhe que sei do que falo...  :o

Exactamente: foi precisamente esse fine tunning que nos levou ao ponto de situação actual. Só que agora vai ser muito pior do que teria sido em 2002/3 se a economia tivesse tido a oportunidade de funcionar na altura.

Agora vêm com uma nova teoria, a teoria do decoupling em que se gripar o motor principal, mudamos para o eléctrico e mantemos a mesma velocidade? Só se for no 2º life porque no 1º life se os gringos griparem:

- Os BRICs gripam (é nos períodos recessionários que se distinguem as fortes das fracas economias e a China faz-me lembrar o Japão na década de 80...);

- A zona Euro derrapa simplesmente porque todo o mundo também derrapa.


Cumprimentos,

Antunes

kiffen

Muito tenho eu aprendido com os vossos pontos de vista e contributo neste tópico(e outros), Berrio e Antunes.

O meu mto obrigado.

Bons Negócios.
TrUsT No OnE

berrio

Citação- É um banco central ainda muito inexperiente.

Será? Mito: a Fed foi o primeiro BC a agir em Agosto. Errado! O primeiro BC a agir em Agosto e a intervir nos Mercados Monetários foi o BCE, não a Fed nem o BoJ. E da última vez que reparei as pessoas que dirigem o BCE são as mesmas que dirigiam o Bundensbank, o Banco de França e outros. Não me cheira que sejam inexperientes em política monetária.

Citação- Desempenha pela razão acima mencionada uma política monetária também ela lagger (Quem é que começa as tendências nas taxas de juros? Penso que a resposta é fácil: o bloco Anglo-Saxónico.)

Lagger? Ou não acomoditicia? O BCE não é tão rápido a descer taxas de juro quando os bancos fazem porcaria? Graças a deus. Two words: Moral Hazard.

Citação- Representa economias relativamente fracas e laggers relativamente ao bloco Anglo-Saxónico (EUA, UK, Canadá e Australia);

Vai ver, por exemplo, o ranking dos 10 maiores bancos por activos no balanço. Em 10, 5 são europeus e 5 pertencem ao "bloco anglo-saxónico". Vai ver o ranking das maiores telecoms, maiores utilities, mineiras. No minimo estás ao mesmo nível.

O Super-SIV anda desesperado porque os bancos europeus mandaram o plano para o caixote do lixo. Porquê? Porque quem tem a experiencia e os contactos no mercado de derivados são os europeus não os americanos. Não fazes o Super-SIV sem o HSBC, UBS, Deutsche Bank e afins. E esses já estão a mandar o plano às urtigas...

CitaçãoExactamente. Quero apenas sublinhar que na rúbrica do crescimento, interessa aquele que é sustentado. E se há economia que lidera nessa rúbrica essa é a Americana! Finalmente, não podemos esquecer que existe no mínimo alguma manipulação...

Suntentado? Um país que vive de deficits crónicos, com poupança negativa - interna e externa - onde o crescimento é alimentado a 70% por consumo financiado por dívida, baseada num bolha imobiliária, que sobrevive à conta do "cartão de crédito platina" que o mundo lhe deu, fazendo as reservas em dólares, tem um crescimento sustentado?

CitaçãoPenso que Trichet tem muito que aprender com a frase mas não com o homem. A moeda é dos Americanos mas os problemas é para os exportadores Europeus e dos detentores das respectivas reservas. Enquanto isso os yankies vão tentando resolver o seu problema da balança comercial: só não o resolveram ainda porque os Asiáticos não se deixam ir na onda...

E aprendeu. Aprendeu que os americanos têm sempre o mesmo habito. "Temos uma crise? fomos longe demais na dívida e esquecemo-nos de que as dívidas se pagam? Bem resolve-se... enterre-se o dólar com taxas de juro baixas. O mundo ou acompanha ou importa a nossa inflação". Era a isso que a frase se referia - o efeito condutor do dólar na exportação da inflação americana aos seus parceiros, de modo a exportar a crise para outro lado. Trichet aprendeu, e não cedeu na politica monetária da zona Euro.

