A parceria da Efacec na China, o maior investimento português feito no "gigante asiático", está a ser retomada depois de ter estado perto de fechar as portas, referiu à Lusa o presidente da empresa.
"Penso que temos agora os ingredientes fundamentais para se virar a folha e pensar numa nova etapa", indicou António Cardoso Pinto, durante uma deslocação à China, no âmbito da visita da ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Gouveia.
A Efacec Electric Equipment Co.(LEEEC), um investimento da Efacec iniciado há dez anos e que se assumiu como a primeira empresa de capitais mistos luso-chinesa, deu sempre prejuízo e as actividades da fábrica chegaram a estar paradas.
No ano passado, por iniciativa do governo local e após a posição assumida pela Efacec de que teria de haver mudanças para o grupo português voltar a empenhar-se no projecto, procedeu-se a uma remodelação na estrutura da LEEEC.
A maior parcela da empresa, fabricante de transformadores eléctricos, que pertencia a uma companhia estatal chinesa, foi vendida a um grupo de 11 gestores privados e, segundo Cardoso Pinto, "no final de 2003 começou a dar sinais de retoma".
O grupo português tem uma fatia de 35 por cento da "joint- venture", e até ao momento investiu cerca de dez milhões de dólares (8,2 milhões de euros) em capital e transferência de tecnologia, um recorde em termos de investimento português na China, que a Efacec admite agora aumentar.
"Se este novo arranque se vier a confirmar, a Efacec admite a possibilidade de aumentar a sua participação nesta empresa", indicou o presidente do grupo com sede em Matosinhos.
Segundo Cardoso Pinto, a Efacec assinou recentemente um acordo com a LEEEC referente a aspectos comerciais e está numa fase final de discussão de detalhes quanto ao reforço da transferência de tecnologia.
"As coisas não correram bem, mas já eram interessantes no passado e continuam a sê-lo", referiu o presidente da empresa, assinalando que as perspectivas de desenvolvimento nesta área, na China, "são óbvias e palpáveis".
"Não acontece desenvolvimento sem energia e para haver energia é preciso equipamento", observa Cardoso Pinto.
Depois de "conquistar" o mercado do continente chinês, cuja responsabilidade pela comercialização do produto pertence ao sócio chinês, a empresa pode pensar "noutros voos", acrescentou.
"A Efacec vende metade daquilo que faz no exterior e ter um produtor com custos mais baixos que os europeus, constitui um activo estratégico para vir a abastecer o mercado internacional, como também comprar componentes para tornar os seus produtos mais competitivos", indicou o presidente da Efacec.
Situada em Liaoyang, na província de Liaoning (nordeste), a LEEEC carrega consigo o peso de ter sido "pioneira" entre as empresas portuguesas, desta forma, será sempre olhada como modelo por outros investidores portugueses.
O presidente Jorge Sampaio inaugurou a fábrica durante uma visita oficial à China, quando esta iniciou operações, em 1997, e o empreendimento foi então descrito como "símbolo do dinamismo empresarial estratégico português".
A retoma da LEEEC foi também agora "apadrinhada" pelo secretário de Estado adjunto para a Economia, Franquelim Garcia Alves, que integra a comitiva oficial liderada por Teresa Gouveia, que acompanhou o presidente da Efacec numa visita à fábrica.
"Tudo nos leva a concluir que há um interesse de ambos os lados em encontrar saídas que viabilizem a parceria e a tornem num caso exemplar que possa ser um ponto de partida para outros investimentos portugueses na China", referiu Garcia Alves.
Efacec renova investimento na China após um período de crise
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03-03-2004 02:51
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