Clubeinvest.com — Arquivo Histórico (1997-2011)
Esta é uma cápsula do tempo da comunidade financeira portuguesa. Login activo para membros.
Clubeinvest.com
Home Privado Fórum Acções Índices Metastock Portfolio Managers Publicações Blogs Contacto
 

Editar as notícias:

As mensagens escritas no Phorum (1997-2002) estão guardadas aqui: /phorum3/

Menu principal

Porquê manter títulos em carteira (mensagem de ânimo)

Iniciado por aleixon, Fevereiro 20, 2009, 18:10

Tópico anterior - Tópico seguinte

aleixon

Boa tarde,

Prentendo de certo modo tentar confortar os investidores do CI que de alguma forma entraram no mercado accionista, estando perdedores e com o acumular das notícias de péssimismo se sentem sobretudo desanimados.

Para dar uma descrição o mais credível possível vou expor o assunto de um modo matemático e que assenta nas variações actuais face aos valores de entrada.

Para exemplificar, vamos supor um valor de entrada de 1,8 eur com uma desvalorização até aos 0,6. Actualmente somos constantemente bombardeados com informação de desvalorizações com valores diários algo assustadores mas que resultam da forte descida da base de cálculo. Consideremos em termos brutos uma variação de 0,1 euros que representa uma variação de 17% com base na cotação actual (0,6 euros). Se a cotação estivesse próxima do preço de compra, esta variação representaria apenas 5,5%.

Ou seja, uma variação de preço (em termos brutos) que se poderia considerar toleravel no inicio ano passado, neste momento parece ser uma monstruosidade. Julgo que este é uma das principais razões para que a volatilidade se mantenha tão elevada.

Para alguém como eu que nunca tinha atravessado uma crise destas, por vezes a paciência quase que se esgota e dá vontade de sair e nunca mais voltar a este negócio. Mas quando realmente se fazem as contas, verifica-se que realmente existe motivos para sermos pacientes.

Vamos ver se isto começa a subir qualquer coisinha!
1A e bfds
NA

Jesse

#1
Mesmo quando não existe motivo para ter esperança nós inconscientemente temos esperança.
O ser humano é assim, e é assim com todos.

Li num livro um conselho de um especulador ( investidor) que disse que se deve ter esperança e por vezes até ganância com a tendência a nosso favor e medo com a tendência contra nós.
Bom conselho este, eu sei que não é fácil pensar assim.
Às vezes realizamos o lucro depressa demais e pelo contrario quando se está a perder deixamos o tempo passar e com isto aumentamos a perda. Isto acontece com todos, comigo também acontece, ainda ontem aconteceu, por mais regras que se possa ter, como somos humanos, acabamos por cometer um ou outro erro. Mesmo não repetindo o mesmo, muitas vezes, parecido, mas o problema é pior para aqueles que acham que não erram e que quem erra é o mercado, acho que esses são os que terão um problema maior.

O problema de muitos "investidores", é a falta de conhecimento quando compram uma acção, a ideia que tenho é que as pessoas olham para os mercados de capitais do mesmo modo que olham para uma conta poupança reforma. Só mais tarde descobrem que estão longe da realidade, apesar de no fim desta crise, as empresas que se aguentarem terão uma subida considerável, a seguir a grandes ciclos de descida há grandes ciclos de subida, mas quando este ciclo de descida irá terminar? muitos outros, jogam na bolsa como forma de se divertirem.
O conselho que dou é manter as apostas baixas, ter pouco dinheiro nas operações e aumentar posições ganhadoras e reduzir posições perdedoras. Tal como outro jogo qualquer a dinheiro se tratasse, o principio terá que ser o mesmo.

O mais preocupante para quem tem acções é se uma empresa falir ou for retirada de bolsa.
As empresas em Portugal não estão bem organizadas, isso é um ponto comum entre os economistas e vão ter que se re-organizar, era para ter ocorrido nos anos 90, nessa altura já se falava nisso, já se falava que elas tinham problemas, e pouco foi feito, agora terão de fazer algo, apesar de  nada ainda estar ainda a ser feito.

Caso uma empresa não seja retirada de bolsa, todos sabemos que uma compra agora dará dinheiro a longo prazo, (grupo Sonae, BCP) e possivelmente muitas outras mesmo que possam descer para metade do que valem neste momento.

A principal preocupação acho que é essa, se a empresa acaba por falir ou se é retirada ou não de bolsa.

Não sei o que irá ocorrer nos mercados, há quem diga que o S&P pode ir a 350-400, ter uma queda ainda mais de 40%.

Há sempre opiniões diferentes, uns acreditam mais na subida e outros mais na queda, haverá sempre bulls e bears no mercado mas nem uns nem outros sabem a certeza do que irá acontecer nem nunca vão saber antes de ocorrer, mas isso não é o mais importante, pode dar a ideia que é, mas não é.
O importante é gerir as posições partindo do presuposto que não sabemos o que vai acontecer a seguir porque de facto é essa a realidade..

