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Stock Sectors - Análise

Iniciado por Paff, Dezembro 09, 2009, 23:31

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Paff

SECTOR FINANCEIRO

O sector Financeiro é constituído em grosso modo por entidades bancárias (bancos regionais, nacionais, banca de investimento), seguradoras e re-seguradoras e entidades relacionadas com a gestão de fundos imobiliários (REIT's).

Este sector tem sido dos que mais tem sofrido com a actual conjuntura, estando mesmo no centro do enorme furacão que tem varrido a economia mundial. Bancos fortemente descapitalizados, algo que se alicerça nos graves problemas da industria do imobiliário, têm levado este sector a mínimos consecutivos desde meados de 2007. O mínimo acabou por ser atingido em Março de 2009, e desde então, tem-se registado uma recuperação do sector. Outubro registou o máximo deste ano, momento a partir do qual se tem registado uma consolidação do sector até agora.



Afigura-se-me evidente a formação de uma formação triangular, com a base do mesmo triângulo a constituir um suporte de médio-prazo, iniciado em Agosto. A cotação do XLY encontra-se a oscilar também entre EMA's, pelo que o momento actual se começa a configurar como cada vez mais decisivo. Interessante que tal aconteça precisamente no final do ano.

Em termos comparativos, optei por apresentar o rácio que relaciona o sector com a performance do S&P500. Sempre que este rácio diminui (tal como no actual momento) significa que o sector financeiro se encontra em sub-performance face ao S&P. Tal vem sucedendo precisamente desde os máximo de Outubro.

Assim, as próximas semanas irão definir, consoante a quebra do triângulo ocorra em alta ou em baixa, sensivelmente a subida/descida do sector em cerca de 10% face aos actuais níveis. Tempo de aguardar.

Uma última referência ao fair value do sector, que actualmente se encontra "undervalued".




Top Pick Internacional: Hudson City Bancorp (HCBK); Validus Holdings (VR)

Top Pick Europeia: Credit Agricole (ACA.PA)

Top Pick Nacional: Não considero o mercado nacional particularmente atractivo neste sector. No actual contexto, prefiro claramente financeiras internacionais.

Paff

Disclaimer: Detenho acções da HCBK na minha carteira pessoal e detenho acções da VR no meu portfólio da plataforma "Portfolio Managers"

Paff

#1
SECTOR TRANSPORTES

Em primeiro lugar devo começar por referir que em muitos dos casos, o sector dos transportes vem incluído no sector, ou super-sector, industrial. Considero no entanto que esta inclusão começou por dever-se a motivos históricos, nomeadamente a ligação entre o transporte de mercadorias da industria manufactureira. Hoje em dia, e mesmo devido a algumas características muito particulares a este sector, julgo de maior sensatez definir os Transportes como um sector em si.

Este sector inclui então as transportadoras aéreas ( mercadorias e passageiros), transportadoras marítimas, rodo e ferroviárias. Ainda muito recentemente, uma das principais transportadoras ferroviárias fez manchetes em todo o mundo financeiro. A compra da BNI pela Berkshire Hathaway veio demonstrar a importância que  este não tão excitante sector continua a ter no ciclo económico. Em especial nesta época recessiva/depressiva que vivemos, em sectores bem mais entusiasmantes como o tecnológico ou o financeiro andam pelas "ruas da amargura".

O facto de o sector dos transportes ser um sector pró-cíclico, mais especialmente de início de ciclo, surge a meu ver como umas das explicações para a decisão de Buffett em apostar num dos seus componentes precisamente nesta altura. Regra geral, assim que a economia como a mostrar os primeiros sinais de retoma, em que as indústrias podem começar a perspectivar aumentos de produção, é apenas natural que seja este sector um dos primeiros a ganhar com esta revitalização da actividade económica. Aliás a par do sector financeiro.

Uma das outras características deste sector passa pela influência que a cotação do petróleo sobre ele exerce. Influência essa que age de forma dispar dentro do mesmo sector.

Se por um lado, tal como o gráfico seguinte evidencia, a indústria do transporte marítimo beneficia, e beneficiou, da alta do crude; algo bem visível na influência do preço do petróleo nas tarifas praticadas no Baltic Dry Index...



... já no que concerne às restantes indústrias, em especial por exemplo ao nível do transporte aéreo de passageiros, esta relação é precisamente oposta.



