Em 2000 realizou-se uma prova de remo entre duas equipas,uma
composta por trabalhadores de uma empresa portuguesa e a outra pelos
seus congéneres japoneses.
Dada a partida, os remadores japoneses começaram a destacar-se
desde o primeiro instante.
Chegaram à meta primeiro e a equipa portuguesa chegou com uma
hora de atraso.
De regresso a casa, a Direcção reuniu-se para analisar as causas
de tão desastrosa actuação e não encontraram diferenças significativas
entre as equipas. Notaram, no entanto, que na equipa japonesa havia um
chefe de equipa e dez remadores, enquanto que na equipa portuguesa havia um remador e dez chefes de serviço, tendo decidido rever esta
constituição com vista à prova do ano seguinte.
Em 2001 após ser dada a partida, a equipa japonesa começou
rapidamente a ganhar vantagem. Desta vez a equipa portuguesa chegou com duas horas de atraso. A Direcção voltou a reunir após forte reprimenda
da Gerência e notaram que na equipa japonesa havia um chefe e dez
remadores, enquanto que a portuguesa, após as medidas adoptadas na
sequência do fracasso do ano anterior, era composta por um chefe de
serviço, dois assessores da gerência, sete chefes de secção e um
remador.
Após minuciosa análise, chegaram à conclusão que remador não se
esforçava suficientemente.
Em 2002 a embarcação foi encomendada ao departamento de novas
tecnologias e dotada de telemetria directa ao satélite português POSAT
com o fim de registar continuamente a posição e a vantagem em relação
ao barco japonês.
Este ano o barco português chegou com quatro horas de atraso.
Após a regata e para avaliar os resultados, celebrou-se uma
reunião ao mais alto nível no piso superior do edifício, chegando-se à
seguinte conclusão:
Este ano a equipa japonesa optou novamente pela ultrapassada
constituição de um chefe de equipa e dez remadores. A equipa
Portuguesa, após uma auditoria externa e um assessoramento especial do
departamento de informática, tinha optado por uma formação mais
vanguardista, composta por um chefe de serviço, dois chefes de secção,
um director da qualidade, dois auditores do IPQ e quatro seguranças que
controlavam a actividade do único remador, ao qual se tinha aberto um
processo disciplinar e retirado todos os incentivos devido aos fracassos
dos anos anteriores.
Após prolongadas reuniões, decidiu-se que, para a regata de
2003, o remador seria contratado directamente do exterior já que o
remador da empresa era incompetente.
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