Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

  Subscreva o Canal do Clubeinvest no Youtube: http://www.youtube.com/Clubeinvest

Menu principal

Credit Default Swap

Iniciado por nuno brandao, Outubro 21, 2008, 20:02

Tópico anterior - Tópico seguinte

nuno brandao

Viva pessoal,

Andei a pesquisar uma coisas sobre Credit Default Swap e descobri este documento que achei curioso..


"Um Credit Default Swap (CDS) é um instrumento financeiro derivado transaccionado em OTC
(over the counter – mercado não regulamentado) que permite ao seu comprador proteger-se doincumprimento de crédito de um determinado emitente. O risco de default é transferido para ovendedor do Swap. O mercado de CDS foi criado em 1994 por um conjunto de bancos lideradopela JP Morgan. Estes instrumentos equiparam-se a "seguros" sobre obrigações ainda que com
bastante nuances.
Exemplificando: os Credit default Swaps do BCP a 5 anos estão a cotar no mercado a 56 pontos
base (fonte Bloomberg) ou 0,56%. Isto significa que para cobrir 1 milhão de euros de dívida do
BCP o comprador do CDS teria que pagar anualmente 56 mil euros. Caso o Banco entrasse em
default, o vendedor do Swap pagaria ao comprador a diferença entre o valor de mercado das
obrigações do BCP a 5 anos e o par value (100%).
O valor dos CDS varia em função das expectativas do mercado quanto à capacidade do
emitente em questão de cumprimento do serviço da dívida, subindo quando aumenta o risco de
incumprimento e caindo quando esse risco diminui.
Vantagens:
Os Credit Default Swaps podem ser utilizados pelos detentores de dívida de um determinado
emitente para cobrir os riscos de incumprimento do serviço da dívida ou simplesmente para
especular.
O surgimento destes produtos no início da década de 90 veio dar um novo alento ao mercado
obrigacionista que era bastante menos activo e sobretudo controlado por fundos de pensões e
por companhias de seguros. A "invenção" dos CDS veio aportar uma maior liquidez ao mercado
de dívida privada e, não sendo necessário deter dívida para comprar CDS, veio permitir aos
intervenientes que acreditam numa deterioração das condições do mercado de crédito ficarem
com posições curtas na dívida das empresas.
Desvantagens:
Uma questão que se coloca quando estamos a falar de CDS é o risco de contraparte: o mercado
de CDS, que não é um mercado regulamentado, permite que os contratos sejam
transaccionados quer do lado do comprador quer do lado do vendedor, sem que haja nenhuma
garantia de que quem assume a posição vendedora tenha os recursos adequados para
salvaguardar o pagamento em caso de default. Esta possibilidade torna muito difícil a tarefa de
valorização deste tipo de instrumentos nos balanços das instituições financeiras.
Segundo o Financial Times entre 60 e 70% dos vendedores de Credit Default Swaps são as
empresas de seguros de dívida (monoline insurers como a MBIA ou a MBAC) e Hedge Funds.
Um downgrade por parte da Moodys ou da Standard & Poor's a uma destas entidades poderá ter
um efeito devastador nos Bancos e nas outras entidades que compraram os "seguros": um
seguro não vale nada se o segurador não o puder pagar.
Alguns índices de credit defaults têm-se transformado naquilo que um analista da Wachovia
Corp. apelidou de "monstro de Frankenstein" por algumas vezes serem os índices a levar a
movimentações no mercado "cash" de obrigações e não o contrário como supostamente deveria
ser."

A minha questão é a seguinte..

Será que a exposição dos bancos e das seguradoras a este tipo de instrumento nao é demasiado elevado para os dias de hoje.. ??? Será que aquelas empresas que tinham CDS das empresas que faliram Bear Sterms, Lehman.. Ou até mesmo a empresas como a AIG.. Resistirão a uma exposição tão grande????

Ouvi dizer que o valor total de CDS pendentes em todo o mundo está estimado em $54 triliões.. Isto dava para alimentar muitos pobres..

Os bancos da Islândia tinham tambem uma grande exposição a estes instrumentos financeiros.. por isso é que faliram.. ou melhor foram Nacionalizados..  Certo??

Sou meio novato nestas andanças, e se calhar nem devia colocar estas questoes por aqui..  :-\



Melhores cumprimentos.

Abraço

Nuno Brandão

Paff

#1
Viva,

Aqui está uma explicação alternativa, primeiro para a crise, depois para os CDS em específico.

http://vimeo.com/1933993

http://vimeo.com/1915392


Paff

berrio

CitaçãoOs bancos da Islândia tinham tambem uma grande exposição a estes instrumentos financeiros.. por isso é que faliram.. ou melhor foram Nacionalizados..  Certo??

