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No futuro dólar ou euro....?

Iniciado por xubi2, Maio 04, 2008, 00:59

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DUARTINI

No futuro nem euro nem dólar. Por isso fica sem efeito. Agora a mãe de todas as crises não é esta e então fui safo pela tempestade. De 9 mil faço 300 mil. E esta hein? beijinhos e abraços. Com certeza.
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xubi2

#16



Crise leva Rússia e Alemanha a questionar supremacia dos EUA




O presidente russo, Dmitri Medvedev, propôs hoje à chanceler alemã, Angela Merkel, a criação de um novo sistema financeiro que deixe de lado a supremacia dos Estados Unidos.

"Os problemas gerados pela crise financeira demonstram que a era do domínio de uma só economia e de uma só divisa ficou no passado", disse Medvedev durante um fórum político em São Petersburgo.

Medvedev criticou as políticas e o modelo econômico aplicado pelos EUA nos últimos anos, pelo qual, segundo ele, "quase todos" os países "estão pagando" atualmente.

"Devemos trabalhar juntos na formação de um sistema econômico e financeiro mundial novo e mais justo, e lutar para que isso se baseie nos princípios do multilateralismo, na supremacia da lei e no respeito mútuo dos interesses".

Na opinião do chefe de Estado, "para solucionar a crise atual, gerada em considerável medida pelo egoísmo financeiro", são necessárias "medidas coletivas", conforme informou a agência "Interfax".

"Os últimos eventos demonstram que nenhum país", por mais poderoso que seja, "pode se fazer de megaregulador. Por isso, necessitamos de novos mecanismos de adoção de decisões coletivas e de responsabilidade coletiva", afirmou.

Medvedev ressaltou que os problemas financeiros não devem ser discutidos apenas no marco do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais ricos do mundo e a Rússia), já que é preciso "incluir também outras grandes nações que têm muito o que dizer no mundo financeiro".

"O atual sistema não cumpre com sua tarefa de manter a estabilidade financeira (...) e não garante que um ou outro país não tome decisões que, como conseqüência, provoquem uma reação em cadeia nos mercados internacionais", disse.

O líder russo pediu a todos os países que não se escondam "após os antigos esquemas" e criticou o G8 por não reagir "muito mais rápido" durante sua última cúpula, em julho, no Japão.

"Poderiam ter enfreado as seqüelas dos processos de crise que explodiram nos EUA e que se propagaram em cadeia a outras economias", ressaltou.

Por isso, ele encorajou Merkel a cooperar na criação de centros financeiros alternativos aos existentes, nos quais as "regras seriam as mesmas para todos".

Os dois governantes coincidiram sobre a necessidade de novas normas para os mercados de valores e novos mecanismos internacionais de gestão de crise, devido à grande "interdependência" econômica que existe devido à globalização.

Seu antecessor no cargo e atual primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou ontem os EUA de serem "incapazes" de tomar as medidas necessárias para frear a atual crise financeira.

"Não é" apenas a "irresponsabilidade de funcionários", mas principalmente a "irresponsabilidade do sistema, que, como se sabe, pretendia ser líder mundial", disse Putin durante uma reunião do Governo russo.

Já Medvedev voltou a pôr hoje sobre a mesa sua iniciativa de assinar um novo acordo de segurança europeu, que não acabaria com as estruturas já existentes.

"Infelizmente, os acontecimentos no Cáucaso demonstraram que o atual sistema de segurança global não é capaz de prevenir aventuras militares e devemos fazer tudo que for possível para criar uma moderna e confiável arquitetura de segurança para o futuro", afirmou.

Medvedev também negou que Moscou deseje o retorno à Guerra Fria. "Pode ser que alguém deseje retornar à primitiva divisão do mundo (...) mas nós consideramos que não há razões" para construir "novos muros em Berlim", comentou.

Já Merkel afirmou que atualmente "não existe o sistema de segurança de que o mundo necessita" e é preciso "reforçar a ONU e o Conselho de Segurança e, talvez, dotar o FMI de novas funções".

Além disso, tanto o presidente russo quanto a chanceler alemã apoiaram o projeto do Gasoduto da Europa do Norte (NEGP), considerado o maior do continente e que deve começar a bombear gás a partir de 2010.

"Necessitamos deste projeto. É importante não só para a Alemanha, mas para muitos outros países europeus", disse Merkel.

Quanto à situação no Cáucaso, a chanceler criticou a reação "desproporcional" da Rússia no conflito bélico com a Geórgia, afirmou que a integridade territorial desse país não é negociável e pediu a Moscou que restabeleça a confiança em suas relações com o Ocidente.

Além disso, defendeu um maior papel dos observadores internacionais na região, e se mostrou partidária de um "diálogo preventivo" para evitar conflitos em áreas como Kosovo e Bósnia.





xubi2



A Rússia continua a mobilizar esforços e apoiantes para a criação de uma no divisa, termos-um dólar condenado? ou haverá força e poder para conseguir ultrapassar toda esta crise sem macula? continuo a defender  a tese de uma moeda comum em todo mundo como forma de diminuiçao de desiguldades entre povos e paises, a semelhança do euro na Europa!


Lula propõe troca comercial com a China em moeda local

DANIELA MILANESE - Agencia Estado

LONDRES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que propôs ontem ao presidente da China, Hu Jintao, que as trocas comerciais entre os dois países sejam feitas em moedas locais, mecanismo já adotado com a Argentina. O presidente brasileiro esteve reunido com o chinês ontem depois do encontro da Cúpula do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, representadas por 19 países desenvolvidos e emergentes e pela União Europeia), em Londres.



Lula visitará a China no dia 19 de maio, quando espera que as conversas sobre o tema avancem. Para ele, a medida poderia significar uma nova fase nas relações comerciais com o país asiático.



O presidente defendeu a busca de alternativas ao dólar. "Precisamos criar novos mecanismos para que não fiquemos tão dependentes do dólar." Ele contou que propôs ontem ao presidente da China, Hu Jintao, que as trocas comerciais entre os dois países sejam feitas em moedas locais.



Lula reconheceu dificuldade de implementação da proposta, pois os bancos centrais de cada país têm suas regras específicas. Mas, afirmou que é preciso buscar uma solução, tanto que é por este motivo que a China e a Rússia propõem a criação de uma nova moeda de reserva internacional, medida apoiada pelo Brasil.



Para o presidente, a crise criou uma situação extraordinária, porque o dinheiro está saindo dos países emergentes para a compra de títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries), porque o dólar é a moeda universal, o que é um contrassenso. "Pela lógica, o dinheiro deveria estar fugindo dos EUA para os títulos do Tesouro brasileiro, porque temos uma economia muito mais sólida", disse ele.



Lula afirmou que a proposta feita à China tem o objetivo de facilitar o comércio externo, já que os empresários brasileiros não precisariam ficar atrás do dólar para fazer as transações.


E porque?


Dependência de petróleo e gás ameaça desempenho da Rússia como potência econômica


A Rússia terá que diversificar sua economia, hoje altamente dependente dos recursos energéticos, para voltar a crescer na próxima década, afirmam analistas ouvidos pela BBC Brasil. O país é o que mais sofre com os efeitos da crise financeira internacional entre os países do grupo BRIC.

Para Jim O'Neill, economista da Goldman Sachs que cunhou o termo BRIC, a alta dependência do país por petróleo e gás tornou a Rússia o mais vulnerável entre os quatro integrantes do BRIC às turbulências externas.

"A Rússia definitivamente terá que mudar. Esta crise demonstrou que o país é dependente demais do petróleo e que precisa se afastar disso", disse O'Neill em entrevista à BBC Brasil.

Dona da maior reserva de gás natural do mundo e da segunda maior de petróleo, a Rússia tem 60% de suas exportações sustentadas pelo setor energético. O país também é grande produtor de outras matérias primas, como metais e madeira, tendo se beneficiado, como o Brasil, da alta no preço das commodities nos últimos anos.

Um dos maiores efeitos da crise global foi a redução da demanda pelas commodities, levando os preços de vários produtos a despencar no mercado internacional. O barril de petróleo, que chegou a custar US$ 140 em julho de 2008, no final de março estava sendo cotado a menos de US$ 53.

