Ricardo Salgado diz que OPA ao BCP ou BPI é má para o país
Ricardo Salgado, em entrevista à TSF, conduzida pelo jornalista Fausto Coutinho, ontem emitida, revelou preocupação com o Orçamento de Bagão Félix, decepção na gestão da PT na Lusomundo e receio face a uma OPA hostil na banca portuguesa.
Ricardo Salgado, em entrevista à TSF, conduzida pelo jornalista Fausto Coutinho, ontem emitida, revelou preocupação com o Orçamento de Bagão Félix, decepção na gestão da PT na Lusomundo e receio face a uma OPA hostil na banca portuguesa.
Concorda com uma taxa mínima de 15% de IRC?
É assunto que estamos a analisar no seio da APB. Iremos reunir com o senhor ministro das Finanças para conseguirmos perceber melhor os efeitos das considerações que estão inseridas no Orçamento. No entanto, há razões para preocupação. Vejo classificados como benefícios fiscais coisas que não o são. Por exemplo, os custos directamente relacionados com os fundos de pensões. Portugal é periférico e tem dificuldades em manter um sistema financeiro com as rendibilidades médias dos outros sistemas da Europa e precisa atrair capitais. Podemos estar numa situação em que a competitividade fiscal, ou, neste caso, a falta dela, venha a agravar a rendibilidade do sistema financeiro nacional.
Como reagiria se o BCP ou BPI fossem alvo de OPA hostil?
É difícil responder. OPA hostil na banca normalmente não passa. Mas é sempre possível que aconteça. Não seria bom para o país, na medida da ambição de mantermos os centros de decisão. Mas é possível que venha a acontecer.
Os nossos bancos ainda são apetecíveis para os gigantes?
Claro. Portugal é um mercado interessante a nível ibérico. E parece-me claro que vamos assistir, no futuro próximo, ao aumento de fusões e aquisições "cross-border".
E a gestão da PT nos "media"?
É claro que não há uma vocação à partida da PT para gerir o negócio dos "media" e, portanto, há hesitações. A PT tem de encontrar, no seio da sua administração, uma forma de se relacionar com os "media". A Lusomundo Media é um grupo muito forte, não pode naturalmente passar pela venda a um grupo estrangeiro, tem de haver uma nova estratégia. Eventualmente dar as mãos a outros grupos nacionais e encontrar uma solução que fortaleça o sector.
Também aqui temos fragilidades. Não podemos ter dúvidas. Não podemos deixar que os grupos estrangeiros cheguem aqui e comprem grupos portugueses, porque também essa situação implicará uma perda de centros de decisão. E, neste caso, um centro de decisão muito importante para o nosso país.
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