O passivo da Oni na actividade em Portugal ultrapassava, no final de 2003, os 727 milhões de euros, um valor elevado que reflecte os investimentos feitos desde o arranque do projecto, em 1999.
A juntar ao elevado passivo, a operadora apresenta capitais próprios negativos de 132 milhões de euros, o que a deixa numa situação de falência técnica. Aliás, a situação tem vindo a agravar-se já que um ano antes, no final de 2002, os capitais eram negativos em 86 milhões de euros.
Ao abrigo do artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais, na assembleia geral da empresa que aprove as contas deste exercício e que se realizará em 2005, terá que ser proposta uma solução para a situação deficitária da empresa. Pedro Norton de Matos, presidente da Oni, disse em entrevista ao Diário Económico que a situação está a ser estudada e que a solução será qualquer uma das que decorre do próprio clausulado da lei. Nos termos do art.35 prevê-se a possibilidade de se fazer uma redução de capital para absorver as perdas ou avançar para entradas de dinheiro. O responsável destacou ainda que a resolução do problema dos capitais próprios negativos da Oni «não terá que passar necessariamente por uma operação harmónio». O que poderá levar a um aumento de capital, por entradas de dinheiro, que permitam manter em dois terços a cobertura de capital. Para superar a situação será pedido um esforço aos accionistas da empresa, a EDP, que tem 56%; o BCP (22,8%); a Brisa (17%); e a Galp, com 4,1%. No entanto, os accionistas querem reduzir a sua posição, através de uma dispersão de capital.
Tecnom ultima contrato de PLC
A Oni está a ultimar as negociações com a espanhola Tecnom na área do ‘powerline’ (PLC), a tecnologia que utiliza a rede eléctrica para o fornecimento de serviços de comunicações.
O contrato, que numa primeira fase ronda os 10 milhões de euros e abrangerá 50 mil habitações da zona de Lisboa e do Porto, prevê a adjudicação de diversos equipamentos e serviços.
Com um vasto ‘know how’ nesta tecnologia, a Tecnom ganhou recentemente 70% do concurso lançado pela eléctrica espanhola Iberdrola para dar acesso a 150 mil potenciais clientes neste segmento.
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