Competitividade

Segundo especialistas, um dos primeiros passos para o Kremlin diversificar a economia será aumentar seu leque de investimentos dentro do setor energético, baseado principalmente na extração de petróleo e gás.

"Se a Rússia quer se especializar em energia, terá que investir no potencial tecnológico de outras áreas relacionadas ao setor, como fontes alternativas de energia, conservação e processamento", avalia Dmitri Trenin, diretor do instituto Carnegie Centre, em Moscou.

O analista reforça que para poder competir com outros países e se destacar no cenário econômico internacional, a Rússia ainda precisará canalizar recursos para outras áreas, como inovação tecnológica, informação e tecnologia aeroespacial.

Um ranking de competitividade industrial elaborado pela Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido, na sigla em inglês), colocou a Rússia em 66º lugar em uma lista de cem países. O país ocupou a pior colocação entre os BRIC, ficando bem atrás de China (26º), Brasil (39º) e Índia (40º).

O próprio Kremlin já reconheceu que para continuar crescendo até 2020, a Rússia terá que sair da inércia do desenvolvimento baseado nos recursos energéticos e outras commodities.

Em um discurso para o Conselho de Estado russo pouco antes de deixar a Presidência e ocupar o cargo de primeiro-ministro, em março do ano passado, Vladmir Putin disse que a posição da Rússia como exportador mundial de commodities pode, no futuro, "deixar o país atrás das maiores potências econômicas e de fora do grupo dos maiores líderes mundiais".

Durante os anos de prosperidade econômica, o Kremlin aumentou sua atuação no setor de energia, estatizando várias empresas. Como resultado, acumulou dívidas gigantescas e fez poucos investimentos na exploração de novas reservas.

Na opinião de especialistas, o futuro da Rússia como potência energética vai depender da vontade do Kremlin de abrir as portas para os investimentos estrangeiros.

"A grande questão para a próxima década será saber se o país vai se abrir para os investimentos externos no setor energético. Do contrário, será muito difícil desenvolver aquilo que constituiu o bem mais poderoso da Rússia, que são as commodities", afirma a cientista política Masha Lipman.

Efeitos da crise

A crise financeira internacional expôs as vulnerabilidades da economia russa a turbulências externas. Um dos efeitos mais perversos tem sido o desemprego, que no mês passado chegou a 8% da população ativa, atingindo seis milhões de trabalhadores.

A produção industrial caiu 20% nos últimos seis meses. O rublo, a moeda local, se desvalorizou pela metade, aumentando a inflação, que segundo números oficiais chega a 13,9%.

Em 2007, a economia cresceu 8,1%, o melhor desempenho da década, seguido pela aceleração, já freada pela crise, de 6% em 2008.

Para 2009, projeções do Banco Mundial indicam que a economia russa vai encolher 3% e, para 2010, o crescimento deverá ser de 0%. Mais otimista, o governo russo aposta em uma contração de 2,2% para este ano.

Os anos de crescimento econômico da última década encheram os cofres do governo, que hoje está canalizando cerca de US$ 600 bilhões em reservas para salvar empresas em dificuldades.

Alguns analistas duvidam da capacidade da Rússia de sobreviver à crise. Para opositores do Kremlin, o futuro do país é cercado de incertezas.

"Eu não acredito que diante das atuais dificuldades financeiras, a Rússia pode ter um papel político e econômico importante nos próximos anos antes que encontre uma solução para a crise", afirma Vladmir Milov, que integra o movimento político oposicionista 'A Outra Rússia' e preside o think-tank russo Institute of Energy Policy.

o site da BBC Brasil


Alemanha e Rússia: G-20 deve iniciar esforço reforma global

'É necessário que fique claro que a arquitetura financeira global precisa mudar', disse Angela Merkel

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disseram depois de se reunirem em Berlim que o encontro de cúpula do G-20 - das maiores economias industrializadas e em desenvolvimento - deve marcar o início dos esforços para reformar a arquitetura financeira mundial.


"É necessário que fique muito, muito claro que a arquitetura financeira global" precisa mudar de tal forma a evitar outra crise, disse Merkel. "Você pode dizer que estamos diante de uma encruzilhada", disse. "Em um certo momento, temos de parar e ver: a Europa implementou? Os EUA implementaram? A Rússia implementou? A China? Porque a coisa toda vai apenas funcionar se todos fizerem a lição de casa quando voltarem para casa", acrescentou.



Medvedev concordou: "Em nossa visão o ponto principal é assegurar que o trabalho da cúpula do G-20 não seja completada com a declaração final". "Para nós, é extremamente importante que o trabalho futuro leve à mudanças irreversíveis, mudanças positivas", disse.



Ambos os líderes disseram que vão para o encontro de cúpula do G-20 em Londres nesta semana com ideias muito similares sobre o que deve ser feito. O encontro tem como objetivo tirar a economia mundial de seu pior declínio em décadas e reescrever as regras financeiras.



O Kremlin divulgou um conjunto de propostas para revisar a ordem econômica global, incluindo planos para uma moeda supranacional que possa substituir o dólar como moeda de reserva. A China tem ideias similares.



Mas o presidente dos EUA, Barack Obama, diz que não vê porque o dólar deva ser substituído e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse que o encontro de cúpula terá questões mais imediatas para discutir.



Um funcionário sênior do governo da Alemanha também descartou a proposta, dizendo que "não seria uma questão".



Otan



O encontro entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, em Berlim, também abordou as questões de segurança antes do encontro de cúpula em celebração ao 60º aniversário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que será realizado na sexta-feira, 3, e no sábado, 4, na França e na Alemanha.



A Rússia não faz parte da Otan e Medvedev não estará em Estrasburgo (França) e nas cidades de Baden-Baden e Kehl (Alemanha) para o encontro que terá a participação do presidente dos EUA, Barack Obama.



Manter a amizade da Rússia é uma consideração importante para a missão cada vez mais dura da Otan no Afeganistão. A Alemanha tem cerca de 3.500 tropas e é um dos 41 países que mantêm 60 mil soldados que integram a Força Internacional de Assistência de Segurança comandada pela Otan.



Os EUA têm um adicional de 10 mil soldados no Afeganistão sob comando separado e o Obama prometeu enviar outros 21 mil soldados.



Em fevereiro, o Quirguistão ordenou o fechamento de uma grande base aérea dos EUA em seu território, que Washington usa como ponto central para suas operações no Afeganistão.



Analistas disseram que o anúncio, que desde então o Quirguistão suavizou, está atrelado à oposição da Rússia aos movimentos militares dos EUA na região e uma oferta de Moscou de US$ 2,3 bilhões em ajuda e empréstimos.



Não menos importante, Merkel e Medvedev também trataram da questão do gás. Em janeiro, a Rússia cortou a oferta de gás para a Europa, exportado via Ucrânia, em meio a uma disputa de preço com Kiev, deixando milhões de pessoas na Europa Central e dos Bálcãs sem aquecimento no meio do inverno.



A Alemanha é a maior economia da zona do euro e a maior compradora de gás da Rússia da Europa, em termos de volume, e depende de Moscou para quase 40% de sua necessidade.



A crise deixou o governo alemão ainda mais interessada no desenvolvimento de um projeto de oleoduto Alemanha-Rússia, conhecido como Fluxo Nórdico, que transportará o gás direto da Rússia para o norte da Alemanha, por baixo do mar Báltico, portanto, contornando a Ucrânia. As informações são da Dow Jones.




Para onde vai a crise econômica global?



O anúncio de que os líderes mundiais dos países desenvolvidos e "emergentes" — o G-20 — voltam a se reunir em setembro, em Nova York, é um sinal de que a luz no fim do túnel da crise econômica mundial continua fraca. A nova reunião, segundo o porta-voz da notícia, o presidente francês Nicolas Sarkozy, coincide com a realização da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela complementa o encontro de Washington de novembro do ano passado, que estabeleceu os princípios para agir diante da crise, e a reunião da quinta-feira (2), que definiu a forma de colocá-los em prática. Em Nova York, os "progressos" serão revisados.



