Autor: Comentador
Data: 08-11-2003 05:09
Não foi propriamente uma paixão louca, guiada pelo coração e alheia a tudo o resto. Muito menos se tratou de um amor à primeira vista. Mas poderá sem dúvida afirmar-se que, como muitas vezes acontece, foi o homem que tomou a iniciativa, que pacientemente a seguiu e, por fim, a convenceu. Esta é também uma ligação que triunfou, apesar de alguma oposição da família dela.
Aconteceu em 1983, no Nebraska, a Srª. Rose Blumkin tinha 90 anos e Warren Buffett estava a caminho de se tornar um dos homens mais ricos da América.
Quando, depois de longo estudo e acompanhamento, Buffett comprou a sua empresa de mobílias, a mais competitiva e rentável dos E.U.A. no seu ramo, a Srª. Blumkin, ainda detentora de 10% do capital, continuou muito naturalmente a trabalhar na empresa, no seu lugar de Presidente do Conselho de Administração, e disposta a imprimir-lhe a sua costumada e extraordinária dinâmica.
Como grande investidor de longo prazo, Warren Buffett detém inúmeras empresas muito lucrativas e de elevado crescimento. Actualmente, com duas dezenas de biliões de dólares em dinheiro para aplicar, ele não consegue encontrar activos que o possam realmente entusiasmar. Isso não é mais do que o reflexo de uma economia mundial ainda com muitas interrogações. Por um lado a falta de motivação, por outro o facto de o seu império empresarial quase andar por si próprio, faz quase ter pena do nosso amigo, sem ocupações suficientes para passar o tempo…
É exactamente esta a altura que Portugal deveria escolher para preparar o envio de uma delegação, com todos os poderes, para cativar este multibilionário, momentaneamente desincentivado, levando-o a interessar-se pelo problema económico-financeiro português, de forma a poder orientar-nos e criar uma estratégia para a nossa recuperação, que de outro modo se afigura muito problemática.
Na prática, o objectivo seria convencê-lo a tornar-se o consultor financeiro da República Portuguesa. Se ele alguma vez aceitasse, o seu preço nunca seria demasiado caro, disso poderíamos ter a certeza. Por outro lado, não estaria em causa o nosso interesse no dinheiro dele para investir em Portugal. Não, o que nós precisamos é que ele, com a sua capacidade de intervenção a nível mundial, nos proporcione a entrada de novos investimentos estrangeiros a sério, quer em montante quer em importância de projectos, para o desenvolvimento acelerado do nosso País. A brincar, a brincar, depois de tudo o que Buffett já fez na vida, se calhar esta tarefa até seria interessante – endireitar um País que precisa de um milagre para crescer (estou de acordo com Silva Lopes, só que milagres não há!).
Era como se ficássemos com uma Agência Portuguesa para o Investimento nº.2, a juntar à que já existe no Porto, sendo esta outra informal, em Omaha, Nebraska, com um objectivo reforçado de captar negócios internacionais para o nosso país, pondo multinacionais a investir, grandes projectos a arrancar, massa cinzenta a ser aproveitada, o Governo a deixar de complicar, o Belmiro a aplaudir, … Uff!! A perspectiva não era má!
Então, um dia destes, poderíamos começar a esboçar um sorriso, ou mesmo, que diabo, um riso sereno para desenferrujar os músculos da cara, espantando esta tristeza e melancolia que quase nos abate.
Não me digam que não tinha piada, com mais ou menos hipérboles, arranjando a dose certa de realismo, não acham que isto tem mesmo de ser feito? É que, um ano destes, seremos muito provavelmente o 25º e último país da União Europeia e vamos continuar a ouvir uma história de um qualquer chefe político, de serviço na altura, a afiançar que lá para o ano 2043, estaremos de certeza perto da média da União (média essa que, entretanto, terá descido bastante com a entrada dos 10 novos países).
Não queremos isso, pois não? Eu, pelo contrário, já me vejo nesse outro futuro, onde ganharemos nova alma e uma personalidade revigorada, e onde, de tão lançados que estaremos, deixarão de ter importância muitas partes gagas da nossa classe política.
Num panorama desses, já ninguém se importaria que viesse para Presidente da nossa República, aquele senhor engenheiro que esteve a tentar ajudar o Lula a fazer política social no Brasil. E nós ralados!...
Um abraço e …
Espero as vossas empenhadas ideias para pôr de pé este sublime desígnio de convencer o Buffett (o engenheiro não é preciso convencer!). Tudo sob o lema que resumiria o nosso novo modo de ser: “Cuidado, vamos ser um País de sucesso!”
Comentador
Nota
Fica desde já prometido que um dia contarei, em traços gerais, a história da vida de Rose Blumkin. Posso adiantar que é uma vida extraordinária, vivida com determinação, verdade, profissionalismo e muito trabalho. Umas vezes comovente, outras vezes inacreditável, a sua vida pode considerar-se única e é com inveja que digo que ela esteve sempre, mas sempre, muito acima de pessoas normais como nós.
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