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States - Artigo Janela na Web

Iniciado por PekenoBuda, Fevereiro 05, 2005, 19:12

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PekenoBuda

Premonição?: «A América trilha agora um caminho confortável para a ruína», Financial Times, Agosto de 2004

Maldita Economia

Apesar da geopolitica continuar a precipitar os acontecimentos e da maioria dos eleitores americanos acreditar que os "valores" salvam os EUA do declínio, as dores da economia americana poderão, segundo os mais pessimistas, gerar um "crash" do dólar e uma situação à beira da ruína financeira. Para os europeus e outros investidores internacionais chegou a altura de ir a "compras" nos Estados Unidos, tal como aconteceu entre 1985-87 e 1994-1995, quando o dólar também viveu um período de desvalorização rápida.

Não é o disparo nos preços do petróleo a principal ameaça à saúde da hiperpotencia incumbente. Segundo um estudo do especialista norte-americano Philip Verleger o impacto da alta do ouro negro em 2005 sentir-se-á mais na Ásia (um corte anual de 0,8 a 1,8 pontos percentuais no crescimento do PIB), na Zona Euro (entre 0,5 a 1,1 pp, apesar da apreciação do euro contra o dólar, moeda em que está cotado o crude) e no Japão (entre 0,4 a 0,9 pp), do que nos Estados Unidos - entre 0,3 a 0,7 pontos percentuais no crescimento do PIB americano.

O coro doméstico

O risco maior vem dos desequilíbrios da própria dinâmica da economia americana. O coro de críticas ao caminho que está a ser seguido não é só originado pelos economistas "clintonianos" - como Nouriel Roubini, entrevistado pelo EXPRESSO na semana passada, que, a partir do seu blogue "Global Economics", não tem dado descanso à indisciplina financeira da Administração Bush, ou Lawrence H. Summers, actual presidente da Universidade de Harvard, que sintetizou a actual situação como "equilíbrio do terror financeiro", parafraseando uma expressão do tempo da Guerra Fria. Os "números do Diabo" desse equilíbrio do terror podem ser apreciados no quadro que publicamos.

As críticas mais inesperadas vieram das próprias fileiras de prestigiados economistas republicanos. Peter G. Peterson, antigo secretário do comércio de Nixon e ex-presidente do Federal Reserve Bank de Nova Iorque, começou por escrever um artigo acutilante na revista Foreign Affairs intitulado "Riding for a Fall" (edição de Setembro/Outubro 2004) e acabou por publicar um livro no final do ano passado também sugestivo "Running on Empty" (editora Farrar Straus & Giroux). "O actual défice da conta corrente americana absorve, directa ou indirectamente, 2/3 dos excedentes das contas correntes do resto do mundo", sublinhou Peterson. A mensagem pode ser resumida em dois alertas. Um, de Paul Volcker, ex-presidente da Trilateral e antigo presidente da Reserva Federal: "A probabilidade de uma crise nos próximos cinco anos nos EUA é de 75%". Outro, do próprio Financial Times, que já publicou, sem rodeios, este título irónico, no ano passado: "A América trilha agora um caminho confortável para a ruína".

O "modelo" económico norte-americano da Era Bush foi, assim, sintetizado por Fred Bergsten, o influente presidente do Institute for International Economics (IIE): "São os estrangeiros - particularmente os asiáticos - que produzem o essencial dos bens que compramos e que nos adquirem a totalidade da moeda que imprimimos para os adquirir".

Risco de "crash"

Bergsten avisou na revista The Economist que "se houver aumentos desmesurados no défice da conta corrente poder-se-á descarrilar para um 'crash' do dólar". O défice da conta corrente atingiu os 614 mil milhões de dólares em 2004, ou seja 5,2% do PIB. Catherine L. Mann, especialista do IIE prognostica que o défice poderá chegar a 7,8% do PIB em 2008 e 13% em 2010, com um valor recorde de 1 bilião, a continuarem as actuais tendências. O dólar está actualmente 30% mais barato do que o euro e a Goldman Sachs fala de um cambio de 1,4 dólares por euro em finais deste ano.

