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 A correcção de défice externo americano
Autor: Forever 
Data:   18-09-2003 08:19

A necessidade de correcção do défice externo americano é um dos assuntos mais longamento debatidos na actualidade. O défice significa que os EUA consomem cerca de 5% do PIB mais do que produzem, pedindo emprestado ao exterior. Até há pouco tempo o mundo tinha alegremente financiado o excesso consumista americano. Recentemente surgiram dúvidas sobre a sustentabilidade do défice, decorrentes do declínio das entradas de Capitais; porém no segundo trimestre de 2003, ascenderam a 10% do PIB.

Se os EUA fosse uma média economia aberta com câmbios flutuantes, provavelmente o seu défice externo já teria sido corrigido, mediante desvalorização cambial e/ou forte subida das taxas de juro com o objectivo de arrefecer a procura interna. Porém são uma grande economia relativamente fechada, e o dólar é o principal meio de pagamentos internacionais funcionando nalguns paises como sucedâneo da moeda local. Portanto os americanos pagam ao exterior na sua própria moeda, que beneficia de uma aceitação generalizada. Mais, os activos denominados em dólares, exercem grande atracção, sobre não americanos , encontrando-se os EUA entre os principais receptores do investimento estrangeiro. Difícilmente no curto prazo, algum outro país poderá superar os EUA no que se refere a esta capacidade de atracção devido à flexibilidade da sua economia, ao crescimento da população, à atenção devotada à investigação e desenvolvimento em termos teóricos ou aplicados, à mobilidade social e geográfica, à língua e cultura com divulgação generalizada, ao empenho na criatividade, à enfase nos resultados, resumidamente, no largamente exportado sonho americano.

O facto de, no curto prazo, terem uma significativa parcela dos capitais, que carecem, assegurada, RETIRA PRESSÃO SOBRE A NECESSIDADE DE CORRECÇÃO DO DÉFICE EXTERNO. Na realidade, enquanto o dólar for a principal moeda de pagamentos internacionais, os EUA podem facilmente pagar o seu défice externo, bastando para isso em caso limite IMPRIMIREM MAIS DÓLARES (e, de permeio inflacionarem a economia mundial). Mesmo que a prazo o dólar deixasse de ser a moeda de pagamentos internacionais, o problema do défice estaria temporariamente corrigido, apesar de o ter sido a expensas do resto do mundo.

Admitindo que a correcção do défice americano é desejável e que se adotam métodos ortodoxos, terá sempre uma resolução difícil. A economia Norte americana ao longo dos últimos 20 anos tem vivido um processo de deslocalização de bens transaccionáveis. As principais indústrias foram perdendo competitividade para empresas estrangeiras e, ou definharam ou transferiram os seus centros de produção para o exterior, concentrando domesticamente as operações de gestão, concepção e desenvolvimento de produtos, marketing e financeira. Mais recentemente no seu esforço de redução de custos, estão a proceder à deslocalização de produção de bens não transaccionáveis. Estes deslocamentos tenderão a agravar o saldo comercial de uma forma duradoura e dificilmente reversível no curto prazo. Uma forma fácil de equacionar estas dificuldades estruturais de correcção do défice consiste em ter presentes as disparidades relativas em termos de custos laborais, rendimentos per capita, distribuição de rendimentos e necessidades da população entre os EUA e os paises asiáticos para onde os custos de produção se orientam.

Pretendendo os EUA reduzir o seu défice externo, as autoridades poderão, basicamente, lançar mão de dois instrumentos: A taxa de câmbio e a taxa de juro. Nos últimos tempos o dólar tem-se desvalorizado, sem que o défice externo tenha corrigido. Primeiro porque os padrões de troca não são homogéneos, e, segundo porque os principais parceiros comerciais dos EUA, têm as sua moedas, de uma forma explícita ou implícita ligadas ao dólar. Quando o dólar se deprecia, estas moedas depreciam-se em linha, mantendo-se a taxa de câmbio estável. Num mundo com estas características a depreciação do dólar tem como consquência a apreciação significativa do Euro, arrastando as economias europeias para a recessão em resultado do seu elevado grau de abertura e da relevância do mercado americano para as numerososas empresas da UEM. Alternativamente as autoridades americanas poderiam elevar as taxas de juro, arrefecendo a procura interna e condicionando as importações. Com excesso da capacidade produtiva instalada no mundo, a contracção da procura norte americana conduziria a economia global para uma grave recessão, sem que garantisse a correcção do défice externo Norte americano. (Texto retirado de "ESTUDOS ECONÓMICOS E FINANCEIROS"-Set 2003.

Cumprimentos

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 Tópicos Autor  Leituras  Data
 A correcção de défice externo americano  
Forever 61  18-09-2003 08:19 
 Muito interessante  novo
João Henriques 33  18-09-2003 08:43 
 Para JHenriques  novo
Forever 19  18-09-2003 09:31 
 Muito obrigado pela excelente contribuição!(eom)  novo
Waterman 18-09-2003 09:10 
 Re: Muito obrigado pela excelente contribuição!(eom)  novo
Forever 11  18-09-2003 09:40 



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