Julgo que estas duas relações se tornam ainda mais evidentes no actual contexto económico, senão veja-se: quando a economia cresce e o consumo está em alta, muito mais fácil é a qualquer empresa deste sector, mesmo as transportadoras de passageiros, conseguirem passar para o cliente o aumento de custos (energia); já na actual fase, em que o consumo se retrai fortemente, apenas as empresas e indústrias que de alguma forma estejam ligadas a um consumo não discricionário.

Assim, penso que este sector será dos primeiros a reagir positivamente caso se confirme o início da recuperação económica. Chamo a atenção para o caso das transportadoras marítimas, que ainda que o petróleo recupere para níveis superiores de cotação, poderão não ver a sua cotação a reagir como no passado, uma vez que em muitos dos casos estas empresas estão com dívidas bastante precárias. No caso das companhias aéreas, este costuma ser o sector em que de forma mais comum se aposta aquando da queda do crude, e vice-versa.

Top Pick Internacional: CSX Corporation (CSX); Guangshen Railway (GSH)

Top Pick Europeia: N/A

Top Pick Nacional: Em Portugal só existe uma empresa neste sector...a Brisa. Isto por si só não significa que a considere como pick. Apenas saliento o facto

Paff

Disclaimer: O autor não detêm nenhum destes títulos.


Antunes

Boas Paff,

Quais os critérios que usas para as tuas top picks?

Abraço,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

Paff

Citação de: Antunes em Dezembro 11, 2009, 10:51
Boas Paff,

Quais os critérios que usas para as tuas top picks?

Abraço,

Antunes


Viva Antunes,

As top picks fazem parte da minha watchlist sectorial. Acções que sigo há algum tempo e que, em alguns casos, já entrei. Utilizo a análise fundamental para escolher candidatos, sendo que depois a AT define momentos de entrada.

Cps,

Paff

Antunes

Perguntei porque a Validus Holdings (VR) pareceu-me bastante interessante mas falta mais informação, nomeadamente os EPS anteriores a 2005...
Cumprimentos,

Antunes

Paff

Citação de: Antunes em Dezembro 11, 2009, 16:59
Perguntei porque a Validus Holdings (VR) pareceu-me bastante interessante mas falta mais informação, nomeadamente os EPS anteriores a 2005...

Segundo sei a Validus está em actividade apenas desde 2005, daí a falta de informação adicional.

Paff

Antunes

Boas,

Perguntei porque poderia nascido de uma fusão de 2 ou mais empresas. De qualquer forma tem um EPS com muita volatilidade...

Obrigado,

Antunes
Cumprimentos,

Antunes

Paff

SECTOR TECNOLÓGICO

Composto por empresas cujo negócio se relaciona com a produção de componentes electrónicos, criação de software, hardware ou produtos e serviços relacionados com as tecnologias de informação, o sector tecnológico é tido como um dos mais pró-ciclicos de entre todos os sectores que compõem o S&P. Mais do que pró-cíclico, trata-se de um sector que responde rápidamente às subidas de mercado, estando portanto entre os sectores considerados de início de ciclo. Regra geral, o momento melhor de entrada converge com o fundo do período recessivo, em que o crescimento atinge um fundo e as taxas de juro param de descer (provavelmente o momento ideal de entrada tenha sido o 3º trimestre deste ano, devido a estes motivos).

Outra característica interessante passa pelo facto de este sector ter Beta's superior a 1. O beta mede o grau de volatilidade de uma acção (ou neste caso de um sector) face à generalidade do mercado. Quando esta medida é superior à unidade, significa que esse título/sector sobe mais e desce menos que o mercado como um todo. Tal facto aplica-se ao sector tecnológico também pelo elevado número de growth stocks neste sector. Estes caracterizam-se pelos enormes retornos que podem originar.... e pelo enormes riscos que lhes podem, e muitas vezes efectivamente, correspondem.

Ao longo do último ano, este sector tem vindo em subida, em especial desde o fundo dos mercados em Março. Contudo, tal como a parte de baixo do gráfico evidencia, sobe e desce a níveis superiores ao S&P, daí o maior risco associado.



Já o  gráfico de médio-prazo mostra um canal ascendente muito bem definido, sendo que no curto-prazo parece visível um triângulo ascendente. Este triângulo, aliado a um divergência bearish ao nível do indicador estocástico, parecem indicar a possibilidade de um retest do suporte de médio-prazo.

Por outro lado, tal possibilidade converge com o inicio do ano de 2010 e com a possibilidade da rotação de carteiras. Assim, e com a perspectiva de crescimento económico para o próximo ano nos EUA, julgo que a ida ao suporte e o retomar do movimento de subida poderá ser uma forte possibilidade. Aguarde-mos até lá.



