Existe uma correlação muito forte entre o índice de confiança dos consumidores e o mercado accionista e assim os dados de hoje podem estar a dar um sinal de aviso, pois caso a tendência se agrave o mercado accionista deve sofrer consequências. Um dos pilares de crescimento económico do próximo ano deverá ser o consumo privado, beneficiando dos tax rebates e da manutenção das taxas de juro a níveis muito reduzidos. A poupança tem vindo a aumentar, o serviço da dívida mantém-se estável e a liquidez existente em depósitos a prazo e fundos de tesouraria está níveis elevados, no entanto, como o desemprego continua sem dar mostras de recuperação e não existe muito espaço para cortar juros se for preciso, a situação torna-se menos estável e pesa nas decisões económicas dos consumidores.
Este assunto tem sido uma das maiores preocupações nos últimos meses. É que com a economia a crescer há vários meses já se deveria estar a criar postos de trabalho em grande número e a situação está a ser inversa, criando um gap difícil de resolver. Uma das razões apontadas é que o crescimento da produtividade tem possibilitado às empresas produzirem mais com o mesmo ou menor número de trabalhadores, logo não contratam mais pessoal, mas o facto é que como a penetração das importações na economia norte-americana é actualmente muito mais elevada do que há dez anos atrás, os efeitos do crescimento estendem-se com maior força para fora da fronteira norte-americana e diminuem dentro do próprio país.
A desvalorização do dólar poderá, por um lado, ter um efeito positivo nesse campo, porque algumas empresas poderão deixar de importar e comprar a fornecedores norte-americanos, e os consumidores poderão optar por produtos fabricados nos Estados Unidos, mas por outro lado, cria um aumento dos preços das matérias primas e diminui as margens de lucro.
A China é actualmente um dos cavalos de batalha dos políticos norte-americanos e existe muita pressão para que sejam criadas barreiras à importação de produtos chineses. Medidas como estas não deverão favorecer a economia.
Em relação à intervenção do Fed e do BoJ no mercado cambial é de esperar que vá acontecendo de vez em quando, já que uma desvalorização rápida põe em risco um fuga de capital. Tem de existir um equilíbrio entre os efeitos positivos da desvalorização do dólar, nomeadamente aumento das exportações, e efeitos negativos, diminuição do valor dos activos em dólar, e isso tem de ser muito bem monitorizado.
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.