Por Osvaldo Bertolino



O ponto inicial aqui é: haverá progressos? A julgar pelos efeitos previstos da decisão de Londres de destinar US$ 1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar países com problemas decorrentes da crise econômica global a resposta dificilmente pode ser positiva. O G-20, segundo o premiê britânico Gordon Brown, também joga suas cartas na necessidade de ''trabalhar urgentemente com os líderes'' mundiais para fazer avançar a Rodada Doha de liberalização comercial, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).



O G-20 faz uma aposta alta. "Estamos empreendendo uma expansão fiscal coordenada e sem precedentes, que salvará ou criará milhões de empregos que de outra maneira seriam destruídos, e isso somará, até o final do próximo ano, 5 trilhões de dólares, aumentará a produção mundial em até 4 por cento e acelerará a transição para uma economia verde", disse o comunicado final da cúpula. O documento diz ainda que os bancos centrais do G-20 se comprometeram a manter políticas de expansão econômica, enquanto for necessário, e usar de todas as ferramentas e políticas disponíveis para tanto.



Desafio: salvar os bancos que estão na UTI



Os limites dessa política de expansão econômica estão bem à mostra na face exposta da crise, os Estados Unidos, onde o pacote anunciado pelo governo do presidente Barack Obama — o maior da história — gera ceticismo sobre o seu poder de fazer com que os bancos voltem a emprestar. A eficácia das medidas propostas por Tim Geithner, o secretário do Tesouro — uma polpuda ajuda extra prevista para as instituições financeiras de cerca de US$ 1 trilhão — já foi posta em dúvida quando, menos de uma semana depois de anunciar o plano, ele próprio teve de ir à TV para dizer que não descarta a possibilidade de os bancos precisarem de mais dinheiro.



Em entrevista ao canal ABC News, Geithner disse que não descarta ir ao Congresso pedir mais recursos. "Faremos os congressistas entenderem por que ser mais agressivo hoje é mais barato no longo prazo'', disse. Seu desafio é salvar os bancos que estão na UTI e desatar o nó da concessão de crédito necessária para oxigenar a economia. A parada é dura. A questão é saber o que fazer com os títulos imobiliários podres em poder dos bancos. Geithner pretende resolver o problema por meio de um mercado específico a fim de limpar os balanços dos bancos — que continuam recheados de títulos imobiliários e carteiras de crédito de baixíssimo valor.



Subsídios à compra de ativos ruins



O plano prevê que as instituições financeiras possam vender suas carteiras de crédito imobiliário e seus títulos podres em um mercado patrocinado pelo governo que está sendo criado exclusivamente para negociá-los. Se tudo andar como o planejado, os compradores serão o próprio Tesouro e — a grande novidade — investidores privados, como fundos de pensão, fundos de hedge e até grandes investidores individuais, que concorreriam entre si para comprar esses ativos pelo maior preço. O baixo valor que estariam dispostos a pagar, no entanto, pouco ajudaria a resolver o buraco no balanço dos bancos.



Para enfrentar a reticência dos compradores, mais uma vez a mão do Estado atua com o objetivo de estimular os negócios — o Tesouro resolveu dar um gigantesco incentivo aos fundos que queiram pagar mais. Funciona assim: em troca de uma pequena aplicação inicial, eles ganham acesso a uma linha de financiamento praticamente sem risco para comprar as carteiras e os títulos problemáticos. Se os ativos comprados valorizarem, os compradores e o Tesouro vão dividir os ganhos. Se houver prejuízo, os compradores não precisarão devolver o financiamento. Perdem apenas o aporte inicial.



Paul Krugman, prêmio Nobel de economia, esclarece que a medida "é uma forma indireta e disfarçada de subsidiar a compra de ativos ruins". Em um artigo no jornal The New York Times, ele argumenta que o plano não vai funcionar. ''Sim, os ativos problemáticos podem estar subavaliados. Mas o fato é que os executivos financeiros literalmente apostaram seus bancos na crença de que não havia bolha imobiliária e de que o endividamento sem precedentes das famílias não era problema. Eles perderam a aposta. E nenhuma ajuda financeira fantasiosa vai mudar isso'', diz Krugman.



Nacionalização de bancos solventes



Ele argumenta que o plano concede benefícios demais às operações de compra e venda dos ativos podres. Para o economista, o volume de recursos liberado (US$ 575 bilhões) é bem menor do que o necessário — o total de ativos hipotecários podres é estimado em até US$ 7 trilhões. E lembra que é preciso resolver o problema do mutuário — a solução da crise passa pela redução da inadimplência.



Liquidar esses títulos, no entanto, será apenas o primeiro passo para enfrentar a essência da crise. Além dos bancos cambaleantes, há outros, tidos como sadios, que já se defrontam com o fantasma da insolvência — com o desemprego em alta, até os bons pagadores se tornam inadimplentes. Há quem defenda o novo pacote, mas com ressalvas. ''O plano é um passo na direção certa porque limpa o sistema financeiro'', escreveu o economista Nouriel Roubini, conhecido pelas previsões catastrofistas, em um raro momento de otimismo. ''Mas não devemos nos iludir. Se a economia piorar, a situação pode ficar muito feia rapidamente'', disse ele.



Para Roubini, a solução concebida por Geithner só funcionará no caso dos bancos solventes, isto é, com ativos suficientes para cobrir suas dívidas — ainda que ninguém saiba dizer, hoje, quem são eles. O economista propõe uma saída diferente. ''Aqueles que se mostrarem insolventes devem ser nacionalizados, saneados e preparados para uma nova privatização'', diz ele. A preocupação é que, se o plano naufragar, sobrará pouquíssimo dinheiro para uma nova rodada de ajuda aos bancos. As dificuldades políticas também se agigantarão — Obama teria de ir ao Congresso convencer os parlamentares a aprovar a liberação de mais recursos públicos para o sistema financeiro com a credibilidade destruída.



Direito de voto da China no FMI



Além da equação interna, os Estados Unidos enfrentam problemas estruturais das complexas relações da sua economia com o mundo. O ponto nevrálgico é, sem dúvida, a China. Sintomaticamente, o anfitrião da cúpula do G-20 em Londres, o premiê britânico Gordon Brown, instalou Obama à direita e o presidente da China, Hu Jintao, à sua esquerda. O gesto refletiu o reconhecimento da legitimidade dos questionamentos da China em relação ao seu papel no xadrez político mundial — dada a relevância econômica do país.



É uma queda de braços com os Estados Unidos. A economia chinesa ultrapassou a alemã, convertendo-se na terceira maior do mundo — atrás dos Estados Unidos e do Japão. Mas o seu direito de voto no FMI representa apenas 4% do total, contra, por exemplo, 17% dos norte-americanos. Uma das causas para essa tentativa de manter a China com baixo poder de interferência nos destinos da economia mundial é o fato de o país possuir mais de US$ 2 trilhões de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outros ativos. A China com maior poder no FMI representaria uma correlação de forças mais fovorável a alterações nas regras da instituição.



O presidente do Banco Popular da China, o banco central do país, Zhou Xiaochuan, defendeu a criação de uma nova moeda e um conjunto de reformas que poderia encerrar décadas de domínio do dólar no comércio e nas transações financeiras internacionais. Ele sugeriu que uma alternativa seria ampliar o uso dos Direitos Especiais de Saque (DES), uma moeda sintética criada em 1969 pelo FMI e cujo valor é calculado com base em uma cesta de moedas que inclui o dólar, o euro, o iene e a libra esterlina. Países com excesso de divisas poderiam transferir parte de suas reservas para o Fundo gerir, recebendo em troca o valor correspondente em DES.



Resistência á desvalorização cambial



A resistência à proposta, fora dos Estados Unidos, se deve ao perigo que a China corre diante da crise norte-americana — com o DES, os demais membros do FMI assumiriam uma parte do risco chinês. O temor tem fundamento, evidentemente, mas ele não deve se limitar, no que que diz respeito ao potencial explosivo da crise norte-americana, à problemática chinesa. E aí as coisas deveriam ser bem pesadas — inclusive politicamente.



Os Estados Unidos optaram pela desvalorização acentuada do dólar para empurrar uma parte substancial do peso da sua crise sobre as costas do restante do mundo. E pressionam os ''emergentes'' e a União Européia (UE) para que promovam desvalorização cambial, abrindo caminhos à demanda externa.



