Autor: Comentador
Data: 21-10-2003 03:32
Vagamente sonolento, olhando o horizonte sob o telheiro de casa, o meu pensamento deambula por diversas situações desconexas, contraditórias e absurdas. Neste domingo chuvoso, fica paradoxalmente mais claro, que o nosso País está cada dia que passa mais bizarro, menos pujante, numa defensiva triste, economicamente em baixo, embora sabendo que tem potencialidades para mais, mas que não as desenvolve.
A nossa vida pessoal e colectiva deve ser positiva e afirmativa. O tempo urge e Portugal precisa realmente de se encontrar e fazer pela vida.
Picasso dizia que não sabia o que era o génio nem quando ele se manifestava. Tinha era a certeza que, se o tal génio aparecesse, o apanharia sempre a trabalhar. Talvez seja o que nos falta, não o génio, mas trabalhar com determinação e com verdadeiros objectivos, porque assim talvez o tal… digamos talento apareça. Ou, simplesmente, a nossa capacidade se manifeste.
Enquanto, junto a mim, os meus dois cães roem deleitados os seus ossos, dei comigo a pensar que é importante desligar do ambiente negativo que nos rodeia a todos e trilhar com pé firme o caminho que achamos mais promissor. Por mim, já decidi: vou dar o meu melhor naquilo que gosto e sei fazer e vou recusar o espírito de inferioridade, de divergência que o nosso País assume, por exemplo, em relação a toda a Europa comunitária. Não, eu não quero esperar por 2006 para começar talvez a convergir!
Claro que, com os empresários que temos, ainda por cima mal habituados pelo Estado, não é fácil apostar numa direcção segura de melhoria de competência e inovação empresarial. Ganhar uns milhões aqui e investir outros milhões ali, não chega. É necessária uma verdadeira capacidade de intervenção em sectores e indústrias que realmente aumentem o nosso produto e melhorem os nossos rendimentos. Manter, ao arrepio das forças de mercado, os principais centros de decisão empresarial em mãos portuguesas é, portanto, não só uma impossibilidade mas também uma insensatez.
O que o País precisa é de captar investimento estrangeiro a sério, de elevada tecnicidade, com grande valor acrescentado e em sectores que permitam evolução tecnológica e crescimento. Penso que não interessa muito ter inúmeros processos de investimento estrangeiro em análise burocrática, precisamos é de 3 ou 4 projectos de elevada dimensão e tecnicidade, o que deveria constituir um verdadeiro objectivo nacional.
E os sectores que têm futuro e em que já somos bons, devem também ser desenvolvidos, sem deixar de acautelar devidamente as particularidades regionais.
Quanto ao Turismo, essa nova quimera portuguesa, tão em moda e tão em voga, para que não se torne o desencanto das próximas décadas, não vamos pensar que será a galinha dos ovos de ouro. Porque não vai ser. Claro que é um sector muito importante, a vários níveis, que espero que cresça todos os anos. Mas nunca pode ser a base da nossa economia. Não me digam que queremos ser a Jamaica da Europa!?
Um abraço
Comentador
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