A situação poderá agravar-se se o tal "equilíbrio de terror financeiro" se romper. "Se os bancos centrais estrangeiros arrefecerem o seu envolvimento no actual 'esquema', a moeda americana cairá a pique contra a maioria das divisas e as taxas de juro nos EUA terão de disparar", afirmou Brad Setser, professor no University College de Oxford e um especialista na dívida liquida americana, que deve ter ultrapassado os 4 biliões no final de 2004 (ver quadro). Ainda que não haja o perigo de "defaut" da América, os investidores estrangeiros já começaram a incorporar um risco futuro ligado à remuneração dos seus activos em dólares. E os analistas antevêem a subida das taxas de juro directoras - o analista Peter Cohan fala de um patamar de 4 a 4,5% no final de 2005, e a Goldman Sachs, mais moderada, de 3 a 3,5%. Uma bomba diferida é, segundo Cohan, "o possível rebentar da bolha imobiliária nos EUA em 2006".

Alguns analistas europeus estão dissonantes. Mieczjslaw Karczmar, do Deutsch Bank Research, considera que a desvalorização do dólar "é um fenómeno psicológico" e que o câmbio "justo" ronda os 1,05 dólares por euro. Alvitra, por isso, que "o dólar evoluirá provavelmente nesta direcção num futuro não muito distante".

Ir a compras nos EUA

No entanto, o consenso inclina-se para um período de queda do dólar, similar aos que ocorreram em 1971/73, 1978/79, 1985/87 e 1994/95, ainda que num contexto com outros ingredientes macro-económicos. Esta situação abre uma janela de oportunidade a investidores e empresários estrangeiros que entendam a mensagem de Brad Setser: "Chegou a hora de ir a compras nos EUA. Os activos americanos começam a parecer baratos".

Os analistas citam o exemplo inteligente da China - propostas cirúrgicas de aquisição e fusão (vide o acordo entre a Lenovo/Legend e uma área de negócio da IBM) e lançamento de IPO (entradas em bolsa) no Nasdaq, que têm tido valorizações enormes. Setser vai mesmo mais longe - é o momento de estudar deslocalizações para a América, por parte dos europeus que dependam de exportações para esse mercado. "Exportar da Europa para os EUA não será lucrativo com o dólar fraco. Produzir nos EUA pode ser um dos caminhos para driblar o risco cambial", sublinhou-nos.

Mais um ano de "urso" nas Bolsas norte-americanas

Apesar da euforia dos últimos dois meses de 2004 em várias bolsas do Planeta, os analistas independentes chamam a atenção para o facto que atravessamos ainda um período de ressaca da "bolha" de 2000. As valorizações bolsistas continuam historicamente muito elevadas, o que significa que ainda está caro comprar displicentemente. Análise cirúrgica e espírito "anti-manada" são as recomendações de Peter Cohan e Adam Hamilton. O cientista Didier Sornette continua a prognosticar na sua simulação para 2005 a continuação de mais um ano de "urso" nas bolsas.

Nas bolsas é de esperar a continuação de um clima dominado pelo "urso" (em oposição ao "touro" associado aos períodos de "exuberância" bolsista). O cientista Didier Sornette, nas suas simulações sobre as bolsas (em www.ess.ucla.edu/faculty/sornette/prediction/20041117.asp#prediction), continua a considerar que as norte-americanas não irão inverter esse clima até final do ano. A First Call admite que a "performance" das acções tecnológicas nos EUA venha a ser muito inferior à de 2004 - os ganhos nas acções desse sector deverão ficar pelos 13% em 2005, enquanto que se situaram nos 43% no ano passado.

A tendência global em 2005 nas bolsas norte-americanas será de continuação do período descendente, segundo Adam Hamilton, o analista que no princípio de 2000 antecipou o "crash" do Nasdaq, com base no seu modelo de "vagas longas de valorização". Hamilton contesta a euforia despropositada de muitos analistas e investidores em torno do "aquecimento" bolsista do final de 2004 motivado pelas eleições norte-americanas, que logo foi arrefecido pelo comportamento da primeira semana de Janeiro, tida por muitos analistas como "barómetro" do ano. Hamilton afirma que estamos a viver a parte final de um ciclo bolsista de 30 anos que se iniciou em 1982 e que teve o seu auge especulativo em 1999/2000, entrando desde Março de 2000 num período descendente, em que as valorizações terão de ser "corrigidas" para a sua média histórica.

