A Euribor, a três e nove meses, atingiram sexta-feira os valores mais baixos de sempre, nos 2,052% em ambos os prazos. A seis meses, o prazo mais utilizado nos empréstimos à habitação, o valor fixou-se nos 2,044% o mínimo desde Junho do ano passado.
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Porque caem os juros
Subida no mercado cambial. A valorização de 17% do euro contra o dólar desde o início de 2003 tem vindo a afectar as vendas das empresas que exportam para o mercado norte-americano ou para mercados que negoceiam em dólares. Com produtos mais caros, as empresas perdem competitividade face às concorrentes americanas. Uma das formas de combater a apreciação da divisa europeia traduz-se numa descida dos juros pelo BCE. A Euribor desce com os grandes bancos a apostarem numa redução do custo do dinheiro pelo banco central.
Inflação. A subida generalizada dos preços é o indicador mais correlacionado com os juros. Segundo os dados do Eurostat divulgado sexta-feira, a inflação da Zona Euro atingiu o seu valor mais baixo dos últimos quatro anos, ao situar-se nos 1,6% em Fevereiro, um valor bem abaixo do limite imposto de 2% pelo BCE na condução de política monetária.
Pressão política. A pressão exercida nos últimos dias por responsáveis políticos também contribui para a queda dos juros. Na semana passada, os líderes do eixo franco-alemão, Jean Pierre Raffarin e Gerhard Schröeder apelaram a uma redução dos juros aos responsáveis do BCE.
Crescimento económico. O atraso na retoma europeia tem vindo a "exigir" novos estímulos à economia, como uma descida dos juros. Segundo a Comissão Europeia, o PIB da Zona Euro terá crescido 0,4% em 2003, para evoluir 1,8% este ano e 2,3% em 2005.
A Euribor, a três e nove meses, atingiram sexta-feira os valores mais baixos de sempre, nos 2,052% em ambos os prazos. A seis meses, o prazo mais utilizado nos empréstimos à habitação, o valor fixou-se nos 2,044% o mínimo desde Junho do ano passado.
Obrigações europeias disparam com queda da inflação
As obrigações do Tesouro das principais economias europeias subiram sexta-feira apoiadas no anúncio da queda da inflação na Zona Euro para o valor mais baixo dos últimos quatro anos.
O Eurostat, instituto de estatística da União Europeia, revelou na passada sexta-feira que a subida generalizada dos preços nos países que partilham o euro situou-se nos 1,6% em Fevereiro. Esta foi a leitura – preliminar e que deverá ser actualizada em 17 de Março – mais baixa verificada desde Novembro do ano passado.
"Este é um sinal de que há coisas para ocorrer em breve", afirmou à Bloomberg um analista do Royal Bank of Scotland, em Londres, numa alusão à possibilidade de redução dos juros para breve por parte do Banco Central Europeu (BCE). O mesmo responsável acrescentou ainda que esta "foi uma surpresa razoável".
O "bund" alemão a 10 anos, que serve de referência ao mercado obrigacionista europeu, valorizou 0,3% para o seu valor mais alto desde o seu lançamento em Outubro passado, nos 101,56% do seu valor facial.
A respectiva rentabilidade ("yield"), que se movimenta em sentido contrário ao preço, desceu dos 4,084% de quinta-feira para os 4,047%. A obrigação congénere francesa valorizou 0,28% para os 99,49%, com a "yield" a descer para os 4,063%. A OT nacional com o mesmo prazo fechou nos 101,39%, a valorizar 0,33%, com a "yield" nos 4,206%.
BCE pressionado para descer juros
Uma menor pressão inflacionista pode indiciar um corte para breve da taxa de juro directora do banco central, porque os baixos índices de inflação são o objectivo principal do BCE.
O limite máximo para a inflação imposto pela instituição liderada pelo francês Jean-Claude Trichet situa-se nos 2%.
O BCE reduziu a principal taxa de juro por sete vezes desde Abril de 2001, mesmo quando a inflação excedia os 2%, o limite imposto pela instituição em quase todos os meses desde essa data. Na reunião da próxima quinta-feira, Trichet estará sob pressão, mas os analistas não esperam um corte tão cedo.
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