Mas a UE o os "emergentes" — China, Índia, Rússia e Brasil — resistem. A China, que corre o sério risco de tornar-se refém dos Estados Unidos, é a mais interessada em resistir à proposta. E tem falado grosso com Washington, como mostram as declarações do primeiro-ministro Wen Jiabao, em meados de março, sobre o valor dos títulos norte-americanos e a postura contundente da marinha chinesa nos mares do Sul em relação à presença de navios norte-americanos supostamente em expedição científica.



A dramática situação da Europa do Leste



Na intrincada teia que enreda a crise global, há ainda os ausentes da cúpula do G-20 — como lembrou o sempre arguto líder revolucionário cubano Fidel Castro. São 180 nações, entre elas os países do Leste da Europa, que caminham céleres para o desastre. Eles se endividaram em moedas estrangeiras — principalmente em euro e franco suíço — após a queda do socialismo e agora ameaçam mergulhar a Zona do Euro em uma crise gigantesca. Esses países são um importante ponto de apoio da economia da Europa Ocidental — absorvem, por exemplo, 25% das exportações da Alemanha, a maior economia da Zona do Euro.



A situação é dramática. "Se as economias das europas Central e Oriental não forem salvas, a economia mundial desabará", disse recentemente o jornal britânico The Daily Telegraph. A Europa Oriental contraiu US$ 1,7 trilhão em empréstimos do exterior, e neste ano deverá resgatar uma parcela de US$ 400 bilhões — volume de recursos equivalente a um terço do total do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os países da região. De acordo com o Banco Europeu de Reestruturação e Desenvolvimento, o Leste da Europa precisará dessa quantia para cobrir os serviços de suas dívidas e reativar seus sistemas de crédito.



A política de sacrifícios do FMI



A questão é: como conseguirá isso no momento em que as portas do crédito estão hermeticamente fechadas? A Europa Oriental contraiu quase todas as suas dívidas da Europa Ocidental — especificamente de bancos da Áustria, Suécia, Itália, Grécia e Bélgica. A solução é recorrer ao FMI. O problema é que os volumes de recursos que a região precisa estão além dos limites do Fundo, que já tentou salvar a Hungria, a Ucrânia, a Letônia, a Bielorússia, a Islândia, o Paquistão e, em breve, terá de tentar socorrer a Turquia. Suas reservas já foram praticamente pulverizadas.



Apesar dos gigantescos recursos canalizados a todos estes países, o problema não foi solucionado. A Hungria deverá declarar moratória. O Paquistão precisa de mais US$ 7,6 bilhões e a economia da Letônia já foi declarada, pelo próprio governo do país, "clinicamente morta". Outro agravante é a política do FMI de impor pesados sacrifícios aos povos desses países em nome do "equilíbrio fiscal".



Os limites da instituição vão eliminando as expectativas alimentados por alguns economistas de um suposto ''FMI Obama'', presumivelmente mais amigável e mais sintonizado com os problemas reais do que o ''FMI Bush''. Mas, como sugerem os programas do Fundo para a Letônia e a Ucrânia, a principal diferença pode ser apenas um sorriso — o diretor-geral do FMI Dominique Strauss-Kahn apelou recentemente a uma resposta orçamentária ''global'' para enfrentar o agravamento da crise.



O grande dilema da crise



Na Letônia, o FMI exigiu um corte de 25% nos salários do funcionalismo e nos investimentos públicos, aliado a um enorme aumento dos impostos. Na Ucrânia, as imposições incluem reduções drásticas das aposentadorias. Ambos os países já passaram por distúrbios siciais e instabilidade política. Os recentes empréstimos do Banco Mundial também estão, em parte, condicionados à ''disciplina fiscal''. É preciso considerar que o FMI e o Banco Mundial têm sido instrumentos auxiliares da política externa norte-americana.



Dada a importância de "ortodoxos" como Larry Summers e Geithner no governo dos Estados Unidos, as perspectivas de uma reforma séria dessas instituições parecem distantes. Summers foi um dos principais arquitetos das políticas neoliberais quando esteve no Banco Mundial e na Secretaria do Tesouro durante o governo do presidente Bill Clinton. E Geithner foi um alto dirigente do FMI. Eles administram a economia interna de olho no cenário mundial.



A chave-mestra para se compreender o grande dilema da crise é a combinação da forma como Summers e Geithner administram a economia interna, despejando rios de dinheiro público no sistema financeiro, e o poder que eles têm, como representantes do governo dos Estados Unidos, para fazer o FMI e o Banco Mundial empurrar goela abaixo dos países pobres suas amargas e conhecidas receitas neoliberais. Resumo da ópera: com a luz no fim do túnel da crise cada vez mais fraca, os dramas econômicos começam a transitar, rapidamente, para o campo político.


xubi2

Mais um ponto de vista "em brasileiro" fica aqui para reflectir!


Dólar ainda é a moeda de referência mundial



O dólar caiu, o dólar subiu. O dólar abriu ontem na Bovespa abaixo de R$ 2,00 e fechou o dia em R$ 2,01, para desespero dos exportadores brasileiros e a felicidade dos turistas nacionais. Ninguém mais quer o dólar, buscado, frenética e paradoxalmente, no ápice da crise dos Estados Unidos (EUA). O Banco Central está comprando dólares, para que ele não caia além de R$ 2,00. É só isso que se ouve. Antes do dólar, o mundo teve outra moeda que servia como padrão das transações entre os países e também como reserva, que era a libra esterlina. O dólar é a moeda oficial dos Estados Unidos da América, Equador, El Salvador e Panamá e havia, em 2004, US$ 700 bilhões em circulação. Os greenbacks, como são chamados os dólares, possuem uma enorme importância na economia mundial. Durante a segunda metade do século XIX, a libra esterlina exercia a função de moeda internacional. O dólar aparecia como a última opção pelo fato de os EUA serem, naquela época, devedores não confiáveis e dotados de um sistema monetário não unificado. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil Império era maior que o dos Estados Unidos, na época de Dom Pedro II. Após a Segunda Guerra Mundial, os países europeus se tornaram dependentes dos produtos estadunidenses. Passaram a adquirir dólares, confirmando a hegemonia capitalista dos EUA. A Inglaterra passou de credora a devedora no período do pós-guerra, cedendo aos EUA a posição de liderança do sistema monetário internacional. O nome dólar deriva da palavra alemã thaler, uma antiga moeda de prata cunhada pela primeira vez em 1518, na Alemanha.
A crise financeira, que teve seu epicentro nos EUA, aumentou a ideia de que as compras/vendas fossem feitas nas moedas das nações envolvidas. Brasil e Argentina começaram a fazer isso, contabilizando em reais e pesos suas transações. Na China, o presidente Lula lançou a sugestão de que ambos os países usassem o padrão do real e do yuan. A Europa viu a união Brasil/China com interesse e anotou a mensagem que dela adveio: há uma mudança geopolítica ocorrendo nesse exato momento. O dólar terá vida longa porque representa a maior economia do planeta. Ninguém julga que, se a China e o Brasil adotarem suas moedas para o comércio bilateral, isso acabará com o dólar. Mas é uma referência nova no sistema financeiro. Os Estados Unidos, enfraquecidos pelo fim da Guerra Fria e pela administração nefasta de George W. Bush, contestados pelo status dos grandes países emergentes como a China, Índia, Brasil e a Rússia, não dominam o mundo como há 30 anos. Entretanto, o dólar tem vantagens comparativas. A primeira delas é que, mesmo que contabilizem espantosos déficits comerciais, os estadunidenses podem enfrentá-los. Eles conseguem tomar emprestado na sua própria divisa, um privilégio único. O preço do petróleo é estabelecido em dólar, como a maioria das commodities. É em dólar que se compara o Produto Interno Bruto (PIB) dos países. O mundo mantém a tradição de se exprimir em dólar e esse hábito resiste a tudo. Todos precisam e querem vender seus produtos para os EUA, que não têm dinheiro para pagar. Então, os outros países adquirem, com seus dólares, títulos dos EUA. Aí, os EUA podem comprar esses produtos. O fim do dólar está longe, mas um tabu foi quebrado quando houve o acerto entre o Brasil e a China. Finalmente, Moscou e Nova Délhi poderão se juntar ao movimento e permitir às divisas do Bric (Brasil, Rússia, China e Índia) formarem um bloco dos "4 R", real, rublo, yuan (renminbi) e rúpia. Aí, o fim do reinado do dólar virá. Até lá, viva o dólar.