O multiplicador do valor das acções (tecnicamente designado por PER-price-earnings-ratio) continua no princípio de 2005 muito elevado quer no índice S&P 500 como no Nasdaq 100 - 23,2 no primeiro e 42,2 no segundo, face a médias históricas de longo prazo na ordem dos 14. No caso do Nasdaq 100, Hamilton chega mesmo a falar de "valorização ainda maníaca". "Ora a combinação entre valorizações ainda excessivas e displicência na atitude dos investidores é a melhor receita para o desastre, como a história tem provado. Os sinais coexistem. A altura em que é mais provável o 'crash' é quando muito pouca gente o julga possível. Os mercados são muito consistentes numa maldade - punir os investidores que agem em manada", sublinha Adam Hamilton.

«Os mercados são muito consistentes numa maldade - punir os investidores que agem em manada»
No entanto, Peter Cohan salienta que há muitas oportunidades de investimento nos EUA: "O que se requer é uma atenção cirúrgica". Há empresas cujos preços estão excessivos e que provavelmente irão baixar, sendo uma boa opção de comprar barato e bom no momento oportuno. Por outro lado, sublinha que há empresas em sectores cuja valorização bolsista é garantida num horizonte mais largo. Cohan criou dois índices, um que designa por "e-stocks" - e que vem desde 1998 - e outro, recente, que toma a abreviatura do nome do meio de George Walker Bush, o índice W.

O analista sublinha que o seu índice "e-stocks" se valorizou 367% desde 11 de Setembro de 2001, e que o índice W já subiu 20% desde a reeleição do Presidente Bush. O índice W acolhe os sectores bafejados pela actual orientação da Administração - energias (carvão, gás, petróleo, "commodities" em alta), defesa e logística (derivado da geo-política) e retalho (fruto do consumismo). Nos "e-stocks" encontramos 6 empresas com valorizações acima dos 400% num período de três anos: Internet Capital Group (2603%); CBS MarketWatch (1598%); Meta Group (1175%); e as conhecidas de toda a gente, Amazon (723%) e eBay (437%).

Outra alternativa, diz Peter Cohan, é olhar com atenção para as bolsas que no mundo mais se valorizaram.

"O verdadeiro carácter de um Homem vê-se pelo modo como trata alguém que vai dar-lhe absolutamente nada"

fisher

Caro Pkeno Buda

Permita-me que diga : atenção á leitura deste artigo destes cientistas seus autores, Didier Sornete, Adam Hamilton e os outros.  Os autores embora cientistas estão enganados.

Os mercados de acções não vão entrar em modo Bear nos próximos anos .

Os mercados estão em modo Bull e assim vão continuar por vários anos.É claro que vamos ter correcções . Não há Bull Market sem correcções. Pelo menos este mês ainda é de subidas. Depois poderá haver uma correcção como muito bem indicou o nosso companheiro Sol Dado. Mas é apenas uma correcção e depois de concluída o Bull será restabelecido.
O Dow não volta aos 7500 pontos  até ao fim desta década para confirmar o Bear Market que muitos defendem. A correcção do Dow a ser mais profunda que o esperado pode vir á região  dos 9500 pontos  mas é pouco provável que venha mais abaixo para que a saúde do Bull não seja afectada.

Ao contrário dos cientistas acima referidos a minha opinião é que o Bull é como o Toyota que veio para ficar.  O Bull é para continuar  e estamos num dos maiores Bulls da história dos mercados que os autores do artigo ainda não conseguiram ver. 

Os mercados estão exageradamente subavaliados o que os vai  conduzir á subida.

Se o Bull for tão forte como espero até pode acontecer que a correcção preconizada pelo companheiro Sol Dado seja atrasada uns meses.

Desculpe não concordar com a opinião dos autores  mas acho que  a sua opinião iria prejudicar muita gente.

Opinião pessoal.

Atenção posso estar errado

Cumprimentos e bons negócios

fisher

Garfield

Citação de: fisher em Fevereiro 06, 2005, 01:20

...Os mercados estão exageradamente subavaliados o que os vai  conduzir á subida...

...Desculpe não concordar com a opinião dos autores  mas acho que  a sua opinião iria prejudicar muita gente.

Opinião pessoal.

