No discurso sobre o défice corrente a mensagem que passou mais facilmente foi a de que a flexibilidade da economia mundial diminui o risco de uma queda abrupta do dólar, mas é preciso desde já parar com as políticas de proteccionismo. Deste modo tudo está bem, e mesmo que haja uma desvalorização do dólar não há motivos para preocupações.
Logo no início do texto, Greenspan esquivou-se a analisar a evolução do euro/dólar, referindo que os mercados são eficientes e por isso é praticamente impossível antecipar movimentos das maiores moedas.
Segundo Greenspan, é também impossível saber em que ponto é que o défice corrente será invertido, havendo casos de países em que o défice atingiu os dois dígitos. O défice dos Estados Unidos continua a sentir os efeitos da globalização através da diminuição dos custos de intermediação e a diminuição do chamado "home bias", que é a necessidade que as pessoas têm em ter os seus investimentos na sua terra em vez de no estrangeiro, mesmo que as taxas de retorno favoreçam a sua diversificação.
Mas ainda que seja impossível determinar o valor em que o défice é invertido, sabe-se que existe um limite para o seu crescimento. A sua inversão é na grande maioria dos casos suave, mas as consequências são com grande probabilidade de uma diminuição do crescimento.
Greenspan não tem uma resposta para o défice, até porque actualmente, o dólar é uma moeda universalmente aceite como reserva, o que traz consigo implicações mais complexas do que no caso de países com muito menos poder económico.
No final de 2002, 65% das reservas mundias eram em dólares e 15% em euros, o que em minha opinião, se por um lado aumenta a intensidade com que algumas instituições privadas e governamentais vão lutar contra uma desvalorização do dólar, por outro, aumenta o risco de que uma fuga tenha proporções muito preocupantes. Mas, a capacidade do euro ser uma moeda de reserva também é uma incógnita e tem a sua importância. Se tivermos em atenção as controvérsias sobre a liderança e condução da política europeia, a guerra entre os pequenos e grandes países, e a dúvida de como será realizada a integração dos novos países da Europa de Leste, dificilmente veremos as reservas mundiais a serem aplicadas em euros.
Em minha opinião é neste contexto que o ouro pode ganhar uma importância considerável, por não haver uma alternativa fiável ao dólar.
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