xubi2

 MEDVEDEV E LULA SE ENCONTRARÃO NA CÚPULA DO GRUPO BRIC 

MOSCOU, 15 JUN (ANSA) -
O presidente russo, Dmitri Medvedev, chegou hoje à cidade de Yekaterinburgo, a 1700 quilômetros de Moscou, onde se encontrará amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com os outros líderes do grupo Bric (que reúne os emergentes Brasil, Rússia, Índia e China).
    Esta será a primeira cúpula do Bric, que foi formado durante o encontro dos líderes do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) do ano passado, no Japão. Os membros do grupo representam um quatro do território mundial e mais de um terço da população do planeta.
    Além de participar do encontro com os emergentes, Medvedev irá à reunião da Organização de Cooperação de Xangai, um fórum regional euro-asiático fundado em junho de 2001, na cidade chinesa.
    Além de Rússia e China, o fórum é integrado pelas repúblicas ex-soviéticas Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Além deles, integram a organização como observadores o Irã, a Índia, o Paquistão e a Mongólia. Para o encontro de hoje, está prevista também a presença do presidente afegão Hamid Karzai.
    O Irã deveria ser representado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, que faria sua primeira visita de Estado depois de ser reeleito, mas a embaixada iraniana em Moscou anunciou o cancelamento da viagem. (ANSA)



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Manmohan Singh diz que Bric pode liderar o crescimento econômico do mundo





Nova Délhi, 15 jun (EFE).-

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ligou hoje a recuperação econômica mundial ao sucesso das economias Bric (Brasil, Rússia, China e Índia), horas antes de sair em direção à cidade russa de Ekaterimburgo para participar de uma reunião desse fórum.



"Os Bric representam 40% da população mundial e 40% do Produto Interno Bruto. O grupo tem potencial para liderar o crescimento econômico do mundo. De fato, a recuperação econômica mundial está estreitamente ligada ao êxito das economias Bric", assegurou Singh em comunicado.



Singh vai participar também de um encontro da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, sigla em inglês), na qual a Índia tem status de observador.



Mas a atenção de sua visita se concentra na reunião que manterá com o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, a primeira entre os dirigentes desde o ataque terrorista registrado na cidade de Mumbai em novembro de 2009.

e tambem


Dólar sobe a R$ 1,967 atento ao cenário externo

  O dólar à vista devolveu no início da tarde a queda exibida desde a abertura e subiu, em sintonia com a perda de força do euro ante a moeda norte-americana. Por volta das 15h30, o dólar comercial atingiu a taxa máxima do dia de R$ 1,97 (alta de 0,87%), sendo que a mínima registrada pela manhã foi de R$ 1,935 (-0,92%). No fechamento das negociações no mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial subiu, pelo segundo dia seguido, desta vez 0,72%, a R$ 1,967. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista avançou 0,54% a R$ 1,9635. Contudo, no mês, o dólar comercial apura baixa de 0,15% e no acumulado do ano recua 15,76%. O Banco Central realizou um leilão de compra de dólar à tarde, no qual a taxa de corte das propostas foi de R$ 1,9655.


"O mercado operou de olho na volatilidade do dólar no exterior. Além de o euro ter perdido força nesta tarde, o dólar subiu ante outras moedas de países emergentes, além do real, como a lira turca e o peso mexicano", disse um operador de câmbio de uma corretora de um grande banco nacional. As tensões geopolíticas na Coreia do Norte e Irã também deixam os investidores ressabiados, afirmou a fonte. Para um operador de tesouraria de um banco estrangeiro, as quedas das Bolsas norte-americanas ajudaram a dar suporte de alta para o dólar. Ele atribuiu o recuo dos índices de ações norte-americanos durante à tarde aos sinais divergentes sobre a recuperação da economia nos EUA.


Pela manhã, o dólar cedeu no mercado global de moedas em meio à retomada das discussões pelo grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) sobre a possibilidade de a divisa dos EUA perder futuramente a posição de moeda de reserva de valor. Os líderes do grupo pediram um sistema de moedas global "mais diversificado", segundo comunicado após a cúpula realizada na Rússia. Não houve, porém, nenhuma menção explícita ao dólar nem aos EUA. Para a fonte da corretora de um banco privado nacional consultada, à medida que o grupo BRIC se fortalecer, a tendência para o dólar será de desvalorização.


Bric exige mais influência, mas evita falar de dólar

Reuters/Brasil Online

Por Gleb Bryanski e Guy Faulconbridge

ECATERIMBURGO, Rússia (Reuters) - Os líderes dos maiores mercados emergentes do mundo exigiram nesta terça-feira, em sua primeira cúpula, mais influência no sistema financeiro global, mas evitaram qualquer crítica à dominância do dólar.

A cúpula do chamado Bric, sigla para Brasil, Rússia, Índia e China, terminou com breves comentários do presidente russo, Dmitry Medvedev, e com um comunicado que exigiu mais poderes para os países em desenvolvimento em instituições financeiras internacionais e na Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas não foram mencionadas duas importantes iniciativas de Moscou: um papel menor para o dólar e uma moeda supranacional como reserva de valor. Ainda assim, uma fonte da delegação russa disse à Reuters que os ministros de Finanças e os bancos centrais do grupo devem trabalhar em propostas sobre moedas de reserva.

"Estamos comprometidos em avançar na reforma das instituições financeiras internacionais para refletir as mudanças na economia mundial", disseram os países no comunicado conjunto.

"Os países emergentes e em desenvolvimento precisam ter voz e representação maiores nas instituições financeiras internacionais", acrescentou o texto. "Nós também acreditamos que há forte necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e mais diversificado."

Na preparação para a cúpula, o Kremlin afirmou que a agenda incluiria a necessidade de mais moedas de reserva de valor e a expansão dos Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas a China -que possui quase 2 trilhões de dólares em reservas em moeda estrangeira- ficou calada, indicando pouca unidade em qualquer possível desafio para o dólar. Com as gigantescas aplicações em títulos do Tesouro norte-americano, Pequim não quer derrubar o valor de seus investimentos.

"Não espere qualquer iniciativa de curto prazo com respeito ao dólar", disse à Reuters Roberto Mangabeira Unger, ministro brasileiro para Assuntos Estratégicos, após a cúpula.

"Todos estão preocupados com a sensibilidade da questão. Ninguém quer dizer coisas ou fazer coisas que poderiam aumentar a volatilidade na circunstância de uma crise."

Analistas afirmam que a semelhança entre os quatro países do Bric praticamente se resume ao robusto crescimento econômico dos últimos anos. Suas posições políticas e prioridades globais diferem muito e diplomatas se perguntam se o fórum poderia impulsionar posições fortes e unidas.

Nesta terça-feira, o dólar caiu em relação a várias moedas em meio à pressão proporcionada pelos comentários da Rússia que sugeriam a necessidade de uma outra reserva mundial de valor.

"O quadro atual de moedas de reserva, incluindo o dólar, fracassou em cumprir suas funções", disse o presidente Medvedev em entrevista a jornalistas na cidade russa de Ecaterimburgo antes da cúpula do Bric.

"Nós não vamos conseguir sem moedas de reserva adicionais", declarou, acrescentando que uma reserva supranacional também é uma opção diante da importância cada vez maior dos Direitos Especiais de Saque do FMI.

CONSTRUINDO O BRIC

O termo Bric foi proposto pelo economista do Goldman Sachs Jim O'Neill em 2001 para descrever o poder cada vez maior das economias emergentes. A cúpula desta terça-feira era uma tentativa de dar ao grupo uma voz mais forte no mundo.

"Nós conversamos sobre tornar mais justo o processo de tomada de decisões sobre as questões internacionais mais importantes -na agenda econômica, na agenda de política internacional sobre segurança", disse Medvedev ao fim do encontro. "A cúpula Bric precisa criar as condições para uma ordem mundial mais justa."