Atenção posso estar errado

Cumprimentos e bons negócios

fisher


Caro fisher,

todas as opiniões podem prejudicar, basta provarem-se erradas. Mas se já é difícil fazer futurologia sobre os mercados, ainda mais o é sobre vaticínios.

Mas, sem estar a pôr em questão o seu ponto de vista, coloco uma questão, baseada na afirmação citada: que dados levou em linha de conta para concluir que os mercados estão exageradamente subavaliados, sendo que, tal como o artigo o refere, os PER's estão elevadíssimos e sem sinais de alteração; não se verificou um aumento do pricing power derivado do aumento do nº de falências desde 2000, mas sim um aumento de quotas de mercado associado a um esmagamento das margens, situação complicada de manter; a taxa de poupança está nos níveis mais baixos de sempre com um perfil de dívida privada com prazos muito longos, inviabilizando qualquer retoma do consumo no curto prazo; deslocalização de empresas (e empregos) para a Ásia; não há registo de nenhum bull market de longo prazo que se tenha iniciado com PER's abaixo de 15 (para os índices).

E, já agora, porque é que não se pode considerar, para já, a hipótese de termos assitido a um rebound face às quedas desde 2000 e não, o início de um bull market ?

Pessoalmente, gosto de manter todas as minhas opções em aberto.  ;)

Cumprimentos

Garfield
As opiniões e partilhas de informação expressas por mim são meramente pessoais e não constituem, em momento algum, recomendação de investimento.

fisher

Caro  Garfield

Antes de mais obrigado pelo comentário.

Hoje vivemos num mundo  altamente evoluído  e, apesar disso, uma das coisas mais difíceis é a previsão, e a mais fácil é relatar o passado. Como é muito difícil fazer previsões é muito natural que de vez em quando falhem . Infelizmente não há uma receita infalível para fazer previsões certas. A Análise Técnica deveria ser o instrumento infalível para fazer previsões certas sobre os mercados  e infelizmente falha muito como sabe.  Isto para dizer que uma previsão é apenas uma previsão com a possibilidade de falhar.

Mas em minha opinião não se pode viver se previsões . O homem precisa de saber o que irá acontecer Amanhã . Doutro modo sente-se perdido. Na bolsa é igual.

Não tenho dados muito rigorosos para  lhe dar, e julgo que não existem. Porém devo dizer que quanto ao PER dos mercados  não lhe sei dar opinião porque deixou de me preocupa este indicador, não é do meu agrado. Quanto a mim é um indicador muito falacioso . Por vezes quando está muito alto julgamos que os mercados caem e acontece o contrário e sobem . Confesso que não sei lidar com o PER,  admito que haja alguém que saiba lidar com o PER , eu não.

Quanto aos mercados  subavaliados é uma opinião pessoal que resulta da observação dos gráficos.
Veja, por exemplo, o Nasdaq100  , cotado a 1.534 quando em 2000 esteve cotado a  4.781. Resultado ,para voltar aos 4781 terá que subir 2 vezes mais. Não será isto subavaliação. No caso do Psi20 o caso é semelhante , esteve a 15.000 pontos em 2000 e agora está a 8.000 pontos . Terá que subir quase o dobro para atingir os valores de 2000. Não será isto subavaliação.

Quanto ao rebound não vejo porque será um rebound e não a continuação do Bull Market que vinha de trás. Não me parece um rebound porque já dura há dois anos e os indicadores indicam subida , nomeadamente a mm200.

Depois veja o melhor indicador ,de natureza fundamental, a taxa de juro que na América anda na casa dos 2,5%  . A baixa taxa de juro, quanto a mim, é como um motor Turbo a empurrar os mercados para cima.

Caro Garfield não pretendo que concorde comigo apenas quis partilhar a minha opinião com todos os companheiros e chamar a atenção que ao contrário do que muitos pensam os mercados podem subir bastante.  De momento estou mais convencido disso depois de ver as sondagens deste fórum que dão subidas para 2005 e a sondagem para Fevereiro que eu próprio propûs  e que a maioria aposta na subida.

Eu acredito que a verdade está nas maiorias.

Todas as opiniões são boas até se provar que estão erradas.

Bom , se eu estiver errado  vou estar atento para mudar depressa. Mas por enquanto continuo Bull .

Atenção posso estar errado.

Cumprimentos e bons negócios

fisher