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Defesa da PT pode levar acções aos 10,5 a 13,7 euros

Iniciado por notiCIas, Março 03, 2006, 16:06

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Defesa da PT pode levar acções aos 10,5 a 13,7 euros (act.)

A Goldman Sachs acredita que a Portugal Telecom (PT) vai avançar com defesas na OPA lançada pela Sonaecom. O banco norte-americano afirma que o cenário mais provável será a administração seguir o modelo da LSE, ou seja, alavancar a empresa e remunerar os accionistas. Até terça-feira, a PT vai pronunciar-se sobre as condições da OPA.

Num estudo publicado hoje, a equipa de analistas liderada por Mike Meloan afirma que as recentes declarações da Autoridade da Concorrência sugerem uma probabilidade de sucesso da oferta pública de aquisição (OPA) «acima do que inicialmente pensávamos».

No entanto, o banco de investimento norte-americano diz que a administração da Portugal Telecom [Cot] não deve ficar com os braços cruzados e que deve partir para estratégias de defesa da OPA.

No dia 27 de Fevereiro, a Sonaecom [Cot] apresentou o seu projecto de prospecto, onde reiterava a intenção de comprar cada acção da operadora de telecomunicações a 9,50 euros por acção.

A partir dessa data, o conselho de administração liderado por Miguel Horta e Costa tem oito dias para se pronunciar sobre as condições da oferta, ou seja, até à próxima terça-feira.

No dia seguinte ao anúncio preliminar, feito a 6 de Fevereiro, a administração da empresa considerou que «o valor actual e futuro da PT é muito superior ao preço por acção avançado» pela Sonaecom.

A maior operadora de telecomunicações, segundo informação recolhida pelo Jornal de Negócios, está a trabalhar com a Merrill Lynch e o Citigroup em estratégias alternativas que possam aumentar o valor para os accionistas.

O Jornal de Negócios, na edição de 14 de Fevereiro, já tinha avançado que a empresa, com base em cálculos preliminares por parte dos bancos com quem tem estado a trabalhar, iria defender na altura da reacção à OPA, um valor justo de 11 a 12 euros para as acções da empresa.

Banco traça seis cenários e chega ao preço médio de 10,09 euros

A Goldman Sachs traça seis cenários para o futuro da Portugal Telecom, sendo que a maior parte deles está nas mãos dos actuais accionistas.

Com base no valor justo traçado para cada um dos cenários e ponderando esses valores pelas probabilidades atribuídas, o banco de investimento chega a um valor médio de 10,09 euros, ou seja, cerca de 6% acima da contrapartida da OPA de 9,50 euros (sem contar com o dividendo unitário de 0,385 euros que deverá ser distribuído a partir de Abril).

A Goldman Sachs atribui uma probabilidade de 5% ao cenário de insucesso da OPA da Sonae (ser retirada ou bloqueada), e um regresso das acções da PT ao nível antes da OPA, ou seja, na casa dos 8,50 euros.

Se a oferta decorrer tal como planeiam as empresas lideradas por Belmiro de Azevedo e Paulo de Azevedo, então a avaliação justa iguala naturalmente a contrapartida da OPA, de 9,50 euros. A probabilidade deste cenário fica-se pelos 25%.

Uma OPA concorrente por parte da Telefónica ou de um outro «player» estratégico subiria a avaliação até aos 10 euros, mas a probabilidade fica-se pelos 5%.

Esta semana, na apresentação das contas anuais, o presidente da Telefónica, César Alierta, disse apenas que a posição de 9,96% detida na PT «é agora mais estratégica».

A possibilidade da Sonae subir a contrapartida da oferta também merece uma probabilidade de 5%, mas um «target» mais elevado, de 10,5 euros.

Na «conference call» com analistas, o CFO do grupo disse que a actual «oferta é a melhor que temos», acrescentando que «não consideramos a hipótese de aumentar o valor da OPA».

A possibilidade central do estudo da PT, recapitalizar a empresa, ou seja, recorrer á dívida para pagar um dividendos especial ou para fazer uma recompra de acções próprias, merece a probabilidade mais elevada, de 50%. A nova avaliação será também de 10,50 euros.

Já um cenário de um «leveraged buyout» por parte da administração da PT, dum grupo de «private equit» ou de um outro terceiro, merece uma probabilidade de 10% e um valor justo de 10,10 euros.

A média ponderada de todos estes cenários sugere um valor médio

para a Portugal Telecom de 10,09 euros, acima da actual cotação de 9,74 euros.

Dividendos ou «buy back» de 4 mil milhões de euros

O cenário mais provável para a Goldman Sachs é o da recapitalização, ou seja, a PT endivida-se num montante suficiente «para tornar inviável a OPA da Sonae».

A utilização deste dinheiro para dividendos ou recompra de acções próprias é uma possibilidade «que vai beneficiar os actuais accionistas».

O «share buy back» poderia até mesmo aumentar a avaliação da empresa, através de uma melhoria do EPS (rácio da cotação sobre os lucros unitários) e do FCF («free cash flow»).

Para tal, o banco assume um rácio da dívida líquida (incluindo o défice do fundo de pensões) sobre o EBITDA de 4 vezes, o limite máximo para manter a dívida com um «investment grade», ou seja, com uma notação igual ou acima do «BBB+».

Segundo a Standard & Poor's, a qualidade da dívida de longo prazo da PT poderá cair até à categoria de «BB», caso a OPA da Sonae sobre a operadora de telecomunicações venha a ter sucesso. O recurso à dívida para financiar a operação poderá baixar o «rating» ainda mais, até «B+». A agência estima um rácio da dívida sobre o EBITDA ajustado de 6 a 7 vezes.


Neste cenário, e dependendo dos múltiplos com que transacciona a PT face ao sector (PER e FCF), a avaliação das acções da maior operadora de telecomunicações nacional oscilaria entre os 10,5 e os 13,7 euros.

O banco assume, como premissa na avaliação, uma remuneração total de 4,043 mil milhões de euros.

As acções da PT negociavam em alta de 0,41% para os 9,74 euros.

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E com esta antecipação da divulgação de resultados para  dia 7, antes da abertura de bolsa, é natural que faz parte de uma estratégia bastante elaborada, de contra ataque à Sonae!!! O que resultará... Será certamente uma guerra aberta às condições da Sonae. Na próxima terça-feira já vamos assistir ao principio da festa. BN

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