Citação
Agora vêm com uma nova teoria, a teoria do decoupling em que se gripar o motor principal, mudamos para o eléctrico e mantemos a mesma velocidade? Só se for no 2º life porque no 1º life se os gringos griparem:

- Os BRICs gripam (é nos períodos recessionários que se distinguem as fortes das fracas economias e a China faz-me lembrar o Japão na década de 80...);

- A zona Euro derrapa simplesmente porque todo o mundo também derrapa.

Nunca acreditei nesse teoria e já o disse neste forum: Isso é mito. Os EUA abrandam, os BRIC vão pelo mesmo caminho e nós na Europa ficamos dependentes do nosso mercado interno e da saúde do nosso sistema financeiro.

CitaçãoExactamente: foi precisamente esse fine tunning que nos levou ao ponto de situação actual. Só que agora vai ser muito pior do que teria sido em 2002/3 se a economia tivesse tido a oportunidade de funcionar na altura.

É provavel. Muito provavel. E eu respondo: So be it! Que venha a recessão, que se limpem os balanços, que se esvaziem as bolhas sucessivas nas últimas décadas!! Não podemos andar de bolha em bolha. Quanto mais tempo atrasar-mos as coisas, mais vai doer.
Já aqui o disse e repito: Um recessão é o equivalente económico a um "febre". É o corpo a combater a infecção.

Agora, vai a Europa aterrar de cara no chão com força? Isso desculpa já não acredito, ao contrário dos EUA. Não exportamos para as Américas, veridico. Acredito quando dizes que eles estão fechados. Os BRIC patinam? Ah sem sombra de dúvidas. A China ainda não é auto-sustentavel. Se o fosse, eles subiam o cambio, corrigiam facilmente a inflação e deixavam a economia correr com consumo e esvaziavam sem dor a bolha. Não o podem fazer e sabem-no. Mas nós ainda temos o mercado interno europeu. Não vais crescer a 2%. Muito provavel. Provavelmente não chegas a 0,5% se os EUA forem realmente contra a parede, com uma recessão de consumo. No entanto, não tens a deflação monetária a comprimir os balanços. Muito pelo contrário: como não andaste entretido a imprimir notas - graças aos "inexperientes governadores do BCE"- tens algum espaço para a "reanimação"...

De todos os blocos económicos que vão a abrandar/espetar-se no chão, a UE é o menos vulnerável a este choque. Não estou a dizer que não vamos sentir, mas vamos sentir menos que os americanos e os BRIC. Esse é o meu ponto.

PS: E FINALMENTE, vejo alguém que partilha o meu ponto de vista: a China parece mesmo o Japão na década de 80  :-\
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

Antunes

#185
Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Será? Mito: a Fed foi o primeiro BC a agir em Agosto. Errado! O primeiro BC a agir em Agosto e a intervir nos Mercados Monetários foi o BCE, não a Fed nem o BoJ. E da última vez que reparei as pessoas que dirigem o BCE são as mesmas que dirigiam o Bundensbank, o Banco de França e outros. Não me cheira que sejam inexperientes em política monetária.

Berrio,

Este tipo de intervenções - injectando liquidez no mercado monetário à bombeiro - não são as que melhor caracterizam a experiência dos BC's...

O BCE é relativamente inexperiente como instituição pelo simples facto de  só existir desde junho de 1998. A FED e o BOE existem há décadas.

Mas quando falei de experiência, referia-me à política de taxas de juros destes BC's (ver gráficos). Como se pode ver, o BCE acaba sempre por fazer mais tarde o que a FED e o BOE iniciaram há meses atrás - por motivos válidos ou não.

Mas pode até não ser inexperiência: pode ser por terem objectivos não totalmente coincidentes ou diferentes prioridades para cada um desses objectivos... Sinceramente não sei nem quero saber porque relembro, na minha opinião, a FED é o maestro, o BOE é o pianista e o BCE apenas um violonista.
Cumprimentos,

Antunes

Antunes

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Lagger? Ou não acomoditicia? O BCE não é tão rápido a descer taxas de juro quando os bancos fazem porcaria? Graças a deus. Two words: Moral Hazard.