Top Pick Internacional: Syntel Inc. (SYNT); Sohu.com Inc (SOHU)

Top Pick Europeia: N/A

Top Pick Nacional: Novabase


Paff

SECTOR INDUSTRIAL

O sector industrial ou de bens de capital (definição utilizada por diversas entidades) define-se como o sector constituido por empresas relacionadas com a produção e distribuição de bens. Pessoalmente optei por diferenciar os sector dos transportes, até pelas características muito próprias e heterogéneas que tem. Ainda assim, este sector costuma ser incluído muitas vezes no sector industrial, aliás como o ETF que aqui refiro o faz.

Este sector caracteriza-se pela sua forte sensibilidade em relação à actividade económica. Em períodos de expansão, com o consequente aumento do consumo, as indústrias que o constituem retiram partido da procura acrescida. Naturalmente que é também dos primeiros sectores a sentir o movimento inverso. Uma forma de se começar a detectar possíveis problemas ao nível destas empresas passa pela análise dos inventários, nomeadamente das crescentes acumulações que a deterioração da actividade económica implica.

Analisando o gráfico seguinte, torna-se bem visível a relação directa atrás referida, com a subida quase paralela entre este sector (aqui representado pelo ETF XLI) e o S&P. Algo que me parece um pouco preocupante passa pelos volumes cada vez menores ao nível das subidas, ao passo que as correcções têm sido feitas cada vez com maiores volumes. Denoto também uma divergência bearish entre os máximos de cotação e o RSI.

Segundo alguns analistas, a melhor fase para se entrar neste sector surge quando os mercados financeiros já vão em plena recuperação, enquanto que a actividade económica começa a iniciar o movimento ascencional. Acredita-se, de uma forma generalizada (mas não unânime) que este lag possa-se cifrar entre os 9 meses a 1 ano. Assim, julgo que o 1º trimestre deste ano, caso se confirme o retomar do crescimento económico, nomeadamente nos EUA, e talvez após uma correcção que a AT parece sugerir; que possa ser uma altura interessante para entrar neste sector.

Analisando o etf XLI, julgo que esta correcção poderá andar entre os 5% e os 11%, consoante se possa ir até ao suporte junto dos $27, ou à EMA 200, neste momento nos $25.32.



Deixo também a lista das 25 principais participações que compõem o XLI:




Top Pick Internacional: Waste Management (WM) (análise de 03/09/2009); USG Corp (USG)

Top Pick Europeia: N/A

Top Pick Nacional: Altri

Paff

#9
SECTOR DE MATÉRIAS BÁSICAS

O sector de matérias básicas (materials) é constituído por empresas que se dedicam à extracção, desenvolvimento e processamento de matérias primas. Inclui assim empresas mineiras e de refinação de metais, produtores químicos e empresas vocacionadas para o aproveitamento dos recursos florestais e agrícolas.

O crescimento económico é um factor determinante na evolução deste sector, uma vez que é na sua globalidade bastante pró-cíclico. Situa-se regra geral no início do ciclo económico de subida, daí ser este o melhor momento para se entrar em títulos deste sector. Utilizei a palavra "globalmente" porque existe um sub-sector que reage de forma diferente face à conjuntura. Estou a falar da indústria de extracção e comercialização de metais preciosos.

Matérias como o ouro, a prata e metais preciosos no geral, constituem não raras vezes um refúgio de valor em tempos de recessão ou desconfiança. Veja-se o caso da evolução do ouro nos últimos anos, e a forma como as cotadas com ele relacionadas evoluíram positivamente ainda que a economia mundial estivesse a viver uma crise quase sem precedentes.

Para quem quiser seguir este sector, sem se preocupar com a alocação de capital a certas empresas em particular, poderá incluir na sua carteira o ETF XLB (Materials Select Sector SPDR). A composição deste etf pode ser vista no seguinte quadro (25 principais posições):


Perspectivas para 2010

O início do ano começa por estar marcado por esta correcção de mercado que se vive. Pessoalmente continuo a acreditar que se trata de uma correcção, muito apoiada em um conjunto de indefinições que ainda subsistem. Reparem que muito do movimento de descida ocorreu após a proposta de Obama sobre o redimensionamento dos Bancos. Tal como a JPMorgan avança, a par desta incógnita surge a questão da Grécia e a vontade da China em controlar o seu crescimento. Tudo questões de facto muito importante, todas elas bastante impactantes ao nível do crescimento global, e naturalmente com influência neste sector, mas também todas elas incógnitas. Acho que neste caso está a acontecer a antítese do que se costuma dizer, e se está a vender no rumor. A ver vamos.

