Fundo público de capitalização bateu privados na última década
O fundo público de capitalização – criado para fazer face às dificuldades financeiras do sistema de repartição da Segurança Social, previsíveis para daqui a alguns anos – registou um desempenho superior aos fundos privados nos últimos 10 anos
O fundo público de capitalização – criado para fazer face às dificuldades financeiras do sistema de repartição da Segurança Social, previsíveis para daqui a alguns anos – registou um desempenho superior aos fundos privados nos últimos 10 anos, noticia hoje o Jornal de Negócios.
Entre 1994 e 2003, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) obteve uma taxa de rentabilidade nominal de 6,34%, acima do retorno mediano dos fundos de pensões privados, medida pela consultora internacional William Mercer, de 6,2%.
Este período é suficientemente longo para permitir uma análise comparativa deste género. Os períodos de crise, como aquele que se viveu entre 2000 e meados de 2003, penalizam, geralmente, de forma acrescida os fundos privados, que praticam políticas de gestão mais agressivas.
Com efeito, o fundo público ganhou 4,27% nos últimos cinco anos, bem acima da “performance” dos fundos privados, com uma rentabilidade nominal de 1,8%.
Em declarações ao Jornal de Negócios, o presidente do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, Pedro Ferreira Guerra, mostrou-se satisfeito com os resultados do fundo, mas desvalorizou a comparação com os privados.
“É natural que tenhamos melhores resultados em conjunturas de crise porque temos uma política mais conservadora”, disse.
Em 2003, o fundo da Segurança Social registou uma rentabilidade nominal de 6,4%, o que, em termos reais (descontando o efeito da inflação) se traduz numa taxa de retorno de 4,45%. Esta taxa significa, na prática, que os responsáveis pelo IGFCSS conseguiram, através das suas aplicações financeiras, engordar o FEFSS em 310,4 milhões de euros.
Juntando o retorno alcançado pela gestão financeira do fundo às dotações efectuadas pelo orçamento da Segurança Social, no valor de 415,2 milhões de euros, o fundo de capitalização público cresceu, em 2003, 726 milhões de euros, ou seja, 15,4%. Deste modo, no final do ano passado, o FEFSS acumulava um património total de 5.442,8 milhões de euros.
Ao longo do ano transacto, os gestores do fundo de estabilização foram aumentando a exposição ao segmento accionista até ao limite máximo previsto na política de investimento do fundo, de 10%, excluindo os quase 3% da reserva estratégica, constituída por acções da PT.
É intenção do IGFCSS reforçar ainda mais o investimento em acções, aguardando-se apenas a aprovação pelo ministro da Segurança Social, Bagão Félix, do novo regulamento do fundo, que permitirá uma exposição máxima ao segmento accionista de 25%, bem como alargar o investimento a títulos não denominados em euros.
Fundo público de capitalização bateu privados na última década
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26-01-2004 01:44
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