EDP sem necessidade de aumentar capital; quer elevar «cash flow»
Quinta, 4 Set 2003 12:59
A Electricidade de Portugal (EDP) não terá necessidade de aumentar o seu capital para fazer face aos novos investimentos previstos na modernização da rede e expansão no gás natural, disse João Talone, que prioriza a geração de cash flow para os próximos anos.
«É fundamental que, a primeira prioridade seja retomar a forte geração de cash flow», adiantou Talone, em conferência de imprensa.
E será, com base neste capital disponível e com recurso ao aumento do endividamento, que a eléctrica vai financiar os investimentos necessários ao desenvolvimento das operações.
«Não estão em cima da mesa investimentos que obriguem a aumento de capital», afirmou o presidente executivo da eléctrica.
No entanto, este responsável admite poder enveredar por este modelo de financiamento caso surja uma oportunidade de negócio. «Nessa altura, utilizaremos o esquema de financiamento adequado, de forma sensata, tendo em conta, a nossa atitude conservadora».
A EDP vai agregar o negócio de gás natural da Galp Energia, mas Talone não quis especificar qual o modelo que será utilizado, deixando a certeza de que «já sei qual o montante da dívida» com a aquisição do negócio de gás em Portugal.
O líder da EDP tem vindo a afirmar que esta aquisição deverá ser realizada por troca da posição dos 14% que a empresa mantém na Galp Energia.
A eléctrica previa investir 334 milhões de euros na sua rede de distribuição durante este ano, dos quais 50 milhões de euros serão canalizados para a melhoria de qualidade do serviço.
Na primeira metade do ano, foram investidos 342,8 milhões de euros, com cerca de 33,2 milhões de euros correspondentes a investimentos na participada espanhola HidroCantábrico.
A ONI investiu 18,2 milhões de euros no semestre, o que traduziu 5% do total do investimento do grupo.
Geração de cash flow é prioritário
O presidente executivo da EDP adiantou que a empresa quer retomar a tradição de forte geração de «free cash flow».
Neste primeiro semestre, este indicador alcançou «o valor mais elevado dos últimos três anos» na ordem dos 550 milhões de euros, mais 48% do que no semestre homólogo.
«São estes fundos que vão apoiar os desenvolvimentos da EDP e ajudar a viabilizar toda a estratégia», acrescentou a mesma fonte.
As acções da EDP cotavam nos 1,98 euros, a cair 0,50%.
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