Os outros presidentes se sentaram perto de Medvedev enquanto ele fazia eu último comentário.

Os países do Bric representam 15 por cento dos 60,7 trilhões de dólares da economia global, mas o Goldman Sachs prevê que em 20 anos os quatro países podem superar o G7 e a China pode ter uma economia maior que a dos Estados Unidos.

O principal assessor econômico de Medvedev, Arkady Dvorkovich, pediu que o FMI amplie a cesta dos Direitos Especiais de saque para incluir o iuan e moedas ligadas a commodities, como o rublo russo e os dólares australiano e canadense, além do ouro.

O Direito Especial de Saque é um ativo internacional de reserva para os países-membros do FMI, e tem uma taxa de câmbio determinada por uma cesta de moedas que atualmente inclui dólar, euro, iene e libra. Está prevista uma revisão da cesta em novembro de 2010.

"A economia mundial vai crescer... Nós estamos certos de que o crescimento vai voltar no futuro. Esse bolo do crescimento deve ser dividido de um jeito mais justo. Nós não estamos falando de excluir o dólar, mas a parcela de outras moedas deveria aumentar", disse Dvorkovich antes da reunião.

Os líderes do Bric debateriam sobre o investimento de suas reservas em moedas de outros países do grupo, abertura do comércio bilateral em moeda doméstica e acordos de swap cambial, acrescentou.

O presidente chinês, Hu Jintao, ficou em silêncio sobre as ideias do Kremlin a respeito das moedas, o que poderia ser mais um sinal das divisões no Bric.

A falta de uma menção ao dólar no comunicado final parecia novamente realçar as diferentes posições do Bric sobre como deve ser feita a reforma do sistema monetário mundial.

A Rússia tem falado muito mais alto do que os outros países do grupo contra a dominação dos Estados Unidos no sistema financeiro global. Os demais se colocam a favor de uma abordagem mais cautelosa e diplomática.

A primeira resposta do mundo desenvolvido à iniciativa russa veio do Japão, onde o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, reiterou sua visão de que o dólar deve continuar como principal moeda de reserva de valor do mundo.

(Reportagem adicional de Oleg Shchedrov na Rússia e Todd Benson em São Paulo)
 



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BRICs vão discutir proposta brasileira de comércio sem dólar


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão começar a discutir com seus pares nos outros três países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a ideia de substituir o dólar nas trocas comerciais bilaterais.

"O que nós decidimos é que um conjunto de especialistas junto com os presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Economia vão começar a discutir isso para nos apresentar sugestões", disse Lula um dia após a primeira cúpula dos BRICs.

"Esse é um passo extremamente importante", disse, acrescentando que essa é uma discussão "que leva anos".

A ideia é tentar reproduzir o que começou a ser feito com a Argentina. O comércio em moeda local entre os dois parceiros do Mercosul representa apenas cerca de 5% do volume total, mas "é um bom começo", nas palavras do presidente.

Sem referência

A declaração final da cúpula dos BRICs, na terça-feira, em Ecaterimburgo, na Rússia, não faz referência explícita a nenhuma das iniciativas relacionadas à busca de alternativas ao dólar como moeda de reserva ou usada em trocas comerciais bilaterais. Destaca apenas a necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e diversificado.

Às vésperas da reunião, referências do presidente russo e do presidente do Banco Central chinês a essa possibilidade causaram grande repercussão. A China é o pais que mais tem reservas em dólar e qualquer indicação de um possível movimento na denominação dessas reservas é suficiente para gerar apreensão entre investidores.

"Tem países que estão propondo a criação de uma moeda nova, tem países que estão propondo uma cesta de moedas. No caso do Brasil, nós temos uma experiência prática", disse Lula, referindo-se aos temas mencionados na reunião.

"Vamos ver se há entendimento para a gente começar a fazer a experiência de trocas nas moedas de cada país sem precisar comprar dólar para fazer nosso fluxo comercial", acrescentou.

Reformas

Lula voltou a falar sobre iniciativa conjunta dos países emergentes dos BRICs em reformar as instituições internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e Organização das Nações Unidas.

"Todo mundo sabe que o FMI foi criado para resolver problemas do mundo em desenvolvimento. E hoje a crise está no mundo desenvolvido. Parece que o FMI e o Banco Mundial não têm as soluções que tinham quando a crise era mexicana, brasileira, russa", alfinetou.

"Queremos fortalecer essas instituições, mas, ao mesmo tempo, democratizá-las", concluiu. Segundo Lula, o pior que pode acontecer é a atual crise passar sem que as reformas que ele diz considerar necessárias para evitar uma próxima tenham sido adotadas.

"O que pode acontecer de pior no mundo é essa crise terminar sem que a gente tenha feito as mudanças para que não haja mais crise. Certamente, tem país que quer que tudo fique como está. Mas isso não pode, o sistema financeiro não pode ficar por conta da especulação no mercado futuro, aumentando preço de petróleo, preço de commodity. Isso não é possível. O sistema financeiro precisa financiar a produção", concluiu antes de partir para o Brasil.

O presidente classificou ainda o resultado da reunião dos BRICs de extraordinário. "Eu saio muito otimista dessa reunião", disse Lula.

O progresso nos temas destacados pelos quatro líderes poderão ser avaliados em uma segunda cúpula, prevista para ocorrer no Brasil em 2010.


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O dólar continua a ser o "rei" da economia mundial?

Económico    



      Esta foi uma das questões debatidas durante a reunião dos BRIC que teve lugar esta semana na Rússia. Os líderes do Kremlin advogam o surgimento de uma nova moeda de reserva mundial.

1 - Bolsas: Analistas revêem previsões para o S&P
Nos últimos meses nos mercados accionistas assumiu-se que os bancos centrais teriam de comprar mais obrigações. Estas expectativas de flexibilização da política monetária reflectiram-se na subida do preço das acções. Agora começa a ser visível que estas expectativas não serão materializadas. Durante os próximos meses o índice S&P500 poderá cair para níveis perto dos 800 pontos. Consequentemente, os bancos centrais poderiam novamente pressionar o acelerador monetário o que poderia traduzir-se no regresso do S&P500 à região dos 1000/1100 pontos. Nessa altura a verificarem-se taxas de juro elevadas poderemos muito provavelmente assistir ao regresso do "bear market". A Morgan Stanley actualizou o 'target' do S&P500 para o final do ano de 825 para os 900 pontos.



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Na véspera da reunião do G-8, Lula defende alternativa ao dólar no comércio mundial

PARIS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que acredita ser possível desenvolver novas relações comerciais não dependentes da divisa americana, em entrevista publicada nesta terça-feira no jornal francês "Le Monde". Lula está em Paris, onde se encontra com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, antes da reunião do G-8, grupo dos países mais ricos do mundo, prevista para começar nesta quarta-feira na Itália.

"Substituir o dólar no comércio mundial não é uma coisa simples"

No segundo dia da cúpula, que deve durar três dias, os líderes do G-5, formado por Brasil, Índia, China, México e África do Sul, vão se reunir com o grupo dos países mais ricos do mundo e devem aproveitar a oportunidade para levantar a questão da moeda.


Embora Lula tenha afirmado na entrevista ao "Le Monde" que a dependência do dólar não é algo bom e que são necessárias alternativas, o presidente também ressaltou que o dólar continuará sendo uma moeda importante por décadas.

"O dólar ainda será importante por décadas. Substituir o dólar no comércio mundial não é uma coisa simples. Mas o Brasil acredita na possibilidade de novas relações comerciais não dependentes do dólar", disse Lula.

De acordo com o esboço do comunicado a ser divulgado depois da reunião de G8 e G-5, os líderes devem concordar ainda em concluir a rodada de Doha em 2010.

"Os líderes se comprometeram a alcançar uma conclusão ambiciosa e equilibrada sobre Doha em 2010... dando continuidade ao progresso já feito", está escrito no comunicado.

Apesar da insistência do G-5 em discutir a importância do dólar, o assunto não deve constar do documento resultante da cúpula com o G-8. O adido econômico do Kremlin, Arkady Dvorkovich, é um dos que acreditam que a questão não será debatida pelos países mais ricos.

