De 7 a 30 de Abril passado, o S&P500 subiu 4,2% enquanto o USD desceu 3,8%. Está de novo a desaparecer a correlação positiva que tem existido nos últimos anos entre a evolução dos mercados americanos e a do USD.
Neste contexto, é muito importante analisar o Dollar Index (DX), pois tem directamente a ver com a preocupante situação económica dos EUA, e particularmente com a sua enorme divida externa. E isto tem uma repercussão decisiva nos investidores estrangeiros dos EUA, sendo cada vez maior o montante de USD em seu poder atendendo aos investimentos acumulados, especialmente em acções, obrigações e imóveis.
Muito mais do que as acções ou os índices, as moedas mantêm as suas grandes tendências durante bastante tempo (vários anos, normalmente). Como bom exemplo, o DX esteve numa tendência de alta contra as principais moedas desde 1995 até 2001, tendo começado a fraquejar nesse ano, e invertendo fortemente para uma tendência descendente a partir do início de 2002. Actualmente, mantém-se a sua tendência de baixa, não sem que o DX tenha estado desde o princípio de 2003 numa zona de suporte fortíssima de muito longo prazo, entre os 98 e os 102, de que só saiu em 10 e 11 de Março, dia em que fez um mínimo a 97.57, atingindo o valor mais baixo em 3 anos, para voltar de novo a refugiar-se na referida zona.
Para além de estar em tendência de queda (de longo prazo) e de ter “cortado” a correlação com o mercado accionista americano, eis que o DX fechou na 3ª. Feira a 97.96, abaixo do limite inferior (98) da zona de suporte, confirmando essa quebra na 4º.feira com um fecho de 97.17. Esta é uma situação de grande importância técnica (e não só…), pois parecem estar reunidas as condições para a continuação e o acentuar da queda do USD.
E a situação é tanto mais decisiva quanto os estrangeiros não residentes, detentores de activos americanos, cada vez vão perdendo mais dinheiro pela desvalorização de USD, o que é muito grave pois são eles que estão realmente a financiar a dívida externa americana, e numa situação destas tenderão muito naturalmente a desinvestir, podendo contribuir para acentuar uma descida de cotações nos mercados americanos. Pode haver aqui um ciclo vicioso em que, mais do que a política monetária do FED, irão ser postas à prova as verdadeiras potencialidades da economia americana.
Se esta perspectiva se materializar, a maior dúvida residirá no tempo que durará uma situação de crise financeira deste tipo nos EUA.
Mas nada é linear nos mercados financeiros mundiais e são sempre possíveis diferentes desenvolvimentos. Mas conseguirão os EUA escapar mais uma vez, adiando o inevitável?
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.