Pois mas também são laggers nas políticas restritivas como se pode ver nos gráficos do meu post anterior.

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Vai ver, por exemplo, o ranking dos 10 maiores bancos por activos no balanço. Em 10, 5 são europeus e 5 pertencem ao "bloco anglo-saxónico". Vai ver o ranking das maiores telecoms, maiores utilities, mineiras. No minimo estás ao mesmo nível.

O Super-SIV anda desesperado porque os bancos europeus mandaram o plano para o caixote do lixo. Porquê? Porque quem tem a experiencia e os contactos no mercado de derivados são os europeus não os americanos. Não fazes o Super-SIV sem o HSBC, UBS, Deutsche Bank e afins. E esses já estão a mandar o plano às urtigas...

O Super-SIV foi apenas uma tentativa de por alguma água na fervura e de não haver pánico porque as perdas essas são inevitáveis e terão de aparecer mais tarde ou mais cedo. O que o HSBC fez penso que é o caminho certo. Agora mais uma vez, os Americanos passaram a perna ao mundo porque o sub-prime é invenção deles mas as perdas vão ser distribuidas por vários continentes...  8)

Quanto ao resto do teu post amanhã irei ler com atenção e responder.

Abraço,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

Antunes

#187
Citação de: berrio em Dezembro 10, 2007, 20:53
...
Agora a questão fundamental: os fundamentais suportam o euro contra o dólar.
Depois da última reunião do BCE, onde se decidiu a manutenção das taxas de juro a 4 por cento, houve uma conferencia de imprensa onde se assistiu a um Trichet num tom muito "hawkish".
Pode-se resumir as suas declarações em 3 pontos chave:
1. Os fundamentais da economia europeia estão sólidos - bom crescimento do consumo e serviços a compensar a perda de competitividade do sector exportador, via euro;
2. Inflação muito fora do nivel de confiança do BCE, actualmente nos 3% YoY - relembrar que o tecto do BCE é 2% YoY - e com muitas pressões ascendentes
3. Não existe Credit Crunch na Europa, ao contrário dos EUA.

Relembrar que o terceiro ponto, a possibilidade de um credit crunch europeu, foi a única razão para o "wait and see" do BCE. Obviamente que o mercado entendeu a mensagem. Nas outras conferencias Trichet era ambiguo: "Ah e tal talvez existam riscos para o crescimento, problemas nos mercados financeiros...vamos ver". Desta vez foi peremptório, e o mercado percebeu a mensagem: Os contractos de futuros  Euribor têm vindo a reflectir essas mesmas expectativas de pelo menos 0,25 pontos base de subida na Euribor.

Não há credit crunch na Europa!? Se é Trichet a dizer isso, é bem prova da sua inexperiência porque agora parece que já veio dizer outra coisa (http://www.ft.com/cms/s/0/351966b8-a8ed-11dc-ad9e-0000779fd2ac.html?nclick_check=1):

"ECB warns of danger of a wider squeeze

The eurozone's 21 largest banks hold €244bn (£175bn, $359bn) in off-balance sheet assets that may have to be brought back on to their balance sheets and could trigger a credit squeeze in the wider economy, the European Central Bank warned on Wednesday.

Fears that banks could be forced to take these assets on to their books have fuelled the liquidity squeeze.

Liquidity in the inter-bank money markets has dried up as banks have shored up funds as a precaution to taking these assets on their books, the ECB said in its biannual report on financial stability in the eurozone.

The ECB said the top 21 banking groups in the eurozone faced additional funding requirements of €244bn if they had to take their total exposure to asset-backed commercial paper and leverage loans - asset classes that have been the hardest hit by the credit crunch - back on their books.

With an average exposure of €11.1bn or 6 per cent of loans, the ECB said all banks would remain adequately solvent even if all assets were downgraded from their current mostly high ratings of AAA and AA to below investment grade and transferred to balance sheets. But it warned that could raise the banks' own funding costs, forcing them to cut payouts to shareholders and seek new capital. It could also erode banks' ability to lend, which could foster "a credit crunch in the wider economy."

