O Banco Central do Brasil cortou a sua taxa de juro de referência pela quarta vez desde Junho, numa tentativa de animar uma economia a sofrer com as quebras da produção industrial e das vendas a retalho.
O preço do dinheiro foi fixado nos 20 por cento, contra os 22 por cento anteriores, sendo o nível mais baixo em quase um ano. A decisão do Banco Central (BC) seguiu-se à revisão em baixa em 2,5 pontos percentuais por parte da Federação Industrial de São Paulo, depois de terem sido divulgados os dados relativos à produção industrial de Agosto que caiu pelo quinto mês consecutivo. Mesmo assim, um economista da Goldman Sachs, Paulo Leme, disse à Bloomberg.com que as taxas terão de cair ainda mais para reverter a actual situação de declínio da economia.
Já para o director técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos (DIEESE), Sérgio Mendonça, citado pela “Gazeta Mercantil”, o BC “está a recuperar o tempo perdido”, referindo-se à política conservadora que dominou aquele órgão até há pouco tempo. O economista está convencido da possibilidade de a taxa terminar o ano nos 16 por cento, mas ressalva que os efeitos práticos destas reduções só deverão ser sentidos no exercício do próximo ano.
Para a Febraban, instituição que representa as Associações de Bancos, a decisão do comité “veio de acordo com o esperado” e a taxa base deverá chegar ao final de 2003 entre os 17 e os 18 por cento.
Três instituições bancárias acompanharam entretanto a quebra da taxa de referência e optaram por descer as taxas nos empréstimos pessoais e jurídicos. O Bradesco foi o primeiro a anunciar os cortes, seguindo-se a Caixa Econômica Federal e o HSBC.
A economia brasileira apresentou uma contracção de 1,4 por cento no segundo trimestre do ano, quando comparada aos valores do mesmo período de 2002, o que representa a maior quebra desde 1998.
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