O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, admitiu hoje que a economia poderá contrair-se no final do ano, confirmando as suas anteriores previsões e a mais recente estimativa do Governo.
Vítor Constâncio mantém a previsão de evolução económica entre zero e menos um por cento em 2003, salientando que a maior probabilidade se concentra na parte inferior do intervalo.
O economista falava na sessão de abertura do 13º Encontro de Lisboa, que reúne as delegações de Portugal, dos PALOP e de Timor-Leste à assembleia anual do FMI/Banco Mundial.
Apesar deste prognóstico, o governador assume que a concretizar-se essa situação conjuntural não se trata de o fim do mundo. A crise conjuntural que Portugal atravessa "não justifica pessimismos exagerados", disse Vítor Constâncio, que confirmou a queda de 1,8 por cento do Produto Interno Bruto no primeiro semestre do ano.
Para o próximo ano, o Banco de Portugal estima uma evolução mais favorável que vai de zero a dois por cento, intervalo igual ao ponto intermédio de um por cento previsto pelo Governo nas Grandes Opções do Plano.
Vítor Constâncio reiterou os princípios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, apesar de admitir que Portugal teria argumentos perante os seus parceiros comunitários para quebrar o limite máximo de três por cento do Produto Interno Bruto, face à contracção previsível da economia em 2003 e ao esforço de cumprimento do PEC em 2002.
Para o economista, há sinais externos positivos, em particular a melhoria da confiança dos investidores, a subida da generalidade das bolsas internacionais e a recuperação em alguns países europeus. No entanto, lembra que subsistem algumas ameaças, em particular a queda do PIB na Zona Euro no segundo trimestre, o aumento do défice público norte-americano e a descida do indicador de confiança dos consumidores dos EUA avaliado pela Universidade de Michigan.
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