JP Morgan baixa estimativa de lucro para a banca portuguesa
A JP Morgan baixou as estimativas de lucros para a banca portuguesas, em 2005 e 2006, depois de ter assumido uma postura mais conservadora sobre a subida dos juros. A elevada exposição à banca a retalho e a forte dependência das receitas à margem financeira explica a revisão. A casa prefere o BPI ao BES e BCP.
A JP Morgan baixou as estimativas de lucros para a banca portuguesas, em 2005 e 2006, depois de ter assumido uma postura mais conservadora sobre a subida dos juros. A elevada exposição à banca a retalho e a forte dependência das receitas à margem financeira explica a revisão. A casa prefere o BPI ao BES e BCP.
O Banco Central Europeu (BCE) manteve ontem a sua taxa de juro de referência nos 2% – valor mínimo de 60 anos – pelo décimo oitavo mês consecutivo, depois de na semana passada a Comissão Europeia ter baixado as previsões para o crescimento da Zona Euro em 2005 para 2% de 2,3%.
Num estudo publicado hoje sobre a banca ibérica, a JP Morgan diz que as recentes notícias indiciam uma recuperação económica a um ritmo mais lento, «com repercussões óbvias em termos de uma politica de taxas de juro menos agressiva».
Taxa de referência e euribor revistas em baixa
Na sequência desta informação, o departamento macroeconómico da JP Morgan reviu em baixa o ritmo de crescimento da taxa de refinanciamento junto do Banco Central.
Para o final deste ano, a casa norte-americana aguarda a permanência dos juros nos 2%, mas para o quarto trimestre de 2005, a taxa directora deverá quedar-se nos 2,5%, contra a anterior previsão, mais agressiva, que apontava para 3%.
As previsões para a média das taxas euribor também foram revistas em baixa. Por exemplo, para 2005, a JP Morgan incorporou na sua avaliação uma taxa para a euribor a três meses de 2,15%, contra o anterior «target» de 2,50%. Para a taxa interbancária a seis meses, o banco espera um valor médio de 2,35%, contra os anteriores 2,65%.
Hoje, a euribor a três meses cotava em 2,174% e a de seis meses nos 2,217%. A Euribor é a taxa de juro média à qual os bancos da Zona Euro vão emprestar euros entre si. É uma das taxas utilizadas pelos bancos, como taxa de referência para o crédito à habitação.
Banca nacional muito dependente do retalho e da margem
A equipa de analistas liderada por Carla Antunes da Silva defende que a banca ibérica «é muito sensível aos movimentos de taxa do BCE», devido à exposição à banca a retalho e à estrutura de receitas muito virada para a margem financeira, uma contribuição que o banco estima ser entre 65% a 70%.
A margem financeira é a diferença entre os juros cobrados e pagos, a qual representa a maioria dos proveitos da banca comercial.
Lucro líquido da banca portuguesa revisto em baixa
Esta pressão prevista sobre as margens levou Carla Antunes a descer as estimativas de lucros para a banca ibérica.
Em Portugal, o resultado estimado do Banco Comercial Português (BCP) [Cot] em 2005 caiu em 5,2% para 509 milhões de euros. A revisão em 2006 foi negativa em 2,3% para 598 milhões de euros.
Para o próximo ano, a JP Morgan cortou as estimativas de lucros do Banco Espírito Santo (BES) [Cot] em 12,7% para 270 milhões de euros, enquanto que para 2006, a descida foi de 7,5% para 319 milhões de euros.
O banco liderado por Fernando Ulrich viu a JP Morgan cortar em 8,8% e 7,6% as estimativas de lucros para 2005 e 2006, para os 173 milhões a 204 milhões de euros, respectivamente.
JP Morgan prefere Banco BPI ao BES e BCP
No universo português, a casa diz preferir as acções do Banco BPI, em detrimento das do BES e do BCP. O banco com sede no norte recebeu uma recomendação de «neutral», embora o preço-alvo tenha sido ajustado dos 3,3 euros para os actuais 3 euros.
A instituição liderada por Jardim Gonçalves recebeu uma recomendação idêntica, com o preço-alvo reiterado nos 1,80 euros. Já o preço-objectivo do banco de Ricardo Salgado foi ajustado de 13 para os 12 euros, o que justificou a manutenção da recomendação de «vender».
Sobre o BPI, a JP Morgan refere que numa altura em que a expectativa de crescimento económico está a arrefecer, «valorizamos o pendor do banco para o crédito à habitação e uma postura mais tradicional face ao risco».
Carla Antunes avança ainda que o BPI está em melhor situação em termos de défice do fundo de pensões (totalmente coberto) e de perdas do «portfolio» de investimento, «com implicações positivas a nível dos rácios de solvência».
As acções do BPI valorizavam 0,33% para 3,03 euros, o BCP cotava inalterado nos 1,86 euros e o BES aumentava 0,15% a cotar nos 13,22 euros.
JP Morgan baixa estimativa de lucro para a banca portuguesa
notíCIas_pt
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03-12-2004 08:33
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