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 Atenções concentradas nas relações entre a Teixeira Duarte e a Soares da Costa
Autor: notíCIas_pt 
Data:   16-02-2004 04:02

Casamentos e divórcios anunciados na construção

Rosa Soares, Luísa Pinto
PÚBLICO

A aparente "zanga" da Soares da Costa com a Teixeira Duarte suscitou leituras diferentes sobre a estratégia empresarial dos accionistas maioritários das duas construtoras. Este parece ser apenas um episódio de movimentos de consolidação que podem conhecer desenvolvimentos a qualquer momento

A organização do mercado da construção em Portugal está a um passo de sofrer profundas alterações. Ganhar dimensão é uma prioridade e adivinham-se os fenómenos de concentração das empresas, seja pela via das fusões, seja pela via das aquisições, amigáveis ou hostis, tanto nas médias como nas grandes empresas.

A fusão da ACS com a Dragados, concretizada no passado mês de Outubro, acentuou ainda mais a disparidade existente entre as empresas espanholas e as portuguesas. A ACS/Dragados factura mais de 3,5 mil milhões de euros, enquanto o maior grupo português, a Mota-Engil, que concluiu recentemente o seu processo de fusão, atinge apenas os 1,1 mil milhões de euros.

Entre as empresas de topo no "ranking" português, a Somague também já protagonizou uma mediática mexida na sua estrutura accionista - passou a ser detida maioritariamente pela quinta maior empresa espanhola, a Sacyr Vallehermoso - enquanto a Teixeira Duarte (TD) e a Soares da Costa (SC), sendo uma participada na outra, estão com as relações arrefecidas.

Apesar de estar praticamente tudo em aberto ao nível da consolidação do sector, as atenções do mercado estão muito concentradas na SC, por não se perceber que passos podem ser dados pelos maiores accionistas da construtora.

A TD é accionista da SC desde 1998, altura em que comprou ao BCP as acções que o banco "herdara" do universo do extinto BPA. Desde essa altura que as relações entre ambas as empresas sofreram muitas oscilações de entendimento, mas a aproximação não chegou, sequer, para concretizar uma parceria estratégica que chegou a ser anunciada em Fevereiro de 2000, mas que foi denunciada poucos meses depois.

Um episódio mais recente veio azedar a já fria relação. Laurindo Costa, o maior accionista da empresa (detém 32 por cento), transferiu para a Caixa Geral de Depósitos (CGD) um empréstimo que tinha feito junto do BCP, e que, segundo o jornal "Expresso", incluía uma opção de venda das acções.

De acordo com a notícia, esta operação de Laurindo Costa surgiu como uma defesa do accionista fundador da SC às tentativas que a TD estaria a fazer junto de empresas no mercado angolano para que comprassem a participação que detinha na SC. A histórica ligação do BCP à construtora lisboeta deixou o empresário nortenho desconfortável, o que o levou a confiar à CGD a sua dívida pessoal, contraída nos últimos anos para reforçar a sua posição na construtora.

TD não prescinde de participação qualificada

Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial da TD recusou-se a comentar a notícia do "Expresso", designadamente a tentativa de venda da participação aos angolanos, limitando-se a dizer que a empresa "considera a participação financeira que detém na SC estratégica face à previsível evolução e consolidação do sector em Portugal".

Mas a mesma fonte admite que "a existência de accionistas potenciais vendedores de blocos de acções tem levado a ponderações de diversos cenários sobre a futura estrutura accionista".

A mesma fonte da TD garante que todos "os cenários equacionáveis" têm sempre como objectivo "o desenvolvimento da Sociedade Soares da Costa e a manutenção de uma participação qualificada por parte da TD" e garantiu que a concretização de qualquer um deles "passaria sempre pelo acordo dos actuais accionistas".

"A TD não está necessitada de reduzir o seu endividamento e, se estivesse, não seria por esta via, pois um dos pontos assentes pela Teixeira Duarte, relativamente à SC, é o de nela manter uma participação qualificada", afirmou a mesma fonte.

A permeabilidade da estrutura accionista da empresa nortenha é comentada há muito no sector, tendo já havido rumores insistente da possibilidade de a SC se juntar a empresas angolanas, primeiro, e a espanholas, mais ultimamente.

Os rumores também já passaram por empresas brasileiras. A amizade entre Laurindo Costa e Salvador Caetano, que juntos controlam mais de 50 por cento do capital da empresa, coloca, pelo menos enquanto, a capacidade de influenciar o futuro da SC nas mãos deste dois accionistas, o que não retira expectativa sobre o que possa ser decidido no curto e médio prazo.

NotíCIas



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 Atenções concentradas nas relações entre a Teixeira Duarte e a Soares da Costa  
notíCIas_pt 58  16-02-2004 04:02 
 ta explicada a agitaçao nas duas  novo
Acampora 25  16-02-2004 05:23 



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