Apetece-me escrever ao homem:

"Mon chèr Trichet:

Dans la globalization des marchés financiés, les credit crunch ne sons pas isolés! 

...
"

;D

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Vai ver, por exemplo, o ranking dos 10 maiores bancos por activos no balanço. Em 10, 5 são europeus e 5 pertencem ao "bloco anglo-saxónico". Vai ver o ranking das maiores telecoms, maiores utilities, mineiras. No minimo estás ao mesmo nível.

O Super-SIV anda desesperado porque os bancos europeus mandaram o plano para o caixote do lixo. Porquê? Porque quem tem a experiencia e os contactos no mercado de derivados são os europeus não os americanos. Não fazes o Super-SIV sem o HSBC, UBS, Deutsche Bank e afins. E esses já estão a mandar o plano às urtigas...

Não sei quais são esse 5 Europeus de que falas mas estás concerteza a incluir pelo menos 1 Inglês - o HSBC - que pertence ao bloco Anglo-Saxónico e 1 ou 2 Suiços - o UBS e/ou o Credit Suisse - que também não pertencem à esfera de controlo do BCE... Do bloco da zona Euro terás apenas o Deutsche Bank, o Santander e mais outro, talvez o BNP Paribas...

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Suntentado? Um país que vive de deficits crónicos, com poupança negativa - interna e externa - onde o crescimento é alimentado a 70% por consumo financiado por dívida, baseada num bolha imobiliária, que sobrevive à conta do "cartão de crédito platina" que o mundo lhe deu, fazendo as reservas em dólares, tem um crescimento sustentado?

Isso foram os excessos criados por 2 bolhas consecutivas: sendo a maior e mais dinâmica economia do mundo é também aquela que apresenta mais excessos internos e desiquilibrios externos.

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
E aprendeu. Aprendeu que os americanos têm sempre o mesmo habito. "Temos uma crise? fomos longe demais na dívida e esquecemo-nos de que as dívidas se pagam? Bem resolve-se... enterre-se o dólar com taxas de juro baixas. O mundo ou acompanha ou importa a nossa inflação". Era a isso que a frase se referia - o efeito condutor do dólar na exportação da inflação americana aos seus parceiros, de modo a exportar a crise para outro lado. Trichet aprendeu, e não cedeu na politica monetária da zona Euro.

Sim, foi mais contido na política acomodatícia, sem dúvida. Mas também o está a ser na política restrictiva. No fundo, num mundo cada vez mais globalizado, os BC's dos países desenvolvidos têm obrigatoriamente de actuar em coerência uns com os outros.

Por isso não estou a ver o BCE a subir mais os juros mas sim a descê-los dentro de 6 a 9 meses...

Citação de: berrio em Dezembro 12, 2007, 13:35
Nunca acreditei nesse teoria e já o disse neste forum: Isso é mito. Os EUA abrandam, os BRIC vão pelo mesmo caminho e nós na Europa ficamos dependentes do nosso mercado interno e da saúde do nosso sistema financeiro.

É provavel. Muito provavel. E eu respondo: So be it! Que venha a recessão, que se limpem os balanços, que se esvaziem as bolhas sucessivas nas últimas décadas!! Não podemos andar de bolha em bolha. Quanto mais tempo atrasar-mos as coisas, mais vai doer.
Já aqui o disse e repito: Um recessão é o equivalente económico a um "febre". É o corpo a combater a infecção.

Agora, vai a Europa aterrar de cara no chão com força? Isso desculpa já não acredito, ao contrário dos EUA. Não exportamos para as Américas, veridico. Acredito quando dizes que eles estão fechados. Os BRIC patinam? Ah sem sombra de dúvidas. A China ainda não é auto-sustentavel. Se o fosse, eles subiam o cambio, corrigiam facilmente a inflação e deixavam a economia correr com consumo e esvaziavam sem dor a bolha. Não o podem fazer e sabem-no. Mas nós ainda temos o mercado interno europeu. Não vais crescer a 2%. Muito provavel. Provavelmente não chegas a 0,5% se os EUA forem realmente contra a parede, com uma recessão de consumo. No entanto, não tens a deflação monetária a comprimir os balanços. Muito pelo contrário: como não andaste entretido a imprimir notas - graças aos "inexperientes governadores do BCE"- tens algum espaço para a "reanimação"...

