Autor: Incognitus
Data: 09-07-2003 04:02
Esse modelo tem uma série de características engraçadas.
Uma delas é a forma não linear como responde às mudanças de taxas de juro. Se as taxas de juro cairem de 8 para 4%, o modelo diz "as acções valem o dobro". Se cairem de 4 para 2%, então valem de novo mais um dobro, e se depois forem de 2% para 1%, voltam a valer mais o dobro. Ou seja, se forem as taxas de juro de 8% para 1%, o modelo deve dizer que as acções valem 8X mais (daí a queda incrível de sobrevalorização para subvalorização em apenas 3 anos e com uma queda de apenas 33% no S&P).
Outra coisa engraçada, é que todos os que usam este modelo construído para o S&P, depois aprestam-se a ir comprar acções do Nasdaq, onde se a filosofia do modelo fosse aplicada, as acções estariam BRUTALMENTE sobrevalorizadas, uma vez que o modelo usa resultados, e resultados é coisa que pouco há nas techs.
Ainda mais, se o modelo efectivamente estivesse correcto, para eliminar uma subavaliação de 33% (já nem digo 38%), o S&P teria que ir novamente para os máximos de 2000. Já. Ou seja, a bolha nunca teria existido.
Por fim, o modelo tinha que se ir basear em resultados operacionais. Ingorar dívida. Ignorar os agora completamente recorrentes resultados não recorrentes.
Não é à toa que as medidas de lucro usadas pelos macroeconomistas na contabilidade nacional dos EUA cada vez se têm afastado mais dos resultados "pro-forma" operacionais usados pelos promotores de Wall Street.
Bem, sempre que isto sobe, aparece sempre mais alguém a vender a ideia de que tem que subir mais. É demasiado ouvir alguém falar "as medidas do Bush para estimular o mercado de capitais são favoráveis, ao eliminar a taxação dos dividendos", e logo a seguir ir a correr comprar techs ... que não pagam dividendos. O fenómeno é parecido com o aqui presente.
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