Assim, este sector em particular está a ser a maior vitima do mercado, com quedas superiores a 11% desde o início desta correcção (mais que o dobro do que a média de mercado)...



... sendo naturalmente o mais sobre-vendido.




Tal vem acontecendo ainda que uma grande percentagem dos resultados têm superado as estimativas previstas. A velha discussão entre estimativas demasiado defensivas ou resultados realmente fortes continuará a ter lugar, mas que tem acontecido é um facto.


Como sector pró-cíclico, as matérias básicas estarão em 2010 francamente dependentes do desvendar das incógnitas acima referidas, e da forma como influenciará a evolução do ciclo económico. As picks seguintes, tentam aproveitar as suas possibilidades de evolução de mercado. Por um lado, uma continuação em 2010, das fortíssima procura em torno das commodities, e, por outro, a possibilidade do recrudescer da crise e do regresso ao papel de refúgio do metais preciosos.

Top Pick Internacional: Alcoa (NYSE: AA); Hecla Mining (NYSE:HL)

Top Pick Nacional: N/A


Paff





Paff

#10
SECTOR HEALTHCARE (CUIDADOS DE SAÚDE)

Este sector compreende todas as empresas relacionadas com a área dos cuidados de saúde. Desde hospitais, clínicas, farmacêuticas, empresas relacionadas com a pesquisa biotecnológica, empresas de gestão hospitalar, bem como uma miríade de empresas que se dedicam à comercialização de bens e serviços vocacionados para este fim.

Regra geral, este sector é tido como anti-cíclico, sendo mesmo considerado defensivo por muitos dos analistas. Para quem deseje uma exposição globalizante a este sector, o ETF Health Care Select Sector SPDR (NYSE: XLV), que tem na sua composição as seguintes empresas (25 principais):


Para uma análise mais extensa e detalhada sobre este sector, com as perspectivas, análise sub-sectorial e stock ideas para 2010, queiram consultar a análise por mim feita a 24 de Janeiro.

Paff


Paff

#11
SECTOR CONSUMO DISCRICIONÁRIO

Neste sector estão contempladas as empresas que comercializam bens e serviços de consumo, não sendo no entanto de primeira necessidade. A indústria automóvel e de componentes, os media, o retalho de bens duráveis e de vestuário de maior valor e as empresas relacionadas com serviços não essenciais, são os seus principais componentes.

Este sector é claramente pró-cíclico, estando bastante dependente da procura privada. Básicamente, é o sector oposto ao sector de consumo básico (consumer staples). Outra das características é a sua natureza de início de ciclo, precisamente quando se registam os maiores aumentos percentuais de aumento de consumo.

Uma forma de exposição a este sector passa pelo ETF Consumer Discret Select Sector SPDR (NYSE: XLY), que é composto pelos seguintes títulos (25 principais):


UM gráfico interessante é o que mostra a performance deste sector ( e do seu oposto) ao longo to último ano, face ao S&P500.
Linha ascencional significa que o sector se encontra a superar a performance do S%P. Interessante constatar que desde 19 de Janeiro (marcado pelo ponto preto no gráfico), altura em que os mercados atingiram o seu máximo, ambos os sectores terem tido uma performance superior ao restante mercado. Uma das possibilidades enquadra-se na perspectiva de melhoria económica, e consequente aumento do consumo, nos EUA em 2010.


Paff


Paff

#12
Sector de Consumo Não-Cíclico

O sector de consumo não-cíclico comporta as empresas que se dedicam à venda de bens alimentares, bebidas, tabaco e produtos de casa. Tido como o sector mais “aborrecido” de todos quantos compõem o S&P, é no entanto o mais defensivo. Mas, porquê?

Este sector caracteriza-se pela sua menor correlação com a evolução da economia. Em épocas de menor crescimento económico, ou mesmo de recessão, o consumo de produtos deste sector tende a não ser particularmente afectado. Os bens essenciais de consumo, aqueles que podemos encontrar nas nossas despensas, têm uma menor elasticidade preço do que quaisquer outros produtos e serviços. Significa isto que quando os preços aumentam a procura destes produtos não se ressente tanto quanto a procura de outro género de produtos, como por exemplo os tecnológicos.

Do ponto de vista do ciclo dos mercados, o sector de consumo não-cíclico enquadra-se nos momentos finais do bull market. Assim, enquanto que no início de um bull market, o mercado se vira para os sectores mais pró-cíclicos e paras as growth stocks, deixando esquecido este sector, nos momentos finais do mesmo, quando as perspectivas escurecem, os títulos deste sector surgem como ilhas de valor seguro, o mesmo valor seguro que antes fora encarado como valor aborrecido.