De todos os blocos económicos que vão a abrandar/espetar-se no chão, a UE é o menos vulnerável a este choque. Não estou a dizer que não vamos sentir, mas vamos sentir menos que os americanos e os BRIC. Esse é o meu ponto.

PS: E FINALMENTE, vejo alguém que partilha o meu ponto de vista: a China parece mesmo o Japão na década de 80  :-\


Exactamente e, em princípio, a saúde do nosso sistema financeiro deve estar melhor do que a dos yankies mas não é de descartar que uma das próximas grandes instituições a falhar até seja Europeia: o Deutsche Bank está no topo na minha lista "The most probable of the next big failures"...   :o

E infelizmente a zona Euro tem demasiadas economias fracas como é o caso da nossa, da Grega, da Italiana e até da Francesa, isto para não falar nos países que entraram recentemente...
Cumprimentos,

Antunes

bluexip

#188
viva,

a minha contribuição.

euro a formar um H&S. target nos 1,42-43
dx a quebrar a MM50 após aguentar nivel suporte dos 76. target 77,5/78

usd/yen tb já quebrou em alta um nivel muito importante pelos 111,6.

cumprimentos,
bluexip

PS: caso o H&S em formação seja inviabilizado com uma ida acima dos 1,475 teremos um setup de failure com movimento forte do euro a 1,53.
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

bric

Dec. 14 (Bloomberg) -- The dollar advanced the most against the euro since June 2004 after the biggest increase in consumer inflation in two years prompted traders to pare expectations for interest-rate reductions.

The dollar gained against 13 of the 16 most-actively traded currencies as futures show the probability of a Federal Reserve rate cut in January declined from 100 percent. The U.S. currency has risen 1.5 percent against the euro over the past five days, the biggest weekly increase since August.

``The fundamental picture started to move in the dollar's favor,'' said Michael Malpede, a senior currency analyst in Chicago at MF Global Ltd., the world's largest broker of exchange-traded futures and options contacts. ``Inflation is picking up, making it difficult for the Fed to aggressively cut interest rates.''

Against the euro, the dollar rose 1.5 percent to $1.4415 at 2:19 p.m. in New York, from $1.4633 yesterday. It strengthened to 113.46 yen from 112.21. The dollar touched $1.4412 per euro and 113.60 yen, both the strongest levels since November. The euro fell to 163.54 yen from 164.21.

The pound weakened to $2.0159 from $2.0414 yesterday. The Swiss franc declined to 1.1540 per dollar from 1.1412.

Interest-rate futures on the Chicago Board of Trade show traders have reduced bets on Fed rate cuts. The chances the Fed will lower its benchmark rate by a half-percentage point to 3.75 percent in the next three months are 37 percent, from 61 percent a week ago. The odds of a quarter-percentage point cut to 4 percent next month are 78 percent.

Krone, Rand, Australia

Currencies in Norway, South Africa, and Australia declined against the yen as rising inflation cut the outlook for global growth, pushing investors to pare holdings of higher-yielding assets funded by loans in Japan. A decrease in oil and gold also reduced the appeal of financial assets in these commodities- exporting nations.

South Africa's rand led declines among the 16 major currencies against the yen, losing 1 percent. Norway's krone and the Australian dollar fell 0.9 percent and 0.5 percent, respectively. Against the dollar, the krone weakened 2 percent while the rand dropped 2.2 percent.

The dollar's gain this week pared its loss this year to 8.5 percent against the euro. The Fed's three interest-rate cuts since September have dimmed the allure of U.S. financial assets. The euro rose to a record high of $1.4967 on Nov. 23.