Para quem coloca de parte a hipotese de vender a posição mas tendo a ideia que os mercados podem cair mais, é possivel fazer hedging, o proprio Warren Buffett faz na sua empresa. 
Tendo posições no lado da descida permanecendo com as acções no lado da subida, perdendo assim de um lado mas retirando lucro do outro. É possivel o fazer com ETFs que são instrumentos em tudo iguais a às acções.  Há bastante variadade de ETFs para queda, mas é possivel fazer com outros instrumentos mais complexos como os derivados. É pelos menos a terceira vez que digo isto aqui no forum, não tenho nada de novo para dizer.
(*) Utilizador banido do Clubeinvest

bigonesto

Está quase, em tempo, acredito eu, isto é:
segundo a minha ideia poderá descer ainda muito em valor mas não durante muito tempo, já que falamos tanto de análise técnica, porque não pensarmos em termos temporais, estas coisas duram entre 2 a 3 anos,, vamos fazer 2 anos (verão 2007) e escusam de vir os profetas da desgraça dizer que dura 15 anos, como já vi num sério canal de televisão estrangeiro, só se ficasse tudo nacionalizado, não há privados que aguentem mais de 2 anos de resultados negativos.
É natural que tenhamos 2 fases durante a desgraça: 1- down, 2-ténue recuperação devido a compras adiadas que não podem mais ser adiadas, 3- down.
Efectivamente neste caso só tenho visto down, mas já não espero a ténue recuperação porque ela se processou por sectores e foi abafada pelo super down da banca.
há efectivamente boas oportunidades, e mais, quem estiver com sectores defensivos, nomeadamente utilities, vai ter a alegre surpresa de ver recuperar como se de um mercado emergente se tratasse, porque foram arrastadas sem razão (TELECOMS; ENERGIA...), é ver os dados com atenção tendo particular atenção á dívida (ainda não está totalmente afastado o risco de deflacção).
Quanto a manter em carteira, própriamente, desde que se siga a máxima: não remar contra a maré, embora às vezes apeteça só para provar que temos razão, só que isto não é a feijões.
Há sempre a hipótese de manter em carteira com ums Warrants ou CFD´s ou ETF's curtos de forma a minorar danos.

aleixon

Viva Jesse,
Já por diversas vezes trocámos ideias e ambos sabemos que temos maneiras divergentes na postura de investimento. Óbviamente que dou a mão à palmatória pois a descida foi bastante mais profunda do que alguma vez poderia imaginar mas de qualquer modo, apesar da quebra que tive considero que tenho construída uma carteira bastante sólida na sua globalidade e mesmo assim a minha performance foi e continua a ser superior aos indices e à gestão por profissionais.

Hoje foi novamente dia de algumas compras e o que tenho reparado é que o mercado já não está a evoluir em massa, ou seja da mesma maneira de sector para sector, mesmo intra sector já se consegue distinguir aquelas que ainda estão a bater novos minimos e outras que já reflectem suportes mais sólidos. O mercado começa a fazer uma selacção natural...

Ora se estivesse de fora tal como o Jesse, significava que estaria com 100% de liquidez, mas o que eu pretendia dizer na primeira mensagem é que para os mais "catrastofisticos", o risco do dinheiro aplicado em acções comparado com o que está debaixo do colchão, no pior cenário terá rigurosamente o mesmo risco. Pessoalmente continuo a considerar que alguma aplicação bolsista continua a ser mais vantajosa. Mas repito, as nossas maneiras de ver o mercado são completamente distintas pois, baseado na análise de risco do pior cenário ser muito remota e no caso de acontecer existe um empate nas duas estratégias seguidas, o facto é que neste momento as empresas com uma estrutura forte de capitais e em determinados sectores mais estáveis, são uma oportunidade única de investimento.

Agora uma coisa que não entendo e que gostaria que explicasse melhor é essa teoria de hedging que indicou. Talvez tenha um conceito diferente do seu!!

Eu aplico hedging quando, por exemplo, quero eliminar o risco cambial de acções em dolares (ao comprar titulos americanos, em simultâneo abro uma posição de igual montante onde vendo dolares e compro euros e ainda por cima recebo alguma coisa pela diferença da tx de juros - swap). Ou seja, quer o dolar valorize ou desvaloriza, o valor do investimento na globalidade não varia (apenas varia a par com a oscilação da cotação do titulo).

Agora fazer isso com etf ou cfds é que realmente não entendo. Só por esta afirmação quase que juraria que é cliente da JLC pois foi esta a mensagem que eles hoje lançaram. Mas pessoalmente julgo que quem usa este tipo de estratégia anda perfeitamente ao sabor do vento e de forma alguma a posso considerar como uma operação de hedging. Ou seja, se compro uma determinada acção e em simultaneo vendo o mesmo montante em cfds ou etfs, na melhor das hipoteses estou a construir um negócio que não vou ganhar nada!!! (se o valor da acção descer o valor do cfd ou etf sobe => resultado nulo => não saber a direção do mercado) Ou não é assim?
Obrigado pela atenção dispensada e votos de um bem fim de semana.
NA

Jesse

#4
x
(*) Utilizador banido do Clubeinvest