- Mas a China e a Rússia devem expressar sua opinião de que o sistema monetário global precisa de uma evolução suave e isso está ligado à criação de várias reservas com moedas regionais, que podem se tornar internacionais - disse.

Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda alemão, Peer Steinbrueck, disse que o dólar deve continuar sendo a divisa de reserva global, mas o yuan chinês e o euro vão ganhar espaço aos poucos.

- Não é provável que o dólar perca seu papel de moeda líder - afirmou Steinbrueck.

A discussão é muito delicada para os mercados financeiros, que se preocupam com a perda de valor dos ativos em dólar. Por isso, a China e as outras nações que defendem o debate tomam o cuidado de não desvalorizar o dólar.



E os brasileiros nao estao sós...


Rússia, China e Brasil defenderão moeda global em cúpula do G8

Reuters/Brasil Online

Por Stephen Brown

ROMA (Reuters) - China, Rússia e Brasil vão usar a cúpula do G8 desta semana na Itália para defender sua visão de que o mundo precisa começar a procurar uma nova moeda de reserva global como alternativa ao dólar, disseram autoridades nesta terça-feira.

Enquanto líderes do grupo dos oito países mais ricos e as maiores potências em desenvolvimento viajam para a Itália para o encontro de três dias que tem início na quarta-feira, parece improvável que o debate sobre a moeda tenha alguma menção específica nos documentos da cúpula.

Mas tanto a Rússia, membro do G8, quanto o Brasil -potência emergente que, como China e Índia, é integrante do G5- repetiram os pedidos da China para que um debate sobre a moeda global seja abraçado por líderes mundiais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está bastante interessado em explorar "a possibilidade de novas relações comerciais não dependentes do dólar" e a Índia também se colocou aberta à discussão.

Alemanha, França e Canadá, no entanto, descartaram um debate detalhado sobre moeda global na cúpula. Uma fonte do gabinete do presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o G8 "não é de maneira geral o fórum... para discussão das taxas de câmbio".

O ministro de Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, afirmou na segunda-feira que o dólar tende a continuar como moeda de reserva global, mas que o iuan e o euro devem ganhar importância aos poucos.

O debate é bastante delicado nos mercados financeiros, que se preocupam com os valores de ativos norte-americanos. China e outros países, apesar de insistirem na discussão, agem com cautela para não derrubar o dólar e Lula disse que a moeda será vital "por décadas".

A China, que detém até 70 por cento de suas reservas de 1,95 trilhão de dólares em moeda norte-americana, ressalta que o dólar ainda é a mais importante moeda de reserva.

Mas o país acredita que uma confiança exagerada no dólar potencializou a crise financeira e vê o Direito Especial de Saque (SDR, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI), baseado em uma cesta de moedas, como alternativa viável para o futuro.

G8 PEDE AÇÃO SOBRE POBREZA

Com uma Itália ávida por evitar a repetição do tumulto e da brutalidade policial que marcou a reunião do G8 no país em 2001, a segurança era intensa na cidade de L'Aquila, recentemente atingida por um terremoto, onde líderes globais serão hospedados em uma escola de treinamento da polícia.

A polícia prendeu cinco franceses encontrados com instrumentos nocivos em seus veículos e pequenos grupos manifestantes que entraram em conflito com a polícia perto de Roma.

"Nós queremos mais uma vez nos mostrar contrários ao que o G8 representa", disse uma estudante que se identificou como Maria Teresa.

O papa Bento 16 divulgou uma carta para coincider com o encontro do G8, pedindo que os líderes criem regras duras para o sistema financeiro.

Na encíclica, ele clamou por "uma autoridade política mundial verdadeira... para administrar a economia global" e evitar mais "abuso" do livre mercado.

Com nove líderes da África participando da cúpula, os Estados Unidos podem prometer de 3 bilhões a 4 bilhões de dólares para o desenvolvimento agrícola de países pobres. O país quer o apoio de parceiros para que esse comprometimento chegue a 15 bilhões de dólares, de acordo com comunicado preliminar do G8.

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G-8: "Doha" concluída até 2010 (?) e dólar vai aquecer discussão


A Reuters está a adiantar alguns dos temas fortes da reunião do G-8 de amanhã. Os 8 mais poderosos juntamente com cinco emergentes (Brasil, Índia, China, México e Africa do Sul) deverão apresentar um acordo que prevê a conclusão das negociações relativas a regras comuns de comércio livre até 2010. A história está aqui.

Noutra história, a agência noticia que Rússia, China e Brasil vão usar a reunião de amanhã em Itália para defender a criação de uma moeda global de reserva que substitua o dólar. As autoridades chinesas têm tocado no assunto várias vezes e, como revela um recente artigo publicado pela Bloomberg há quem não tenha dúvidas do plano chinês de pressionar nesse sentido; é o caso de Eswar Prasad, investigador no Brookings Institution e ex-economista nno FMI.

A agência faz ainda um balanço do estado das medidas aprovadas pelo G-20 em Londres

O dólar já não é o que era
O taxa de câmbio do dólar tem sido um dos temas mais discutidos na crise, em parte pelas sucessivas manifestações de desconforto das autoridades chinesas – que têm muitas reservas em dólares –com o a possibilidade de uma desvalorização da moeda verde. Mark Dow, no blog de Brad Setser, diz que não há volta a dar. A necessidade de ter dólares está a diminuir um pouco por todo o Mundo, do México à Zona Euro, de agentes privados a governos e bancos centrais. Com ela virá uma desvalorização da moeda.

Tensão na banca alemã
Há poucos dias o presidente do banco central alemão avisou os bancos para a necessidade de continuarem a emprestar dinheiro. Hoje há notícias de que o regulador alemão está a planear flexibilizar regras contabilísticas aplicadas aos bancos dando-lhes mais espaço de manobra para conseguirem gerir os seus balanços subcapitalizados. As ameaças e decisões acontecem a dois meses das eleições legislativas na Alemanha.

Mas se os problemas no sistema bancário europeu teimam em se manter com os políticos a evitarem a imposição de recapitalizações obrigatórias, já sobre o futuro os líderes políticos europeus parecem estar decididos em tomar medidas. Segundo a edição de hoje do Financial Times, os ministros das Finanças deverão apoiar um plano de reforma (que será apresentado em Outubro), onde se prevê a adopção de provisões bancárias anticiclicas.

Economia europeia arrisca perder potencial
Na frente económica as notícias são também pouco animadoras. Segundo o Il sole 24 ore Juncker avisou ontem para os problemas sociais que poderão resultar de uma subida dramática no desemprego, mencionando também que o produto potencial da União poderá ser afectado dramaticamente. Sobre o impacto da crise no produto potencial os ministros das Finanças que estão hoje reunidos irão analisar o último estudo da Comissão Europeia sobre este tema. O estudo está aqui e diz que o crescimento potencial poderá cair de 2,2% par 1%.

Os impactos permanentes da crise no produto potencial (ou seja no nível e não na taxa de crescimento) forma também estudados pela OCDE num artigo que no início de Junho destacámos aqui com o título Crise pode cortar até 4% ao potencial da economia.

Nos EUA há queixas de atraso no plano anticrise...
Nos EUA o New York Times dá voz aos que se queixam que o plano orçamental norte-americano está a demorar muito tempo a chegar ao terreno. A França surge como exemplo.

... enquanto conselheira de Obama pede uma segunda ronda de estímulos
A Reuters, por seu lado, destaca que uma das conselheiras económicas de Barack Obama defende a necessidade de um segundo plano de estímulo orçamental.

Dean Baker explica em poucas linhas porque é que o estímulo orçamental nos próximos meses não deverá dar grande suporte à economia.

Ainda nos EUA: muito más noticias no mercado imobiliário comercial
Tem passado relativamente despercebido, pelo menos em Portugal, mas os EUA estão agora a passar por uma nova onda de choque no mercado imobiliário, desta vez o comercial. O Calculated Risk tem os últimos números. A taxa de desocupação dos escritórios está a disparar. A crise deverá continuar a até 2011. Este um importante de factor sobre os bancos que se arriscam a ficar com muitos empreendimentos nos seus balanços.

