Confiança dos consumidores portugueses atinge mínimo histórico em 2003
O valor médio do índice de confiança dos consumidores portugueses atingiu em 2003 o nível mais baixo de sempre, superando o anterior mínimo registado em 1994. Em Dezembro os índices de confiança dos consumidores e dos empresários inverteram a tendência de recuperação.
O valor médio do índice de confiança dos consumidores portugueses atingiu em 2003 o nível mais baixo de sempre, superando o anterior mínimo registado em 1994. Em Dezembro os índices de confiança dos consumidores e dos empresários inverteram a tendência de recuperação.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o índice de confiança dos consumidores em 2003, em média anual, «é o mais baixo de toda a série, superando o anterior mínimo registado em 1994».
A economia portuguesa terá registado uma contracção perto de 1% o ano passado, enquanto a taxa de desemprego atingiu valores máximos dos últimos anos, superando os 6%, factos que explicam o pessimismo dos consumidores portugueses e o porquê de 2003 não deixar «saudades».
Em Dezembro o índice de confiança dos consumidores desceu para 38,4 pontos negativos, valor que compara com os 37,9 pontos negativos de Novembro. Este índice interrompeu assim a tendência de recuperação que tinha encetado em Maio deste ano.
«O resultado obtido no mês em análise reflecte o comportamento mais pessimista evidenciado em quase todas as suas componentes», explica o INE, adiantando que «destacam-se as opiniões sobre a situação económica futura do país e as perspectivas de aumento do desemprego».
Apenas as respostas sobre as perspectivas de constituição de poupança apresentaram uma evolução favorável, contrariando a tendência global.
Confiança dos empresários ao nível mais baixo de quatro meses
O indicador de clima, que mede a confiança dos empresários na indústria, comércio e construção, desceu em Dezembro de 2003 para os 1,5 pontos negativos, atingindo o valor mais baixo desde Junho passado.
O INE corrigiu o registo de Novembro para 1,1 pontos negativos, indicando que já nesse mês a confiança dos empresários tinha recuado, interrompendo a tendência ascendente do índice.
Em Dezembro, após cinco meses de evolução positiva, o indicador de confiança na indústria transformadora inverteu a tendência registando uma degradação. Para esta evolução do indicador, que caiu de 14 para 15,8 pontos negativos, «contribuiu o comportamento de todas as suas componentes», refere o INE.
«Dezembro fica marcado pela manutenção das tendências negativas pré-existentes em algumas componentes e por inversões de tendência nas que vinham registando há alguns meses sinais de recuperação», explica o INE.
Na construção e obras públicas o índice de confiança recuperou de 54 para 53,2 pontos negativos, mantendo a «tendência de evolução ascendente dos últimos meses, em resultado do comportamento positivo de todas as suas componentes».
«Apesar de a globalidade dos indicadores se manter em níveis historicamente baixos, os resultados apurados em Dezembro denotam uma evolução mais favorável no conjunto do sector da construção, em particular as actividades de Construção de Edifícios (Habitação e Não residenciais)», diz o INE.
Em Dezembro também o índice de confiança no Comércio apresentou uma evolução positiva, com uma subida de 11,8 para 11,2 pontos negativos, mantendo a tendência de recuperação dos últimos cinco meses.
«O movimento do indicador no mês de Dezembro é justificado pelas opiniões favoráveis das empresas sobre a actividade do mês e sobre o nível de existências em armazém, mais que compensando as perspectivas pessimistas sobre a actividade para os próximos três meses», refere o INE.
No sector dos serviços o índice de confiança registou um novo mínimo histórico na série iniciada Abril de 2001, ao baixar de 10,6 para 12 pontos negativos. Todos os indicadores sobre a evolução actual do sector revelam uma degradação generalizada da situação económica.
Confiança dos consumidores portugueses atinge mínimo histórico em 2003
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06-01-2004 03:27
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