Lucros da PT caem 38% penalizados por corte de 15% nos empregos na PTC (act2)
A Portugal Telecom anunciou hoje que os resultados líquidos de 2003 desceram 38% para 240 milhões de euros, um valor que ficou em linha com as estimativas, devido à redução dos créditos fiscais e custos de reestruturação na PT Comunicações, onde o número de postos de trabalho foi cortado em 15%.
A Portugal Telecom anunciou hoje que os resultados líquidos de 2003 desceram 38% para 240 milhões de euros, um valor que ficou em linha com as estimativas, devido à redução dos créditos fiscais e custos de reestruturação na PT Comunicações, onde o número de postos de trabalho foi cortado em 15%.
Os lucros de 2003 comparam com os 391,1 milhões de euros conseguidos em 2002. Os analistas consultados pelo Canal de Negócios aguardavam resultados líquidos de 242 milhões de euros, com as estimativas a oscilarem entre os 219 e os 258 milhões de euros.
A PT, no entanto afirma que, excluindo os custos com o programa de redução de efectivos, líquidos do correspondente impacto fiscal, de 314 milhões de euros, o resultado líquido consolidado teria ascendido a 451 milhões de euros, o que representa uma subida de 5,5% face a 2002.
Excluindo também um ajustamento contabilístico relacionado com a redução da taxa de imposto, no valor de 142 milhões de euros, a PT teria apresentado lucros de 593 milhões de euros, mais 38,9% que em 2002.
Os custos com o programa de redução de efectivos, que abrangeu 1.530 trabalhadores, ocorreram devido à redução de 15% no número de trabalhadores do negócio de rede fixa.
No quarto trimestre, período em que foram contabilizados estes custos, a PT teve mesmo um prejuízo de 39 milhões de euros, contra lucros de 69,6 milhões de euros no período homólogo.
Acções da PT no último ano
EBITDA e receitas sobem
No ano passado a PT diz que as receitas de exploração ascenderam a 5,776 milhões de euros, um aumento de 3,5% face a 2002 e «excluindo a desvalorização de 20% do Real, as receitas consolidadas de exploração teriam aumentado 10%».
Já o EBITDA, ou «cash flow» operacional, cresceu 1,7% até aos 2,267 mil milhões de euros e sem o efeito do real teria crescido 7,7%. A margem EBITDA ficou nos 39,3%. 2003, o resultado operacional aumentou 3,7% para 1,314 mil milhões de euros, equivalente a uma margem operacional de 22,7%, em linha com o ano anterior.
No final de 2003, a dívida líquida da PT ascendia a 3,216 mil milhões de euros, uma redução de 821 milhões de euros face a 2002. A PT explica que este valor inclui o investimento de 196 milhões de euros na aquisição de acções próprias ao abrigo do anunciado programa de ‘share buyback’, que envolve a aquisição de até 10% do capital da PT.
A empresa liderada por Horta e Costa tem já 3,11% do seu capital social, tendo adquirido cada acção a um preço médio de 7,65 euros.
O investimento de capital, ou Capex, desceu 16% em 2003 para 652 milhões de euros, o EBITDA menos Capex aumentou 12% para 1,61 mil milhões de euros
PT termina 2003 com 33,5 milhões de clientes; 391 mil na banda larga
No final do ano passado a PT tinha uma base de clientes de 33,5 milhões, o que representa um crescimento de 18,2% face a 2002. Só no quarto trimestre a empresa conseguiu adicionar a sua base de clientes em 2,8 milhões.
Na banda larga, através de ADSL e Internet por cabo, a PT tinha 391 mil clientes, número que equivale a uma penetração de 7,6% dos acessos e a 38,2% das casas com computadores.
Na rede fixa o número de acessos cresceu 0,7% para 4,225 milhões, tendo no ADSL um total de 188 mil clientes, 43 mil dos quais angariados no quarto trimestre.
No negócio móvel em Portugal, através da TMN, a PT tinha 4,887 milhões de clientes activos, mais 10,4% que no final de 2002. No quarto trimestre a maior operadora móvel portuguesa conquistou 195 mil novos clientes, mais que a Optimus em todo o ano 2003.
Apesar do crescimento da base de clientes, a TMN viu o seu ARPU, ou receita média mensal por cliente, descer 6,5% no quarto trimestre, para 24,6 euros, devido à redução das tarifas.
Já no Brasil, através da Vivo, a PT angariou 3,487 milhões de novos clientes, elevando para 20,65 milhões o número total de clientes no final de 2003. O ARPU da Vivo também desceu 5,4%.
Por fim, na TV Cabo, a PT tinha 1,442 milhões de clientes no final de 2003, 134 mil deles obtidos nos últimos três meses do ano passado.
No final do ano passado a PT tinha 24.872 trabalhadores ao serviço, um número que representa um crescimento de 7,6% face a 2002, devido ao crescimento de 69,7% no Brasil.
É que nos negócios em Portugal o número de trabalhadores desceu 14,6%, com o programa de redução de efectivos a abranger 1.530 trabalhadores, dos quais 1.450 na rede fixa.
TMN compensa queda nas receitas e EBITDA da PT Comunicações
Em Portugal a PT continua a assistir uma quebra na actividade do negócio de fixo, que é ainda compensado pelo crescimento no negócio móvel, onde as receitas e o EBITDA aumentaram em 2003, ao contrário do ocorrido na PT Comunicações.
Assim em 2003 as receitas da PT Comunicações desceram 6,3% para 2,28 mil milhões de euros, com o EBITDA a cair 7,9% até aos 907,3 milhões de euros. Já a TMN apresentou em 2003 um EBITDA de 689,9 milhões de euros, mais 10,7% que em 2002, enquanto as receitas aumentaram 3,2% para os 1,522 mil milhões de euros.
Em 2003, o Capex da TMN diminuiu 40,4% para 168 milhões de euros, incluindo 39 milhões de euros referente à aquisição de um conjunto de activos da OniWay na sequência do acordo assinado em 2002 entre esta empresa e os outros três operadores móveis a operar em Portugal, incluindo a TMN.
Já no Brasil, onde a PT divide o capital da Vivo com a Telefónica, as receitas cresceram 16,8% e o EBITDA aumentou 16,7%.
As acções da PT seguiam a descer 2,34% para os 9,18 euros, com os investidores a penalizarem a empresa por os seus resultados não terem ficado acima das estimativas, como habitualmente acontece.
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