U.S. Dollar Index

The U.S. Dollar Index traded on ICE Futures in New York rose 1.2 percent to 77.465. It earlier touched 77.485, the highest since Oct. 25. The gauge has rebounded from 74.484 on Nov. 23, the weakest since it started trading in 1973. The dollar will strengthen to $1.43 per euro by the end of the month, according to Malpede.

The dollar advanced 1.6 percent against the yen this week, heading for a third weekly gain, as stronger-than-forecast growth in U.S. retail sales and industrial production allayed concern that credit-market turmoil and a housing slump will curb economic growth.

The yen's decline against the dollar started today after a Bank of Japan survey showed business confidence declined for the first time since March, reducing the case for the central bank to raise borrowing costs from 0.5 percent, the lowest among industrialized nations.

The dollar's gain against the euro accelerated earlier after breaching a key resistance level at $1.4650, said Toshi Honda, a currency strategist in London at Mizuho Corporate Bank Ltd. A break above a resistance level may lead to new highs, according to technical analysis that uses price charts to forecast currency movements.

`Too Rapid, Irrational'

``The move approaching $1.50 was too rapid, irrational,'' Honda said. ``It was driven by fear of a U.S. economic meltdown, but I don't think the fear is going to be materialized. The overall sentiment is positive for the dollar.''

He predicted euro-dollar will end the year below $1.40.

The dollar was helped this week by a coordinated plan led by the Fed to alleviate the credit crunch and the U.S. central bank's third cut in interest rates this year to avert a recession in the world's largest economy.

U.S. consumer prices increased 0.8 percent last month after a 0.3 percent gain in October. The median forecast in a Bloomberg News survey was 0.6 percent. Producer prices rose the fastest in 34 years last month, data showed yesterday.

The U.S. currency will reach $1.45 per euro by the end of March and $1.40 by the end of 2008, according to the median forecast of 44 economists in a Bloomberg survey.

The Chinese yuan posted its biggest weekly advance in more than a month as Chinese officials signaled they're willing to allow faster appreciation to cool economic growth.

The yuan rose 0.43 percent this week to 7.3715 per dollar, compared with 7.3692 yesterday and 7.4030 a week ago, according to the China Foreign Exchange Trade System.



obs: altura de pensar no ouro em janeiro :o
cumprimentos
bric

NIVADIL

Boas noites,
Tal como expliquei a 10 e 11 de Dezembro, o EURUSD, tinha margem de +/- 300 pips. Pois bem, hoje foram alcançados esses mesmos 300 pips.
E agora, o que fazer?
Esperar por nova inversão, para entrar longo no par, e ganhar mais 300 pips ou, se calhar 400/500.
Bons negocios

bluexip

viva,

penso que está eminente mais um disparo no dolar.

temos um inside day no eur/usd em minimos de um swing down com projecção de H&S por cumprir e consolidação com range diminuto no DX na resistencia dos 77,5.

deverá acontecer ainda hoje ou amanha.

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

Comentador


Viva Bluexip,

Muitíssimo bem analisado. O USD Index disparou mesmo há vinte minutos e agora está já a tentar passar a zona de turbulência antes dos 78. Pode haver algum pullback mas o movimento está lá.

Vim só aqui para te dar os parabéns. Pois embora concordemos que no curto prazo o USD Index está a corrigir a grande descida, e esta subida não seja uma surpresa, o teu timing de análise e convicção foi excelente.

Um ponto bem merecido.

Abraço
Comentador

bluexip


obrigado pelas palavras e pelo ponto Comentador ;)

agora é a parte mais dificil... já devemos ter feito uns 75% do potencial deste movimento de curto prazo e o euro pode fazer agora um double bottom acima dos 1,43... amanha o PIB americano pode ajudar a que haja aqui "brincadeira".

é que os 80-81,5 no dolar indice ainda estão longe e não devem ser feitos de uma só vez e os niveis actuais são propícios a uma nova inversão contra o dolar para irmos fazer um higher low no DX (num movimento down de "remorços"/duvida).

convém estar com o dedo no gatilho agora.

cumprimentos,
bluexip



Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street

Cubriclas

Sempre fui admirador e amigo do bluexip desde os tempos do mirc...por isso vai um ponto! ;)