Hoje houve um factor que passou um pouco despercebido aqui no fórum que foi a subida das taxas de juro em Inglaterra, em 25 pontos base para 3,75%. Esta foi a primeira subida desde há quase quatro anos. Desde princípios de 2000 que a taxa de juro vinha a cair, de um máximo de 6% em Fevereiro de 2000 para 3,5% em Julho deste ano.
No comunicado de hoje, o Banco de Inglaterra refere que a recuperação económica global está a ganhar momentum, apesar da evolução ser irregular. Em Inglaterra, o crescimento económico reforçou-se e o crédito continua forte. As sondagens nas empresas denotam que a recuperação está-se a propagar. O BoE decidiu como medida de precaução subir as taxas de juro, porque os gastos dos consumidores e o mercado da habitação não enfraqueceram tanto como era previsto, o consumo deverá fortalecer-se no futuro, e a desvalorização da libra deverá continuar a ter efeitos inflacionistas na economia.
As próximas projecções do Banco de Inglaterra sobre a inflação e o PIB, serão divulgadas a 12 de Novembro.
Relativamente ao discurso do Greenspan, de salientar três pontos. A preocupação que ele demonstrou sobre o mercado de trabalho, afirmando que o mesmo continua fraco, e que o crescimento do emprego é essencial para que o consumo se mantenha forte. O aumento do rendimento dos consumidores nestes últimos meses foi na sua maioria devido ao corte de impostos. Ele afirma, que os stocks face às vendas estão a níveis baixos, o que leva a crer que se houver um aumento dos stocks, terá consequências positivas no PIB e no emprego.
Segundo ponto, continuou a afirmar que a preocupação do Fed relativa aos preços é da continuação de descida da core inflation, indicando que a "política monetária é capaz de ser mais paciente", ou seja, as taxas deverão continuar estáveis.
Terceiro ponto, mostrou preocupação face ao défice orçamental dos Estados Unidos, afirmando que a partir de 2008 com a geração do baby boom a entrar na idade de reforma vai haver um aumento exponencial dos gastos públicos com pensões e cuidados médicos, e que actualmente continua a ouvir apenas falar de corte de impostos e aumento dos gastos, o que no futuro pode criar uma dinâmica insustentável.
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