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 WALL STREET - Recuar... para ver melhor
Autor: holly 
Data:   03-06-2003 00:26

WALL STREET – Recuar… para ver melhor


É habitual e natural que o passado (“Recuar”) nos dê lições para o futuro (“ver melhor”)

Tal como o presbíope (que sofre de vista cansada) que tem necessidade de afastar o que está a ler para melhor focar o seu objecto de leitura, também nós, neste momento, temos a necessidade de recuar no tempo para melhor interpretar o que se está a passar.

Hoje, torna-se dificilmente claro compreender o nível das boas performances das bolsas nos últimos meses, tornando-se necessário e recomendável o tal “presbitismo mental” para de mais longe, afastando-nos no tempo, tentarmos avaliar a situação, por comparação e ponderar sobre ela.

Na realidade e aparte algumas excepções,

-As economias em geral estão longe de estar saudáveis, bem piores que há alguns semestres atrás,
- o desemprego continua perigosamente a aumentar,
- os riscos das recessões mantêm-se elevados, quer nos E.U. quer na Europa,
- as dívidas públicas continuam altas,
- os déficites externos nos E.U. atingem recordes,
- os resultados das empresas estão longe do desejado,
- os riscos cambiais, dólar/euro continuam latentes,
- os PIB não estão nada de especial, revelando uma baixa quase generalizada, em relação a anteriores,
- os PER atingem em média valores altos se avaliados pelos resultados presentes e não por perpectivas,
- os perigos do terrorismo mantêm-se, provocando um grande estado de insegurança,
- o crédito ao consumo continua a níveis preocupantes, pela sua elevada dimensão.

Em suma, não parece haver razões para que as bolsas subam.

Então por que é que elas sobem ?

Na realidade estas subidas podem assentar numa perspectiva de recuperação económica no segundo semestre deste ano e em 2004, o que, no entanto, está ainda longe de confirmação, mas a maior verdade é que os movimentos do mercado, neste momento, se baseiam mais nos sentimentos e emoções, em que os investidores actuam mais por “simpatia” e menos pela razão. Para onde vão uns, vão todos os outros, pois que não adianta remar contra a maré e há que aproveitar avidamente a oportunidade.

Por isso o mercado sobe. Sobe, simplesmente porque há mais compradores que vendedores. Mas até quando? Este é o grande problema das bolsas. O problema dos “timings”. Se assim não fosse seria muito fácil ganhar. Acontece é que uma grande parte de nós, tendo uma ideia do que vai acontecer, com muitas probabilidades de estar certo, calcula mal os “timings”, habitualmente por antecipação.
As acções neste momento sobem… mas logo terão que cair de acordo com o seguimento da “tendência de base”, que nesta altura é bear e quanto mais subirem maior será a amplitude da queda.


Voltanto à questão do título e lançando um olhar à situação mundial, nos dias de hoje, será evidente encontrar uma certa semelhança com o período imediatamente anterior aos “dias negros” de 87, quando preocupações fundamentadas sobre a economia dos E.U., desarticuladas relativamente aos mercados financeiros mundiais, obrigaram a uma consertação global. Nessa altura, com o dólar sobreavaliado, o G5 decidiu que qualquer posterior apreciação controlada de outras divisas contra o dólar seria benvinda.

Assim começou acorrida contra o dólar forte, quer interna quer exteriormente, levando à sua depreciação, o que provocou uma euforia no consumo e na subida das bolsas, não impedindo no entanto, mas sim provocando, uma deterioração das condições, com os efeitos da inversão provocada . As bolsas subiram de um modo irracional relativamente às economias, tendo-se verificado grande instabilidade nas taxas cambiais, nas taxas de juro, e nos déficites externos.

Se agora tivermos presente a escalada do dólar após a entrada do euro no mercado e a sua subsequente queda record até aos recentes valores, bem como o estado geral das economias, acompanhada neste último meio ano por uma escalada dos valores das acções em geral, não se torna difícil encontrar certas semelhanças entre estes dois períodos. Também hoje, não há nada verdadeiramente visível (só talvez levemente espectável) que justifique a subida dos mercados de acções, antes pelo contrário.

A economia global está em descontrolo e isso tem que ser corrigido antes mais cedo que tarde demais.
Neste sentido é de louvar o extraordinário empenho e preocupação das autoridades americanas, contrastando com a “habitual passividade da Europa”, no sentido de reencaminhar a economia.

Há no entanto, um perigo latente. A voracidade consumista dos americanos, que apesar de tudo, teima em não perder força.

E perigosa porquê ?

As autoridades financeiras, encarando o consumo como uma perioridade, estão a alimentar a “fogueira”, fornecendo estímulos que conduzem directamente a um crédito fácil. Elas tentam manter esta situação de bem estar aparente, tentando “dar a volta por cima”, aproveitando a disponibilidade da mesma massa monetária, que entretanto não aumentou em virtude do desemprego gerado, criando condições para a injectar no consumo privado, o que poderá vir a revelar-se fatal. Porquê ?

O consumo não tem correspondência com o poder de compra real dos consumidores, das suas aplicações em bolsa nem dos seus investimentos de qualquer natureza. Hoje nos E.U. funciona o sistema de arranjar crédito hipotecário para pagar outros créditos e como os juros são baixos, aparentemente isso não é problema e a “bolha vai aumentando”, até que se verifique um mais que provável “credit crunch” . Esse dia aproxima-se e virá mais tarde ou mais cedo, (cá temos outro problema de “timings”) quando chegar a altura de pagar a factura.

Nessa altura perguntar-se-á : para onde foram os compradores ?
As acções cairão ao ponto de gerar pânico nos investidores, que terão que se desfazer das carteiras e bens para fazer face aos compromissos assumidos. Será então que um novo crash poderá acontecer e muito provavelmente, já não faltam anos para que tal aconteça.


Entretanto Bush aparece pela terceira vez em duas semanas a reclamar uma política de dólar forte, antes da cimeira dos G 8, (o que muito possivelmente contribuiu para uma recuperação do dólar de cerca de 2 cêntimos), mas que contradiz a posição assumida por John Snow, Secretário de Estado do Tesouro da sua própria Administração, que diz exactamente o contrário, o que no mínimo, provoca perplexidade. Há um desentendimento difícil de compreender.

Também Bob Prechter disse recentemente que existe a probabilidade de uma inflação ou hiperinflação emergir, em lugar da deflação esperada (o que poderá ser polémico e discutível) e que entende que há dois barómetros para tal fundamentação:

-Um, o declínio acentuado do dólar,
-Outro, uma forte subida do Ouro.

Parece que a caminhada nesse sentido já se iniciou. Vamos esperar para ver ?...vamos estar mais atentos ? ou vamos “arrepiar caminho”, à cautela.?

Os crashes, como os “tornados” americanos não avisam quando vão acontecer e também, tal como os “tornados” não dão tempo de pôr os bens a salvo. Portanto... muita atenção.

Bastará um rastilho, tal como, por exemplo um novo ataque terrorista de grandes dimensões, para que tal possa vir a acontecer.

Holly, 3 de Junho de 2003

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 WALL STREET - Recuar... para ver melhor  
holly 255  03-06-2003 00:26 
 Re: WALL STREET - Recuar... para ver melhor  novo
Forever 68  03-06-2003 01:11 



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