Em Espanha crise trama diálogo social
O aumento do desemprego e a contracção da economia estão a pesar no diálogo social em Espanha. A dois meses de caducar o acordo entre sindicatos, patrões e governos as conversações não chegaram a bom porto, reporta o El País que salienta ainda a elevada taxa de desemprego no país e os elevados custos de despedimento no país.


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O fim do dólar pode começar no petróleo

Um jornal inglês revela, a partir de fontes em Hong Kong e no Médio Oriente, que decorrem negociações para substituir, até 2018, a divisa americana por um cabaz de moedas na fixação do preço do petróleo árabe.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
   


A proposta passa por substituir o dólar por um cabaz de moedas na fixação do preço do petróleo árabe
Segundo a edição de hoje do jornal inglês The Independent , terão decorrido, ou ainda estarão a decorrer, negociações secretas entre os países exportadores de petróleo do Golfo com a Rússia, Japão, China, Brasil e França para a hipótese de criação de um cabaz de divisas, até 2018, que suporte a negociação do crude originário do Médio Oriente, substituindo o papel único do dólar, divisa em que é fixado o preço daquela commodity.
O cabaz incluiria, além do dólar, o euro, o iene japonês, o yuan chinês, uma nova divisa única dos países que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (que reúne a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Qatar), e ainda o ouro.

Risco de colapso

Esta notícia (não confirmada pelos países envolvidos) traz, de novo, para a ribalta a questão da actual fragilidade do dólar, um problema crítico que a crise financeira iniciada em 2007 voltou a destapar. Por isso, vários analistas têm vindo a falar de um cenário provável de colapso da moeda americana que se tem mantido, ultimamente, valendo menos de 70 cêntimos de euro. Desde o pico mais recente em Junho de 2001, quando o dólar atingiu um índice de 119,03, que já desvalorizou 36% face a um cabaz de seis divisas.
Num registo mais longo, segundo o índice seguido pela Reserva Federal, avaliando o dólar em relação às divisas dos principais parceiros comerciais, a divisa americana caiu 18% em relação a 1973, altura do primeiro "choque petrolífero", e 31% em relação ao máximo histórico de Março de 1985 (128,48). No entanto, o dólar está (88,2) ainda a quatro pontos acima dos mínimos históricos de Julho de 1995 (84,1516) e Outubro de 1978 (84,1620) e a três pontos acima dos níveis mais baixos recentes, entre Fevereiro e Julho de 2008.
Mas o risco de um tsunami monetário é hoje agitado por muitos, já que 66 países estão ancorados no dólar ou vivem mesmo dolarizados.
Mas a crise trouxe um aspecto político novo: várias grandes potências começaram abertamente a falar dos malefícios da 'nota verde' continuar a ser a divisa internacional de referência e apontaram a necessidade de uma estratégia de diversificação.
Um privilégio exorbitante
Os chineses e os russos foram os mais sonoros, com o governador do Banco central chinês a dar inclusive uma lição "teórica" sobre o assunto em Março passado. Mas até o presidente francês Sarkozy se pronunciou criticamente, em Agosto, sobre a hegemonia do dólar argumentando a necessidade de "traduzir" para o sistema monetário internacional um alegado multipolarismo na geopolítica, trazendo na manga um maior protagonismo para o euro. Para maior dor de cabeça dos americanos, a poucas semanas da cimeira do G20, até um organismo das Nações Unidas (a UNCTAD) declarou que há "uma fraqueza no sistema internacional de reservas por se usar uma divisa nacional como activo de reserva".
Esse seria o pecado original da solução que tem governado o mundo desde meados dos anos 1940. Um economista de origem belga, da Universidade americana de Yale, demonstrou, já nos anos 1960, que um sistema deste tipo seria instável por natureza. O problema que ele expôs ficou conhecido como o "dilema de Triffin". De seu nome Robert Triffin, acabaria por regressar à Europa em 1977 envolvendo-se no desenvolvimento da integração monetária europeia.
Mas, apesar de se saber deste problema congénito, o assunto foi ignorado, inclusive oficialmente, agora, na última cimeira do G20 em Pittsburgh. Por razões óbvias: a solução tem permitido aos Estados Unidos - donos dessa divisa - beneficiar do que o presidente francês Charles De Gaulle chamava, nos anos 1960, "um privilégio exorbitante" e que tecnicamente se designa por "prémio de liquidez". Esse "prémio", entre 1980 e 2005, teria permitido um desconto de 1,5 pontos percentuais nos empréstimos contraídos pelo hegemonista, que acumulou, nesse período, uma dívida de 10 biliões de dólares.
Consenso resignado
Entre os economistas americanos parece formar-se um consenso resignado. "Já não há dúvidas de que o dólar declinará, o que não é claro é como vai ocorrer a sua substituição", diz-nos Mauro Guillen, director do The Lauder Institute of Management and International Studies, ligado à Wharton School, de Filadélfia, que, no entanto, não antevê nos seus cenários um colapso do dólar. "Isso não seria no interesse de ninguém", argumenta. Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, sublinha-nos inclusive que "o dólar continua a ser a alternativa menos má", apesar " de muita pose política contra", ironiza.
Por isso, a rejeição de uma passagem automática de uma divisa hegemónica para outra (como poderia ser o euro) é, também, consensual. "Convém lembrar, diz-nos Mauro Guillen, que durou várias décadas e passou uma guerra mundial para que a libra fosse substituída pelo dólar".
Analisando as alternativas ao dólar, Barry Eichengreen sublinhou, num artigo publicado na revista Foreign Affairs ('The Dollar Dilemma', edição de Setembro/Outubro 2009), que a capacidade de projecção do euro não ultrapassará os espaços contíguos, como o Mediterrâneo e eventualmente a própria Rússia (que já terá mais reservas em euros do que dólares). A moeda chinesa - o renminbi - está, também, distante. Os próprios chineses apontam para 2020 como altura em que a sua moeda poderá ser uma divisa de reserva mundial e Xangai um centro financeiro de referência, mas provavelmente regional. Por ora, inclusive a moeda chinesa é inconvertível.
O regresso a antes dos anos 1920
Eichengreen crê, assim, que entraremos num período similar ao imediatamente anterior à 1ª Guerra Mundial em que co-habitavam várias divisas de reserva face ao declínio paulatino da libra esterlina; a que se seguiu, depois, nos anos 1920, uma liderança bicéfala pela libra e o dólar, até que este, em Bretton Woods (1944), deu o golpe mortal na divisa do Império britânico.
Os chineses são tidos como os mais aflitos. Eichengreen considera-os prisioneiros da sua própria estratégia de acumulação de reservas em dólares (as maiores do mundo), pelo que terão de ser prudentes.
Por isso surgiu da sombra algo "neutro", uma unidade de conta do Fundo Monetário Internacional que estava literalmente morta: os direitos de saque especiais (SDR, no acrónimo em inglês) criados em 1969. John Williamson, do Peterson Institute for International Economics, não acha, contudo, que os SDR sejam uma mera solução transitória. "São parte de uma solução de longo prazo", frisa-nos. Williamson desenvolveu um estudo em que mostra que para os Estados Unidos, profundamente endividados, pode ser "atractivo" o papel dos SDR. E alega que a China perderá "menos" ao desviar uma parte das suas reservas para SDR, do que ficar olhando uma desvalorização do dólar que lhe corrói as reservas gigantes de que dispõe.
Em virtude de toda esta diversidade política de forças, Jeffrey Frankel, da Harvard Kennedy School, sublinha-nos que "a direcção mais provável não é nem para um sistema de reservas unipolar (baseado no dólar), nem bipolar (dólar e euro), mas um multipolar, envolvendo o dólar, o euro, o iene, o renminbi (ou yuan), o ouro e os direitos de saque especiais". Note-se que a libra esterlina e o franco suíço são eclipsados do cabaz, não lhes deixando grande margem de manobra futura.
No fundo, Frankel fala de uma tendência política da moda, "um sistema mais fragmentado". Ora, da última vez, que o mundo viveu numa situação dessas, o prémio, no final, não foi famoso: saiu na lotaria dos 11 dias de Outubro de 1929 que abalaram o mundo.

Artigo actualizado e ampliado publicado originalmente na edição impressa de 25 de Setembro