Os Estados Unidos da América vão terminar com a fixação de tarifas sobre o aço, medida que já resultou numa condenação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e em ameaças de retaliação por parte da União Europeia e da China.
Os Estados Unidos da América vão terminar com a fixação de tarifas sobre o aço, medida que já resultou numa condenação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e em ameaças de retaliação por parte da União Europeia e da China.
O presidente George Bush anunciou hoje o fim de um período de 21 meses de tarifas sobre importações de aço para os EUA, que anualmente atingem três mil milhões de dólares (2,47 mil milhões de euros).
As medidas de protecção «já serviram os seus propósitos», declarou o presidente dos EUA, em comunicado lido pelo seu porta-voz Scott McClellan. «Está na altura de levantá-las», acrescentou.
As medidas, que encarecem o aço importado em 24%, foram introduzidas em 2002 para ajudar empresas norte-americanas como a Steel, a Nucor e a International Steel Group a recuperar num período em que o valor da liga metálica estava muito baixo.
O presidente dos EUA tinha já afirmado hoje que a decisão que tomaria seria «baseada numa convicção forte que a economia norte-americana está melhor num mundo que comercializa livremente e de forma mais justa».
Contudo, o comunicado agora divulgado acrescenta que os EUA irão continuar a monitorizar as importações de aço, observando quaisquer evoluções que possam prejudicar «injustamente» a indústria.
A cessação de tarifas sobre a importação de aço vem melhorar a imagem externa dos EUA no seio da OMC – que pela primeira vez estabeleceu sanções contra este país, no valor de 2,3 mil milhões de dólares (1,89 mil milhões de euros) – e junto da União Europeia, que já condenou o proteccionismo norte-americano.
A China e a Europa, recorde-se, ameaçaram já retaliar, encarecendo os produtos norte-americanos nos seus mercados.
Mas a decisão de Bush terá consequências internas para o presidente norte-americano. Um ano antes das eleições presidenciais, para as quais Bush concorre a um segundo mandato, o presidente republicano poderá perder o apoio de estados associados à produção de aço, onde a maioria da população depende da sobrevivência das indústrias do sector, como o Ohio e a Pennsylvania.
Os trabalhadores do sector do aço estão concentrados em West Virgínia, Ohio e Pennsylvania, que no total contabilizam 47 votos dos 270 que compõem o colégio eleitoral que Bush precisa para vencer as eleições, a realizar em Novembro de 2004.
As tarifas impostas por George Bush sobre o aço importado foram adoptadas em Março de 2002, com a duração estimada de três anos, devendo terminar só em Março de 2005.
A decisão de 2002 foi tomada depois dos preços do aço terem atingido o nível mais baixo, levando ao encerramento, por falência, de mais de 44 companhias de aço norte-americanas desde 1997.
Externamente, a medida tomada em 2002 levou a que a UE estabelecesse limites às importações de aço e que a China, maior consumidor mundial desta liga, adoptasse as suas próprias restrições, consubstanciadas em quotas para as importações, medidas que agora poderão ser reequacionadas.
Após conhecida a notícia, a evolução do euro [Cot] inverteu, passando a cair 0,39%, para 1,2063 dólares
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