Segundo um recente estudo da International Energy Association (IEA) sobre a produção e procura de energia, essencialmente petróleo, a procura de energia no mundo deverá continuar a crescer em 1,7% ao ano até 2030, o que significa que a procura aumentará em dois terços durante este periodo.
O petróleo continuará a ser a fonte energética mais procurada e as reservas de petróleo existentes são suficientes para satisfazer a procura estimada por pelo menos 20 anos. Após este periodo, o debate está algo acesso sobre a capacidade do petróleo continuar a satisfazer a procura e as razões para alguns pessimismos devem-se às recentes revisões em baixa da Shell sobre as suas reservas, a um estudo sobre um gigante poço da Arábia Saudita indicando que poderá estar muito perto da sua máxima produção ou mesmo no limiar de uma repentina diminuição e ao reconhecimento por parte da Saudi Aramco que as taxas de declínio são um assunto sério, para manterem a sua produção ao nível corrente.
As projecções de procura para o ano de 2030 obrigam um incremento da capacidade de produção, no qual 85% será para repor declínios de produção em certos poços e apenas 15% é necessário para fazer face a nova procura. O que isto significa é que vai ser necessário fazer elevados investimentos no sector do petróleo nos próximos 20 anos, porque as taxas de declínio serão um factor mais crítico do que a taxa de procura de petróleo.
Como o Médio Oriente detém actualmente metade das reservas dos membros da OPEC, no futuro esta região continuará a ser de extrema importância. A OPEC é actualmente responsável por 34% da oferta de petróleo e deverá aumentar a sua quota para 54% em 2030. A dependência de petróleo será maior na Ásia onde se estima que atinja os 83%, dobrando os níveis actuais.
Relativamente a consequências do aumento do preço do petróleo, um estudo da IEA em colaboração com a OCDE e o FMI, indica que um aumento de 10 dólares, de 25 para 35 dólares (o estudo foi publicado em Maio e no entanto os valores já foram ultrapassados) resultaria num decréscimo de 0,4% do PIB na OCDE, no primeiro e segundo anos do aumento, um aumento da inflação em meio ponto percentual e um aumento também do desemprego. A OCDE importou mais de metade das suas necessidades de petróleo em 2003, com um custo de mais de 20% do que em 2001.
A zona euro, que é altamente dependente de importações, sofreria um recuo de 0,5% do PIB e um aumento de 0,5% da inflação em 2004. Os Estados Unidos sofreriam um recuo de 0,3% do PIB e o Japão um recuo de 0,4%.
Em todas estas regiões da OCDE, o impacto do aumento dos preços diminuiria no terceiro ano.
O impacto nos países em desenvolvimento seria ainda mais grave porque as suas economias são mais dependentes da importação de petróleo e a sua utilização é muito menos eficiente, obrigando a mais do dobro da consumo para o mesmo fim de um país desenvolvido.
Segundo este estudo se houvesse uma limitação de oferta por parte da OPEC no qual os preços aumentassem 20%, as suas receitas e o PIB dos paises da OPEC diminuiram porque o aumento dos preços não compensaria uma diminuição da produção.
Este estudo é no entanto feito com base em taxas de cambio fixas.
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