Acções da Jerónimo Martins ajustam para 8,70 euros com aumento de capital
A Jerónimo Martins começou hoje a negociar destacada dos direitos de participar no aumento de capital em curso. As acções seguiam nos 8,70 euros, acima do preço teórico de ajuste. O BCP e BPI, na qualidade de responsáveis pela organização e montagem da operação, vão receber 1,95 milhões de euros.
A Jerónimo Martins começou hoje a negociar destacada dos direitos de participar no aumento de capital em curso. As acções seguiam nos 8,70 euros, acima do preço teórico de ajuste. O BCP e BPI, na qualidade de responsáveis pela organização e montagem da operação, vão receber 1,95 milhões de euros.
Os investidores que comprarem acções da Jerónimo Martins [Cot] a partir de hoje, não terão direito a participar directamente no aumento de capital em curso.
Em consequência deste facto, as acções sofrem uma correcção técnica unitária que corresponde ao valor teórico dos direitos. Os títulos da retalhista encerram ontem a valer 9,78 euros e segundo os cálculos de operadores de mercado contactados pelo Jornal de Negócios Online, deveriam hoje sofrer correcção de 12% para 8,64 euros. Um comunicado da Euronext Lisbon no Boletim de Cotações confirma este valor.
Mas as acções da empresa seguiam nos 8,70 euros, o que representa uma valorização de 0,69% face ao preço de ajuste teórico.
O valor teórico dos direitos, à actual cotação, queda-se nos 1,14 euros e a partir de sexta-feira será possível negocia-los na Euronext Lisbon. O período de subscrição do aumento de capital inicia-se também nesta sexta-feira e termina às 15h00 do dia 25 de Junho, podendo as ordens de subscrição ser revogadas até ao dia 21 de Junho.
Nesta operação, a empresa liderada por Luís Palha procura um encaixe de 150 milhões de euros, através da emissão de 30 milhões de novas acções ao preço unitário de subscrição de 5 euros, um valor 49% aquém da cotação actual da empresa.
A recente recuperação em bolsa das acções da Jerónimo Martins tornou mais atractivo este preço de subscrição. Em 2004, o título acumula uma desvalorização de 6,5% mas já recuperou mais de 12% face ao mínimo.
Encaixe de 150 milhões de euros garantido
O capital social da Jerónimo Martins de 479 milhões de euros está actualmente representado por 95.858.644 de acções com um valor nominal de 5 euros. Após reforçar o capital para 629 milhões de euros, o valor da empresa ficará representado por 125.858.644 acções.
As 30 milhões de novas acções, independentemente do que acontecer neste período de negociação, terão subscrição garantida. A Sociedade Francisco Manuel Santos que controla 57,971% da Jerónimo Martins já garantiu que vai subscrever as 17,4 milhões de novas acções que tem direito. As restantes 12,6 milhões de novas acções, em caso de não subscrição pelos restantes accionistas, serão «tomadas» pelo BCP Investimento e pelo BPI, os dois bancos responsáveis pela organização e montagem desta operação.
BCP e BPI recebem 1,95 milhões de euros em comissões
O aumento de capital, caso não seja completamente subscrito através do exercício dos direitos e do rateio, o Millennium bcp e o BPI (desde que até ao final do período de subscrição não se verifique um caso de força maior que lhes permita denunciar o contrato de garantia de colocação celebrado com Jerónimo) asseguram a subscrição das acções sobrantes, até ao limite de 12.586.487 acções, ou 42% da oferta.
Pelos serviços de organização, assistência e colocação, o BCP e o BPI cobrarão uma comissão fixa de 600.000 euros. Adicionalmente, a empresa pagará uma comissão fixa de 1.350.000 euros pela garantia de colocação, o que perfaz um gasto de 1,95 milhões, ou seja, 1,3% do encaixe previsto.
A Jerónimo Martins assumiu ainda perante o BCP e o BPI que, até 31 de Dezembro de 2004, não procederá à oferta de acções, existentes ou a emitir, nem à emissão de outros valores mobiliários que confiram o direito à subscrição de acções, sem a prévia autorização destes bancos.
Jerónimo Martins comprará acções do BCP 88% mais caras
No prospecto do aumento de capital ontem anunciado, e ao abrigo das opções de venda alienadas pela participada Jerónimo Martins Finance, a empresa diz ter a obrigação de adquirir, com data de exercício a 8 de Setembro, 3.326.763 acções do BCP, ao preço de exercício de 3,64 euros por acção.
Este valor está 88% acima da actual cotação do banco (1,94 euros) e implica uma menos-valia potencial de 5,6 milhões de euros, um valor para o qual, nas contas do primeiro trimestre, estava criada uma provisão.
Nos primeiros três meses de 2004, a Jerónimo comprou ainda 3,3 milhões de acções do BCP com um «strike» de 3,68 euros. Fonte da empresa explicou ao Jornal de Negócios Online que este plano de opções, que remonta a 1999, foi contratado com o BCP quando a Jerónimo Martins desfez-se da posição no banco, contratando esta obrigação de adquirir títulos do banco a um preço pré-fixado. A mesma fonte acrescentou que a tranche de Setembro será a última deste plano.
Acções da Jerónimo Martins ajustam para 8,70 euros
notíCIas_pt
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08-06-2004 03:00
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