A Reserva Federal dos Estados Unidos confirmou mais uma vez que vai manter as taxas de juro a niveis minimos durante tempo indeterminado, com o objectivo de lutar contra a desinflação, que perigosamente pode-se tornar em deflação. Ontem após a declaração os investidores compraram acções, já que com as taxas de juro a valores minimos, o investimento torna-se mais barato e também se promove o consumo. Mas este argumento já deveria estar descontado, porque nos últimos meses as declarações de responsáveis do Fed apontam sempre para o mesmo ponto. Mesmo que haja sinais positivos de fortalecimento da economia, as taxas de juro permanecerão baixas, já que o output gap continua a favorecer a desinflação ainda por muitos meses, mesmo que o crescimento atinja valores elevados.
Ainda nos finais de Julho, Bernanke escreveu que prevê que a inflação continue a cair e aponta para um valor de 0,7% em 2004, medido pelo PCE (personal consumption expenditures) price index, se o crescimento do PIB for de 4%.
O Fed não irá cometer o mesmo erro que o Japão, que permitiu a subida das yields e do iene, criando um obstáculo que arrasou a economia a partir de 1995. O Fed prefere arriscar a ter inflação um pouco descontrolada no futuro, uma batalha que sabe que pode vencer, a ter deflação, uma guerra que o Japão ainda não conseguiu vencer.
A reacção ontem dos mercados foi de optimismo, já que os investidores entraram no mercado accionista e largaram as obrigações, contentes por o Fed dizer que as taxas de juro irão permanecer baixas e existirem sinais positivos nos gastos de consumo. Mas não estarão estes dois argumentos um pouco já descontados?
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.