Eu diria que a Análise Fundamental (especialmente a macroeconomica) tem os seus méritos e é muito válida para prever a evolução futura dos mercados. Mas a forma como isso se faz, pelo que estudo em termos de história económica, é bastante diferente daquilo que nos ensinam na faculdade ou que se poderia pensar numa análise superficial.
Por exemplo, na realidade, a subida do Desemprego é bullish. Se formos ver na história dos mercados, os bull markets começaram sempre com o desemprego bastante elevado e ainda em subida.
Desta vez o desemprego já vai em subida, mas ainda está muito baixo face ao atingido nas recessões anteriores (aliás, ainda não houve nenhuma recessão digna desse nome desde que este Bear Market começou).
Neste momento as empresas só têm um caminho para se manterem no mercado: cortar custos. E onde é que eles são mais altos na estrutura de custos das empresas? Custos com o pessoal.
Portanto, o anúncio de despedimento da Ericsson de 13.000 trabalhadores (li noutro sítio que eram só 7.000), é bullish para a acção pois permite-lhe caminhar no único sentido em que o pode fazer: cortar custos. Sim, porque em termos de aumento de vendas mais vale não pensar nisso nesta altura ... sobe 19% porque caiu muito desde o máximo, e qualquer coisa é motivo para subir 19% num dia, um movimento que nem se vê num gráfico de longo prazo.
Esta é uma tendência das empresas a nível global: cortarem custos via despedimento de trabalhadores, fecharem fábricas nos seus países de origem, para as irem abrir na Índia, na China e noutros locais de mão de obra barata. É o caminho natural ...
Claro que isso provocará a prazo, duas coisas fundamentais:
1) Contínua subida do Desemprego o que inevitavelmente levará a uma quebra do Consumo Privado.
2) Contínua deslocalização de empresas dos locais em que os factores produtivos são mais caros para onde são mais baratos. É a lei do mercado. Da globalização. Da desregulamentação global.
É o que eu venho dizendo já há alguns anos, todos os sistemas económicos experimentados na história, do mercantilismo ao keynesianismo ao marxismo e liberalismo, todos, têm virtudes e defeitos.
O defeito do capitalismo global é a concorrência perfeita. No limite, destrói tudo. Se levá-lo até um extremo, o capitalismo é igual ao comunismo, tudo para todos, ou seja, nada para ninguém ...
A economia e o mundo vão baloiçando em grandes tendências macro e de pensamento global, corrigindo extremos e desiquilíbrios que se criam.
Nos anos 50 e 60 (o período de maior crescimento da economia mundial) todos, políticos e economistas, acreditavam na intervenção do Estado como factor fundamental para a estabilidade e crescimento económico sustentado de longo prazo. Dominava o Keynesianismo. Todos pensavam o mesmo, todos estava errados.
Agora, o neoliberalismo domina como nunca aconteceu a economia mundial, e o modelo norte-americano tenta estender a sua influência e organização a todo o mundo. Ficando grande demais notam-se os seus defeitos.
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