A reacção dos mercados à reunião do G7 de Sábado passado foi muito suave, até porque a mensagem que saiu dessa reunião não alterou as diferentes mensagens que se vinham a ouvir dos diferentes responsáveis económicos e financeiros. Ontem o Secretário de Estado do Tesouro norte-americano, John Snow, foi um pouco mais agressivo nas palavras e avisou que nunca se pode dizer nunca a uma intervenção cambial, mas o euro/dólar resistiu e hoje está em terreno ligeiramente positivo.
Os mercados financeiros aguardam agora o discurso de Greenspan na U.S. House of Representatives, amanhã às 15 horas, esperando que alguma indicação seja dada relativamente ao futuro da política monetária norte-americana, mas provavelmente Greenspan aproveitará a ocasião para dar mais um sério aviso sobre a política orçamental, aproveitando o relatório divulgado em finais de Janeiro pelo Congressional Budget Office.
As estimativas para este ano são de mais um recorde no défice orçamental norte-americano em valor nominal, cerca de 477 mil milhões de dólares. Se bem, que em percentagem do PIB, o défice será de valor muito menos acentuado do que aquele vivido nos princípios dos anos 80 e 90, e ficar-se-á pelos 4,2%, as perspectivas demográficas actuais também são muito piores.
Segundo o relatório, nos próximos 30 anos, o número de pessoas com 65 ou mais anos vai duplicar, enquanto que o número de adultos com menos de 65 anos vai crescer menos de 15 por cento. É a geração do baby-boom a entrar na idade da reforma e que vai causar uma alteração histórica no orçamento dos Estados Unidos. Os gastos com Segurança Social e programas médicos (Medicare e Medicaid) deverão aumentar em mais de dois terços, de 8% do PIB em 2004 para mais de 14% em 2030 e praticamente 18% em 2050.
As pressões sobre o orçamento vão obrigar a uma combinação de duas escolhas, menores gastos públicos, em áreas como a educação e transportes, e um aumento dos impostos, provavelmente para níveis nunca antes vistos nos Estados Unidos.
Relativamente a taxas de juro, os investidores vão estar atentos à visão de Greenspan sobre o mercado de trabalho e sobre o gap do PIB (output gap - diferença entre o PIB real e o potencial). Apesar do forte crescimento económico do segundo semestre de 2003, a economia norte-americana continua numa situação difícil, com os preços a um nível demasiado baixo, um mercado de trabalho estagnado, e um output gap demasiado elevado. Ainda que as perspectivas tenham vindo a melhorar sobre estes três factores, a situação não é ainda animadora e são precisos dados mais seguros para convencer os mais optimistas.
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