Felicito o autor destes comentários que levanta algumas questões interessantes e vou referir-me resumidamente ao que me parece mais importante por me parecer estar também ligado a problemas actuais de fraco crescimento: Penso que os problemas com o novo ritmo de crescimento, relativamente lento, poderão estar relacionados não com o crescimento da produtividade que é condição necessária existir, como realmente existe, mas com uma imperfeita ou desadequada distribuição dos ganhos dessa produtividade, como era habitual fazer-se durante os 30 anos gloriosos. No pós guerra, os ganhos de produtividade distribuiam-se normalmente pelos assalariados, pela inovação tecnológica e aperfeiçoamento dos métodos de produção.Então o consumo aumentava e o Investimento fazia-se sem praticamente concorrência. Portanto nos anos 60 os frutos do crescimento, isto é a produtividade, partilhavam-se num ambiente livre e sem concorrência, de forma equilibrada entre detentores de capitais e assalariados e assim a procura final crescia, tudo caminhando muito bem, crescendo a economia sem sobressaltos a níveis excepcionais.
Mas essa boa e pacífica distribuição dos ganhos de produtividade, acabou em 1980, como consequência de dificuldades que apareceram em seguimento às recessões ocasionadas pelos choques petrolíferos. Então começou a vigorar um sistema complexo de negociações e concertações, acordos de sector, negociações de função pública com aumentos salariais indexados à inflação esperada. O Estado começou a interferir mais na distribuição dos ganhos de produtividade, que deveriam na sua maior parte ser afectados aos investimentos e à criação de empregos e não ao consumo.
Portanto, apesar de ganhos de produtividade bons em recentes anos com a entrada das novas tecnologias, o sistema e critérios de distribuição, são agora muito mais assimétricos, com prejuizo para o consumo e tendo o consumo nos EUA como na Europa um peso inportante no crescimento, daí resulta forte travão ao mesmo e consequentemente à economia.
Mas quando se fala em crescimento da produtividade como um todo para a economia é sempre bom notar-se que o sector de serviços, sector que afecta de longe a maior parte do emprego, tanto nos EUA como na Europa, não tem, ou tem uma produtividade mais baixa e ainda difícil de aumentar porque este sector é mais baseado em relações pessoais por si difíceis de robotizar ou automatizar.
Para sairmos deste estado de crescimento tímido, dizem muitos autores que existem nos Serviços um campo enorme a explorar e que está neles o novo manancial para o crescimento.
Estes problemas que colocou com muito interesse, são problemas que se põem também a nível da europa com algumas diferenças apenas quantitativas mas o problemas são na generalidade os mesmos.
Noutra ocasião voltarei a referir-me a mais problemas que expôs.
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