Para se ter uma ideia, o Beta histórico deste sector ronda os 0.80, ou seja, por cada subida do S&P de 1% o sector sobe apenas 0.80% (reparem nos dois gráficos seguintes e na forma como este valor se mantêm para o último período comparado).




O mesmo é contudo válido nos momentos de descida. Este sector é muitas vezes colocado nos portfolios no contexto de diversificação, junto das obrigações, do petróleo, do ouro e outras commodities. As empresas caracterizam-se pela estrutura sólida, por negócios de baixa volatilidade de receitas e, não raras vezes, por políticas de dividendos estabelecidas ao longo de anos ou mesmo décadas.

Alguns exemplos de empresas deste sector são a Procter&Gamble, a Coca-Cola e Wal-mart. Como curiosidade, vejam-se as principais participações no portfólio de investimento da Berkshire Hathaway de Warren Buffett, e o número de empresas deste sector que dele fazem parte:



Para quem pretenda uma exposição generalizada a este sector, recomendo a análise detalhada do ETF  Consumer Staples Select Sector SPDR (NYSE:XLP), composto pelas seguintes 25 empresas (principais participações):



No actual contexto do ciclo económico, não avanço com nenhuma empresa deste sector enquanto possível stock-pick, e isto porquê? Com a perspectiva de crescimento económico nos EUA, e é de acordo com essa perspectiva que falo, não me parece que qualquer empresa deste sector possa ser considerada uma aposta mais certeira do que escolhas de títulos em sectores claramente mais pró-cíclicos, como o tecnológico, o farmacêutico ou o financeiro.

Ainda assim, ressalvo que no contexto de um portfólio equilibrado, a presença de títulos deste sector não deva ser descurada, podendo mesmo ser o contra-balanço de valor e solidez necessário em momentos mais recessivos ou de fim de ciclo. Considero que o ciclo ainda agora começou.

Paff





Paff

Sector Utilities

Este sector é composto por empresas relacionadas com a produção, geração e distribuição de electricidade, bem como companhias que atuam na área dos gás natural e exploração e distribuição de água.

Tido como um dos mais defensivos sectores, as utilities, caracterizam-se por serem empresas maduras, que operam num mercado também ele maduro, sem grandes perspectivas de crescimento. Tal sucede porque a existência de monopólios ou oligopólios é uma norma, tornando as barreiras à entrada muito elevadas. Barreiras estas que se adensam pelo elevado peso dos investimentos em capital fixo que o sector necessita, fazendo com o peso da dívida seja muito elevado neste sector.

O facto de terem de lidar com dívidas de longo-prazo muito elevadas, torna a influência dos movimentos das taxas de juro determinante na evolução financeira destas empresas. Com taxas de juro a crescer (algo que se poderá prever para breve na zona euro) o peso da dívida (nomeadamente dos juros) torna-se maior, o que leva em regra geral a que este sector seja relegado para segundo plano perante este cenário.

Por outro lado, num ambiente recessivo ou de menor crescimento económico, em que os bancos centrais optem pela descida das taxas de juro para reavivar a economia, e enquanto esta não cresce, as utilities passam a ser uma escolha interessante, principalmente devido a uma característica... os dividendos.

Uma vez que muitas destas empresas actuam num contexto de receitas estáveis, sem grandes perspectivas de crescimento (puras value stocks em alguns casos), as administrações decidem-se pela distribuição de dividendos como forma de remunerar os seus accionistas. Volto contudo a lembrar que, no actual contexto (perspectiva de subida das taxas de juro devido à crescente preocupação com o nível da inflação na zona euro), estes dividendos serão menos interessantes quando comparados, por exemplo, com os yields das obrigações.

Tal como comecei por dizer, as utilities são tidas como apostas seguras e defensivas, em especial em comparação com sectores como o tecnológico. Assim sendo, a sua correlação com a evolução dos mercados bolsistas, nomeadamente com os principais indíces (no caso expresso no gráfico que se segue, quando comparado com o S&P), é baixa.
O gráfico evidencia que no periodo de Junho de 2008 a Março de 2009, quando o SPX atingiu os seus mínimos, o XLU (ETF representativo do sector das utilities), embora também tenha caído, caiu percentualmente bem menos. O aumento de valor na relação XLU/SPX neste mesmo periodo (representado pelas setas vermelha e verde) assim o demonstra.



Deixo também a tabela que apresenta as 25 principais participações do ETF XLU:




Paff