O mais surpreendente neste momento e neste mercado é a ausência do "medo" .
O "VIX" é o indicador de sentimento do mercado mais fiável relativamente ao medo ou pessimismo ou à ausência de medo ou optimismo.
Mede a volatilidade do mercado e quando se apresenta próximo dos 50, isso significa um medo extremo e inversamente, quando próximo dos 20, sugere um mercado complacente em que o medo está totalmente ausente.
Quer os 50 como os 20 pontos, ou seja, o medo extremo ou a ausência total dele, são indicadores muito seguros de que algo está para acontecer no sentido de uma variação substancial em sentido contrário.
Neste momento o "VIX" está nos 23.9 pontos depois de uma ligeira subida na 6ª feira passada de 0.6 desde os 23.6, o que corresponde ao valor mais baixo desde Maio de 2002.
Conjuntamente com este indicador, a ruptura da linha das médias móveis dos 200 dias é um dado extremamente importante a manter sempre "debaixo de olho" .
Nestas últimas semanas as alterações dos índices têm sido insignificantes, verificando-se um "mercado lateral" com hesitações constantes sobre o sentido do rumo que pretende tomar.
Assim, durante a última semana o "Dow" perdeu 34 pontos ao fechar a 8306, muitíssimo perto do valor da média móvel de 200 dias, de 8311.
O "S&P" apresentou um insignificante ganhoi de 5 pontos ao fechar nos 899, ligeiramente acima da sua média móvel, de 879 pontos.
Finalmente o "Nasdaq" apresentou a melhor performance dos 3, ficando nos 100 pontos acima da sua média móvel, de 1338.
Esta ausência de medo acima referida foi, aparentemente, resultante do optimismo transmitido pelo fim da guerra, com o regresso de tropas, com a ausência de grandes problemas, e com a rapidez da resolução militar do conflito, que fizeram passar (erradamente) a sensação de uma "esperada" recuperação dos mercados.
Ora, é um facto que, de acordo com várias interpretações e análises ao nosso dispôr, o que se deverá passar é exactamente o contrário do que a maioria espera, ou seja, uma próxima profunda queda, até por que, contráriamente a esse sentimento optimista, os vários indicadores económicos não reflectem optimismos correspondentes.
Os indicadores continuam a apresentar-se débeis:
Enquanto que se esperava para o "GDP" um valor de cerca de 2,4% somente se atingiram 1.6%;
Verificaram-se durante o Q1 de 2003 uma perda de 262.000 postos de trabalho;
As sondagens sobre o "sentimento do consumidor" da Universidade de Michigan apresentaram um crescimento dos 77,6 para 86.0 de um mês para o outro, apresentando agora o valor mais elevado dos últimos 5 meses (o que aparentemente seria bom, mas que na realidade representa o contrário.
Constitui, por outro lado, um factor equilibrador o facto de, apesar do que se esperava, o consumo privado e o investimento se estarem a "aguentar" relativamente bem.
Os consumidores privados e os compradores de casas novas, que subiram esta semana 7.3%, estão convencidos que a guerra afinal não lhes trouxe nada de mal, antes pelo contrário, e rejubilam pelo facto das taxas de juro se manterem em valores ao nível mais baixo dos últimos 40 anos, pensando que assim se poderão manter ou até baixar um pouco mais, até que uma profunda recuperação dos mercados venha de novo puxar pela economia e então sim, com possibilidades de novas subidas das taxas, mas já num clima de optimismo real, com possibilidades de se cumprirem todos os compromissos relativos aos créditos.
Há tambem sinais positivos de que a deflacção possa ser retardada ou evitada, não parecendo, para já constituir motivo de preocupação de um perigo iminente, uma vez que a taxa de inflacção se tem mantido dentro de parâmetros favoráveis, não estanto a reflectir sinais de queda.
Há pois indicações que nos poderão levar a pensar que afinal as coisas não estarão tão más como parecia que iriam estar nesta altura, faltando ainda saber o resultado final da luta que Bush está a travar com o Congresso, relativamente à sua proposta de "choque fiscal", resultado esse que poderá vir a introduzir novas "nuances" na economia americana, ao melhorar o investimento e o consumo, a custo de um maior e mais prolongado deficit orçamental.
Todavia, do que já ficou dito acima relativamente ao "VIX" e ao optimismo generalizado, muito sinceramente, creio não ser de todo possivel uma hipotética recuperação dos mercados.
Quanto a mim, esses dados, serão um factor determinante para uma inevitável descida mais ou menos acentuada no curto prazo.
Vejamos por quanto mais tempo esta indecisão dos mercados nos vai fazer esperar !...
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