Errado! A Islândia faliu porque o sistema se alavancou demais ao ponto da ruptura. Nomeadamente, depois de alguns anos com politicas de taxas de juro demasiado baixas, os preços das casas islandesas começaram a subir demasiado (isto não é um fenómeno exclusivamente americano). A Islândia era também excessivamente dependente do seu sector bancário e de investimento estrangeiro. Pelo meio, os islandeses decidiram encher-se até às orelhas em crédito. A taxa anual de poupança era negativa, e o ratio de dívida face ao PIB era de 230%!
A Islândia começou a subir as taxas de juro de modo a conter algumas pressões mas isso levou ao "carry trade": os bancos financiavam-se em moeda estrangeira (Japão, Euros e Dólares) pois as taxas eram mais baratas, e confiavam que o cambio se mantinha igual. Note-se que, quando um sistema bancário está financiado em moeda estrangeira, um banco central não pode fazer nada, e perde o controlo do sistema!
Em suma, o Governo e o Banco Central geriram o país como se fosse um Hedge Fund, e os bancos alinharam no jogo...

CitaçãoSerá que a exposição dos bancos e das seguradoras a este tipo de instrumento nao é demasiado elevado para os dias de hoje..  Será que aquelas empresas que tinham CDS das empresas que faliram Bear Sterms, Lehman.. Ou até mesmo a empresas como a AIG.. Resistirão a uma exposição tão grande?

Ouvi dizer que o valor total de CDS pendentes em todo o mundo está estimado em $54 triliões.. Isto dava para alimentar muitos pobres..

Esta questão é um pouco mais complexa. Basicamente, dado que é um mercado OTC, a reconciliação de ordens não é feita de modo centralizado como no caso, por exemplo, dos futuros. Tem-se também, como disseste no texto, risco de contraparte, ou seja, risco de que a outra parte não cumpra as suas obrigações.

A questão da exposição prende-se mais com o valor liquido dos contratos. Um exemplo, foi a falencia da Leh. Muita gente tinha medo de um payout de 500 mil milhões de dólares, e quando chegou o momento da verdade, o acerto de contas era apenas de 3 mil milhões de dólares. Isto porque muitos dos participantes que escreveram CDS da LEH tinham feito um "hedge" ao dito, vendendo as obrigações, logo o mercado funcionou como devia.

Existe também a questão dos 55 biliões de dólares em CDS pendentes [nota, eu uso o bilião europeu, ou seja o trilião americano].
Isto pode ser - e muito provavelmente é - um erro de contagem. Essas contas são feitas com inqueritos a cada participante mas pode dar-se o seguinte fenómeno:
Em futuros, por exemplo, se eu te vendo um contrato no valor nominal de 100 000, tu estás longo 100 000, eu estou curto 100 000.
Se eu depois compro, a outro participante, outro contrato de 100 000, eu fico a zeros, dado que estou a fazer o "trade oposto"! Isto é feito de modo centralizado.

No entanto, se num inquerito me perguntarem quantos contratos fiz, eu respondo 2 contratos de 100 000, logo o volume aqui é 200 000, quando eu estou para efeitos práticos a zero. Isto só não acontece se eu fizer o trade inverso contigo, dado que fiz o trade inicial contigo.

Ou seja, o mais provavel é teres este problema de contagem nas CDS, o que leva a duplicação de valores, e portanto, o valor de CDS pode ser 1/2 do valor dos inqueritos...
Abraços,
Guilherme Diaz-Bérrio
"Os economistas passam metade do tempo a fazer previsões. A outra metade passam-na a explicar por que se enganaram"
LinkedIn Profile

bluexip

Credit-Default Swaps on Italy, Spain Are Most Traded (Update1)

By Shannon D. Harrington and Abigail Moses

Nov. 5 (Bloomberg) -- Credit-default swap traders wagered the most on debt of Italy, Spain and Deutsche Bank AG, according to a Depository Trust & Clearing Corp. report that gives the broadest data yet on the unregulated market.

A total $33.6 trillion of transactions are outstanding on governments, companies and asset-backed securities worldwide, based on gross numbers, the DTCC said in the report released on its Web site yesterday. After canceling out overlapping trades, investors have taken out a net $22.7 billion of contracts based on Italy's debt, $16.7 billion against Spain and $12.5 billion on Deutsche Bank of Frankfurt, the report shows.

``The bigger the outstanding amount of debt, the bigger the volume of credit-default swaps,'' said Philip Gisdakis, a Munich- based credit analyst at UniCredit SpA. ``Sovereigns have huge debt outstanding. Deutsche Bank has a huge balance sheet, so it's quite understandable it's at the top of the list.''

The DTCC, which operates a central registry of credit- default swap trades, released the data after U.S. authorities blamed the unregulated market for exacerbating the credit crisis that led to almost $690 billion in bank losses and writedowns.

The level of credit-default swaps reported by DTCC is smaller than previous estimates. The Bank for International Settlements estimated contracts of $57.9 trillion outstanding in May. DTCC's data may calm concerns that investors and dealers have too much at risk, said Brian Yelvington, a New York-based strategist at fixed-income research firm CreditSights Inc.

(...)

in http://bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=am13Dgpidyl8&refer=home

cumprimentos,
bluexip
Ever wonder why fund managers can't beat the S&P 500? 'Cause they're sheep, and sheep get slaughtered.
- Gordon Gekko in Wall Street