A Sonae acaba de reforçar a sua posição na Portucel, com a aquisição de um lote de 5,2 milhões de acções, representativas de cerca de 0,68 por cento do capital da empresa de pasta e papel.
Fontes do mercado admitem que o grupo Sonae, por via do aumento da posição accionista na Portucel, pretenderá assim reforçar o seu poder negocial com o Governo, no âmbito do processo de privatização actualmente em curso.
O PÚBLICO procurou, sem sucesso, obter uma comentário da Sonae sobre o significado desta aquisição, que permite o reforço de 29,18 para 29,86 por cento na Portucel. A operação - que não tem de ser comunicada à entidade de supervisão porque não é uma participação qualificada - foi feita em bolsa na passada terça-feira, já no período de pré-fecho do mercado, altura em que é possível o encontro directo da posição vendedora e compradora. Do lado vendedor terá estado um fundo de investimento controlado por um banco nacional.
A aquisição de mais 5,2 milhões de títulos é vista no mercado com um sinal de que a Sonae pretende reforçar o seu poder negocial na Portucel, e poderá eventualmente ser lida como uma manifestação de interesse do grupo liderado por Belmiro de Azevedo em manter-se na papeleira, contrariando assim notícias de que este poderia estar vendedor da sua posição.
Uma hipótese que foi levantada pelo mercado depois da Sonae não se ter apresentado ao concurso de privatização da Portucel, a realizar através de um aumento de capital de até 25 por cento, deixando a operação ser disputada por dois concorrentes: a Cofina/Lecta e a M-Real. Desde o início do processo, o grupo da Maia tem manifestado oposição ao modelo desenhado pelo Governo, sem avançar, contudo, que estratégia pretende seguir.
Entre os diferentes cenários, tem-se colocado a possibilidade de a Sonae pretender travar o processo, avançando com um pedido de impugnação das decisões que forem tomadas na Assembleia Geral da Portucel para aprovação do aumento de capital e subsequente entrada de um novo parceiro. Com este reforço, a Sonae poderá estar então a tentar garantir a detenção do maior número de direitos de voto possível e a salvaguardar uma menor diluição da sua posição accionista que, a concretizar-se a operação de aumento de capital, se reduzirá para um intervalo entre os 20 e os 25 por cento.
O Governo espera que o júri do concurso de privatização da Portucel tenha o relatório final sobre os concorrentes concluído no final deste mês, para que o processo possa estar concluído até finais de Setembro.
Governo confiante no sucesso da OPV da Gescartão
O ministro da Economia, Carlos Tavares, manifestou-se ontem confiante no sucesso da oferta pública de aquisição (OPV) da Gescartão - uma operação ligada à Portucel SGPS, a entidade vendedora dos 35 por cento da empresa - desvalorizando o facto da procura se encontrar a um nível bastante inferior ao da oferta a dois dias do fim da operação.
Carlos Tavares, citado pela Reuters, afirmou que a Gescartão, controlada em 65 por cento pela dupla Sonae/Europac, através da Imocapital, mantém "como aspiração ter alguma dispersão" em bolsa, sublinhando que as ordens que já entraram dos particulares permitem que isso venha a acontecer.
O ministro admitiu que, na terça-feira, as ordens para a OPV, dadas maioritariamente de investidores particulares, excediam um milhão de títulos, confirmando assim a notícia avançada ontem pelo PÚBLICO. Carlos Tavares disse ainda que habitualmente os investidores instituicionais dão as ordens apenas nos últimos dias. O Estado está a vender a Gescartão a 6,5 euros por acção, o que lhe permitirá arrecadar 40 milhões de euros, caso a operação tenha sucesso.
Sonae reforça participação na Portucel com compra de lote de acções
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10-07-2003 03:10
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